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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Arte Sano

A plenitude também se busca no "nada" da Natureza. Talvez aí nos reencontraremos. Estas curtas imagens serão prova disso e possibilitam, de alguma forma, uma breve panorâmica da Exposição "Flora de Brincadiras" acolhida há tempos no Museu do Ferro & da Região de Moncorvo.

As Fontes

Canto esquecido

E outra vez os dedos nodosos, que pareciam cobertos de neve, se enterravam naquele aglomerado de concreções alvacentas; agitando-as, trazendo ao de cima as que jaziam na profundidade, fazendo mergulhar as que se encontravam à superfície e pondo de lado aquelas em que já avultavam grandes granulações opalinas»
Campos Monteiro, Novelas Transmontanas – Ares da Minha Serra



Canto esquecido


Pego nas tuas mãos, desfolho os teus dedos um a um,
Lenta e suavemente
Os acaricio contra os meus lábios
Como se jamais os pudesse voltar a tocar

Descubro mil gestos de ternura, mil memórias
Nas tuas mãos que o tempo não pára
Num antigo rito de fogo que os dedos dançam
Em formas e sentidos, eterno fluir de mágica função

Destino e tempo, sem tempo,
Mãos eternas que revolvem o fruto da terra sobre o cobre
E o revestem de glórias inventadas
No calor de uma secreta medida

Pego nas tuas mãos que me afagam o rosto
Agora silencioso
Sinto os teus dedos sobre os meus olhos maravilhados
E já não sei se adormeci, se sonho, ou se apenas choro

20 de Agosto de 2009

Em homenagem às cobrideiras de amêndoa de Moncorvo, artesãs de um ofício quase esquecido . Com a minha gratidão .

Isqueiro da crise


Isqueiro dos tempos em que era obrigatório pagar licença. Este modelo permitia a fuga a esse peso no orçamento. Era constituído por um elo de cana com um leve corte em diagonal, na ponta. O combustível era formado a partir de um pouco de tecido queimado. A ignição fazia-se ao percutir um objecto de aço numa pedra encostada à boca da cana. Aceso o cigarro, poupava-se o combustível, tapando-o com uma rolha de cortiça.

Talvez não fosse má ideia adoptar novamente este modelo. Assim se evitariam muitos incêndios, porque não haveria paciência para pôr a engenhoca a funcionar, Além disso, poupar-se-ia mais combustível !

Este exemplar foi identificado em V.N de Foz Côa, mas tenho a confirmação de que em Moncorvo também se utilizava esta "boca incendiária".

Por curiosidade, já fiz uma réplica, mas não resultou. Talvez seja por isso que não fumo!!!!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

A Igreja

Nestes dias de procura interior em Moncorvo, sempre que passo pela Igreja vem-me à memória uma frase de Goethe: "A arquitectura é música petrificada". Ao Grande Arquitecto do Universo que nos transcende e limita a nossa condição humana: todos podíamos ser deuses, mas os homens abdicaram da partilha. E deus morre quando um homem morre, e deus nasce quando uma criança nasce.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Felgar - Festa NSA 2009

Realiza-se no próximo fim de semana a Festa em Honra de Nª Sª do Amparo.

Aqui fica o programa.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Dístico

Um ramo de aromas
Com sabor de amoras

Parabéns, Drª Júlia
J. Costa
N.B. Este ramo foi colhido no Peredo e em Sequeiros.

P'rà Júlia

O meu nome é Júlia.
Desde os romanos
que o meu nome é Júlia.
Podia ser Augusta
porque nasci em Agosto.
Mas o meu nome é Júlia.
Desde os romanos
que o meu nome é Júlia.

Nasci quando até a brisa era quente
e nada corria a não
ser o tempo na Corredoura.
Mas desde os romanos
que o meu nome é Júlia.

Não sei se há flores com este nome
ou sirocos ou tempestades
ou tsunamis ou tufões
com o meu nome.
Talvez haja.Mas insisto:
desde os romanos que
o meu nome é Júlia.

Cairam inpérios
nasceram impérios,
o Tempo brincou com o Tempo,
mas digo-vos:
o meu nome é Júlia
desde os romanos que é Júlia.

Não insistam: dizem que
escrevi livros
que abracei netos
que soube que há
sofrimento e morte,
mas não insistam.
Por favor não insistam.
O meu nome é Júlia.
Desde os romanos que o meu nome é
Júlia.

Amores sem tempo,
ternuras sem medida,
esperanças sem espera,
utopias leves para não
incomodar o vizinho,
a corredoura mátria,
as ruas pequenas
que a memória tornou maiores.
Não insistam que eu repito:
sou a Júlia
Júlia desde os tempos dos romanos,
quando ser Júlia
era olhar o Mundo
sem ter medo dele.

Júlia, nada mais tenho para lhe oferecer, além deste momento de terna amizade. Parabéns.

Às Cobrideiras de Amêndoa de Moncorvo

Um dos ex-libris de Torre de Moncorvo é a famosa "amêndoa coberta", isto a par do trabalho do ferro e, em termos monumentais, da igreja matriz da vila. A confeitaria da "amêndoa coberta" está enraizada nesta terra talvez há mais de 200 anos, com referências documentais desde há cerca de século e meio.
Assim, e ainda em jeito de homenagem à Drª. Júlia de Barros Guarda Ribeiro, para os moncorvenses Júlia Biló, aqui vai mais um poema, este de sua autoria, dedicado às cobrideiras de amêndoa de Torre de Moncorvo:

À COBRIDEIRA DE AMÊNDOA DE MONCORVO

(à memória de minha mãe e de todas as cobrideiras de amêndoa)

Ninguém sabe nem pressente
Que de teus dedos ardidos
Brota o tom luminescente
Do açúcar feito flor
Das doces rosas-amêndoas.

Ninguém sabe nem pressente
Que de tuas mãos fortes e hábeis
Brotam as pétalas-bicos
Brotam as pétalas frágeis
Das doces amêndoas-rosas.

Ninguém sabe nem pressente
Que de teus gestos sofridos
Repetidos, sempre iguais
De incompleto remar
Brotam como espuma do mar
As doces rosas-amêndoas.

Horas sem minutos,
Dias sem nomes,
Anos que teu ventre calcinaram
No teu corpo dolorido.
Do teu salgado suor
Do teu esquecido labor
Nasceram as amêndoas-rosas
As doces rosas-amêndoas
Amêndoas do teu amor.

Júlia de Barros Biló (1954), in: Somos poeira, somos astros, Magno Edições, 2000, págs. 52-53

Parabéns Júlia!...

Permitam-nos os nossos leitores e visitantes que aqui felicitemos a nossa Colaboradora e Amiga, a professora e escritora Drª. Júlia Biló, por ocasião da celebração do seu aniversário (hoje, 17 de Agosto), com um grande abraço dos Amigos Blogueiros, que lhe desejam as maiores felicidades e muitos anos de vida!... Os nossos sinceros Parabéns!

E como prenda de aniversário, aqui lhe deixamos estes belos versos do nosso conterrâneo José Manuel Remondes, com referência a sua mãe:

AS DOCEIRAS DE MONCORVO

I
As doceiras de Moncorvo
Tinham fama em todo o lado
Nas festas de povo em povo
Moncorvo estava representado

II
Eram as doceiras nas festas
Uma forte tradição
Vendendo amêndoas cobertas
Que se compravam como recordação

III
Onde houvesse romarias
Lá estavam as doceiras
Com as suas doçarias
Para servir as romeiras

IV
Bom era o licor de canela
Bebido pela garrafinha
Acompanhando com ela
Uma súplica docinha

V
Económicos e rebuçados
As amêndoas e o licor
Pelos romeiros eram comprados
Por ser bom o seu sabor
VI
A toalha que cobria a mesa
Branquinha e bem passada
Sujava-se na certeza
Quando a festa estava animada

VII
Também tinham o seu pregão
Que tinha a sua piada
A tia Antónia Biló então
De todas era a mais engraçada
VIII
Toda a gente se ria com ela
Como ela também se ria
Vendendo o seu licor de canela
E os bons doces que fazia

IX
Moncorvo tinha doceiras
Alegres e divertidas
Honradas e trabalhadeiras
Que não podem ser esquecidas

X
As doceiras vão acabando
Nas festas não se vêem mais
Mas é bom ir recordando
Coisas que eram boas demais

Autor: J. M. Remondes
Foto: Leonel Brito (anos 70 do séc. XX)

domingo, 16 de agosto de 2009

15 de Agosto - Festas da Vila e do Concelho

15 de Agosto. Dia de Festa na vila, a qual se pretende representantiva de todo o concelho. Que de todo o concelho, de toda a região, e de toda a "estranja" convergem os povos para verem a procissão passar, e, no fim, para se divertirem até horas tardas.
Aqui fica uma brevíssima reportagem de momentos processionais, aguardando outros contributos mais:

Pela Avenida Engº Duarte Pacheco (antiga rua do Cabo), não poderia nunca faltar o andor de Santo Isidro, padroeiro dos campos da Vilariça, outrora transportado num carro puxado por uma junta de bois, o qual foi substituído há já uns bons anos por um tractor. O tabuleiro onde pousa a imagem do Santo é semeado com cereal (é uma sementeira natural, nada de plástico!), evocando as antigas searas da Vilariça, que cabia ao Santo proteger, desde a sua capelinha, situada na Qtª. da Portela.


O Orgulho de ser Moncorvense... - Na cartela da direita, levada por um anjinho, lê-se: "Rainha dos Céus, padroeira de Torre de Moncorvo". E à esquerda, a menina assume: "Eu sou Moncorvense"! As cores azul e branco das crianças-anjos evocam as cores celestiais da Senhora da Assunção, que vem já atrás, em grande andor, puxada por mais um tractor.

Estralejam os foguetes, desta feita confundindo-se com alguns roncos de trovoada. Só ameaças. Caiem algumas pingas em jeito de benção e nada mais...
Passam as bandas... De sons afinados, tocam alternadamente: Felgar e Carviçais. Sem elas a procissão jamais teria o mesmo brilho. Vivam os músicos e seus maestros!

Já passaram os outros andores, mais pequenos, levados pelos devotos em promessa. Passa a multidão, enquanto outros assistem, até se integrarem no cortejo. Rostos devotos, compenetrados, carinhas larocas também, eis que aqui estão, cumprindo a tradição, passando, ou vendo passar a procissão...

Duas horas depois, um longo circuito que já torneou a vila - Rua do Cabo, avenida dos Combatentes, Avenida João Paulo II, R. Vasco da Gama, R. Constantino Rei dos Floristas, Praça, Rua dos Sapateiros, R. Tomás Ribeiro, Praça (de novo, mas pelo outro lado), Rua das Flores, e chegada apoteótica ao Adro. A multidão reune-se em redor da sua Padroeira.

Nossa Senhora da Assunção, junto ao seu templo, a grandiosa igreja matriz de Torre de Moncorvo. Os mordomos começam a recolher os andores. O da Senhora é o último, ficando em apoteose no adro, enquanto dos devotos colhem flores e deixam ainda alguns donativos, promessas cumpridas, ou pedidos para mais um ano de boa sorte, boa saúde, para cada um e para os seus...

Depois dos acordes finais, também os músicos se despedem. Cai a noite e a Rainha dos Céus despede-se dos fiéis que a vieram venerar. Mais um ano. Mais uma vez a Tradição se cumpriu.

Finda a procissão, fica a igreja e o antigo Rossio de Torre de Moncorvo (hoje Largo General Claudino), com as suas esplanadas já preparadas e à espera do cumprimento de outra tradição - esta, mais de cariz nocturno...

sábado, 15 de agosto de 2009

Por estas Bandas

Procissão em Sequeiros - Julho de 2004.
Na impossibilidade de assisir às festas de Moncorvo, o arquivo dá voz à Banda.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Plenum

Mostra-me ( sobre su ave)

Mostra-me o mundo que se estende das tuas mãos
Porque há certamente mundos para além das tuas mãos
Desvenda-me os segredos, os silêncios, as coisas
Ensina-me a olhar para lá dos meus olhos
Que já não vêm mais do que o imperfeito
A sombra inacabada dos montes e o ocaso
De algumas tardes que guardo nos meus desenhos
Uma fresta de luz na portada, nada mais
Uma ave que se despede ao anoitecer
Um choro, uma palavra, um canto
Um breve frio no rosto, diria uma memória, talvez
Mostra-me os recantos habitados
A minha casa, o fogo da lareira,
O riso dos meninos, a larga praça por onde se abrem as vozes
Que por vezes ainda julgo ouvir
Mostra-me a curva fluvial e os salgueiros
Que se debruçam sobre o meu corpo
Agora e aqui
Mostra-me
Para que eu possa partir outra vez

14 de Agosto 2009

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Su ave

Capela da Senhora da Teixeira (Frescos)

Aqui fica um olhar fotográfico que nos foi enviado por Leonel Brito (autor das fotografias e da apresentação) sobre as pinturas a fresco do ermitério de N. Sª. da Teixeira, próximo de Sequeiros (freguesia de Açoreira).

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Moncorvo em Pessoa

Festas da Vila e do Concelho

(clique na imagem para aumentar)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Aconteceu no Museu: palestra em jeito de balanço sobre o Património concelhio

Como foi anunciado, realizou-se no sábado passado, dia 8 de Agosto, no auditório do Museu do Ferro e no contexto da Exposição "VESTÍGIOS...", a palestra sobre o Património Arqueológico e Arquitectónico do concelho de Moncorvo. A sessão foi presidida pelos representantes do município (Sr. João Rodrigues, em representação do Sr. Presidente da Câmara) e do PARM (Engº. Afonso Calheiros e Menezes, Presidente da Direcção), tendo-se seguido as intervenções do Sr. Prof. Doutor Adriano Vasco Rodrigues, Sr. Norberto Santos e Drs. Nelson Campos e Rui Leonardo.
Tendo presente o Inventário Arqueológico do Concelho de Torre de Moncorvo revisto e actualizado, o qual foi entregue ao Município para inclusão no capítulo respectivo do novo PDM, o objectivo essencial desta sessão foi o de se fazer um balanço (ainda que necessariamente breve e muito preliminar) do estado dos conhecimentos sobre o património arqueológico e arquitectónico existente (e identificado até à data) no nosso concelho. A partir daí, tentou-se traçar um quadro da ocupação humana do território em que nos situamos (que obviamente não se confina às fronteiras artificiais do concelho), pelo menos nos últimos 5.000 anos, já que os dados para épocas anteriores são bastante escassos.
Assim, a palestra visava dar um pouco mais de substância à Exposição "VESTÍGIOS...", funcionando como seu complemento, ou como outra face de uma mesma moeda, tendo em vista a organização de uma futura sala de Arqueologia & História, prevista desde o início, nos espaços do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo.

Para saber mais, ver: http://parm-moncorvo.blogspot.com/2009/08/palestra-sobre-patrimonio-do-concelho.html

domingo, 9 de agosto de 2009

Luar-dos-Montes

Momento registado enquanto um cãozito, encostado à máquina fotográfica, ladrava à Lua. Não conseguiu os seus intentos, mas emprestou ao cenário uma musicalidade magnífica.

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