Permite que a ave da tristeza pouse na tua cabeça, mas nunca aceites que faça ninho nos teus cabelos.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Ainda as festas de Verão
Igreja Matriz do Larinho (foto dos anos 30, arquivo Dr. João Leonardo)terça-feira, 1 de setembro de 2009
Recordando a Póvoa
Há cinco/seis anos escrevi esta crónica para o Jornal de Notícias, numa rubrica semanal que tive durante mais de dois anos na edição de Lisboa deste jornal. Porque penso que tem alguma actualidade, contextualizando-a no tempo, penso que ainda tem alguma actualidade. Por isso e também por preito ao Nélson, achei que a devo republicar, depois de a retirar da minha arca informática. Aqui vai, tal como foi escrita há cinco/ seis anos.
"De novo, as gravuras
ou
Ao Sabor das gravuras
Encontramo-nos no quiosque da Praça a comprar jornais. O Público anunciava, em chamada de primeira página, a descoberta de novas gravuras rupestres no Sabor, com 20 mil anos de idade.
Encontrámo-nos eu e o Nélson Rebanda, o arqueólogo que descobriu as primeiras gravuras do Côa e que tão injustiçado foi nos anos seguintes. Foi uma espécie de Cristóvão Colombo das gravuras.Viriam mais tarde os conquistadores. A notícia, assinada por Pedro Garcias, um homem cá de cima, dava ao Sabor da minha infância um sabor novo.
No dia anterior tinha ido comer peixes à Foz ( do Sabor), num ritual que se repete sempre que rumo a limpezas de olhar interior. Também nesse dia me embrenhara nas fragas da Póvoa onde, já lá vão perto de 25 anos, levei o Assis Pacheco que, perante uma professora primária vestida para nos receber como se se preparasse para uma ida ao S. Carlos, numa casa sem luz nem água, com o caldeiro dos grelos à lareira, escreveu um belíssimo poema, posteriormente publicado na Vértice.
Hoje na Póvoa vivem 22 pessoas, bem contadinhas, quase todas com idade superior a 60 anos. As casas, com se o tempo não passasse por ali, mantêm-se de pedra, em construção tosca mas robusta de granito. E desabitadas, na maioria.
E fomos tomar café. O Nélson Rebanda estava excitado pela descoberta e era referido no texto como o criador da expressão do Côa, Santuário Sagrado.
Mas que importância tem descobrir que há 20 mil anos já se sonhava por aqui, nos desfiladeiros inóspitos, quando o sonho é considerado hoje, pelo pragmatismo crescente, um dos sintomas do desfazamento da realidade e um obstáculo ao nacional-situacionismo, mediático e político, para quem o efémero e o supérfluo são os grandes promotores de energias e desenvolvimento?
Vejo o Nélson desencantado, por vezes excessivamente auto-crucificado, num jogo de incompreensão que o isolamento potencia.
Mas como é que não se sentirá alguém que, durante infindáveis dias, foi desbastando de roçadoura na mão, os arbustos que escondiam as pedras, o xisto sólido do chão sagrado?
E leio também que, após 23 anos de serviço à causa pública, Diana Andringa se despede da RTP. Como não se há-de sentir ao ver o estado a que a televisão (pública e privada) chegou.
E leio A Bola. Um jogador atinge os 20 milhões de contos. Outros menos milhões, mas ainda milhões.
A Igreja em vez de abençoar Deus, preocupa-se mais em criticar César. Esquece o sagrado e sacia-se no profano.
A remodelação e os seus rumores inventam analistas e suportam ajustes de contas. Resultados de sondagens, sempre relativos, são absolutizados.
Ouvem-se pelo interior as sirenes. Começaram os incêndios. A seu tempo virá a remodelação.
E os jornais em vez de picotarem na rocha um auroque (boi selvagem), preferem pintar em papel um cenário de um país dissolvente, em que tanto governo como oposição servem de arbusto e ocultação ao grande auroque gravado na pedra do tempo.
Rogério Rodrigues
Apresentação de Outros Contos da Montanha, por Isabel Mateus
Ainda no passado dia 29 de Agosto, depois de inaugurada a Exposição sobre o felgueirense Armando Martins Janeira, teve a palavra uma outra felgueirense: Isabel Maria Fidalgo Mateus, natural das Quintas do Corisco, presentemente professora de Português na Universidade de Liverpool, após a conclusão do seu doutoramento pela University of Birmingham (Reino Unido).
Após a apresentação deste mesmo livro – Outros contos da Montanha – ocorrida há meses na Biblioteca da Escola Secundária de Torre de Moncorvo e no Grémio Literário de Vila Real (onde teve o patrocínio do escritor A.M. Pires Cabral e da presidente do Círculo Miguel Torga, Doutora Assunção Anes), chegou a vez de também a Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo dar a conhecer a obra desta nossa conterrânea.
Após as palavras do Sr. Presidente da Câmara, a apresentação da autora esteve a cargo de uma sua antiga colega do Secundário, que frequentaram em Torre de Moncorvo, a jornalista Glória Lopes, que enalteceu as suas qualidades, bem como do livro em causa.
Por fim, Isabel Mateus falou da temática dos diversos contos que compõem o livro. Por aqui perpassam a emigração, a desertificação humana, a dureza do trabalho no campo, hoje como no Passado, mas também muito da Cultura popular, tudo caldeado num grande telurismo, bem digno do conterrâneo Armando Martins Janeira (o homem que andava sempre com três pedras de minério do Roborêdo), ou ainda de Miguel Torga, de quem a autora colheu inspiração para o título desta obra. “Eu afirmo as quintas, as quintas são a minha raiz” – disse Isabel Mateus, a dado passo da sua intervenção. Congratulou-se pelo facto de os seus contos serem lidos em lares de idosos, além da sua apresentação em diversas escolas, como no Agrupamento Vertical de Torre de Moncorvo. Mas não só: em Inglaterra, na University of Liverpool, onde existe um grupo de Português, já se organizou uma semana de cultura lusófona (Lusophone Culture Week), tendo um dos seus contos sido traduzido para inglês.
A finalizar, Isabel Mateus levantou ainda um bocadinho a ponta do véu do seu novo livro, que terá por título: O trigo dos pardais e versará sobre a relação das crianças com a natureza, nomeadamente com brinquedos e brincadeiras a partir de elementos naturais, um tema bem do agrado do nosso colega blogueiro Vasdoal.No auditório da biblioteca, aquando da apresentação do livro, esteve patente ainda uma exposição de desenhos aguarelados, de autoria de Cristina Borges, que serviram de base às belas ilustrações incluídas no livro.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Dia 29 de Agosto, inauguração da Exposição sobre Armando Martins Janeira
Conforme anunciado oportunamente, foi inaugurada no passado dia 29.08.2009, a exposição: sob o título “Armando Martins Janeira ou a busca do Homem Universal”.
A visita guiada à Exposição esteve a cargo da Srª. Embaixatriz, D. Ingrid Bloser Martins, que salientou os principais passos da vida e obra do Sr. Embaixador Armando Martins (1914-1988), natural de Felgueiras (concelho de Torre de Moncorvo). Tendo principiado a sua carreira diplomática no antigo Congo belga (mostra-se na exposição o uniforme que usava, à época), desta fase se apresentam alguns objectos de Arte Africana, que o nosso conterrâneo recolheu nessas paragens. Todavia, o que viria a cativar verdadeiramente o seu interesse foi a Cultura Japonesa, de que se tornou um estudioso emérito. Esse interesse vinha fermentando desde muito jovem, ao tomar contacto com a obra de Wenceslau de Moraes (n. Lisboa, 1854; m. Tokushima,1929), o português que se “japonizou” por completo entre o séc. XIX-XX. Numa das vitrinas ilustra-se esse contacto, com livros e imagens de e sobre Wenceslau de Moraes, alguns de autoria de Armando M. Janeira, como o “Peregrino” (recentemente reeditado pela editora Pássaro de Fogo).
O numeroso público seguiu atentamente as explicações sobre o significado dos objectos patentes, no contexto da vida e obra do embaixador Armando M. Janeira (foto da Biblioteca Municipal de T. de Moncorvo)
Fotografias da família imperial do Japão, estampas, kimonos e outras peças têxteis, colecções de bonecas japonesas, objectos do ritual do chá, alguns “kompeitos” (palavra japonesa de origem portuguesa para designar “confeitos”) similares às nossas amêndoas cobertas de Moncorvo (só que sem o grão de amêndoa no interior do açúcar, outros livros de Armando M. Janeira, como as Figuras de Silêncio, O impacto português sobre a civilização japonesa, Japão, a Construção de Um País Moderno ou, simplesmente, peças de teatro, como Linda Inês, tudo associado a objectos coleccionados com muita dedicação e carinho, como faianças e porcelanas, nesta mostra se encontra sintetizada uma vida que foi uma busca e um Encontro com o Outro, todavia sem nunca perder o sentido das suas raízes, como bem sintetizou a sua viúva, Srª. D. Ingrid.
A concepção da exposição teve o apoio do Sr. Arquitecto Carlo Maria Bloser, tendo a montagem sido apoiada pela equipa da Biblioteca/Centro de Memória. A decoração floral, integrando formosos arranjos de Ikebana, esteve a cargo da Srª. Embaixatriz D. Ingrid Bloser, assim como alguns conteúdos do Catálogo, que contou com a colaboração da Drª. Paula Mateus, especialista da obra de Armando M. Janeira, e da equipa da Biblioteca Municipal.
Esta Exposição fica patente no Centro de Memória de Torre de Moncorvo até ao mês de Outubro, podendo ser visitada durante o horário da Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo.
Para saber mais sobre o Embaixador Armando Martins Janeira, ver neste blogue:
E ainda o "site" próprio: http://www.armandomartinsjaneira.net/
NOTA: A título de mera curiosidade, informamos que foi no decurso de uma outra exposição sobre a Vida e Obra do Embaixador Armando Martins Janeira, realizada em 1997 no Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, que surgiu a ideia de se constituir um Centro de Memória destinado a conservar e a divulgar os espólios dos mais ilustres concidadãos naturais ou identificados com Torre de Moncorvo. Isto porque a Srª. Embaixatriz D. Ingrid Bloser Martins, logo nessa ocasião manifestou a intenção de oferecer uma série de documentos, livros e objectos pessoais ao Museu. Como o espólio em causa não se enquadrava bem no âmbito temático do Museu, para além da manifesta falta de espaço para se incorporarem outros espólios que eventualmente viessem a ser propostos (como era o caso do do Professor Santos Júnior, de que então também já se falava), o responsável do Museu do Ferro e da Região de Moncorvo propôs então à autarquia a criação de um Centro de Memória, o que viria a ser aceite e se concretizou no espaço actual anexo à Biblioteca.
domingo, 30 de agosto de 2009
Rostos Transmontanos
Fui na passada sexta-feira ver de novo ( já a vira em Moncorvo) a exposição fotográfica "Rostos Transmontanos" de Paulo Patoleia. Eu e o Lelo e bemmequero ( o filho do "apita abílio" ,que tem na net o "forum de Carviçais") e gostamos. A Júlia Ribeiro é que veio de propósito de Leiria a Lisboa e se perdeu. Penso que deve ter ido parar às antigas instalações do Museu da República e Resistência na Estrada de Benfica, no que se chama o Casal do Grandele. A exposição está patente até 10 de Setembro e qualquer transmontano que se preze e tenha algum tempo não a pode perder. Daqui envio os meus parabéns ao Paulo Patoleia. Foi pena que não estivesse ninguém da Câmara, já que era uma das patrocinadoras. Sei que havia outras actividades naquele dia, mas de qualquer modo... Enfim
sábado, 29 de agosto de 2009
Felgar - Festa NSA 2009
Felgar - Festa de Nª Sª do Amparo.
Domingo, 23 de Agosto de 2009, cerca das 9h30.
Como de costume a Banda do Felgar recebe a Banda de Música convidada, este ano a Banda de Mirandela. No Largo da Santa Cruz trocam cumprimentos.
Chamo a atenção para a evolução que a nossa banda teve desde Janeiro até hoje. Veja-se a mesma música tocada na Festa de S. Sebastião, também aqui colocada, e compare-se com a execução de hoje. Sente-se que tem sido realizado um trabalho de aperfeiçoamento notável. Estão de parabéns o regente, os músicos e a direcção da SFF.
Nota: Os mais atentos ouvem um som de fundo contínuo. Eu mostro já o que é...
Trata-se do agradável som da água a correr no chafariz.
Só não coloco aqui o cheiro matinal dos jardins do Cimo do Lugar porque é muita mão de obra...
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Mais um conto de Júlia Biló: O ZÉ LEITINHO
Não sei se alguém em Moncorvo se lembrará ainda do Zé Leitinho, José Leite de seu nome oficial.
Magrinho, de altura mediana, pele macilenta, cabelo preto liso, risco ao meio e empastado de brilhantina para se manter fixo no seu devido lugar. Sempre vestido de fato preto, lustroso de tão coçado, pastinha preta debaixo do braço.
Creio que era funcionário menor da Câmara, talvez cobrador.
Também lhe calhava ir à Corredoura. Então aí, à roda do Zé Leitinho, juntavam-se as meninas da Corredoura que, ao tempo, eram as filhas da Sra. Camila Miranda, da Sra. Rosalina Mesquita, a Menina Alcina, jovem esposa do Sr.Todu, a Menina Gininha Galo (já não muito jovem) , as filhas da Sra. Delmina Terceira, a Menina Natalina, a Menina Idalina e ... não sei se me esqueci de mais alguma. Depois a roda alargava-se com mais algumas mulheres e , obviamente, a canalhada não podia faltar.
Nesta última faixa encontrava-me eu. Furávamos entre as pernas das pessoas (já uma pequena multidão) para chegarmos à frente e não perder pitada.
As filhas da Sra. Rosalina e da Sra. Camila pediam, suplicavam ao Zé Leitinho que lhes cantasse o “Passarinho da Ribeira”. E insistiam : “A sua voz é maravilhosa” , “Canta que nem um rouxinol” . “ Não , não canto. Por favor, não peçam mais” . “Se for preciso, peço-lhe de joelhos” . E uma mais atrevida pôs logo os joelhos em terra e, de mãos postas : “ Por favor, cante. Não nos faça sofrer mais “ .
E o Zé Leitinho atrapalhado - até o cabelo começava a fugir do seu arrumadinho lugar - queria sair dali, mas a roda apertava-se à sua volta.
Finalmente cedia em cantar “Só uma. Só uma e mais nada”. Fazia-se silêncio e o Zé Leitinho esticava o pescoço, pigarreava, olhava para o céu, fechava então os olhos e soltava a sua voz : “Passaaaarinho da Ribeira / Não seeeejas meu inimiiiiigo ... “ Aqui começava uma das Meninas a ficar sem forças, encostando-se a outra e mais outra que começava a desmaiar... e o Zé Leitinho, embebido na canção que existia na sua cabeça e não sabendo que a desafinação era completa, continuava “...Empreeeeesta-me as tuas aaaasas / Deixaaaaa-me ir voaaaaar contiiiigo...” Por esta altura, tinha de abrir os olhos , porque os “ais” das Meninas eram já muitos e os desmaios tantos que algumas iam a correr buscar água para deitar na testa das que haviam desmaiado e estavam nos braços de outras que fingiam chorar .
A aflição estampava-se na cara do Zé Leitinho que, em lágrimas verdadeiras, dizia confuso: “ Eu não queria cantar. Eu sei que a minha voz provoca este efeito nas jovens. Oh, Deus me valha! “ Lá conseguia que lhe abrissem o cerco e, tirando o lencinho branco que espreitava do pequeno bolso do casaco, fugia limpando a testa e a cara.
As Meninas em desmaio recuperavam de imediato e as lágrimas que agora lhes assomavam aos olhos eram das gargalhadas que o Zé Leitinho já não ouvia.
Eu era muito pequenita e até sentia pena do Zé Leitinho . Mas tenho de confessar que nunca ouvi voz tão desafinada. E mais, em alguém que não tinha a mais leve ideia da sua desafinação.
NOTA – Penso que o Lelo sabe outras estórias do Zé Leitinho.
Por: Júlia de Barros Guarda Ribeiro (Júlia Biló)
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Exposição sobre Armando M. Janeira e livro de Isabel Mateus
"O local é o universal sem paredes", disse um dia o grande escritor transmontano Miguel Torga.
Pois se conjugarmos os temas da Exposição sobre o Embaixador Armando Martins Janeira que será inaugurada no próximo dia 29 de Agosto, pelas 11;00h, no Centro de Memória, com a temática do livro de Isabel Fidalgo Mateus, sobre a nossa Montanha (o Roboredo), ou, mais propriamente sobre o mundo de trás-da-serra, de onde partiram tanto o Embaixador como esta sua prima afastada, natural das Quintas de Felgueiras, temos a frase de Torga consumada na sua plenitude.
É que tanto a busca do Homem Universal intentada por Janeira, como esta demanda do local procurada por Isabel Mateus, têm como referência sempre o "locus" de onde partiram.
Ambos embaixadores, cada qual à sua maneira, pois a Doutora Isabel Mateus é, presentemente, professora na Universidade de Liverpool, onde muito bem representa a nossa terra (e de onde nos envia as suas crónicas para o blogue), ambos tiveram percursos similares embora em contextos cronológicos distintos: o jovem Armando frequenta aqui aprende as primeiras letras nos anos 20 do séc. XX, enquanto a pequena Isabel por aqui andou à escola nos anos 70 e 80.
Todavia, ambos devem ter subido um dia ao alto da Serra e imaginado que havia mais mundo, e partiram. Também Armando Martins Janeira passou por Inglaterra, antes de se fixar por mais tempo no Japão e na cultura japonesa. A Isabel deambulou por Portugal e Europas (o marido é italiano, passo a inconfidência), antes de se fixar (ao presente) no Reino Unido.
Em suma, dois felgueirenses (do concelho de Moncorvo), que sentiram a tal pulsão de evasão e se projectaram no mundo exterior, buscando a universalidade, mas que nunca esqueceram as suas raízes. Um cumpriu já o seu destino e é a personalidade de excepção que se conhece. A nossa contemporânea está a concretizar também o seu percurso, e daqui lhe desejamos um futuro à medida dos seus desejos - mas tendo sempre presente o magneto do Roboredo a orientar a sua bússola.
Sábado, a partir das 11;00 h no Centro de Memória.
Para saber mais, ver os seguintes post's, no nosso blogue:
- sobre Armando M. Janeira:
http://torredemoncorvoinblog.blogspot.com/2009/02/biblioteca-iv-ainda-armando-martins.html
- Sobre Isabel Mateus:
http://torredemoncorvoinblog.blogspot.com/2009/04/outros-contos-da-montanha-de-isabel.html
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Ponto final
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Festa de Senhora do Amparo (Felgar)
Aconteceu este fim de semana a festa de Nª. Senhora do Amparo do Felgar.
A história do culto da Senhora do Amparo e da respectiva festa, começou com um barco em risco de naufrágio, no alto mar, num certo dia do século XIX, entre Portugal e o Brasil. O barco era de pavilhão inglês e chamava-se Iteamer.
Ia a bordo um felgarense, que viria a ser comendador, chamado Francisco António Pires (nascido em 29.06.1837; falecido em 7.03.1901), que, no meio da aflição geral, fez uma promessa de edificar uma capela e celebrar uma festa em honra da Senhora do Amparo, se se salvassem, o que veio a acontecer. E a promessa foi cumprida.

Esta história, com uma réplica antiga do barco, e muitas fotografias de beneméritos, e todo o tipo de “souvenirs” e “ex-votos” podem apreciar-se na Casa dos Milagres do santuário.
A festa do Felgar enraizou-se ao longo de todo o século XX, sendo das romarias mais concorridas de todo o Leste do distrito de Bragança.
Procissão da Senhora do Amparo, em 1972 - o militar fardado, segurando o pendão, em promessa pelo seu regresso são e salvo, é César Rebouta (arquivo particular de Agripino Paredes, a quem agradecemos) sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Alpendre cultural II
Este curto filme( versão revista e aumentada) é um registo de alguns momentos deste "Alpendre Cultural"que me alberga o espírito e até a alma ( não fosse estar resguardado pela Catedral), nas minhas investidas a Moncorvo.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Arte Sano
A plenitude também se busca no "nada" da Natureza. Talvez aí nos reencontraremos. Estas curtas imagens serão prova disso e possibilitam, de alguma forma, uma breve panorâmica da Exposição "Flora de Brincadiras" acolhida há tempos no Museu do Ferro & da Região de Moncorvo.
Canto esquecido
E outra vez os dedos nodosos, que pareciam cobertos de neve, se enterravam naquele aglomerado de concreções alvacentas; agitando-as, trazendo ao de cima as que jaziam na profundidade, fazendo mergulhar as que se encontravam à superfície e pondo de lado aquelas em que já avultavam grandes granulações opalinas»
Campos Monteiro, Novelas Transmontanas – Ares da Minha Serra
Canto esquecido
Pego nas tuas mãos, desfolho os teus dedos um a um,
Lenta e suavemente
Os acaricio contra os meus lábios
Como se jamais os pudesse voltar a tocar
Descubro mil gestos de ternura, mil memórias
Nas tuas mãos que o tempo não pára
Num antigo rito de fogo que os dedos dançam
Em formas e sentidos, eterno fluir de mágica função
Destino e tempo, sem tempo,
Mãos eternas que revolvem o fruto da terra sobre o cobre
E o revestem de glórias inventadas
No calor de uma secreta medida
Pego nas tuas mãos que me afagam o rosto
Agora silencioso
Sinto os teus dedos sobre os meus olhos maravilhados
E já não sei se adormeci, se sonho, ou se apenas choro
20 de Agosto de 2009
Em homenagem às cobrideiras de amêndoa de Moncorvo, artesãs de um ofício quase esquecido . Com a minha gratidão .
Isqueiro da crise
Isqueiro dos tempos em que era obrigatório pagar licença. Este modelo permitia a fuga a esse peso no orçamento. Era constituído por um elo de cana com um leve corte em diagonal, na ponta. O combustível era formado a partir de um pouco de tecido queimado. A ignição fazia-se ao percutir um objecto de aço numa pedra encostada à boca da cana. Aceso o cigarro, poupava-se o combustível, tapando-o com uma rolha de cortiça.
Talvez não fosse má ideia adoptar novamente este modelo. Assim se evitariam muitos incêndios, porque não haveria paciência para pôr a engenhoca a funcionar, Além disso, poupar-se-ia mais combustível !
Este exemplar foi identificado em V.N de Foz Côa, mas tenho a confirmação de que em Moncorvo também se utilizava esta "boca incendiária".
Por curiosidade, já fiz uma réplica, mas não resultou. Talvez seja por isso que não fumo!!!!
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
A Igreja
Nestes dias de procura interior em Moncorvo, sempre que passo pela Igreja vem-me à memória uma frase de Goethe: "A arquitectura é música petrificada". Ao Grande Arquitecto do Universo que nos transcende e limita a nossa condição humana: todos podíamos ser deuses, mas os homens abdicaram da partilha. E deus morre quando um homem morre, e deus nasce quando uma criança nasce.












