(continuação do post anterior e conclusão)
Então, vejamos: de acordo com as listagens, o pior que pode chamar-se a um homem é: “chavelhudo, cornampas, galheiro, panacho”, ou seja, “cornudo”.
Ora, se tal acontece, a culpa é da mulher. E se o homem está amantizado , dir-se-á que é “aputado”, sendo ainda a mulher a ter de carregar com esta culpa… vocabular.
De resto, (exceptuando o termo “azeiteiro”, há uns 50 ou 60 anos o pior insulto que se podia lançar a um homem), epítetos como: “mandongueiro, mantilheiro, mentrasteiro, saioleiro” isto é, “mulherengo”, eram tidos quase como elogios, ainda que , por vezes, um tanto velados.
Vemos pela presente listagem que o homem é essencialmente “labrego, vadio, aldrabão, preguiçoso, lorpa…” . (almanicha, cerdo, chambas, lafrau, zorrão… etc. etc.) .
Mas, se bem repararmos, não há homem “de má nota” nem “de mau porte”. Isso é reservado à mulher: em 57 ocorrências negativas, a mulher é mais de uma dúzia de vezes apodada de “Mulher de má nota” e “de mau porte” (azagal, bornal, calandrina, calhau, coldre, etc. etc. ). Se a estes mimos acrescentarmos o ferrete de “rameira, meretriz, concubina, prostituta, putéfia, vagabunda, desprezível, muito reles, desavergonhada…” ( calatrão, castelã, cóia, estardalho, franjosca, ganirra, juco, etc. etc. ) então chegamos às três dúzias dos piores insultos. Com “alcoviteira, mentirosa, preguiçosa…” (belbroteira, merondeira, zopeira… etc. ) teremos a lista completa.
Daí, poder inferir-se que, apesar de menor número de características morais negativas atribuídas à mulher, a sua carga pejorativa é muito mais pesada.
Mas, nem tudo é mau: quanto ao aspecto físico, a nota, altamente positiva, pertence às mulheres: contra 1 “mancebo forte” (azagal) – repare-se que ainda nem é homem feito - , há 8 “mulheres elegantes, atraentes, bem feitas, jeitosas” (adengada, janguista, repolhaça, seitoira …) .
No respeitante a características físicas negativas, não há diferenças muito acentuadas entre homens e mulheres: elas são “altas e magrizelas, lingrinhas, féias , desajeitadas…”
(estauta, canoa, galdrapa, lusmeia…) ; eles são: “atarracados, gordos, balofos, grosseiros…” (alforgeiro, bazulaque, charrasco, porcho…) .
Gostaria de terminar com umas palavras que, um dia, Mark Twain escreveu : “Nunca procurei, em caso algum, tornar cultas as classes cultas. Não estava equipado para o fazer. Faltavam-me os dotes naturais e a preparação”.
Tal como Twain, também não pretendi escrevinhar “coisas cultas”. Tive em vista, sobretudo, as pessoas comuns que, como eu, gostam de rever algo que faz parte do seu imaginário e da sua herança cultural.[1]
[1] Mark Twain, 1889, em carta a Andrew Lang. Cit. por Italo Calvino, in “Porquê Ler os Clássicos?”, Ed. Teorema, Lisboa, 1994, p. 159.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Caracterização de Homem e Mulher à luz do "Dicionário de Transmontanismos” de Adamir Dias e Manuela Tender* II - por Júlia de Barros G. Ribeiro
Caracterização de Homem e Mulher à luz do "Dicionário de Transmontanismos” de Adamir Dias e Manuela Tender* I - por Júlia de Barros G. Ribeiro
*Adamir Dias e Manuela Tender ( Coord.), Dicionário de Transmontanismos
USAF – Universidade Senior e do Autodidacta Flaviense, Chaves,
Ed. da Associação Rotary Club de Chaves, 2005
Como transmontana, li o Dicionário referido em epígrafe quase de um fôlego e, devo acrescentar, foi uma leitura de real comprazimento. Estão de parabéns os autores e seus colaboradores, pois se trata de uma obra de interesse não só regional mas de alargado âmbito, bem como de um trabalho sério e de aturada investigação.
Após a leitura fiquei com a ideia de que há neste dicionário
1. mais vocábulos referentes a mulheres do que a homens;
2. que todos esses termos comportam uma carga mais negativa do que positiva;
3. e os que designam e qualificam “mulheres” são marcadamente mais pejorativos do que os que designam ou qualificam “homens”.
Procedi a uma segunda, e muito atenta, leitura e fui marcando os vocábulos de acordo com a ideia colhida. Fiz várias listagens com que não vos vou maçar aqui e terminei com 4 listas assim distribuídas e subdivididas: Características Físicas Positivas e Características Físicas Negativas (uma para homens e outra para mulheres) e, seguindo a mesma linha, Características Morais Positivas e Características Morais Negativas. Previamente, havia eliminado todos os substantivos e adjectivos comuns aos dois géneros.
O próprio dicionário era muitas vezes explícito quanto ao uso dos vocábulos - por exemplo:
Abechucho, s.m. - Homem encorpado e desajeitado
Calharós , s.f. – Mulher alta e desengonçada.
Azagal , s.m. - Mancebo forte.
Azagal , s.f. - Mulher de má nota.
Bacamarte , s.m. - Pessoa grande e desajeitada.
Bacamarte, s.m. - Mulher dissoluta e desregrada.
Basculho, s.m. - Pessoa grande e mal amanhada.
Basculho, s.m. - Mulher badalhoca e feia.
Posto isto, vejamos:
a) Quanto ao 1º. pressuposto: “Há mais vocábulos referentes a Mulheres do que a Homens”, das listas elaboradas, resultou o quadro seguinte:
HOMENS / MULHERES:
Características Físicas Positivas: H: 1 / M: 8
Características Físicas Negativas: H: 21 / M: 20
Características Morais Positivas: H: 1 / M: 1
Características Morais Negativas: H: 65 / M: 57
Total: H: 88 / M: 86
- verifica-se que este pressuposto não se confirma.
b) Já no que diz respeito ao 2º pressuposto: “Todos esses termos comportam uma carga mais negativa do que positiva”, confirmou-se plenamente, uma vez que a acepção negativa ocorre para os homens 86 vezes e para as mulheres 77 vezes (perfazendo um total 163 ocorrências negativas),
HOMENS / MULHERES:
Características Físicas Negativas: H: 21 / M: 20
Características Morais Negativas H: 65 / M: 57
Total: H: 86 / M: 77
contra 2 acepções positivas para os homens e 9 para as mulheres (perfazendo um total de 11 ocorrências positivas).
HOMENS / MULHERES:
Características Físicas Positivas: H: 1 / M: 8
Características Morais Positivas H: 1 / M: 1
Total: H: 2 / M: 9
Parece poder inferir-se que os aspectos negativos do carácter e do comportamento, quer do homem quer da mulher, marcam mais o nosso imaginário e a nossa vida e perduram mais na nossa memória do que os aspectos positivos.
c) Finalmente, quanto ao 3º. pressuposto: "Os vocábulos que designam e qualificam Mulheres são marcadamente mais pejorativos do que os que designam e qualificam Homens”, parece não haver dúvidas que a mulher - em 57 vocábulos contra 65 referentes ao homem – é, moralmente, muito mais mal tratada que o seu parceiro.
Por: Júlia de Barros G. Ribeiro (Biló)
(Continua)
domingo, 19 de julho de 2009
Felgar - Pagadores de Promessas
Festa de Nª Sª do Amparo - Felgar
Domingo, 24 de Agosto de 1958.
Na praça, em frente à igreja matriz, aguarda-se a saída da procissão.
Descalço, com um saco de trigo de quatro ou cinco alqueires aos ombros, o pagador prepara-se para uma longa e lenta caminhada de mais de duas horas que só terminará quando o trigo for entregue na Casa dos Milagres, já no Santuário.
Durante o percurso fará duas breves pousas para descansar e aguentará estoicamente o esforço, movido por algo maior que ele: a crença.
Os mordomos usavam uma braçadeira que os identificava. Reparem no lado esquerdo da imagem.
sábado, 18 de julho de 2009
Pires Cabral e Mia Couto
Mia Couto e A.M. Pires Cabral, no lançamento do livro "Jesusalém", no dia 16, no Museu da Vila Velha , em Vila Real. Portugal e Moçambique unidos pela literatura em língua portuguesa.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Exposição "Vestígios"

Amanhã, dia 18, pelas 16.00 horas, é inaugurada a exposição "VESTÍGIOS... Património Arqueológico e Arquitectónico da Região de Moncorvo", no Museu do Ferro & da Região de Moncorvo.
Para mais informações consultar o site do PARM.
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Morreu Palma Inácio
Vai fazer, no próximo Agosto, 41 anos que Palma Inácio foi preso em Moncorvo, esbofeteado e encarcerado no quartel da GNR, hoje o Museu do Ferro, numa cela que ainda existe, e que eu já visitei, embora recuperada para as funções do Museu.
Fui amigo, nos últimos anos, de Palma Inácio. Almoçávamos com frequência. Nunca o ouvi dizer mal de ninguém, mesmo dos seus algozes ( à excepção, que eu nunca compreendi, de Guterres). Só bebia vinho tinto e fumava cachimbo. Foi um sedutor durante toda a vida que acabou num lar, pago pelos amigos, pois a reforma que tinha, equivalente ao salário mínimo, não era suficiente. Era o homem mais modesto que eu conheci. Nunca teve cargos políticos e nunca aceitou que nas acções da LUAR algum operacional matasse ou mesmo ferisse alguém. Nunca foi um político, apenas um anti-fascista. Alguém me contou, talvez ele -- que a memória também me vai falhando-- que aquando da sua prisão em Moncorvo, onde ele ia buscar alimentos para outros operacionais que tinham ficado em Mogadouro, pois o carro destes rebentara e ele não os quis abandonar, foi insultado, com exigências de quase linchamento por parte de algumas criaturas de Moncorvo, ainda hoje vivas, e que deveriam ter remorsos, enquanto uma velha a quem ele encontrou quando já estava algemado e ele lhe disse: "Minha senhora eu não sou um preso comum, eu sou um preso político", essa senhora, esssa velha da aldeia lhe respondeu: "Se eu soubesse issso tinha-lhe trazido um pão". Desculpem-me esta viagem emocionada em torno da vida de um homem que podia ter tido tudo e não quis nada, a ponto de morrer na mais profunda pobreza, mas na maior dignidade. Um dia, no almoço, disse-lhe, meio a brincar, meio a sério: "O agente Serra ( o polícia que começou aos tiros na Praça) anda com medo que lhe façam alguma coisa". Ele sorriu e disse-me: "Pode estar descansado". Palma Inácio não permitiu sequer aos seus homens da LUAR que agridissem ou matassem, logo depois do 25 de Abril, o tipo que os denunciou a todos, o Canário, que tinha e ainda terá um bar na Caparica. Não queria violência, nem vingança.
No dia 14 de Julho, simbolicamente no dia em que os sans cullotes, dirigidos por Camille Desmoulins ocuparam e incendiaram a Bastilha, morria Palma Inácio. Muita gente foi ao seu velório, no Largo de Rato. E às 11 da noite, por ironia do destino, por brincadeira de mau gosto, a sala do velório teve que ser evacuada, pelo anúncio falso de uma bomba. Nunca Palma Inácio foi bombista e o fascismo de colarinho branco ou cabelo rapado, assenta a sua coragem na cobardia do anonimato. Paz, muita paz a este homem bom que nos deixou. Este homem que leva com ele parte do nosso sonho por um mundo melhor.
Abrigo de pastor
Abrigo algures na Açoreira, já a espreitar o Douro. ( J. Costa -2008)
Vida errante a do pastor, mas sedutora, pelo contínuo abraço à terra.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Harmonia
Sequeiros, Moncorvo (J. Costa - 2008)
De Trás-do-Ferro
Bicentenária
de um rolo alquímico
de sabores e memórias.
Um âmago que fervilha
de cultura.
Poemas e outros
Feita por Deus.
As Quintas são a promessa
Encarnada na Virgem.
As Quintas são o Cristo vivo
Errando, subindo aos Montes sagrados.
Sagrados e delegados a Ti…
Num esboço de pequeno poema sem data, estas eram as minhas Quintas (do Corisco) ao longe, muito longe a partir de Évora nos recuados tempos da Universidade, em finais dos anos 80.
Em poema datado de 1-5-1989, também germinado na planície do sempre saudoso Alentejo, alargo a minha reflexão e a necessidade de identidade, ou melhor, de identificação a um Trás-os-Montes que não conheço na totalidade. Tal como o Malapeira de Outros Contos da Montanha, quando deixei as fragas havia ainda muito por desbravar nessas terras. E ainda há!...
Minha Terra, Minha Gente
Terra bravia agreste
Gente vulgar e rude
Que caminha nos penhascos
Como a sombra do sol.
Terra mirrada e seca
Seiva no fundo plantada
Cola seus pés às raízes
Como o luar à noite.
Terra da viva saudade…
Continuo, pois, a falar do todo a partir do Eu e das Quintas para Trás-os-Montes. Ou como diria o meu querido ilustre transmontano e cidadão do mundo Miguel Torga, apesar de numa escala mais reduzida: “O universal é o local sem paredes”.
Projecto que lhe pairava na ideia desde os bancos da universidade, Outros Contos da Montanha, aos quais já me referi, foram sendo protelados por outros poemas de muita saudade e angústia, cujo desejo de regresso adiado se repetia no tema. Quando neste mês de Agosto passar pelos Lombinhos vai certamente ter sensações idênticas que não vale a pena aqui relembrar. Terá aí durante uns dias a recompensa do filho pródigo torna-viagem. Contudo, do alto dos Lombinhos vai o Contador de histórias recordar-lhe a cada momento que aquelas gentes que habitam o lugar não estão de férias e que precisam de um AUTOCARRO com rodas e volante que os ligue à vida. Quase todos entre a casa dos 60 e dos 100 anos, os Malapeiras, os Manéis das Vacas e os descendentes das Grabulhas precisam agora muito de ir à Vila ao doutor, à botica e as pensões nem sempre esticam!...
Deixa-vos o Contador de histórias nestas linhas um final feliz, que se espera contagiante:
“Ela morreu realmente ali. Os seus ossos descansam no alto dos Lombinhos onde a torga, a carqueja, a giesta, a esteva, o alecrim, a bela-luz e o rosmaninho lhe aromatizam a sepultura, os pinheiros lhe fornecem a sombra e a abrigam da chuva e os pássaros a entretêm com a sua cantilena. Do alto da lomba, posição estratégica que escolheu em vida, vigia os que na Granja seguem a sua utopia (reabilitar a comunidade gregária da Granja), enquanto como guardiã da fronteira da Granja com o mundo avalia friamente o transeunte.” (Isabel Mateus, in Outros Contos da Montanha)
Cândida Monte
domingo, 12 de julho de 2009
Foz do Sabor
Uma sugestão para estes acalorados dias de Julho: o ponto onde o Sabor e o Douro se abraçam...
Neste lugar tranquilo, sombreado por frondosas árvores, pode fazer um piquenique familiar, ou, numa tarde domingueira, "saborear" (já que de Sabor se trata) a leitura tranquila de um bom livro... ou aproveitar para tirar umas fotografias com a respectiva cara-metade... ou dar uma passeata de barco...
... ou ainda tomar uma bebida fresquinha no Bar da Praia da Foz do Sabor, na esplanada alta de onde se avista a caprichosa curva que o Douro descreve, rodeando o monte Meão... Ah, e o atendimento é simpático, eficiente e de sorriso encantador... parecerá que está em Cancun, mas sem o perigo de mexicanas gripes (a señorita, apesar de parecer índia navajo, é portuguesíssima, do vale da Vilariça)...
... mais uma nota de tranquilidade azul: um dos últimos barcos típicos do Douro, dos peixeiros que do rio fazem saltar as encantadoras boguinhas e excelsos barbiscos e que, depois de passarem pela sertã, fazem as nossas delícias, bem regados pelos preciosos néctares desta região...sexta-feira, 10 de julho de 2009
Insónia
Cinco da manhã. Mais coisa menos coisa.
Ainda o galo não tinha cantado, já o rapaz andava às voltas na cama.
Acordar precoce?...
Há dias assim. Então o melhor é aproveitar.
Em vez de ficar à espera do sono que teimava em não regressar, levantou-se e foi desfrutar um momento mágico: o nascer de um novo dia.
Já na varanda olhou para o recorte da vila. A máquina fotográfica estava ali ao lado a pedir uso. Colocada no tripé fez o serviço que lhe competia.
O rapaz, esse, ficou sentado a contemplar. Não sei se em êxtase, se em notória falta de umas quantas horas de sono reparador.
Mas que foi bonito, lá isso foi.
Ora vejam lá.
E ouçam, se puderem.
Bom dia!
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Mérito Cultural e Científico
terça-feira, 7 de julho de 2009
Amêndoas de brincar
José Lopes (1930-2000)
Hesitei em escrever este post, por não saber se será oportuno, depois de tão belos momentos de escrita e imagem, que têm passado por aqui. Porém, devido a um repto de um leitor, na sequência de um post anterior (ver "Em Moncorvo"), aqui deixo umas linhas sobre autor do poema.
---
José Lopes nasceu em 1930, em Cerejais. Durante a sua infância residiu nos Cerejais, Alfândega da Fé, Torre de Moncorvo (num breve intervalo) e principalmente no Porto. Com cerca de 10 anos, a sua mãe falece de doença prolongada. É a partir desta data que se inicia na poesia. Para agravar, o seu estado de saúde foi, até à idade adulta, bastante frágil. Conclui o Liceu no Porto, e acaba por ingressar na Faculdade de Letras em Coimbra, no curso de Histórico-Filosóficas. O seu interesse fundamental é a Filosofia, terminando a licenciatura em meados dos anos 50, depois de uma vida académica muito animada e onde adquiriu e cultivou várias amizades. Ingressa no Ensino Liceal, leccionando História e Filosofia, passando por vários liceus do Norte do País.
Durante esta fase da sua vida, a sua relação com Moncorvo é bastante intensa, particularmente nas férias, onde conta com um grupo bastante extenso de amigos. A sua boa disposição, dinamismo e iniciativa, leva-o a organizar ou participar em várias actividades, nomeadamente no Carnaval, ou nos espectáculos do Cine-Teatro. Aqui, conhece a sua grande paixão, Alice, natural e residente em Moncorvo, que morre ainda jovem. Este acontecimento que marca-o indelevelmente, levando-o a tomar luto vitalício e a queimar a maior dos seus poemas e escritos.
No início da década de 60 decide ir viver para Lisboa, aí terminando a sua carreira profissional em 1997. Nesse mesmo ano, decide regressar a Trás-os-Montes, vindo residir para Moncorvo. Faleceu no dia 13 de Janeiro de 2000.
A sua personalidade, em traços breves pode-se caracterizar por ser, em primeiro lugar, uma pessoa extremamente autónoma e independente. Por outro lado, foi sempre um pensador e humanista. Na intimidade era bastante reservado, sério e leal; já em termos sociais, era extremamente extrovertido, simpático e dinâmico. Escrevia continuamente, ocultando sempre os seus textos. Escreveu vários romances, poemas e contos, que nunca quis divulgar, por os considerar de qualidade inferior. Era também um cinéfilo extraordinário, e profundo amante das tecnologias.
Em suma, José Lopes é só mais um moncorvense, como tantos outros, conhecido no seu tempo, e que poderá passar olvidado para a eternidade.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Esporas
Esta planta ( Delphinium ajacis) espontânea , que na sua beleza rivaliza com as do jardim, ainda pode admirada nas bermas dos caminhos.
domingo, 5 de julho de 2009
Felgar - destino perfeito
É interessante ver a nossa aldeia referenciada como um local aprazível.

sábado, 4 de julho de 2009
Uma canção do Zeca Afonso
"Quarta.feira, 7 Maio 1975 'Quem se despiu na via pública, ontem, às 4 da tarde?'
(...)
"No DL, R.R. ((Rogério Rodrigues) conta a história de uma mulher " de que não se conhecia o nome" , que ontem, às quatro da tarde fazia streap-tease enquanto dançava, ao centro do cruzamento da Avenida Miguel Bombarda com a Avenida 5 de Outubro.
"Visivelmente surpreendidos, alguns espectadores da cena, invulgar em ruas de Lisboa, dirigiram-se para a mulher no intento de a proteger das vistas de quem passava e de quem parava, persuadi-la a vestir-se e abandonar o local. No meio da confusão, surge o repórter António Capela, que começa a disparar. Os populares, indignados com o que consideram 'uma baixeza moral', investem sobre ele, insultam-no, empurram-no, agridem-no e só a intervenção do proprietário da drogaria vizinha impede que não lhe partam a máquina (...)Entretanto a mulher tinha sido levada para o limiar de um prédio com porteita à porta. Já vestida, olhava apática para as pessoas que a rodeavam. Dizem-me que se chamava Maria Teresa.'Não sou Maria. Não sou Teresa. Tenho muitos nomes'.Tinha os lábios encortiçados e recusava o copo de água que lhe ofereciam".
"Quem se despiu na via pública, ontem, às 4 da tarde?", interroga-se o jornalista, que passa a contar o percurso de vida, entretanto averiguado, de uma mulher de 41 anos, divorciada, sucessivamente actriz de revista, emigrante no Brasil, cantora de fado e que agora, no intervalo de tratamento no Júlio de Matos, "mudava discos no pick-up" de uma boite de Benfica.
Usava o nome de Teresa Torga " porque há um escritor que se chama assim" e ela gostava muito de ler, conta uma vizinha. A última vez que o repórter a viu seguia ela num carro da polícia para a esquadr do Matadouro.
Zeca Afonso lê a crónica, magnífica, põe-lhe notas e voz, e imortaliza-a."
No centro da Avenida
No cruzamento da rua
Às quatro em ponto perdida
Dançava uma mulher nua
(...) Dizem que se chama Teresa
Seu nome é Teresa Torga
Muda o pick-up em Benfica
Atura a malta da borga
Aluga quartos de casa
Mas já foi primeira estrela
Agora é modelo à força
Que o diga António Capela
T'resa Torga, T'resa Torga
Vencida numa fornalha
Não há bandeira sem luta
Não há luta sem batalha.
José Afonso, Teresa Torga
in álbum "Com as minhas tamanquinhas", 1976
Adenda: Tenho pena de não ter comigo a crónica completa, mas eu raramente guardo os meus trabalhos. Por vezes, envio-os a amigos meus, com a esperança de se não perderem e como das poucas coisas que eu posso oferecer a quem tenho afecto. Espero que não me levem a mal e não julguem que este registo é para me sentia a bem comigo mesmo. Não passa de um registo. Apenas isso. Sem mais importância do que isso. Na altura desta crónica, eu era responsável no Diário de Lisboa pelo sector de Educação a cujo Ministério ia procurar notícias ( hoje são as notícias que procuram os jornalistas)... O Ministério da Educação ficava, como fica, na Cinco de Outubro. Não sei se trouxe alguma notícia do Ministério. Mas sei que fiz uma crónica. E aqui tenho o exclusivo. Era o único jornalista presente.
Dr.José António de Sá, Corregedor da Comarca de Moncorvo
Por nomeação régia era então Corregedor da comarca o Dr. José António de Sá,natural de Bragança, doutor em leis pela Universidade de Coimbra em 16 de Maio de 1782. Tinha decidido dedicar-se à magistratura e esse era o seu primeiro cargo.
Seria depois desembargador da Relação do Porto, superintendente geral das Décimas da Corte e do Reino (cargo este que exerceu na sua própria casa de onde despachava) e superintendente geral das Décimas de Lisboa e seu termo até falecer, o que sucedeu em Lisboa, na sua quinta do Pinheiro a Sete Rios em 14 de Fevereiro de 1819.
Foi também juiz conservador da Real Companhia e director da Real Fábrica das Sedas e Águas Livres, conselheiro honorário da Fazenda e ainda cavaleiro professo da Ordem de S.Tiago da Espada e sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa.
A vida deste notável personagem cruza-se com a história de Moncorvo numa altura em que a vila detinha uma predominância económica e jurídica, em função de algum desenvolvimento agroflorestal e também de alguma indústria, nomeadamente a da seda . Foi um período de notório desenvolvimento, a merecer talvez um estudo aprofundado.
O Corregedor Dr. José António de Sá encontrou uma série de desvios de poder e ilegalidades que minuciosamente descreve nesta Memória, para além da miserável situação do povo, assoberbado com prepotências e arbitrariedades de toda a ordem. Em particular os lavradores eram explorados e até vexados, quer pelos senhorios, quer pelos poderes locais , para além do peso insuportável das contribuições régias, eclesiásticas e senhoriais.
Trata-se de um documento de grande profundidade e até de grande coragem cívica, o qual merece toda a atenção. Nele refere o Dr. José António de Sá “as maiores violências que eu não acreditaria se as obrigações do meu cargo mas não fizesse ver meudamente”.
Aponta o erro e de seguida aponta a correição, num intuito moralizador e de respeito pela justiça, pela sociedade e pela Lei.
Texto completo em:
http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/6066.pdf
Fontes:
Fernando de Sousa . Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 51-56,1974.
Dicionário Histórico, Corográfico,Heráldico, Biográfico,Bibliográfico,Numismático e Artistico,vol. VI,429-430, ed. electrónica Manuel Amaral, 2000-2009.
Teatro #2

Alguém disse que gostava que o encenador viesse à boca de cena.
E veio.
Aqui vai a equipa (quase) completa.
Da esquerda para a direita:
Manuela Costa - Encenação.
Marilú Brito - Cristina.
Mizé Camelo - Hortigosa.
Américo Monteiro - Encenação e Compadre.
Esperança Moreno - Lourença.
Camané Ricardo - Canizares.
Belinha Lapa - Figurante e ponto.
Paulo Medeiros - Galã.
Rafaela Ferreira - Figurante.
Beto Mesquita - Som.
Nando Barreto - Luz.
Não estão na imagem:
Sílvia Cabeleireira - Caracterização.
Luísa Ferreira - Bastidores e bilheteira.
Claudia Martins - Ponto.
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Teatro
O Grupo de Teatro Alma de Ferro apresentou hoje de novo "O Velho Ciumento".
Um aplauso.
Longo.
Merecem!!!

quarta-feira, 1 de julho de 2009
Moncorvo na Cartografia Antiga
Em 2005, no decorrer de um trabalho sobre a viária da região de Moncorvo no séc. XVIII, fui parar ao site da Biblioteca Nacional - fundo Cartográfico. Aqui encontrei um conjunto bastante vasto e interessante de mapas (entre o séc. XVI e XIX) com referência a Moncorvo.
Como se pode ver, estes nossos antepassados ainda não tinham conhecimentos perfeitos de geodesia porém, como sabemos, foram os pioneiros da cartografia mundial. No caso vertente as suas representações são um pouco imprecisas. Mas o que é fundamental é que já representam várias localidades, rios, montes e, por vezes, caminhos. Outro aspecto importante é que nem sempre os mapas estão orientados para Norte, como é habitual nos nossos dias (ou seja, há alguns mapas desnorteados!).
Ficam aqui algumas dessas representações, que em alguns casos ampliei, dando destaque ao sul do Distrito de Bragança e início das Beiras. Para quem estiver interessado em aprofundar este tema é só consultar o site da Biblioteca Nacional Digital - http://www.bnportugal.pt/.
1 - The Kingdom of Portugal ... (1794)
2 - Portugalliae que olim... (157...)
3 - Carta geographica do reyno ... (1763)
4 - Atlas Portatif... (1698)
terça-feira, 30 de junho de 2009
Epidemias
ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 9
Vista da Corredoura, num dia de neve, do longínquo ano de 1894. Ao centro vê-se a capela de S. Sebastião (Esta foto foi tirada pelo Padre Adriano Guerra, um dos pioneiros da fotografia em Torre de Moncorvo, tendo-nos sido cedida uma reprodução pelo Dr. Carlos Seixas - original em poder da família)
Só já nos falta um pequeno troço por trás da capela de S.Sebastião, em direcção ao Terreiro e à casa dos Mirandas: numa moradia bonita de rés-do-chão ( para arrumações e adega) e 1º andar, viviam o Sr. Todú e a esposa , a D. Alcina. Tinham duas filhas, mais ou menos da minha idade, a estudar fora de Moncorvo, num colégio interno, À esquerda havia um portão que abria para um pátio com uma casinha pequena onde morou a Tia Marquinhas Gata e depois a filha Teresa Gata com o marido e filhos. Pegada a esta, noutra casita também muito pequena viveu outra filha da Tia Marquinhas: a Adélia Gata e a família. À direita da casa do Sr. Todú e com ela pegada ficava a casa do Tio Cordoeiro, pai da Beatriz Cordoeira, da Cecília e do Alberto. Seguia-se a casa da Tia Filomena Vilela, marido e filhos. Mais recuada, ficava a casa da professora D. Graciete Gregório que, dizia-se, era má como as cobras. Vinham então mais duas casas, uma de rés-de-chão, só com porta e sem janelas, em que moravam a Sra. Amélia e o Sr. Fidalgo, guarda republicano, e depois outra casa com rés-de-chão e 1º andar e com varanda para o Largo da Corredoura, para Os Olmos e para a Vila. Um luxo ! Aí moraram a Menina Idalina e o marido Sr. Alexandre Morais, mais conhecido por Alexandre Verde e aí nasceram os seus cinco filhos. Esta casa fazia esquina e, mais recuado, no canto, ficava um forno que ainda trabalhava em pleno. A forneira era a Tia Alexandrina Tótó.
Vamos agora ao começo do caminho para S. Paulo: à esquerda ficava a casa do Sr. Manuel dos Carros e da mulher, a Sra. Rosinha. Esta casa também tinha um cabanal onde o Sr Manuel trabalhava e onde ficava uma casita em que viveu a Tia Maria Escalda com os filhos Leopoldo e Germano. A seguir a esta, mas no caminho para a Nória, vivia a Tia Aida, mãe do Xico Alfaiate (casado com a Menina Judite Gregório). Por cima, a Palmira do Álvaro. Pegada à casa da Tia Aida ficava uma cortinha da Sra. Guilhermina Galo e lá no fundo era a Nória. Já quase na Fonte Carvalho, numa casinha dentro de um quintal, vivia o guarda republicano Sr. Redondo, com a mulher , a Sra. Marquinhas do Redondo e os filhos.
Creio que dei a volta completa. Mas a memória é muito traiçoeira. Deve haver inúmeras falhas... Peço, por isso, a quem se lembrar de mais moradores da Corredoura ou que ache que a sequência não é bem assim, o grande favor de chamar a atenção, para que os erros possam ser corrigidos.
a) Não deveremos esquecer que este ROTEIRO diz respeito àquela dezena e meia de anos, mais ou menos entre 1944/45 e 1959/60.
b) Sugiro que alguém parta desta data (1960) e continue até 1975 – 1980;
c) ... e de 1980 até 2000 ; etc.
Com um grande abraço a todos os Amigos e Conterrâneos e um abraço muito especial aos Corredourenses.
Por: Júlia Barros Ribeiro (BILÓ)
Nota: A foto de baixo mostra a zona do bairro do S. Paulo, a caminho da Fonte Carvalho, com o antigo campo de futebol ao fundo, à direita. Em primeiro plano, o olival do Santo Cristo (que deu lugar ao bairro do mesmo nome) e a esquina de um dos edifícios da Cooperativa. - Foto de Leonel Brito, anos 70.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 8
Grupo de crianças da Escola Primária da Corredoura, com a professora D. Isabel. Foto de 1926/27, segundo informação de D. Maria Antónia Brito Castilho (Arquivo Leonel Brito)
onde viveu com marido, Abílio Amador, e os filhos. Atravessada a boca da Canelha, numa casa com um pequeno alpendre, morou a D. Arminda de Maçores, com as filhas Camilinha (mais tarde casaria com o Sr. Inspector Costa) e Dulce, enquanto elas frequentaram o Colégio. Depois viveram aí o Henrique Chanfana e a mulher, Alice.Ladeando esta casa, entrava-se num pequeno largo onde ficava a casa da Tia Alcina Guino, mãe da Miss, do Rei, da Princesa, do LoboMano e ainda a casa dos Amadores, já de razoável construção. Seguindo por uma abertura ia dar-se ao Carrascal e aos inúmeros palheiros que então aí existiam.

Voltando para trás e subindo agora a Rua de Baixo, ficavam à nossa esquerda as casas da Cacilda Marialva e da Carminda Marialva, irmã e filha da Tia Marquinhas Marialva. Havia depois uma cortinha, a “Feitoria”, tratada pelo Tio Caetano e pela mulher. Tinha um poço de água para regas, um grande tanque e a maior laranjeira que já vi, com laranjas enormes e sumarentas, mas muito azedas. A Tia Lucinda Gamboa dizia que era do sabão com que se lavava a roupa no tanque e que ia para as raízes da laranjeira.
Depois da Feitoria era a casa da Tia Maria Carmacha, casada com o César Caçador que criava cães perdigueiros portugueses lindíssimos. Vinham caçadores de todo o lado comprar-lhe perdigueiros. E eu ficava perdida, horas seguidas a ver os cachorrinhos. O Tio César só me deixava fazer-lhes uma festinha, senão ficavam “morrinhentos”.
domingo, 28 de junho de 2009
ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 7
Momento da "arrematação" no adro da capela, durante uma festa de S. Sebastião, por volta de 21 de Janeiro, nos finais dos anos 70, ou inícios da década de 80. Do lado esquerdo, a casa grande era a dos Mirandas, em cujo baixo ficava o café S.Sebastião, do sr. Amílcar (foto do arquivo do Sr. Abílio Dengucho, cedida a Leonel Brito)Antes de passarmos à Rua de Baixo, vamos seguir as casas de “O Alto” pelo nosso lado esquerdo até à casa da Menina Gininha Galo: na da esquina morava a Tia Teresa Costa, o marido, o Tio Miguel e os filhos, o Alexandre, o António e a Maria. Logo a seguir , fazendo um recanto que era um óptimo soalheiro abrigado do vento, morava a Sra. Delmina Terceira, o marido que era guarda-fios e três filhas: a Maria, a Conceição e a Julieta (minha comadre) e dois filhos, o António e o Zé. Depois era a casa de um arrematante de trabalhos nas estradas, que veio de Valdujo com a mulher e duas filhas. A mais nova, Floripes, era da minha idade. Acabados os trabalhos contratados, iam embora para outras paragens. Pegada a esta, ficava uma casita muito
pobre que a minha mãe comprou à Sra. Guilhermina Galo. Os anos que ainda vivi em Moncorvo (até aos 21) passei-os nessa casa. A seguir morava outra família da grande família que eram os Vitelas: a Tia Maria Vitelas, casada com o Zé Vitelas, pais da Carmelina e da Lídia, minhas colegas de escola primária. E demos a volta: estamos já junto da casa da Menina Gininha Galo e da esquina da grande casa dos Mirandas.Voltemos então à boca da Rua de Baixo que, como já disse atrás, começa precisamente entre a casa dos Mirandas e a dos Mesquitas. Quem desce a rua, à esquerda, vê os baixos da casa da Gininha Galo: aí, num pequeno cubículo, vivia e trabalhava o Deodato, sapateiro. Pegada a esta vinha a casa onde morou o Batateiro. Mais tarde viveram aí o João Falapão com a mulher a Beatriz Gata, pais da Emília e do Beto. Seguia-se a casa da Tia Perpétua dos Requeijões, onde íamos com a caneca ao soro.
Por: Por: Júlia de Barros G. Ribeiro (Júlia Biló)
Nota do postador: a foto de baixo mostra o início da Rua de Baixo; a esquina à esquerda é da casa dos Mirandas; junto às escadas que se vêm ao fundo, do lado esquerdo, era a casa do ti João Araújo "Falapão" e srª Beatriz, de que se fala neste fascículo do Roteiro de Júlia Biló; as escadas davam acesso à casa onde, nos anos 70, viviam os Vilelas.
Caça furtiva e triunfo dos porcos
Identificação e sinalização ( riscos e colocação de uma pequenina pedra ao alto como indica a seta) de um "sebadoiro", para a caça furtiva de porcos bravos. A ausência de vegetação indica a passagem destes animais por esse local. Para o "sebadoiro", colocam amêndoas para atrair o porco que é alvo desta armadilha. Será que o "triunfo dos porcos" não está na gripe suina?!sábado, 27 de junho de 2009
Convite - Teatro
O Grupo de Teatro Alma de Ferro de Torre de Moncorvo tem o prazer de o convidar para assistir à repetição da peça "O Velho Ciumento" de Miguel Cervantes, que se realiza no dia 3 de Julho de 2009 pelas 21:30 em Moncorvo. O Grupo agradece a divulgação deste novo espectáculo através dos seus contactos. Já agora não se esqueça de comparecer e trazer um amigo também.
GTAF (Grupo de Teatro Alma de Ferro) de Torre de Moncorvo
ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 6
Vista do Largo da Corredoura hoje (27.06.2009) para comparação com a foto do Roteiro da Corredoura nº. 3 (post de 24.06.2009), já que foi tirada do mesmo ângulo (foto N.Campos)
Uma das filhas era também estrábica. Vinha então uma casa de boa construção em cantaria, com loja para os animais e onde havia um quartinho feito de tabique para o albardeiro, cujo nome esqueci, e no 1º andar vivia o Tio Diogo Parrico. Seguiam-se três casinhas térreas: na que fazia canto com a casa do tio Diogo, vivia a Tia Maria Panda; na seguinte morava a Tia Aurora Choqueira casada com o Artur Ganchinho que morreu novo e na última morava a Tia Júlia Marruca. Passando a esquina desta chegamos a “ O Alto”, assim designado, porque fazia um leve declive na direcção das casas mais baixas. (Uma desgraça quando a chuva era muita). Na primeira casinha, pequena, térrea, vivia a Maria, sobrinha da Lucília Florista, com os filhos. (Mais tarde, depois do Guarda Republicano, pai do “Arreia Zeca” ter ido embora, foi morar na casa onde vivera a tia). Na segunda casita vivia a Tia Júlia Panela, cujo marido – ainda relativamente novo – teve um ataque cardíaco e ficou entrevado na cama até ao fim da vida. Tiveram dois filhos, um dos quais, quando recém-nascido, era os meus encantos e era preciso tirarem-mo do colo. Havia depois uma casa de varanda redonda onde morava a Tia Carminda Clareira no 1º andar; e, no rés-de-chão, sem qualquer janela, numa casa com chão de lajes muito desiguais e imperfeitas (uma ratoeira para quem andasse lá às escuras) morou a Ana Baloca. Depois, durante algum tempo, viveu aí a Maria Carmacha com o marido e um ou dois raparigos.
Pegada e fazendo canto viviam, numa casa de soalho, a Tia Maria Cândida Moreira, a filha, a Menina Natalina, costureira, e os filhos: o Lúcio, o Zé Coelho, o António e o Manuel. (Este semicírculo era conhecido como “O Canto”). Seguiam-se duas casinhas muito pobres: numa vivia a Beatriz Carmacha, mãe da Maria, da Alice, do Artur e da Júlia, esta, minha colega na escola primária. Na outra moravam a Tia Zefa Maçorana e a neta Júlia, que devia ter uma grande miopia, mas não havia dinheiro para óculos. A rapariga cantava muito bem. Pegada, ficava a casa da Tia Marquinhas Marialva, que já dava para a Canelha que levava à Rua de Baixo. (Continua)Por: Júlia de Barros G. Ribeiro (Júlia Biló)
Foto intermádia: vista geral do largo do "Terreiro", do bairro da Corredoura. Foto do fundo: é a zona do "Canto", de que se fala neste "post" - ao fundo do Canto existe a canelha que liga à rua de Baixo (fotos tiradas no dia 27.06.2009).
Daniel de Sousa
Há muito tempo que leio um blogue notabilíssimo e por vezes doloroso, das experiências que relata como médico, do nosso colaborador Daniel de Sousa. Envio-lhes o endereço: http://headandneckdanieldesousa.blogspot.com
Acho que seria muito interessante colocá-lo nos nossos favoritos. Recomendo a leitura de um texto memorialista e emotivo de Daniel de Sousa, "Retrato em Sépia" que pode ser lido nas mensagens antigas e que, com a sua permissão, poderia perfeitamente ser editado no nosso blogue.
I Festival das Migas e do Peixe do Rio - Nota de Imprensa
Os principais objectivos do festival foram assim atingidos, que eram a divulgação dos pratos confeccionados com migas e peixes do rio e a criação de uma dinâmica que envolvesse não só o local do festival, mas também os restaurantes tradicionais da Foz do Sabor.
O I Festival das Migas e do Peixe do Rio contou com a animação de alguns grupos da região como a Escola
Durante o Festival, os visitantes tiveram ainda a oportunidade de fazer um cruzeiro do Pocinho à Foz do Sabor e de fazer alguns passeios de barco.
Os visitantes, agradados com a ideia, aderiram em massa ao certame, superando as expectativas da organização. Sendo este o I Festival, algumas das falhas verificadas servirão para melhorar uma próxima edição.
Torre de Moncorvo, 24 de Junho de 2009
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Foi há 113 anos: anexação do concelho de Freixo por Torre de Moncorvo
O moncorvense F. Justiniano de Castro (falecido em 16.07.1901), era um amanuense reformado da Administração do concelho de Torre de Moncorvo, que nos últimos anos de vida se entreteve a anotar episódios interessantes do quotidiano da vila e redondezas, num caderninho que intitulou de "Caderneta de Lembranças", o qual viria a ser publicado pelo Dr. Águedo de Oliveira (antigo ministro das finanças do Estado Novo, natural da Horta da Vilariça), no jornal “A Torre”, sendo depois republicado em separata pela associação Amigos de Bragança (1975).
O episódio que o referido cronista aqui nos relata tem a ver com a extinção do concelho de Freixo de Espada à Cinta e sua anexação a Moncorvo, em consequência de mais uma de muitas reformas administrativas ocorridas no séc. XIX, sendo esta decretada por um governo do Partido Regenerador, ainda nos tempos da Monarquia. Tudo isto tinha a ver com questões políticas da época, tendo motivado, meses mais tarde, aquando de um período eleitoral, uma forte reacção do Partido Progressista, que encenou, inclusive, um enterro do concelho de Freixo (com urna e tudo, coberta com a bandeira do concelho), dando-se morras! aos “traidores” que tinham compactuado com esta extinção e anexação. Com a vitória dos Progressistas (a que chamavam então os “Penicheiros”) o concelho de Freixo voltou a ser restaurado logo no ano seguinte (1897) e, naturalmente, devolvida a documentação oficial que tinha sido confiscada neste acto de força. Note-se que o trajecto foi feito por caminho-de-ferro (entre Pocinho e Barca d’Alva) e o resto do percurso nos dorsos de animais e em carros, também de tracção animal, claro! (ver mapa em cima).
Receita para fazer sabão
Lembro-me bem de, em pequeno, ver a minha avó fazer esta receita, que tinha herdado de um caderno da sua mãe, datado de 1924. Achei pertinente transcreve-la aqui, e com a grafia dessa altura, e com as expressões de uma transmontana. Aqui fica:
“Um kilo de soda caustica deita-se numa bacia que deve estar bem lavada, lançam-se-lhe 6 quartilhos dagua e ali se deixa estar até que a soda se derreta e guarda-se onde se lhe não caia sujidade, de quando em quando é bom mexê-la com um pau limpo para que se derreta mais depressa, logo que esta esteja desfeita lança-se essa agua numa caldeira ou vasilha que seja própria e deita-se-lhe uma remeia de borras de azeite as quaes devem estar bem apuradas deste e 5 ou 6 chávenas de cinza que deve ser peneirada e conforme se vai deitando, isto tudo ir mexendo sempre com uma colher grande de pau, mas ter o cuidado de mexer sempre para o mesmo lado até engrossar, pois quer ser muito bem batido e em estando bem grosso lança-se para as formas que devem ser de madeira e devem molhar-se com agua antes de se lhe lançar a massa e deixa-se estar a secar só até ao dia seguinte e com uma faca despega-se a toda a volta das paredes da forma e vira-se com cuidado e em caindo parte-se aos bocados e põe-se a secar.
Este sabão não serve para lavar roupa de lã, nem preta; de resto serve para tudo.
A soda deve-se empregar logo que se compre porque em casa derrete-se.
A cinza para o sabão dizem que é melhor de lenha de oliveira ou de vides, mas como seja branca toda serve em sendo peneirada.
As quantidades que leva:
- 1 litro de soda caustica
- Uma remeia de borras
- 5 ou 6 chávenas de cinza (chávenas das do chá)
- E mexer sempre para o mesmo lado.
- A soda deita-se de molho em 6 quartilhos de água.”
ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 5
Para a esquerda destes palheiros, num caminho estreito para o Carrascal, ficava a casa dos Majores: no rés-do-chão dormia o rebanho das ovelhas e no 1º andar viviam as pessoas. Para a direita dos mesmos palheiros, no largo já referido, ficava a casa dos Noventas. Ao canto, também à direita, era a casa onde morava a Sra. Aninhas dos Cerejais que, se bem me lembro, só bebia chás e comia sopinhas de leite e morreu de cancro do estômago. Para esse mesmo largo davam as costas do forno da Sra. Camila Miranda, que foi o que “andou” até mais tarde. A forneira era a Tia Maria Panda.
Vamos até à esquina e temos a bica do povo. (Que eu me lembre, só 4 ou 5 casas tinham água canalizada: os Mirandas, os Mesquitas, o Sr. Todú, a Menina Gininha Galo e a D. Aida). A seguir à bica era a porta do forno. Pegada ao forno ficava a casa em que vivi com a minha mãe e a minha avó desde os meus dois anos até aos oito. A casa pertencia aos Mirandas: na loja ficavam os seus bois e no 1º andar vivíamos nós. Depois, paredes meias com a nossa casa, morava a tia Cândida Patuleia com o marido e os filhos. A seguir era a casa do Tio Alberto Manco, padrasto do Nésio. Pegada a esta ficava a casa da Tia Beatriz Vilela, mãe da Virgínia, que foi minha colega no Colégio. Seguia-se a da Tia Maria Fusa que tinha uma família numerosa. A virar já para o Carrascal, morava a Tia Emília Mascarenhas, que tinha uma mão com os dedos encolhidos, por se “ter picado numa silva-macha, quando era pequena”. Nos baixos viviam a Tia Maria Casca Grossa e os porcos.
(Continua)
Por: Júlia de Barros G. Ribeiro (Júlia Biló)
PROSEMA
As palavras são correntes de lava e lágrimas e no lodo purificam-se em percursos matinais. Trocam de dores como trocamos de deuses. E no primeiro rosto da noite desaparecem guardiãs e vigilantes das Trevas.
Ainda não cheguei donde parti sem partir. A terra é feita de pedras das neblinas da memória desta cinza que amolece de um tempo de fogo e fúria.
Os rostos perdem-se na miopia dos anos mal vistos, na soturna passagem de testemunho de nada testemunhar do cavalo sangrando à beira do abismo como força e peso que promete asas para o voo de encontro à Luz.
Dirão os vindouros que esta não foi a minha terra, o lamento, o canto, o muro onde mijávamos em nome da saudade do futuro a faia que não secámos os vidros das janelas que não partimos e a tristeza de partir quando o redemoinho das feiticeiras nos convidava para a viagem mais longa que nos era dado sonhar.
(Noite, seca-me os olhos para que as lágrimas não inventem regatos nas rugas da face.
Noite, gota a gota ensina o orvalho a seduzir a manhã. Escondidas nas grutas do tempo permite que as flores tenham cheiro e no sussurro consentido aos deuses que as sílabas sibilem, balas à procura de um corpo livre que as aceite).
Regresso à terra de onde nunca cheguei a partir. De bornal vazio bato à porta e ninguém responde. A casa deserta e na varanda agridem cardos mal tratados.
A Vila é vilã de visita à culpa e ao seu punir.
Mas que violino se ouve ao longe que me abraço ridículo e jovem e áspero ao Manquinho de Açoreira?
Que deuses e lobos me consomem e devoram no respirar silêncios da serra muda?
Ai Manquinho! Ai Manquinho! Pego-te ao colo antes da chegada dos lobos, a ti, o violino da minha infância, a melodia sem fim para o meu ouvido surdo.
Apostila: Dizem que é de rabeca o teu tocar. Mas para mim continua a ser violino. E branco.
Meninos da Corredoura
Meninos da Corredoura
o tempo era então só nosso e escoava-se nas manhãs
com luz e grandes espaços
ouviam-se vozes na sombra sob os plátanos
de verdes e generosas folhas que anunciavam o verão em cada ano
e tombavam depois na agonia outonal sem
cessar redizendo o eterno
o tempo era imaculado gritante limpo infinito
corríamos de sandálias e calções rotos na poeira
num mundo só nosso
inexplicado e simples sem mistérios sem mágoas sem mentiras
também temível como a serra dos medos que ao fundo ocultava um segredo
sorvíamos o ar no peito
os nossos olhos brilhavam com fulgor e diziam do sol a redonda luz
depois o tempo guardou os sonhos depois o silêncio depois o frio
por fim sobreveio um inquieto torpor
e alguns dos meninos cujas vozes eu ainda lembro já não vejo
ou talvez sejam apenas vozes já muito distantes
como estrelas
Junho de 2009
quinta-feira, 25 de junho de 2009
ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 4
Num cubículo da casa atrás referida vivia a Maria Manquinha, com o marido e 3 filhos. Por baixo, o porquinho. A seguir, sempre à esquerda, ao fundo de uma estreitíssima quelha, ficava um forno tratado pela Tia Marquinhas Marialva. Vinha então uma casa com rés-de-chão e 1º andar (pertencente à Sra. Adelina Chavé), com varanda e janelas, pintada de cor de rosa, onde morava a Dona Aida, irmã do Dr. Ramiro Salgado, casada com o Sr. Antoninho, portanto cunhado do Dr. Ramiro e secretário do Colégio. Pegada a esta ficava a casa da Tia Maria Trovões onde vivia com filhas e netos. Por baixo , os burros e porcos. Na casa seguinte morava a irmã, a Tia Cacilda Trovões, mãe do Abel carteiro. Depois era o cabanal, um espaço com um telheiro onde se albergavam ora ciganos, ora os amoladores de tesouras e os caldeireiros que, de tempos a tempos, vinham até à vila. Pegada ao cabanal, mas ao nível do 1º andar, morava a Tia Lucília Florista. Mais tarde, após a morte da Tia Lucília Florista, morou lá um guarda republicano com a mulher e um filho da minha idade e que malhava em todos nós. Se, por um acaso, estava a perder a refrega, vinha a mãe ao balcão e gritava-lhe: “Arreia, Zeca, que o teu pai é guarda” .
Estávamos no coração da Corredoura.
A seguir à casa do dito guarda, vinha uma outra, de pedra, com rés.de-chão e 1º andar, bem construída e de dimensões razoáveis, onde vivia a Sra. Lucinda, uma das famílias dos Vitelas, lavradores já razoavelmente abastados. Depois seguia-se uma casa de 1º andar (na loja estavam os bois dos Vitelas), normalmente alugada a estudantes do Colégio. (Mais tarde, esta casa foi habitada pela Tia Idalina do Campo). Pegada a esta ficava a casa do Tio Caetano e da Tia Lucinda Gamboa, que gostava muito de mim porque, quando ia ajudar a minha mãe a fazer as alheiras, eu lhe dava um golinho de vinho às escondidas de toda a gente. Em frente destas três casas ficava um pequeno largo , onde existiam dois palheiros que, no tempo da apanha da azeitona serviam para albergar os ranchos das mulheres e homens que vinham das aldeias, a maior parte dos quais vinha (pela pronúncia que ainda guardo no ouvido) de Felgueiras. Apesar do cansaço, aí havia música – realejo e bombo - e bailarico até às tantas.
Por: Júlia de Barros Ribeiro ("Biló")
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Em Moncorvo
Ó montes que cercais a vila de Moncorvo,
Ó pinhos cujo odor continuamente eu sorvo,
Ó águas que a cantar passais a nossa vida,
Ó pobres camponeses sempre a trabalhar,
E vós carros de bois pela estrada a chiar,
E tu ó negra fome em todos os lares erguida,
Entoai-me uma canção que me faça chorar,
Que à vida nem eu sei que rumo hei-de já dar …
Gemei eternos montes, sempre adormecidos,
Ó pinhos abaixai vossos ramos erguidos
E vós águas das fontes chorai eternamente …
Camponeses, parai, de trabalhar, parai….
Chiai, carros de bois; Gemei, chiai, chiai …
E tu ó negra fome extermina-os sempre!...
Revolvei-vos montanha! Meu fim não tardará
Que o que me vai na alma não tem remédio já…
Vejo tulipas brancas estremecer de dor
Nesta terra maldita onde não há amor
Onde os homens se batem sabe-se lá porquê?
E onde os animais se comem uns aos outros,
E onde há tolos tantos e espertos tão poucos …
Onde do que era bom nem átomo se vê!
Eu que sou diferente de todos, que fazer?
O vácuo, o nada, o nada! Morrer, morrer, morrer!
30/VIII/1945
Poema: J. Lopes
Foto: Tomás Menezes
ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 3
Feira do gado no Largo da Corredoura. Do lado esquerdo a capela de S. Sebastião; ao fundo a velha escola primária dos rapazes (foto dos anos 50 ou 60? - arquivo de Drª Júlia Ribeiro)Dobrando a esquina da casa dos Mirandas, à direita era a casa da Sra. Guilhermina Galo, mãe da Menina Gininha Galo, empregada nos Correios, depois chefe. Casou já ia quase nos 50 com o sapateiro Álvaro Chalaça. (A velha Guilhermina Galo, que nunca aceitou tal casamento, repetia a cantilena “Sapateiro remendão, onde os outros põem os pés, põe ele a mão”). Em frente da esquina das casas da Sra. Camila Miranda e da Menina Gininha Galo, ficava a casa (pertença de Aníbal Miranda, sogro do Sr. Todu) em que morava a Menina Judite Gregório, casada com o Xico da Aida, alfaiate.

A escada que lhe dava acesso tinha uma data de degraus. Aí ouvi, em criança, as histórias que as velhas contavam. (Havia uma hierarquia determinada na ocupação desses degraus. Nos de baixo sentavam-se as mulheres mais velhas; algumas acocoravam-se encostadas à parede. Pelos outros degraus acima sentavam-se as mulheres com filhos de colo, outras mulheres e alguns homens). O Tio Diogo Parrico ficava sempre de pé, arrimado ao seu velho cajado. As moças novas namoravam ali por perto, à vista de toda a gente. A canalhada andava em correrias pelo terreiro, sim era aí o Terreiro, um largo bem delimitado. Quando se cansavam da brincadeira, vinham deitar-se na manta de trapo e, os mais resistentes ouviam histórias, os mais ensonados, dormiam.
Lamento profundamente que esta casa esteja praticamente em ruínas. Merecia ser reconstruída, pois parece-me que é a única que ainda conserva a traça das casas da Corredoura. (Continua)
Por: Júlia de Barros Ribeiro ("Biló")












