segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Forro
domingo, 13 de setembro de 2009
Convite - 19 de Setembro

Livro: "Torre de Moncorvo 1974-2009" (no seguimento da exposição inaugurada em Junho, no Centro de Memória)
Filmes: "Gente do Norte" (1977); "Encomendação das Almas" (1979).
Excerto do filme "Gente do Norte" in http://www.youtube.com/watch?v=3vm4qMtCZf0
sábado, 12 de setembro de 2009
Poemas e outros
As Quintas são o meu Deserto.
Deserto onde me encontro,
Quando me sento na soleira
Da rústica casa centenária de xisto
Da avó paterna,
Com telha-vã,
Lajes a ladrilhar o chão
E uma frescura imanente,
Que se imiscui no corpo
E na alma se enrodilha.
Deserto que se expande
No colorido das sécias
dos hortos do Tourão,
desde tempos imemoráveis
a crescerem como papoulas
por entre cebolo e manjericos.
Sou neste Deserto o peregrino do Ser…
Casa típica quinteira de xisto, com quase todas as características originais intactas.
A prima Irminda, a actual proprietária e zeladora desta ancestralidade viva, e a sua amiga Giulia, durante as férias do Verão.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Gente do Norte
Protocolo para recuperação da Linha do Douro, do Pocinho a Barca d'Alva
Foi hoje (dia 10 de Setembro) formalmente assinado um protocolo entre várias entidades públicas, a saber, MOPTC (Ministério das Obras Públicas Transportes e Comunicações), REFER, CP, IPTM, CCDR-Norte e Estrutura de Missão do Douro, para Reabilitação do troço Ferroviário da Linha do Douro entre o Pocinho e Barca d'Alva, contando com a presença de altos representantes destas entidades, nomeadamente a Srª. Secretária de Estado dos Transportes, Engª. Ana Paula Vitorino. A cerimónia começou pelas 11;00h na presença de autarcas (tanto de Portugal como de Espanha), representantes de várias instituições, empresários (sobretudo do sector turístico) e numeroso público.
" - Hoje está um lindo dia. Hoje é um lindo dia... para o Douro" - assim começou a sua intervenção o Chefe da Estrutura de Missão do Douro, Engº. Ricardo de Magalhães, um dos paladinos por esta causa da reabertura da linha do Douro com fins turísticos, entre o Pocinho e a Barca. Palavras que foram retomadas pela Secretária de Estado dos Transportes, que manifestou a sua confiança no investimento e também nas entidades espanholas, para voltar a levar o combóio até Salamanca. Nesta fase, para se recuperar o troço em causa (Pocinho-Barca), serão investidos 25 milhões de Euros. Foi destacada a importância deste investimento para toda a região, em articulação com outras valências que se estão a afirmar, nomeadamente o turismo fluvial.
Esta obra foi sobretudo impulsionada pela Associação Comercial do Porto e o consórcio denominado “Sindicato Portuense”, tendo-se também empenhado nisso as entidades de Salamanca, a quem interessava garantir o escoamento das suas mercadorias para um porto de mar. Um dos paladinos da ligação entre a Barca d’Alva e Salamanca foi Ricardo Pinto da Costa (1828-1889), banqueiro e homem de negócios portuense, que presidiu à referida Associação Comercial do Porto aquando da constituição da Compania del Ferrocarril de Salamanca à la Frontera Portuguesa. Viria a receber o título de Conde de Lumbrales, outorgado pelo rei espanhol Alfonso XII (na vila espanhola de Lumbrales localiza-se uma casa apalaçada do séc. XIX, conhecida por casa do Conde deste título).A história da construção da linha do Douro e, em particular do troço que agora se pretende valorizar, esteve patente num conjunto de painéis, expostos nesta data na estação do Pocinho (ver foto acima), tendo sido igualmente enfatizada ao longo dos discursos.
Foi ainda recordado pelo Presidente da Câmara de Vila Nova de Foz Côa que os pilares para o desenvolvimento do Douro, enunciados pelo Primeiro Ministro em 2006, foram, para além da Paisagem, do Vinho, do Turismo, também a Cultura. Esta valorização, a par de uma série de investimentos que o município fozcoense está a realizar no Pocinho (e que longamente enumerou), são também Cultura - disse.
Mais uma: segundo noticiou o Jornal de Notícias, em coluna esconsa, no dia 21.08.2009, foi outra locomotiva a vapor levada para as Ilhas Baleares (ver o recorte acima), seguramente para servir objectivos de turismo. Tratava-se de uma máquina alemã que sempre trabalhou em Portugal, pelo que a sua historicidade nas referida ilhas é nula! – Ou seja, se fazia sentido ela estar em algum lugar, era aqui, na linha do Douro. Infelizmente não se ouviu um protesto de ninguém! – Pelo que fica a pergunta: depois de recuperada a linha, entre a Régua e a Barca, para fins turísticos, como se pretente, será que se vai voltar a comprar aos estrangeiros o que se lhes vendeu entretanto? E a que preço? E será que quem comprou e recuperou este património para os fins que se sabe, estará algum dia interessado em desfazer-se do que cá veio buscar, certamente a preço da uva-mijona? Responda quem souber.DOURO FILM HARVEST - uma antestreia no Cine-teatro de Torre de Moncorvo
Pode ler-se na Agenda Cultural de Torre de Moncorvo (pág. 22): "O Douro Film Harvest é um encontro internacional de cinema que tem lugar na região do Douro Vinhateiro. Organizado pelo Turismo do Douro, com o apoio do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte/Estrutura de Missão do Douro, tem como um dos principais objectivos dirigir os holofotes do cinema para os cenários desta região vinícola, classificada como Património MUndial pela UNESCO". Assim, foram selccionados vários filmes românticos, de alguma maneira associados ao tema dos vinhos (Wine Films) a ser exibidos durante 5 dias por terras do Douro.
Quiseram os organizadores começar este ciclo de cinema pelo velhinho Cine-teatro de Torre de Moncorvo (cuja construção se iniciou na década de 40 do séc. XX), hoje com excelentes condições depois das grandes obras de remodelação realizadas entre 2002 e 2005. Pela primeira vez na sua história, o nosso Cine-teatro conheceu uma antestreia nacional! - Foi o caso do filme Julie & Julia, da realizadora Nora Ephron, com Meryl Streep (Julia Child) e Amy Adams (Julie Powell) nos principais papéis.
Este Encontro de Cinema tem um carácter descentralizado, decorrendo entre Vila Real (Teatro Municipal), Lamego (Teatro Ribeiro da Conceição), Torre de Moncorvo (Cine-teatro) e Santa Marta de Penaguião (Auditório Municipal). Nesta primeira edição será homenageado o realizador o checo Milos Forman (vencedor do Óscar de melhor realizador com o célebre filme Voando Sobre um Ninho de Cucos), que receberá o galardão CastaDouro Carreira, a 13 de Setembro, no Teatro Ribeiro da Conceição, em Lamego, às 17h30.
Também a actriz Andie MacDowell marca presença para receber o prémio CastaDouro Convidada Especial, em cerimónia marcada para o dia 10 de Setembro, às 22h00, no Teatro Municipal de Vila Real, seguida da projecção do filme The Last Sign. Os actores nacionais Ana Padrão e Ricardo Trêpa são os anfitriões da primeira edição do Douro Film Harvest, cabendo a este último o papel de Apresentador do evento no Cine-teatro de Torre de Moncorvo. Acrescente-se, a título de curiosidade e como o mesmo fez questão de referir, que Ricardo Trêpa é neto do grande realizador português Manoel de Oliveira, um dos homens que mais tem divulgado o Douro através da sua Obra.

Quanto ao filme estreado em Portugal no Cine-teatro moncorvense, baseia-se em duas histórias verídicas, passadas em tempos diferentes. Julie Powell é uma jovem mulher que, por volta de 2002, trabalha num centro de apoio psicológico por telefone a pessoas traumatizadas pela tragédia das Torres Gémeas de Manhattan/Nova Iorque. Como forma de se libertar do stress do dia-a-dia resolve criar um blogue dedicado à gastronomia, baseado num livro e numa série televisiva que a apaixonara, de autoria de uma consagrada "chef de cuisine", Julia Child. Esta, por sua vez, era uma grande apreciadora da cozinha francesa que aprendeu aquando de uma estadia em França, nos anos 40, onde seu marido era dilomata de carreira. Bem, o resto só vendo o filme, que é bastante divertido (tipo comédia).
Recomenda-se aos apaixonados da boa mesa e... ah, também da blogosfera! -depois perceberão porquê.
Nota: o filme foi apresentado nos E.U.A. no passado dia 7 de Agosto. No Brasil só a 16 de Outubro.
Fotos de N.Campos
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Mote e Glosa
Mote e glosa
Esta amêndoa, vida dura de casca
e um miolo - coração terno
mas tantas vezes partido
no teu rosto vejo e sinto
tanta mágoa tanto pranto
que no teu gesto desminto
por me parecer peso tanto
o feliz e breve encanto
do momento e da ternura
da mão que nesta amêndoa
descobre a vida dura de casca
dos teus sonhos já desfeitos
na tua vida revolta
revejo um imperfeito mundo
cruas dores mortes e mágoas
rios de antigas águas
terras mares tempos sem nome
mas no teu peito duro e simples
um miolo coração terno
olhando o teu rosto penso e sei
mais que silêncios mais que a bruma
que da serra desce e avoluma
mistérios segredos uivos cantos
ritos antigos de esquecidas forjas
danças de roda misteriosos prantos
que renasce uma vez mais o teu querer
e amigo irmão refazemos aqui o nosso sonho
tantas vezes partido
7 de Setembro de 2009
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Tipografia Globo
Recentemente, alguns elementos do PARM, em colaboração com a Local Visão, efectuaram um registo sobre a histórica Tipografia Globo, situada na R. Visconde de Vila Maior, em Torre de Moncorvo. Já no ano passado (02/2008), tinha sido efectuada uma primeira abordagem, em colaboração com o Jornal "Mensageiro Notícias" (ver post no Blog do PARM).
Aqui fica um pequeno excerto do presente registo/reportagem, com uma das máquinas de impressão em funcionamento.
(video de N. Campos/PARM)
domingo, 6 de setembro de 2009
Epígrafe de Setembro
Nos últimos olmos,
os que a tristeza não secou,
ainda chilreiam pássaros
ao entardecer.
sábado, 5 de setembro de 2009
Moncorvo em 1972
Folhear jornais antigos é um bom exercício para compreender como o País mudou nestes últimos 30 anos. Maior justiça social, outros cuidados de saúde e sobretudo liberdade. Para alguma memória, muita amnésia.
Vejamos pois, tendo como fonte, exclusiva neste caso, o “Notícias de Trás-os-Montes”, como a nossa região mudou, ainda que muitos dos temas e necessidades se mantenham.
Grupo Desportivo de Moncorvo -- O “Notícias de Trás-os-Montes” publica a um de Julho de 1972, em grande destaque, a subida do Grupo Desportivo de Moncorvo à III Divisão. Ganhara o último jogo da distrital contra o Macedo de Cavaleiros. A subida do GDM foi abrilhantada no jardim de Moncorvo com um grupo musical que fazia a sua estreia, “Teorema”. Tempos depois tomaram posse os novos corpos gerentes. Vale a pena referi-los: Almiro Sota, presidente; Fausto Catalão, vice-presidente; secretário, Eduardo Leite; segundo secretário, José Cavalheiro Paiva; vogais, António Teixeira, Manuel Tristão e Arnaldo Gonçalves.
Vale a pena lembrar a equipa inicial: Eurico; Sílvio (actual treinador do GDM), Amadeu, Custódio e Morais; Favorino e Paçô; Miranda, Vaz, José Manuel e Mateus.
Mas a equipa não funcionava bem. À quarta jornada levou 8-0 do Lourosa e ainda não tinha ganho um jogo, nem sequer marcado um golo. À sexta jornada o GDM conseguiu marcar um golo, ainda que tenha perdido com o Leça por 4-1.O golo do Moncorvo foi marcado pelo Zé Manuel. O Lourosa liderava a classificação.
Na jornada seguinte o GDM perdeu com o Limianos por 4-2. Os golos foram marcados pelo Miranda e pelo Santos. Sílvio já não jogava no GDM.
Na 11ª jornada o GDM continuava com um ponto apenas. Já não havia nada a fazer.
Saúde-- No segundo semestre de 72 entrou em funcionamento, na dependência do Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Moncorvo, o Centro de Saúde do concelho, constituído por dois médicos e respectivo pessoal de enfermagem, pelo que deixou de funcionar a subdelegação de Saúde que estava instalada no edifício do Tribunal. Registe-se que, na altura, a população era superior e os médicos eram apenas dois. Vale a pena lembrar que então o acesso à saúde tinha muito pouco a ver com as exigências de hoje.
Combóios-- As linhas do Corgo, Tua e Sabor acabaram por fechar. Mas o problema não é novo. Há 30 anos, pelo menos, que os poderes se manifestavam contra o encerramento das linhas. Titula o “Notícias de Trás-os-Montes” (29.7.72): “Trás-os-Montes opõe-se à supressão dos combóios”. Já um colunista deste semanário, informa, meses depois, que para vencer os primeiros 12 quilómetros do Pocinho a Moncorvo, são necessários 49 minutos, sendo 40 para o percurso e 9 para o serviço e toma de água, o que dá 15 quilómetros à hora como velocidade.
Nos 22 quilómetros de percurso -- do Carvalhal ao Pocinho -- havia 124 curvas. É obra. Mas as linhas acabaram. Quem as frequentou, sente nostalgia.
Emigração-- Se não fosse a emigração, a população portuguesa teria sido em 1981 de 9660.000 habitantes, segundo o INE. Diga-se que só em 1971 (já com a emigração em baixa) são registados mais de 151 mil emigrantes, dos quais 100.797 clandestinos.
Emprego -- Na sua edição de 21.10.72, alicerçado em fontes oficiais, o “Notícias de Trás-os-Montes” informa que o Serviço Nacional de Emprego, através do seu Centro de Castelo Branco, oferecia trabalho para homens (mais de 14 anos) a sete escudos à hora e para mulheres (mais de 14 anos) a quatro escudos, podendo fazer, homens e mulheres, mais de 10 a 12 horas diárias. O trabalho era garantido apenas por três meses. Ou seja, para usufruir 70 escudos por dia, e apenas durante três meses, um homem tinha que trabalhar 10 horas diárias. Desconheciam-se as horas extraordinárias. Como hoje se quer desconhecer o que foi este país e como neste país eram tratados os seus filhos.
Cultura -- Hoje seria um acontecimento nacional, com direito a televisões. Mas hoje seria difícil reunir em Mirandela, como foi reunida em Julho de 1972, uma mostra dos grandes nomes da pintura portuguesa. Sigamos o despacho do “Notícias de Trás-os-Montes” que nos dá conta de uma exposição em Mirandela com o patrocínio da Câmara e a colaboração da Galeria Alvarez do Porto.
Antes da exposição, houve uma palestra sobre o “Romance Moderno e a sua evolução”, pelo escritor António Rebordão Navarro, cujo romance “Um Infinito Silêncio”, é o retrato de uma comarca de Trás-os-Montes (Vimioso) onde esteve colocado.
Na exposição podiam ver-se, entre outros, quadros de Almada Negreiros, Ângelo de Sousa, Armando Alves, Arpad Szenes, Artur Bual, Dórdio Gomes, Espiga Pinto, João Hogan, José Rodrigues, Jorge Pinheiro, Júlio Pomar, Júlio Resende, Manuel Cargaleiro, Nadir Afonso, Nikias Skapinakis, Noronha da Costa, Francisco Relógio, Vespeira e Vieira da Silva.
Seria hoje possível uma exposição desta grandeza? E quem seria a grande mente de Mirandela que na altura foi capaz de organizar ua exposição única, não só a nível do Nordeste Transmontano, mas a nível nacional? Gostaria de saber quem foi só para profundamente lhe agradecer.
Arte sacra --- A reportagem é escrita por Afonso Praça na edição de quatro de Novembro de 1972 no “Notícias de Trás-os-Montes”, semanário de que o repórter era director-adjunto. Trata-se da história do retábulo flamengo de Moncorvo. Escreve o nosso conterrâneo: “Cerca de sete dezenas de naturais de Moncorvo ou ali residentes, deslocaram-se a Lisboa e visitaram o Instituto Dr. José de Figueiredo, anexo ao Museu.
A excursão foi feita a convite do director do Instituto, dr. Abel Moura, foi organizada pelo delegado local da Junta Nacional de Educação, dr.Horácio Brilhante Simões. Para muitos, foi uma revelação; para outros, apenas um passeio a Lisboa; para todos uma certeza: o retábulo está efectivamente no Instituto Dr. José de Figueiredo, entregue aos cuidados da pintora Ana Paula Abrantes, diplomada pelo Instituto Real do Património Artístico de Bruxelas. Pelo sim, pelo não, os moncorvenses acharam que era melhor vir a Lisboa: é que o retábulo já foi roubado uma vez e encontrado, meses depois, num antiquário de Guimarães. História que os jornais contaram e os moncorvenses não esquecem...”
Apó este super lead, Afonso Praça desenvolve a notícia: “Seja como for, a referida obra de arte recebeu, na altura, tratos de polé: dizia-se que os ladrões pretendiam enviá-la para os E.U.A. De certeza sabe-se que foi pintada no intuito de a disfarçar. É desde então que muita gente pensou em mandar restaurar o retábulo, mas havia um problema: o povo não queria que o “quadro” saísse de Moncorvo. Há três anos o dr. Horácio Simões, na sua qualidade de delegado da Junta Nacional de Educação, fez um pedido formal ao Instituto Dr. José de Figueiredo, e no ano passado apareceram na vila funcionários desta instituição para procederem ao transporte da obra. Qual quê! O retábulo lá ficou, como acontecera uma vez, perante a reacção dos moncorvenses que se reuniram junto da igreja, dispostos a tudo. Recentemente, um carro foi a Moncorvo, carregou o tríptico e trouxe-o para Lisboa, sem ninguém dar conta. Mas logo a notícia se espalhou pela vila, como uma bomba. E foi então que surgiu a excursão, cuja finalidade principal foi de esclarecimento: moncorvenses de várias profissões e categorias sociais (professores do ensino secundário, comerciantes, trabalhadores rurais, funcionários públicos) entraram esta manhã no Instituto Dr.José de Figueiredo com um peso no peito. E o repórter ouviu várias vezes: “Afinal o quadro volta ou não volta para Moncorvo?” Todos os moncorvenses sabem hoje que o quadro voltou a Moncorvo e pode ser visto na sua igreja matriz.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Provérbio chinês
Permite que a ave da tristeza pouse na tua cabeça, mas nunca aceites que faça ninho nos teus cabelos.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Ainda as festas de Verão
Igreja Matriz do Larinho (foto dos anos 30, arquivo Dr. João Leonardo)terça-feira, 1 de setembro de 2009
Recordando a Póvoa
Há cinco/seis anos escrevi esta crónica para o Jornal de Notícias, numa rubrica semanal que tive durante mais de dois anos na edição de Lisboa deste jornal. Porque penso que tem alguma actualidade, contextualizando-a no tempo, penso que ainda tem alguma actualidade. Por isso e também por preito ao Nélson, achei que a devo republicar, depois de a retirar da minha arca informática. Aqui vai, tal como foi escrita há cinco/ seis anos.
"De novo, as gravuras
ou
Ao Sabor das gravuras
Encontramo-nos no quiosque da Praça a comprar jornais. O Público anunciava, em chamada de primeira página, a descoberta de novas gravuras rupestres no Sabor, com 20 mil anos de idade.
Encontrámo-nos eu e o Nélson Rebanda, o arqueólogo que descobriu as primeiras gravuras do Côa e que tão injustiçado foi nos anos seguintes. Foi uma espécie de Cristóvão Colombo das gravuras.Viriam mais tarde os conquistadores. A notícia, assinada por Pedro Garcias, um homem cá de cima, dava ao Sabor da minha infância um sabor novo.
No dia anterior tinha ido comer peixes à Foz ( do Sabor), num ritual que se repete sempre que rumo a limpezas de olhar interior. Também nesse dia me embrenhara nas fragas da Póvoa onde, já lá vão perto de 25 anos, levei o Assis Pacheco que, perante uma professora primária vestida para nos receber como se se preparasse para uma ida ao S. Carlos, numa casa sem luz nem água, com o caldeiro dos grelos à lareira, escreveu um belíssimo poema, posteriormente publicado na Vértice.
Hoje na Póvoa vivem 22 pessoas, bem contadinhas, quase todas com idade superior a 60 anos. As casas, com se o tempo não passasse por ali, mantêm-se de pedra, em construção tosca mas robusta de granito. E desabitadas, na maioria.
E fomos tomar café. O Nélson Rebanda estava excitado pela descoberta e era referido no texto como o criador da expressão do Côa, Santuário Sagrado.
Mas que importância tem descobrir que há 20 mil anos já se sonhava por aqui, nos desfiladeiros inóspitos, quando o sonho é considerado hoje, pelo pragmatismo crescente, um dos sintomas do desfazamento da realidade e um obstáculo ao nacional-situacionismo, mediático e político, para quem o efémero e o supérfluo são os grandes promotores de energias e desenvolvimento?
Vejo o Nélson desencantado, por vezes excessivamente auto-crucificado, num jogo de incompreensão que o isolamento potencia.
Mas como é que não se sentirá alguém que, durante infindáveis dias, foi desbastando de roçadoura na mão, os arbustos que escondiam as pedras, o xisto sólido do chão sagrado?
E leio também que, após 23 anos de serviço à causa pública, Diana Andringa se despede da RTP. Como não se há-de sentir ao ver o estado a que a televisão (pública e privada) chegou.
E leio A Bola. Um jogador atinge os 20 milhões de contos. Outros menos milhões, mas ainda milhões.
A Igreja em vez de abençoar Deus, preocupa-se mais em criticar César. Esquece o sagrado e sacia-se no profano.
A remodelação e os seus rumores inventam analistas e suportam ajustes de contas. Resultados de sondagens, sempre relativos, são absolutizados.
Ouvem-se pelo interior as sirenes. Começaram os incêndios. A seu tempo virá a remodelação.
E os jornais em vez de picotarem na rocha um auroque (boi selvagem), preferem pintar em papel um cenário de um país dissolvente, em que tanto governo como oposição servem de arbusto e ocultação ao grande auroque gravado na pedra do tempo.
Rogério Rodrigues
Apresentação de Outros Contos da Montanha, por Isabel Mateus
Ainda no passado dia 29 de Agosto, depois de inaugurada a Exposição sobre o felgueirense Armando Martins Janeira, teve a palavra uma outra felgueirense: Isabel Maria Fidalgo Mateus, natural das Quintas do Corisco, presentemente professora de Português na Universidade de Liverpool, após a conclusão do seu doutoramento pela University of Birmingham (Reino Unido).
Após a apresentação deste mesmo livro – Outros contos da Montanha – ocorrida há meses na Biblioteca da Escola Secundária de Torre de Moncorvo e no Grémio Literário de Vila Real (onde teve o patrocínio do escritor A.M. Pires Cabral e da presidente do Círculo Miguel Torga, Doutora Assunção Anes), chegou a vez de também a Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo dar a conhecer a obra desta nossa conterrânea.
Após as palavras do Sr. Presidente da Câmara, a apresentação da autora esteve a cargo de uma sua antiga colega do Secundário, que frequentaram em Torre de Moncorvo, a jornalista Glória Lopes, que enalteceu as suas qualidades, bem como do livro em causa.
Por fim, Isabel Mateus falou da temática dos diversos contos que compõem o livro. Por aqui perpassam a emigração, a desertificação humana, a dureza do trabalho no campo, hoje como no Passado, mas também muito da Cultura popular, tudo caldeado num grande telurismo, bem digno do conterrâneo Armando Martins Janeira (o homem que andava sempre com três pedras de minério do Roborêdo), ou ainda de Miguel Torga, de quem a autora colheu inspiração para o título desta obra. “Eu afirmo as quintas, as quintas são a minha raiz” – disse Isabel Mateus, a dado passo da sua intervenção. Congratulou-se pelo facto de os seus contos serem lidos em lares de idosos, além da sua apresentação em diversas escolas, como no Agrupamento Vertical de Torre de Moncorvo. Mas não só: em Inglaterra, na University of Liverpool, onde existe um grupo de Português, já se organizou uma semana de cultura lusófona (Lusophone Culture Week), tendo um dos seus contos sido traduzido para inglês.
A finalizar, Isabel Mateus levantou ainda um bocadinho a ponta do véu do seu novo livro, que terá por título: O trigo dos pardais e versará sobre a relação das crianças com a natureza, nomeadamente com brinquedos e brincadeiras a partir de elementos naturais, um tema bem do agrado do nosso colega blogueiro Vasdoal.No auditório da biblioteca, aquando da apresentação do livro, esteve patente ainda uma exposição de desenhos aguarelados, de autoria de Cristina Borges, que serviram de base às belas ilustrações incluídas no livro.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Dia 29 de Agosto, inauguração da Exposição sobre Armando Martins Janeira
Conforme anunciado oportunamente, foi inaugurada no passado dia 29.08.2009, a exposição: sob o título “Armando Martins Janeira ou a busca do Homem Universal”.
A visita guiada à Exposição esteve a cargo da Srª. Embaixatriz, D. Ingrid Bloser Martins, que salientou os principais passos da vida e obra do Sr. Embaixador Armando Martins (1914-1988), natural de Felgueiras (concelho de Torre de Moncorvo). Tendo principiado a sua carreira diplomática no antigo Congo belga (mostra-se na exposição o uniforme que usava, à época), desta fase se apresentam alguns objectos de Arte Africana, que o nosso conterrâneo recolheu nessas paragens. Todavia, o que viria a cativar verdadeiramente o seu interesse foi a Cultura Japonesa, de que se tornou um estudioso emérito. Esse interesse vinha fermentando desde muito jovem, ao tomar contacto com a obra de Wenceslau de Moraes (n. Lisboa, 1854; m. Tokushima,1929), o português que se “japonizou” por completo entre o séc. XIX-XX. Numa das vitrinas ilustra-se esse contacto, com livros e imagens de e sobre Wenceslau de Moraes, alguns de autoria de Armando M. Janeira, como o “Peregrino” (recentemente reeditado pela editora Pássaro de Fogo).
O numeroso público seguiu atentamente as explicações sobre o significado dos objectos patentes, no contexto da vida e obra do embaixador Armando M. Janeira (foto da Biblioteca Municipal de T. de Moncorvo)
Fotografias da família imperial do Japão, estampas, kimonos e outras peças têxteis, colecções de bonecas japonesas, objectos do ritual do chá, alguns “kompeitos” (palavra japonesa de origem portuguesa para designar “confeitos”) similares às nossas amêndoas cobertas de Moncorvo (só que sem o grão de amêndoa no interior do açúcar, outros livros de Armando M. Janeira, como as Figuras de Silêncio, O impacto português sobre a civilização japonesa, Japão, a Construção de Um País Moderno ou, simplesmente, peças de teatro, como Linda Inês, tudo associado a objectos coleccionados com muita dedicação e carinho, como faianças e porcelanas, nesta mostra se encontra sintetizada uma vida que foi uma busca e um Encontro com o Outro, todavia sem nunca perder o sentido das suas raízes, como bem sintetizou a sua viúva, Srª. D. Ingrid.
A concepção da exposição teve o apoio do Sr. Arquitecto Carlo Maria Bloser, tendo a montagem sido apoiada pela equipa da Biblioteca/Centro de Memória. A decoração floral, integrando formosos arranjos de Ikebana, esteve a cargo da Srª. Embaixatriz D. Ingrid Bloser, assim como alguns conteúdos do Catálogo, que contou com a colaboração da Drª. Paula Mateus, especialista da obra de Armando M. Janeira, e da equipa da Biblioteca Municipal.
Esta Exposição fica patente no Centro de Memória de Torre de Moncorvo até ao mês de Outubro, podendo ser visitada durante o horário da Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo.
Para saber mais sobre o Embaixador Armando Martins Janeira, ver neste blogue:
E ainda o "site" próprio: http://www.armandomartinsjaneira.net/
NOTA: A título de mera curiosidade, informamos que foi no decurso de uma outra exposição sobre a Vida e Obra do Embaixador Armando Martins Janeira, realizada em 1997 no Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, que surgiu a ideia de se constituir um Centro de Memória destinado a conservar e a divulgar os espólios dos mais ilustres concidadãos naturais ou identificados com Torre de Moncorvo. Isto porque a Srª. Embaixatriz D. Ingrid Bloser Martins, logo nessa ocasião manifestou a intenção de oferecer uma série de documentos, livros e objectos pessoais ao Museu. Como o espólio em causa não se enquadrava bem no âmbito temático do Museu, para além da manifesta falta de espaço para se incorporarem outros espólios que eventualmente viessem a ser propostos (como era o caso do do Professor Santos Júnior, de que então também já se falava), o responsável do Museu do Ferro e da Região de Moncorvo propôs então à autarquia a criação de um Centro de Memória, o que viria a ser aceite e se concretizou no espaço actual anexo à Biblioteca.
domingo, 30 de agosto de 2009
Rostos Transmontanos
Fui na passada sexta-feira ver de novo ( já a vira em Moncorvo) a exposição fotográfica "Rostos Transmontanos" de Paulo Patoleia. Eu e o Lelo e bemmequero ( o filho do "apita abílio" ,que tem na net o "forum de Carviçais") e gostamos. A Júlia Ribeiro é que veio de propósito de Leiria a Lisboa e se perdeu. Penso que deve ter ido parar às antigas instalações do Museu da República e Resistência na Estrada de Benfica, no que se chama o Casal do Grandele. A exposição está patente até 10 de Setembro e qualquer transmontano que se preze e tenha algum tempo não a pode perder. Daqui envio os meus parabéns ao Paulo Patoleia. Foi pena que não estivesse ninguém da Câmara, já que era uma das patrocinadoras. Sei que havia outras actividades naquele dia, mas de qualquer modo... Enfim
sábado, 29 de agosto de 2009
Felgar - Festa NSA 2009
Felgar - Festa de Nª Sª do Amparo.
Domingo, 23 de Agosto de 2009, cerca das 9h30.
Como de costume a Banda do Felgar recebe a Banda de Música convidada, este ano a Banda de Mirandela. No Largo da Santa Cruz trocam cumprimentos.
Chamo a atenção para a evolução que a nossa banda teve desde Janeiro até hoje. Veja-se a mesma música tocada na Festa de S. Sebastião, também aqui colocada, e compare-se com a execução de hoje. Sente-se que tem sido realizado um trabalho de aperfeiçoamento notável. Estão de parabéns o regente, os músicos e a direcção da SFF.
Nota: Os mais atentos ouvem um som de fundo contínuo. Eu mostro já o que é...
Trata-se do agradável som da água a correr no chafariz.
Só não coloco aqui o cheiro matinal dos jardins do Cimo do Lugar porque é muita mão de obra...
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Mais um conto de Júlia Biló: O ZÉ LEITINHO
Não sei se alguém em Moncorvo se lembrará ainda do Zé Leitinho, José Leite de seu nome oficial.
Magrinho, de altura mediana, pele macilenta, cabelo preto liso, risco ao meio e empastado de brilhantina para se manter fixo no seu devido lugar. Sempre vestido de fato preto, lustroso de tão coçado, pastinha preta debaixo do braço.
Creio que era funcionário menor da Câmara, talvez cobrador.
Também lhe calhava ir à Corredoura. Então aí, à roda do Zé Leitinho, juntavam-se as meninas da Corredoura que, ao tempo, eram as filhas da Sra. Camila Miranda, da Sra. Rosalina Mesquita, a Menina Alcina, jovem esposa do Sr.Todu, a Menina Gininha Galo (já não muito jovem) , as filhas da Sra. Delmina Terceira, a Menina Natalina, a Menina Idalina e ... não sei se me esqueci de mais alguma. Depois a roda alargava-se com mais algumas mulheres e , obviamente, a canalhada não podia faltar.
Nesta última faixa encontrava-me eu. Furávamos entre as pernas das pessoas (já uma pequena multidão) para chegarmos à frente e não perder pitada.
As filhas da Sra. Rosalina e da Sra. Camila pediam, suplicavam ao Zé Leitinho que lhes cantasse o “Passarinho da Ribeira”. E insistiam : “A sua voz é maravilhosa” , “Canta que nem um rouxinol” . “ Não , não canto. Por favor, não peçam mais” . “Se for preciso, peço-lhe de joelhos” . E uma mais atrevida pôs logo os joelhos em terra e, de mãos postas : “ Por favor, cante. Não nos faça sofrer mais “ .
E o Zé Leitinho atrapalhado - até o cabelo começava a fugir do seu arrumadinho lugar - queria sair dali, mas a roda apertava-se à sua volta.
Finalmente cedia em cantar “Só uma. Só uma e mais nada”. Fazia-se silêncio e o Zé Leitinho esticava o pescoço, pigarreava, olhava para o céu, fechava então os olhos e soltava a sua voz : “Passaaaarinho da Ribeira / Não seeeejas meu inimiiiiigo ... “ Aqui começava uma das Meninas a ficar sem forças, encostando-se a outra e mais outra que começava a desmaiar... e o Zé Leitinho, embebido na canção que existia na sua cabeça e não sabendo que a desafinação era completa, continuava “...Empreeeeesta-me as tuas aaaasas / Deixaaaaa-me ir voaaaaar contiiiigo...” Por esta altura, tinha de abrir os olhos , porque os “ais” das Meninas eram já muitos e os desmaios tantos que algumas iam a correr buscar água para deitar na testa das que haviam desmaiado e estavam nos braços de outras que fingiam chorar .
A aflição estampava-se na cara do Zé Leitinho que, em lágrimas verdadeiras, dizia confuso: “ Eu não queria cantar. Eu sei que a minha voz provoca este efeito nas jovens. Oh, Deus me valha! “ Lá conseguia que lhe abrissem o cerco e, tirando o lencinho branco que espreitava do pequeno bolso do casaco, fugia limpando a testa e a cara.
As Meninas em desmaio recuperavam de imediato e as lágrimas que agora lhes assomavam aos olhos eram das gargalhadas que o Zé Leitinho já não ouvia.
Eu era muito pequenita e até sentia pena do Zé Leitinho . Mas tenho de confessar que nunca ouvi voz tão desafinada. E mais, em alguém que não tinha a mais leve ideia da sua desafinação.
NOTA – Penso que o Lelo sabe outras estórias do Zé Leitinho.
Por: Júlia de Barros Guarda Ribeiro (Júlia Biló)


















