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terça-feira, 21 de julho de 2009

Poemas e outros II

A fotografia postada recentemente por Vasdoal, na qual retrata o pastor como um andarilho à volta da terra e à frente das ovelhas, levou-me a pensar no conto de Trindade Coelho “Idílio Rústico”, extraído da obra “Os Meus Amores” (1891) e inserido na colectânea Antologias Universais dedicada ao conto. “Idílio Rústico” figura ao lado de “Abyssus Abyssum” (conto do mesmo autor e incluído na mesma obra), no volume Os Melhores Contos Portugueses – Primeira Série (1971, 7ª edição), com Selecção, prefácio e notas de Guilherme de Castilho. Em Prefácio da 1ª Edição refere-se Castilho nos seguintes termos aos autores seleccionados para esta antologia: “O presente volume engloba os contistas portugueses do século XIX e alguns do século XX, e destes só os autores mortos de mais real interesse”(p. 10).
Em seguida, o trabalho de Júlia Biló acerca do “Dicionário de Transmontanismos” incentivou-me a uma repetida leitura do respectivo conto. Ao longo do corpo do texto não são só as palavras transmontanas que tocam o leitor do “Reino Maravilhoso” ou qualquer outro, é também a sua disposição na frase, a sintaxe que, apesar de familiar e de “sair da boca do povo”, soa tão bem e tudo diz. Frases lúcidas, expressivas e belas, muito belas: “ – Umas quartãs que me tiveram mondada!”; “ – Uh lá, Rosária, eu mesmo! Guarde-te Deus, pimpona!”; “ – Tanto é que tirava da frauta as cantigas que ela lhe tinha ensinado.” Quer seja o narrador, quer sejam as personagens, das “palavras de pedir pão” se compõe a prosa que só lembra poesia!...
A cena que se segue resulta desta súmula, da qual não se despega o subjectivismo do narrador. Por isso, o idílio dos dois pastorinhos, o Gonçalo e a Rosária, é de indescritível beleza por essa simplicidade e pela pureza de sentimentos. A infância em plena liberdade e responsabilidade atingem ali o seu clímax e quase que nos atreveríamos a acrescentar que a ausência de mácula lhe advém da inteireza do solo:

“Até que por fim chegaram, tinha anoitecido havia instantes. Gado dentro e toca a merendar; o que era de um era de outro: ele ainda trazia azeitonas, um naco de queijo, pão. Mal acabaram de comer, o Gonçalo apontou para a cabana que ficava ali perto, e propôs que se deitassem: estavam moídos da soalheira de todo o dia e da caminhada agora.
Quando o Gonçalo e a Rosária entraram na cabana e se deitaram sobre o colmo, cobrindo-se com as mantas, e achegando para a cabeça um do outro os bornais que faziam de travesseiro, cerrara de todo a noite, e formigueiros de estrelas cintilavam vivezas de prata polida no azul indefinido do céu.
- E os lobos? – perguntou a Rosária com medo.
- Não há perigo – tranquilizou-a o Gonçalo. – Isso é lá com os cães. “ (“Idílio Rústico”, in Antologias Universais - Conto)

Foi o colmo que lhes tranquilizou os sentidos, como quando Miguel Torga também o avistou a partir do seu roteiro literário “Portugal” na transição do Gerês para Trás-os-Montes. Continuemos nós também a valorizar os nossos ilustres, pois neste conto encontramos uma bela história para fazer adormecer tranquilamente nossos filhos. Sem que também esqueçamos de os elucidar acerca das brincadeiras tão salutares que estas páginas enumeram: tocar frauta, fazer bilros “torneados”, contos de moiras, o jogo do fito, da bilharda, a pocinha…

Boa leitura de “Os Meus Amores”, de Trindade Coelho!

Texto: Isabel Mateus
Fotografia: João Costa

Exposição "Vestígios" - inauguração

Conforme anunciado, foi inaugurada no passado sábado, dia 18 de Julho, a exposição VESTÍGIOS... - Património Arqueológico e Arquitectónico da região de Moncorvo, organizada pelo Museu do Ferro & da Região de Moncorvo em articulação com o PARM, e patrocinada pelo município através da dotação orçamental para o Museu.

Momento da inauguração, dia 18.07.2009 (foto Patrick Esteves/Foto-Bento)

Esta mostra comporta 10 painéis fotográficos, organizados cronologicamente, desde os Tempos Pré-históricos, passando pelo mundo "Castrejo", o período da Romanização (com uma agricultura intensiva, a mineração/metalurgia e a difusão da Escrita), a Idade Média (com as características necrópoles de sepulturas escavadas na rocha, povoados fortificados e aldeias, a arquitectura românica com vestígios na desaparecida capela de S. Mamede do Baldoeiro e a igreja matriz de Adeganha, o castelo e vila de Torre de Meem Corvo), a Idade Moderna (com a igreja matriz de Torre de Moncorvo, a igreja da Misericórdia, a ponte do Sabor, o eremitério da Srª. da Teixeira com os seus frescos, fontes e chafarizes, solares, etc.), os antigos caminhos lajeados (praticamente todos destruídos nos últimos 20-3o anos!), o património rural, a arqueologia industrial e mineira...
Este acervo fotográfico resulta na quase totalidade dos Arquivos do PARM, com bastantes fotografias a preto & branco, com mais de 20 anos. Não são imagens de profissionais da fotografia mas sim de jovens arqueólogos (ou candidatos a tal) que, com entusiasmo, em boa hora registaram valores patrimoniais que hoje não são mais que meros "Vestígios", em alguns casos já desaparecidos.

O Dr. Rui Leonardo (co-organizador da exposição) explicando o painel sobre o período "castrejo" (Idade do Ferro) na região (foto N.Campos)
Além das fotografias, complementam a exposição uma série de objectos, que começam logo a aparecer no início do percurso, ao entrar-se na galeria do Museu que dá passagem para os jardins das traseiras: uma pedra decorada românica proveniente da desaparecida capela de S. Mamede (Baldoeiro); um pequeno sarcófago medieval recolhido na Adeganha, nos anos 80, várias pedras da igreja de Santiago da Torre de Moncorvo, a primitiva igreja do povoado, ainda antes de ser vila (referida nos meados do séc. XIII) , etc., e, finalmente, no interior do auditório, mais peças em granito, em xisto, machados polidos, cerâmicas, moedas, etc. Tudo disposto de forma a contar uma história, a história da nossa região nos últimos 15 a 20.000 anos... uma longa viagem aqui resumida através de uma série de Vestígios...
Logo no início é feita uma evocação dos pioneiros que estão na base dos primeiros reconhecimentos arqueológicos realizados na região, desde há mais de 100 anos: Abade José Augusto Tavares (1868-1935), Professor Santos Júnior (1901-1990), Professor Adriano Vasco Rodrigues, entre outros, culminando no aparecimento do PARM em 1983, no seguimento dos primeiros trabalhos individuais e incipientes de um dos elementos do grupo. Este grupo informal só viria a adquirir a fórmula jurídica de associação sem fins lucrativos (que ainda hoje mantém), por escritura pública celebrada em finais de 1986.

O Presidente da Câmara, Engº Aires Ferreira, observando atentamente a exposição (foto Patrick Esteves/Foto-Bento)

A última grande exposição sobre Arqueologia e Património edificado da região foi organizada pelo PARM em 1986 (sendo reeditada em 1987, a pedido do município, por ocasião de uma visita do então Presidente da República, Dr. Mário Soares). Algumas imagens agora patentes foram aproveitadas dessa mostra, obviamente noutro tipo de suporte. A ideia da exposição surgiu no início do ano de 2009, após a entrega do relatório e ficheiro do inventário arqueológico do concelho para o novo PDM. Após se terem revisitado os Arquivos e ficheiros da associação, entendeu-se pertinente voltar-se a fazer um novo balanço dos conhecimentos, até porque se poderia constituir um embrião da sala de Arqueologia e História que desde sempre esteve prevista no âmbito do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo.
A razão de ser neste período do ano prende-se com o impacto que se pretende dar ao evento, uma vez que durante o Verão é sempre maior o número de visitantes, quer sejam moncorvenses que se encontram a trabalhar fora e que "vêm à terra" nesta época, quer sejam turistas de outras paragens, interessados em alternativas ao "sol e praia".

Aspecto geral da exposição, no auditório do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo (foto Patrick Esteves/Foto-Bento)
Esperamos manter esta exposição com carácter programático e permanente até à organização da sala de Arqueologia & História do Museu. No entanto, como é possível que algumas peças venham a ser recolhidas por motivos de conservação, recomendamos vivamente a sua visita quanto antes, aproveitando este período de férias de Verão. De caminho pode dar um salto ao Centro de Memória e saber mais sobre a história contemporânea de Torre de Moncorvo, complementando a sua viagem temporal. - Pode crer que depois de estar na posse destas "chaves de leitura" vai apreciar melhor os monumentos, o urbanismo, as paisagens e as pessoas. Depois dessa introdução, terá decerto entrado no espírito da terra... desta terra.
Para saber mais, ver o blogue do PARM: http://parm-moncorvo.blogspot.com/

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Caracterização de Homem e Mulher à luz do "Dicionário de Transmontanismos” de Adamir Dias e Manuela Tender* II - por Júlia de Barros G. Ribeiro

(continuação do post anterior e conclusão)

Então, vejamos: de acordo com as listagens, o pior que pode chamar-se a um homem é: “chavelhudo, cornampas, galheiro, panacho”, ou seja, “cornudo”.
Ora, se tal acontece, a culpa é da mulher. E se o homem está amantizado , dir-se-á que é “aputado”, sendo ainda a mulher a ter de carregar com esta culpa… vocabular.
De resto, (exceptuando o termo “azeiteiro”, há uns 50 ou 60 anos o pior insulto que se podia lançar a um homem), epítetos como: “mandongueiro, mantilheiro, mentrasteiro, saioleiro” isto é, “mulherengo”, eram tidos quase como elogios, ainda que , por vezes, um tanto velados.
Vemos pela presente listagem que o homem é essencialmente “labrego, vadio, aldrabão, preguiçoso, lorpa…” . (almanicha, cerdo, chambas, lafrau, zorrão… etc. etc.) .

Mas, se bem repararmos, não há homem “de má nota” nem “de mau porte”. Isso é reservado à mulher: em 57 ocorrências negativas, a mulher é mais de uma dúzia de vezes apodada de “Mulher de má nota” e “de mau porte” (azagal, bornal, calandrina, calhau, coldre, etc. etc. ). Se a estes mimos acrescentarmos o ferrete de “rameira, meretriz, concubina, prostituta, putéfia, vagabunda, desprezível, muito reles, desavergonhada…” ( calatrão, castelã, cóia, estardalho, franjosca, ganirra, juco, etc. etc. ) então chegamos às três dúzias dos piores insultos. Com “alcoviteira, mentirosa, preguiçosa…” (belbroteira, merondeira, zopeira… etc. ) teremos a lista completa.

Daí, poder inferir-se que, apesar de menor número de características morais negativas atribuídas à mulher, a sua carga pejorativa é muito mais pesada.

Mas, nem tudo é mau: quanto ao aspecto físico, a nota, altamente positiva, pertence às mulheres: contra 1 “mancebo forte” (azagal) – repare-se que ainda nem é homem feito - , há 8 “mulheres elegantes, atraentes, bem feitas, jeitosas” (adengada, janguista, repolhaça, seitoira …) .

No respeitante a características físicas negativas, não há diferenças muito acentuadas entre homens e mulheres: elas são “altas e magrizelas, lingrinhas, féias , desajeitadas…”
(estauta, canoa, galdrapa, lusmeia…) ; eles são: “atarracados, gordos, balofos, grosseiros…” (alforgeiro, bazulaque, charrasco, porcho…) .

Gostaria de terminar com umas palavras que, um dia, Mark Twain escreveu : “Nunca procurei, em caso algum, tornar cultas as classes cultas. Não estava equipado para o fazer. Faltavam-me os dotes naturais e a preparação”.

Tal como Twain, também não pretendi escrevinhar “coisas cultas”. Tive em vista, sobretudo, as pessoas comuns que, como eu, gostam de rever algo que faz parte do seu imaginário e da sua herança cultural.[1]

[1] Mark Twain, 1889, em carta a Andrew Lang. Cit. por Italo Calvino, in “Porquê Ler os Clássicos?”, Ed. Teorema, Lisboa, 1994, p. 159.

Caracterização de Homem e Mulher à luz do "Dicionário de Transmontanismos” de Adamir Dias e Manuela Tender* I - por Júlia de Barros G. Ribeiro

*Adamir Dias e Manuela Tender ( Coord.), Dicionário de Transmontanismos
USAF – Universidade Senior e do Autodidacta Flaviense, Chaves,
Ed. da Associação Rotary Club de Chaves, 2005

Como transmontana, li o Dicionário referido em epígrafe quase de um fôlego e, devo acrescentar, foi uma leitura de real comprazimento. Estão de parabéns os autores e seus colaboradores, pois se trata de uma obra de interesse não só regional mas de alargado âmbito, bem como de um trabalho sério e de aturada investigação.

Após a leitura fiquei com a ideia de que há neste dicionário
1. mais vocábulos referentes a mulheres do que a homens;
2. que todos esses termos comportam uma carga mais negativa do que positiva;
3. e os que designam e qualificam “mulheres” são marcadamente mais pejorativos do que os que designam ou qualificam “homens”.

Procedi a uma segunda, e muito atenta, leitura e fui marcando os vocábulos de acordo com a ideia colhida. Fiz várias listagens com que não vos vou maçar aqui e terminei com 4 listas assim distribuídas e subdivididas: Características Físicas Positivas e Características Físicas Negativas (uma para homens e outra para mulheres) e, seguindo a mesma linha, Características Morais Positivas e Características Morais Negativas. Previamente, havia eliminado todos os substantivos e adjectivos comuns aos dois géneros.

O próprio dicionário era muitas vezes explícito quanto ao uso dos vocábulos - por exemplo:

Abechucho, s.m. - Homem encorpado e desajeitado
Calharós , s.f. – Mulher alta e desengonçada.
Azagal , s.m. - Mancebo forte.
Azagal , s.f. - Mulher de má nota.
Bacamarte , s.m. - Pessoa grande e desajeitada.
Bacamarte, s.m. - Mulher dissoluta e desregrada.
Basculho, s.m. - Pessoa grande e mal amanhada.
Basculho, s.m. - Mulher badalhoca e feia.


Posto isto, vejamos:

a) Quanto ao 1º. pressuposto: “Há mais vocábulos referentes a Mulheres do que a Homens”, das listas elaboradas, resultou o quadro seguinte:

HOMENS / MULHERES:
Características Físicas Positivas: H: 1 / M: 8
Características Físicas Negativas: H: 21 / M: 20
Características Morais Positivas: H: 1 / M: 1
Características Morais Negativas: H: 65 / M: 57
Total: H: 88 / M: 86

- verifica-se que este pressuposto não se confirma.

b) Já no que diz respeito ao 2º pressuposto: “Todos esses termos comportam uma carga mais negativa do que positiva”, confirmou-se plenamente, uma vez que a acepção negativa ocorre para os homens 86 vezes e para as mulheres 77 vezes (perfazendo um total 163 ocorrências negativas),

HOMENS / MULHERES:
Características Físicas Negativas: H: 21 / M: 20
Características Morais Negativas H: 65 / M: 57
Total: H: 86 / M: 77

contra 2 acepções positivas para os homens e 9 para as mulheres (perfazendo um total de 11 ocorrências positivas).


HOMENS / MULHERES:
Características Físicas Positivas: H: 1 / M: 8
Características Morais Positivas H: 1 / M: 1
Total: H: 2 / M: 9

Parece poder inferir-se que os aspectos negativos do carácter e do comportamento, quer do homem quer da mulher, marcam mais o nosso imaginário e a nossa vida e perduram mais na nossa memória do que os aspectos positivos.

c) Finalmente, quanto ao 3º. pressuposto: "Os vocábulos que designam e qualificam Mulheres são marcadamente mais pejorativos do que os que designam e qualificam Homens”, parece não haver dúvidas que a mulher - em 57 vocábulos contra 65 referentes ao homem – é, moralmente, muito mais mal tratada que o seu parceiro.

Por: Júlia de Barros G. Ribeiro (Biló)

(Continua)

domingo, 19 de julho de 2009

Felgar - Pagadores de Promessas

Festa de Nª Sª do Amparo - Felgar

Domingo, 24 de Agosto de 1958.






Na praça, em frente à igreja matriz, aguarda-se a saída da procissão.

Descalço, com um saco de trigo de quatro ou cinco alqueires aos ombros, o pagador prepara-se para uma longa e lenta caminhada de mais de duas horas que só terminará quando o trigo for entregue na Casa dos Milagres, já no Santuário.

Durante o percurso fará duas breves pousas para descansar e aguentará estoicamente o esforço, movido por algo maior que ele: a crença.


Os mordomos usavam uma braçadeira que os identificava. Reparem no lado esquerdo da imagem.

sábado, 18 de julho de 2009

Pires Cabral e Mia Couto

Mia Couto e A.M. Pires Cabral, no lançamento do livro "Jesusalém", no dia 16, no Museu da Vila Velha , em Vila Real. Portugal e Moçambique unidos pela literatura em língua portuguesa.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Exposição "Vestígios"


Amanhã, dia 18, pelas 16.00 horas, é inaugurada a exposição "VESTÍGIOS... Património Arqueológico e Arquitectónico da Região de Moncorvo", no Museu do Ferro & da Região de Moncorvo.

Para mais informações consultar o site do PARM.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Morreu Palma Inácio

Aos 87 anos, morreu Palma Inácio, o nosso último herói romântico.
Vai fazer, no próximo Agosto, 41 anos que Palma Inácio foi preso em Moncorvo, esbofeteado e encarcerado no quartel da GNR, hoje o Museu do Ferro, numa cela que ainda existe, e que eu já visitei, embora recuperada para as funções do Museu.
Fui amigo, nos últimos anos, de Palma Inácio. Almoçávamos com frequência. Nunca o ouvi dizer mal de ninguém, mesmo dos seus algozes ( à excepção, que eu nunca compreendi, de Guterres). Só bebia vinho tinto e fumava cachimbo. Foi um sedutor durante toda a vida que acabou num lar, pago pelos amigos, pois a reforma que tinha, equivalente ao salário mínimo, não era suficiente. Era o homem mais modesto que eu conheci. Nunca teve cargos políticos e nunca aceitou que nas acções da LUAR algum operacional matasse ou mesmo ferisse alguém. Nunca foi um político, apenas um anti-fascista. Alguém me contou, talvez ele -- que a memória também me vai falhando-- que aquando da sua prisão em Moncorvo, onde ele ia buscar alimentos para outros operacionais que tinham ficado em Mogadouro, pois o carro destes rebentara e ele não os quis abandonar, foi insultado, com exigências de quase linchamento por parte de algumas criaturas de Moncorvo, ainda hoje vivas, e que deveriam ter remorsos, enquanto uma velha a quem ele encontrou quando já estava algemado e ele lhe disse: "Minha senhora eu não sou um preso comum, eu sou um preso político", essa senhora, esssa velha da aldeia lhe respondeu: "Se eu soubesse issso tinha-lhe trazido um pão". Desculpem-me esta viagem emocionada em torno da vida de um homem que podia ter tido tudo e não quis nada, a ponto de morrer na mais profunda pobreza, mas na maior dignidade. Um dia, no almoço, disse-lhe, meio a brincar, meio a sério: "O agente Serra ( o polícia que começou aos tiros na Praça) anda com medo que lhe façam alguma coisa". Ele sorriu e disse-me: "Pode estar descansado". Palma Inácio não permitiu sequer aos seus homens da LUAR que agridissem ou matassem, logo depois do 25 de Abril, o tipo que os denunciou a todos, o Canário, que tinha e ainda terá um bar na Caparica. Não queria violência, nem vingança.
No dia 14 de Julho, simbolicamente no dia em que os sans cullotes, dirigidos por Camille Desmoulins ocuparam e incendiaram a Bastilha, morria Palma Inácio. Muita gente foi ao seu velório, no Largo de Rato. E às 11 da noite, por ironia do destino, por brincadeira de mau gosto, a sala do velório teve que ser evacuada, pelo anúncio falso de uma bomba. Nunca Palma Inácio foi bombista e o fascismo de colarinho branco ou cabelo rapado, assenta a sua coragem na cobardia do anonimato. Paz, muita paz a este homem bom que nos deixou. Este homem que leva com ele parte do nosso sonho por um mundo melhor.

Abrigo de pastor

Abrigo algures na Açoreira, já a espreitar o Douro. ( J. Costa -2008)

Vida errante a do pastor, mas sedutora, pelo contínuo abraço à terra.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Harmonia

Sequeiros, Moncorvo (J. Costa - 2008)

Impressionante a escolha do pássaro para o seu miradouro - não sei se foi a ave que retirou da Natureza as cores para se camuflar ou a natureza que criou a ave com os materiais de que dispunha mesmo ali. Será que o pássaro não é mais do que um fragmento da pedra, atento nos ramos secos de amendoeira?

De Trás-do-Ferro

J. Costa (2008)-Moncorvo.

Bicentenária
de um rolo alquímico
de sabores e memórias.
Um âmago que fervilha
de cultura.

Poemas e outros

As Quintas são a criação
Feita por Deus.
As Quintas são a promessa
Encarnada na Virgem.
As Quintas são o Cristo vivo
Errando, subindo aos Montes sagrados.
Sagrados e delegados a Ti…

Num esboço de pequeno poema sem data, estas eram as minhas Quintas (do Corisco) ao longe, muito longe a partir de Évora nos recuados tempos da Universidade, em finais dos anos 80.
Em poema datado de 1-5-1989, também germinado na planície do sempre saudoso Alentejo, alargo a minha reflexão e a necessidade de identidade, ou melhor, de identificação a um Trás-os-Montes que não conheço na totalidade. Tal como o Malapeira de Outros Contos da Montanha, quando deixei as fragas havia ainda muito por desbravar nessas terras. E ainda há!...

Minha Terra, Minha Gente

Terra bravia agreste
Gente vulgar e rude
Que caminha nos penhascos
Como a sombra do sol.
Terra mirrada e seca
Seiva no fundo plantada
Cola seus pés às raízes
Como o luar à noite.
Terra da viva saudade…

Continuo, pois, a falar do todo a partir do Eu e das Quintas para Trás-os-Montes. Ou como diria o meu querido ilustre transmontano e cidadão do mundo Miguel Torga, apesar de numa escala mais reduzida: “O universal é o local sem paredes”.

Projecto que lhe pairava na ideia desde os bancos da universidade, Outros Contos da Montanha, aos quais já me referi, foram sendo protelados por outros poemas de muita saudade e angústia, cujo desejo de regresso adiado se repetia no tema. Quando neste mês de Agosto passar pelos Lombinhos vai certamente ter sensações idênticas que não vale a pena aqui relembrar. Terá aí durante uns dias a recompensa do filho pródigo torna-viagem. Contudo, do alto dos Lombinhos vai o Contador de histórias recordar-lhe a cada momento que aquelas gentes que habitam o lugar não estão de férias e que precisam de um AUTOCARRO com rodas e volante que os ligue à vida. Quase todos entre a casa dos 60 e dos 100 anos, os Malapeiras, os Manéis das Vacas e os descendentes das Grabulhas precisam agora muito de ir à Vila ao doutor, à botica e as pensões nem sempre esticam!...
Deixa-vos o Contador de histórias nestas linhas um final feliz, que se espera contagiante:
“Ela morreu realmente ali. Os seus ossos descansam no alto dos Lombinhos onde a torga, a carqueja, a giesta, a esteva, o alecrim, a bela-luz e o rosmaninho lhe aromatizam a sepultura, os pinheiros lhe fornecem a sombra e a abrigam da chuva e os pássaros a entretêm com a sua cantilena. Do alto da lomba, posição estratégica que escolheu em vida, vigia os que na Granja seguem a sua utopia (reabilitar a comunidade gregária da Granja), enquanto como guardiã da fronteira da Granja com o mundo avalia friamente o transeunte.” (Isabel Mateus, in Outros Contos da Montanha)

Cândida Monte
Texto: Isabel Mateus

domingo, 12 de julho de 2009

Foz do Sabor

Uma sugestão para estes acalorados dias de Julho: o ponto onde o Sabor e o Douro se abraçam...
Neste lugar tranquilo, sombreado por frondosas árvores, pode fazer um piquenique familiar, ou, numa tarde domingueira, "saborear" (já que de Sabor se trata) a leitura tranquila de um bom livro... ou aproveitar para tirar umas fotografias com a respectiva cara-metade... ou dar uma passeata de barco...

... ou ainda tomar uma bebida fresquinha no Bar da Praia da Foz do Sabor, na esplanada alta de onde se avista a caprichosa curva que o Douro descreve, rodeando o monte Meão... Ah, e o atendimento é simpático, eficiente e de sorriso encantador... parecerá que está em Cancun, mas sem o perigo de mexicanas gripes (a señorita, apesar de parecer índia navajo, é portuguesíssima, do vale da Vilariça)...

... mais uma nota de tranquilidade azul: um dos últimos barcos típicos do Douro, dos peixeiros que do rio fazem saltar as encantadoras boguinhas e excelsos barbiscos e que, depois de passarem pela sertã, fazem as nossas delícias, bem regados pelos preciosos néctares desta região...
Fica a nossa proposta. Garantidamente umas férias de luxo!
Ah, pode levar tenda e acampar.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Insónia

Cinco da manhã. Mais coisa menos coisa.
Ainda o galo não tinha cantado, já o rapaz andava às voltas na cama.
Acordar precoce?...
Há dias assim. Então o melhor é aproveitar.
Em vez de ficar à espera do sono que teimava em não regressar, levantou-se e foi desfrutar um momento mágico: o nascer de um novo dia.
Já na varanda olhou para o recorte da vila. A máquina fotográfica estava ali ao lado a pedir uso. Colocada no tripé fez o serviço que lhe competia.
O rapaz, esse, ficou sentado a contemplar. Não sei se em êxtase, se em notória falta de umas quantas horas de sono reparador.

Mas que foi bonito, lá isso foi.

Ora vejam lá.
E ouçam, se puderem.

Bom dia!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Mérito Cultural e Científico

João P.V.Costa, nascido em Alpendorada, com forte ligação a Moncorvo e colaborador neste blog, foi recentemente distinguido com a Medalha de Mérito Cultural e Científico do Município do Marco de Canaveses, Classe Prata. A Sessão solene realizar-se-á no dia 18 de Julho, às 11 horas, no Largo Sacadura Cabral, em frente ao edifício da Câmara Municipal.
Lembra-se que uma das suas obras - " Alpendorada e Matos -Península de História" apresenta o prefácio de Nelson Campos.
Estão todos convidados

terça-feira, 7 de julho de 2009

Amêndoas de brincar


Enquanto se aproxima a apanha da amêndoa, vem à memória, por entre o calor estaladiço das cigarras e a chuva de piolhos das amendoeiras, os suaves brinquedos de infância doados por esta árvore.

As amêndoas geminadas eram os calções utilizados para os bonecos ou bonecas.


A rela ou arraioco, geralmente construído com uma noz, também se fazia com uma amêndoa. Deste brinquedo nasceria, talvez, o yo-yo.

Numa grande variedade de assobios feitos a partir de caroços de frutos ( azeitona, pêssego, damasco...) também a amêndoa serve para dar uma assobiadela.

José Lopes (1930-2000)


Hesitei em escrever este post, por não saber se será oportuno, depois de tão belos momentos de escrita e imagem, que têm passado por aqui. Porém, devido a um repto de um leitor, na sequência de um post anterior (ver "Em Moncorvo"), aqui deixo umas linhas sobre autor do poema.

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José Lopes nasceu em 1930, em Cerejais. Durante a sua infância residiu nos Cerejais, Alfândega da Fé, Torre de Moncorvo (num breve intervalo) e principalmente no Porto. Com cerca de 10 anos, a sua mãe falece de doença prolongada. É a partir desta data que se inicia na poesia. Para agravar, o seu estado de saúde foi, até à idade adulta, bastante frágil. Conclui o Liceu no Porto, e acaba por ingressar na Faculdade de Letras em Coimbra, no curso de Histórico-Filosóficas. O seu interesse fundamental é a Filosofia, terminando a licenciatura em meados dos anos 50, depois de uma vida académica muito animada e onde adquiriu e cultivou várias amizades. Ingressa no Ensino Liceal, leccionando História e Filosofia, passando por vários liceus do Norte do País.

Durante esta fase da sua vida, a sua relação com Moncorvo é bastante intensa, particularmente nas férias, onde conta com um grupo bastante extenso de amigos. A sua boa disposição, dinamismo e iniciativa, leva-o a organizar ou participar em várias actividades, nomeadamente no Carnaval, ou nos espectáculos do Cine-Teatro. Aqui, conhece a sua grande paixão, Alice, natural e residente em Moncorvo, que morre ainda jovem. Este acontecimento que marca-o indelevelmente, levando-o a tomar luto vitalício e a queimar a maior dos seus poemas e escritos.

No início da década de 60 decide ir viver para Lisboa, aí terminando a sua carreira profissional em 1997. Nesse mesmo ano, decide regressar a Trás-os-Montes, vindo residir para Moncorvo. Faleceu no dia 13 de Janeiro de 2000.

A sua personalidade, em traços breves pode-se caracterizar por ser, em primeiro lugar, uma pessoa extremamente autónoma e independente. Por outro lado, foi sempre um pensador e humanista. Na intimidade era bastante reservado, sério e leal; já em termos sociais, era extremamente extrovertido, simpático e dinâmico. Escrevia continuamente, ocultando sempre os seus textos. Escreveu vários romances, poemas e contos, que nunca quis divulgar, por os considerar de qualidade inferior. Era também um cinéfilo extraordinário, e profundo amante das tecnologias.

Em suma, José Lopes é só mais um moncorvense, como tantos outros, conhecido no seu tempo, e que poderá passar olvidado para a eternidade.

(Fotografia: Arquivo Particular)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Esporas



Esta planta ( Delphinium ajacis) espontânea , que na sua beleza rivaliza com as do jardim, ainda pode admirada nas bermas dos caminhos.

A torre da Teixeira

Ermida da Sª da Teixeira
( Maio de 2005- J.Costa)

domingo, 5 de julho de 2009

Felgar - destino perfeito



O Expresso de ontem (04.07.2009) fez-se acompanhar de um "Mapa do Ar Livre - Norte Centro".

Entre várias sugestões, aponta para "Os dez melhores espaços ao ar livre para..." e enumera um conjunto actividades: fazer um piquenique, acampar, levar os miúdos, namorar, andar de bicicleta, nadar, escalar, correr, e outras.

Um dos de destinos perfeitos para se visitar acompanhado e namorar é o Felgar.

É interessante ver a nossa aldeia referenciada como um local aprazível.

E não mentem. Garanto eu!
Bora lá, até ao Felgar!!!





sábado, 4 de julho de 2009

Uma canção do Zeca Afonso

Ao ler Os Dias Loucos do PREC , de Adelino Gomes e José Pedro Castanheira, edição em parceria do Público e Expresso , encontrei, com alguma surpresa excertos de uma crónica minha de que já mal tinha memória e de que não guardo o original ou qualquer cópia, uma crónica, dizia, sobre uma tal Teresa Torga que deu origem a uma célebre canção do Zeca Afonso. Já me tinha esquecido. Deixo-vos esta surpresa, para mim próprio também surpresa, copiando o que estes dois jornalistas foram buscar nos arquivos do Diário de Lisboa. Gostaria de referir que trabalhei durante anos com o José Pedro Castanheira em O Jornal e durante alguns anos com o Adelino Gomes no Público. Aqui fica o registo que pode ser lido na página 107/8 do citado livro.

"Quarta.feira, 7 Maio 1975 'Quem se despiu na via pública, ontem, às 4 da tarde?'
(...)
"No DL, R.R. ((Rogério Rodrigues) conta a história de uma mulher " de que não se conhecia o nome" , que ontem, às quatro da tarde fazia streap-tease enquanto dançava, ao centro do cruzamento da Avenida Miguel Bombarda com a Avenida 5 de Outubro.
"Visivelmente surpreendidos, alguns espectadores da cena, invulgar em ruas de Lisboa, dirigiram-se para a mulher no intento de a proteger das vistas de quem passava e de quem parava, persuadi-la a vestir-se e abandonar o local. No meio da confusão, surge o repórter António Capela, que começa a disparar. Os populares, indignados com o que consideram 'uma baixeza moral', investem sobre ele, insultam-no, empurram-no, agridem-no e só a intervenção do proprietário da drogaria vizinha impede que não lhe partam a máquina (...)Entretanto a mulher tinha sido levada para o limiar de um prédio com porteita à porta. Já vestida, olhava apática para as pessoas que a rodeavam. Dizem-me que se chamava Maria Teresa.'Não sou Maria. Não sou Teresa. Tenho muitos nomes'.Tinha os lábios encortiçados e recusava o copo de água que lhe ofereciam".
"Quem se despiu na via pública, ontem, às 4 da tarde?", interroga-se o jornalista, que passa a contar o percurso de vida, entretanto averiguado, de uma mulher de 41 anos, divorciada, sucessivamente actriz de revista, emigrante no Brasil, cantora de fado e que agora, no intervalo de tratamento no Júlio de Matos, "mudava discos no pick-up" de uma boite de Benfica.
Usava o nome de Teresa Torga " porque há um escritor que se chama assim" e ela gostava muito de ler, conta uma vizinha. A última vez que o repórter a viu seguia ela num carro da polícia para a esquadr do Matadouro.
Zeca Afonso lê a crónica, magnífica, põe-lhe notas e voz, e imortaliza-a."

No centro da Avenida
No cruzamento da rua
Às quatro em ponto perdida
Dançava uma mulher nua

(...) Dizem que se chama Teresa
Seu nome é Teresa Torga
Muda o pick-up em Benfica
Atura a malta da borga

Aluga quartos de casa
Mas já foi primeira estrela
Agora é modelo à força
Que o diga António Capela

T'resa Torga, T'resa Torga
Vencida numa fornalha
Não há bandeira sem luta
Não há luta sem batalha.

José Afonso, Teresa Torga
in álbum "Com as minhas tamanquinhas", 1976


Adenda: Tenho pena de não ter comigo a crónica completa, mas eu raramente guardo os meus trabalhos. Por vezes, envio-os a amigos meus, com a esperança de se não perderem e como das poucas coisas que eu posso oferecer a quem tenho afecto. Espero que não me levem a mal e não julguem que este registo é para me sentia a bem comigo mesmo. Não passa de um registo. Apenas isso. Sem mais importância do que isso. Na altura desta crónica, eu era responsável no Diário de Lisboa pelo sector de Educação a cujo Ministério ia procurar notícias ( hoje são as notícias que procuram os jornalistas)... O Ministério da Educação ficava, como fica, na Cinco de Outubro. Não sei se trouxe alguma notícia do Ministério. Mas sei que fiz uma crónica. E aqui tenho o exclusivo. Era o único jornalista presente.

Dr.José António de Sá, Corregedor da Comarca de Moncorvo


No ano de 1790 Moncorvo era cabeça de comarca.
Por nomeação régia era então Corregedor da comarca o Dr. José António de Sá,natural de Bragança, doutor em leis pela Universidade de Coimbra em 16 de Maio de 1782. Tinha decidido dedicar-se à magistratura e esse era o seu primeiro cargo.
Seria depois desembargador da Relação do Porto, superintendente geral das Décimas da Corte e do Reino (cargo este que exerceu na sua própria casa de onde despachava) e superintendente geral das Décimas de Lisboa e seu termo até falecer, o que sucedeu em Lisboa, na sua quinta do Pinheiro a Sete Rios em 14 de Fevereiro de 1819.
Foi também juiz conservador da Real Companhia e director da Real Fábrica das Sedas e Águas Livres, conselheiro honorário da Fazenda e ainda cavaleiro professo da Ordem de S.Tiago da Espada e sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa.
A vida deste notável personagem cruza-se com a história de Moncorvo numa altura em que a vila detinha uma predominância económica e jurídica, em função de algum desenvolvimento agroflorestal e também de alguma indústria, nomeadamente a da seda . Foi um período de notório desenvolvimento, a merecer talvez um estudo aprofundado.
O Corregedor Dr. José António de Sá encontrou uma série de desvios de poder e ilegalidades que minuciosamente descreve nesta Memória, para além da miserável situação do povo, assoberbado com prepotências e arbitrariedades de toda a ordem. Em particular os lavradores eram explorados e até vexados, quer pelos senhorios, quer pelos poderes locais , para além do peso insuportável das contribuições régias, eclesiásticas e senhoriais.
Trata-se de um documento de grande profundidade e até de grande coragem cívica, o qual merece toda a atenção. Nele refere o Dr. José António de Sá “as maiores violências que eu não acreditaria se as obrigações do meu cargo mas não fizesse ver meudamente”.
Aponta o erro e de seguida aponta a correição, num intuito moralizador e de respeito pela justiça, pela sociedade e pela Lei.
É uma figura quase ignorada da história de Moncorvo, mas exemplar.
E talvez muito actual.

Texto completo em:




http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/6066.pdf


Fontes:


Fernando de Sousa . Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 51-56,1974.


Dicionário Histórico, Corográfico,Heráldico, Biográfico,Bibliográfico,Numismático e Artistico,vol. VI,429-430, ed. electrónica Manuel Amaral, 2000-2009.


Teatro #2



Alguém disse que gostava que o encenador viesse à boca de cena.


E veio.


Aqui vai a equipa (quase) completa.



Da esquerda para a direita:

Manuela Costa - Encenação.
Marilú Brito - Cristina.
Mizé Camelo - Hortigosa.
Américo Monteiro - Encenação e Compadre.
Esperança Moreno - Lourença.
Camané Ricardo - Canizares.
Belinha Lapa - Figurante e ponto.
Paulo Medeiros - Galã.
Rafaela Ferreira - Figurante.
Beto Mesquita - Som.
Nando Barreto - Luz.

Não estão na imagem:
Sílvia Cabeleireira - Caracterização.
Luísa Ferreira - Bastidores e bilheteira.
Claudia Martins - Ponto.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Teatro

O Grupo de Teatro Alma de Ferro apresentou hoje de novo "O Velho Ciumento".

Um aplauso.
Longo.

Merecem!!!






quarta-feira, 1 de julho de 2009

Moncorvo na Cartografia Antiga

Em 2005, no decorrer de um trabalho sobre a viária da região de Moncorvo no séc. XVIII, fui parar ao site da Biblioteca Nacional - fundo Cartográfico. Aqui encontrei um conjunto bastante vasto e interessante de mapas (entre o séc. XVI e XIX) com referência a Moncorvo.

Como se pode ver, estes nossos antepassados ainda não tinham conhecimentos perfeitos de geodesia porém, como sabemos, foram os pioneiros da cartografia mundial. No caso vertente as suas representações são um pouco imprecisas. Mas o que é fundamental é que já representam várias localidades, rios, montes e, por vezes, caminhos. Outro aspecto importante é que nem sempre os mapas estão orientados para Norte, como é habitual nos nossos dias (ou seja, há alguns mapas desnorteados!).

Ficam aqui algumas dessas representações, que em alguns casos ampliei, dando destaque ao sul do Distrito de Bragança e início das Beiras. Para quem estiver interessado em aprofundar este tema é só consultar o site da Biblioteca Nacional Digital - http://www.bnportugal.pt/.


1 - The Kingdom of Portugal ... (1794)

2 - Portugalliae que olim... (157...)


3 - Carta geographica do reyno ... (1763)


4 - Atlas Portatif... (1698)

(clique nas imagens para visualizar melhor)

terça-feira, 30 de junho de 2009

Epidemias



No espólio de meu Pai (muitos manuscritos, sobretudo poemas, fotografias, recortes de imprensa e outras coisas de índole pessoal), encontrei este registo que data de 1929. O conjunto, escrito num formato jornalístico e de cuidada caligrafia tinha ele 20 anos, e que intitula de "Cópias das notícias remetidas à secção regionalista do Diário de Notícias", reporta uma epidemia de gripe que efectivamente ocorreu nesse ano e teve , pelos vistos, reflexos na recôndita aldeia de Urros. Em Urros vivia então com os meus Avós ainda antes de se casar e fixar depois em Moncorvo.
Numa altura em que tanto se fala de uma nova epidemia de gripe, achei curioso divulgar este documento que, para além do seu valor sentimental que peço me relevem , traduz talvez uma sonhada vocação jornalística nunca concretizada...

ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 9

Vista da Corredoura, num dia de neve, do longínquo ano de 1894. Ao centro vê-se a capela de S. Sebastião (Esta foto foi tirada pelo Padre Adriano Guerra, um dos pioneiros da fotografia em Torre de Moncorvo, tendo-nos sido cedida uma reprodução pelo Dr. Carlos Seixas - original em poder da família)


Só já nos falta um pequeno troço por trás da capela de S.Sebastião, em direcção ao Terreiro e à casa dos Mirandas: numa moradia bonita de rés-do-chão ( para arrumações e adega) e 1º andar, viviam o Sr. Todú e a esposa , a D. Alcina. Tinham duas filhas, mais ou menos da minha idade, a estudar fora de Moncorvo, num colégio interno, À esquerda havia um portão que abria para um pátio com uma casinha pequena onde morou a Tia Marquinhas Gata e depois a filha Teresa Gata com o marido e filhos. Pegada a esta, noutra casita também muito pequena viveu outra filha da Tia Marquinhas: a Adélia Gata e a família. À direita da casa do Sr. Todú e com ela pegada ficava a casa do Tio Cordoeiro, pai da Beatriz Cordoeira, da Cecília e do Alberto. Seguia-se a casa da Tia Filomena Vilela, marido e filhos. Mais recuada, ficava a casa da professora D. Graciete Gregório que, dizia-se, era má como as cobras. Vinham então mais duas casas, uma de rés-de-chão, só com porta e sem janelas, em que moravam a Sra. Amélia e o Sr. Fidalgo, guarda republicano, e depois outra casa com rés-de-chão e 1º andar e com varanda para o Largo da Corredoura, para Os Olmos e para a Vila. Um luxo ! Aí moraram a Menina Idalina e o marido Sr. Alexandre Morais, mais conhecido por Alexandre Verde e aí nasceram os seus cinco filhos. Esta casa fazia esquina e, mais recuado, no canto, ficava um forno que ainda trabalhava em pleno. A forneira era a Tia Alexandrina Tótó.

Vamos agora ao começo do caminho para S. Paulo: à esquerda ficava a casa do Sr. Manuel dos Carros e da mulher, a Sra. Rosinha. Esta casa também tinha um cabanal onde o Sr Manuel trabalhava e onde ficava uma casita em que viveu a Tia Maria Escalda com os filhos Leopoldo e Germano. A seguir a esta, mas no caminho para a Nória, vivia a Tia Aida, mãe do Xico Alfaiate (casado com a Menina Judite Gregório). Por cima, a Palmira do Álvaro. Pegada à casa da Tia Aida ficava uma cortinha da Sra. Guilhermina Galo e lá no fundo era a Nória. Já quase na Fonte Carvalho, numa casinha dentro de um quintal, vivia o guarda republicano Sr. Redondo, com a mulher , a Sra. Marquinhas do Redondo e os filhos.

Creio que dei a volta completa. Mas a memória é muito traiçoeira. Deve haver inúmeras falhas... Peço, por isso, a quem se lembrar de mais moradores da Corredoura ou que ache que a sequência não é bem assim, o grande favor de chamar a atenção, para que os erros possam ser corrigidos.

a) Não deveremos esquecer que este ROTEIRO diz respeito àquela dezena e meia de anos, mais ou menos entre 1944/45 e 1959/60.

b) Sugiro que alguém parta desta data (1960) e continue até 1975 – 1980;

c) ... e de 1980 até 2000 ; etc.

Com um grande abraço a todos os Amigos e Conterrâneos e um abraço muito especial aos Corredourenses.

Por: Júlia Barros Ribeiro (BILÓ)

Nota: A foto de baixo mostra a zona do bairro do S. Paulo, a caminho da Fonte Carvalho, com o antigo campo de futebol ao fundo, à direita. Em primeiro plano, o olival do Santo Cristo (que deu lugar ao bairro do mesmo nome) e a esquina de um dos edifícios da Cooperativa. - Foto de Leonel Brito, anos 70.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 8

Grupo de crianças da Escola Primária da Corredoura, com a professora D. Isabel. Foto de 1926/27, segundo informação de D. Maria Antónia Brito Castilho (Arquivo Leonel Brito)

Quase no fundo, ainda do lado esquerdo, numa casa pobre, com uma escada de degraus altos e muito falsos, pois não tinha corrimão nem qualquer apoio para as mãos, morava a Tia Delmira, o marido e filhos. A seguir era a casa de uma tia minha, a Tia Permelívia (que morreu muito nova) onde viveu com marido, Abílio Amador, e os filhos. Atravessada a boca da Canelha, numa casa com um pequeno alpendre, morou a D. Arminda de Maçores, com as filhas Camilinha (mais tarde casaria com o Sr. Inspector Costa) e Dulce, enquanto elas frequentaram o Colégio. Depois viveram aí o Henrique Chanfana e a mulher, Alice.
Ladeando esta casa, entrava-se num pequeno largo onde ficava a casa da Tia Alcina Guino, mãe da Miss, do Rei, da Princesa, do LoboMano e ainda a casa dos Amadores, já de razoável construção. Seguindo por uma abertura ia dar-se ao Carrascal e aos inúmeros palheiros que então aí existiam.

Voltando para trás e subindo agora a Rua de Baixo, ficavam à nossa esquerda as casas da Cacilda Marialva e da Carminda Marialva, irmã e filha da Tia Marquinhas Marialva. Havia depois uma cortinha, a “Feitoria”, tratada pelo Tio Caetano e pela mulher. Tinha um poço de água para regas, um grande tanque e a maior laranjeira que já vi, com laranjas enormes e sumarentas, mas muito azedas. A Tia Lucinda Gamboa dizia que era do sabão com que se lavava a roupa no tanque e que ia para as raízes da laranjeira.
Depois da Feitoria era a casa da Tia Maria Carmacha, casada com o César Caçador que criava cães perdigueiros portugueses lindíssimos. Vinham caçadores de todo o lado comprar-lhe perdigueiros. E eu ficava perdida, horas seguidas a ver os cachorrinhos. O Tio César só me deixava fazer-lhes uma festinha, senão ficavam “morrinhentos”.
(Continua)
Por: Júlia de Barros G. Ribeiro (Júlia Biló)
Nota: Excepto a fotografia do topo, as outras duas são de 1950 (informação de Leonel Brito, que as obteve de D. Maria Antónia Brito Castilho). Estes são os meninos da Corredoura (usando a expressão de Daniel de Sousa) de outros tempos. A foto intermédia foi tirada junto ao adro do S. Sebastião; a de baixo parece ser na famosa casa (hoje parcialmente destruída) que está na capa dos Contos ao Luar de Agosto, da autora deste "post".

domingo, 28 de junho de 2009

ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 7

Momento da "arrematação" no adro da capela, durante uma festa de S. Sebastião, por volta de 21 de Janeiro, nos finais dos anos 70, ou inícios da década de 80. Do lado esquerdo, a casa grande era a dos Mirandas, em cujo baixo ficava o café S.Sebastião, do sr. Amílcar (foto do arquivo do Sr. Abílio Dengucho, cedida a Leonel Brito)

Antes de passarmos à Rua de Baixo, vamos seguir as casas de “O Alto” pelo nosso lado esquerdo até à casa da Menina Gininha Galo: na da esquina morava a Tia Teresa Costa, o marido, o Tio Miguel e os filhos, o Alexandre, o António e a Maria. Logo a seguir , fazendo um recanto que era um óptimo soalheiro abrigado do vento, morava a Sra. Delmina Terceira, o marido que era guarda-fios e três filhas: a Maria, a Conceição e a Julieta (minha comadre) e dois filhos, o António e o Zé. Depois era a casa de um arrematante de trabalhos nas estradas, que veio de Valdujo com a mulher e duas filhas. A mais nova, Floripes, era da minha idade. Acabados os trabalhos contratados, iam embora para outras paragens. Pegada a esta, ficava uma casita muito pobre que a minha mãe comprou à Sra. Guilhermina Galo. Os anos que ainda vivi em Moncorvo (até aos 21) passei-os nessa casa. A seguir morava outra família da grande família que eram os Vitelas: a Tia Maria Vitelas, casada com o Zé Vitelas, pais da Carmelina e da Lídia, minhas colegas de escola primária. E demos a volta: estamos já junto da casa da Menina Gininha Galo e da esquina da grande casa dos Mirandas.


Voltemos então à boca da Rua de Baixo que, como já disse atrás, começa precisamente entre a casa dos Mirandas e a dos Mesquitas. Quem desce a rua, à esquerda, vê os baixos da casa da Gininha Galo: aí, num pequeno cubículo, vivia e trabalhava o Deodato, sapateiro. Pegada a esta vinha a casa onde morou o Batateiro. Mais tarde viveram aí o João Falapão com a mulher a Beatriz Gata, pais da Emília e do Beto. Seguia-se a casa da Tia Perpétua dos Requeijões, onde íamos com a caneca ao soro.

Por: Por: Júlia de Barros G. Ribeiro (Júlia Biló)

Nota do postador: a foto de baixo mostra o início da Rua de Baixo; a esquina à esquerda é da casa dos Mirandas; junto às escadas que se vêm ao fundo, do lado esquerdo, era a casa do ti João Araújo "Falapão" e srª Beatriz, de que se fala neste fascículo do Roteiro de Júlia Biló; as escadas davam acesso à casa onde, nos anos 70, viviam os Vilelas.

Caça furtiva e triunfo dos porcos

Identificação e sinalização ( riscos e colocação de uma pequenina pedra ao alto como indica a seta) de um "sebadoiro", para a caça furtiva de porcos bravos. A ausência de vegetação indica a passagem destes animais por esse local. Para o "sebadoiro", colocam amêndoas para atrair o porco que é alvo desta armadilha. Será que o "triunfo dos porcos" não está na gripe suina?!

sábado, 27 de junho de 2009

Convite - Teatro

O Grupo de Teatro Alma de Ferro de Torre de Moncorvo tem o prazer de o convidar para assistir à repetição da peça "O Velho Ciumento" de Miguel Cervantes, que se realiza no dia 3 de Julho de 2009 pelas 21:30 em Moncorvo. O Grupo agradece a divulgação deste novo espectáculo através dos seus contactos. Já agora não se esqueça de comparecer e trazer um amigo também.


GTAF (Grupo de Teatro Alma de Ferro) de Torre de Moncorvo

S. Tiago "Fresco"

Nesta peregrinação pela nossa cultura, também há direito a uma pausa para admirarmos S.Tiago, um fresco da Ermida da Teixeira. (Foto: J. Costa, Março de 2005)

ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 6

Vista do Largo da Corredoura hoje (27.06.2009) para comparação com a foto do Roteiro da Corredoura nº. 3 (post de 24.06.2009), já que foi tirada do mesmo ângulo (foto N.Campos)
Voltando à frente da casa da Tia Fusa, à nossa mão esquerda, ficava a casa da Tia Maria José Carlota, (que queria que a chamassem sempre pelos três nomes) mãe da Júlia Checha e do Alberto Checho. Depois havia uma casinha térrea, muito miserável, onde vivia a Laura vesga, com a mãe (a Tia Camila) que era quase cega e os filhos: a Maria, a Júlia, a Camila e o António Camilo. Uma das filhas era também estrábica. Vinha então uma casa de boa construção em cantaria, com loja para os animais e onde havia um quartinho feito de tabique para o albardeiro, cujo nome esqueci, e no 1º andar vivia o Tio Diogo Parrico. Seguiam-se três casinhas térreas: na que fazia canto com a casa do tio Diogo, vivia a Tia Maria Panda; na seguinte morava a Tia Aurora Choqueira casada com o Artur Ganchinho que morreu novo e na última morava a Tia Júlia Marruca. Passando a esquina desta chegamos a “ O Alto”, assim designado, porque fazia um leve declive na direcção das casas mais baixas. (Uma desgraça quando a chuva era muita). Na primeira casinha, pequena, térrea, vivia a Maria, sobrinha da Lucília Florista, com os filhos. (Mais tarde, depois do Guarda Republicano, pai do “Arreia Zeca” ter ido embora, foi morar na casa onde vivera a tia). Na segunda casita vivia a Tia Júlia Panela, cujo marido – ainda relativamente novo – teve um ataque cardíaco e ficou entrevado na cama até ao fim da vida. Tiveram dois filhos, um dos quais, quando recém-nascido, era os meus encantos e era preciso tirarem-mo do colo. Havia depois uma casa de varanda redonda onde morava a Tia Carminda Clareira no 1º andar; e, no rés-de-chão, sem qualquer janela, numa casa com chão de lajes muito desiguais e imperfeitas (uma ratoeira para quem andasse lá às escuras) morou a Ana Baloca. Depois, durante algum tempo, viveu aí a Maria Carmacha com o marido e um ou dois raparigos. Pegada e fazendo canto viviam, numa casa de soalho, a Tia Maria Cândida Moreira, a filha, a Menina Natalina, costureira, e os filhos: o Lúcio, o Zé Coelho, o António e o Manuel. (Este semicírculo era conhecido como “O Canto”). Seguiam-se duas casinhas muito pobres: numa vivia a Beatriz Carmacha, mãe da Maria, da Alice, do Artur e da Júlia, esta, minha colega na escola primária. Na outra moravam a Tia Zefa Maçorana e a neta Júlia, que devia ter uma grande miopia, mas não havia dinheiro para óculos. A rapariga cantava muito bem. Pegada, ficava a casa da Tia Marquinhas Marialva, que já dava para a Canelha que levava à Rua de Baixo. (Continua)

Por: Júlia de Barros G. Ribeiro (Júlia Biló)

Foto intermádia: vista geral do largo do "Terreiro", do bairro da Corredoura. Foto do fundo: é a zona do "Canto", de que se fala neste "post" - ao fundo do Canto existe a canelha que liga à rua de Baixo (fotos tiradas no dia 27.06.2009).

Daniel de Sousa

Há muito tempo que leio um blogue notabilíssimo e por vezes doloroso, das experiências que relata como médico, do nosso colaborador Daniel de Sousa. Envio-lhes o endereço: http://headandneckdanieldesousa.blogspot.com
Acho que seria muito interessante colocá-lo nos nossos favoritos. Recomendo a leitura de um texto memorialista e emotivo de Daniel de Sousa, "Retrato em Sépia" que pode ser lido nas mensagens antigas e que, com a sua permissão, poderia perfeitamente ser editado no nosso blogue.

Perspectiva

Do alto lá da Matriz ...
Foto: J.Costa

I Festival das Migas e do Peixe do Rio - Nota de Imprensa

I Festival das Migas e do Peixe do Rio, organizado pela Douro Superior Associação de Desenvolvimento em parceria com a Associação de Comerciantes e Industriais de Moncorvo, realizou-se de 18 a 21 de Junho, na Praia Fluvial da Foz do Sabor. Durante o certame foram servidas mais de 1800 refeições de Migas e de Peixe do Rio, dentro da tenda pelos dois restaurantes aderentes.
Os principais objectivos do festival foram assim atingidos, que eram a divulgação dos pratos confeccionados com migas e peixes do rio e a criação de uma dinâmica que envolvesse não só o local do festival, mas também os restaurantes tradicionais da Foz do Sabor.
O I Festival das Migas e do Peixe do Rio contou com a animação de alguns grupos da região como a Escola Sabor Artes, Banda Filarmónica de Freixo de Espada à Cinta e Carviçais e o Rancho Folclórico e Infantil de Vila Nova de Foz Côa, mas também com a actuação do Quim Barreiros. A par da animação musical fizeram parte do Festival um concurso de Pesca com cerca de 40 participantes, um concurso de desenhos com 20 participantes e um concurso de Pratos de Peixe com 4 participantes.
Durante o Festival, os visitantes tiveram ainda a oportunidade de fazer um cruzeiro do Pocinho à Foz do Sabor e de fazer alguns passeios de barco.
Os visitantes, agradados com a ideia, aderiram em massa ao certame, superando as expectativas da organização. Sendo este o I Festival, algumas das falhas verificadas servirão para melhorar uma próxima edição.

Torre de Moncorvo, 24 de Junho de 2009

Luciana Raimundo

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