quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Exposição Prof. Santos júnior / Padre Mourinho, no Centro de Memória
Recebemos da Biblioteca Municipal a seguinte informação, que aqui divulgamos (clicar sobre a imagem para a aumentar):
O Professor Doutor Joaquim Rodrigues dos Santos Júnior (1901-1990), embora sendo natural de Barcelos casou com uma moncorvense, pelo que dispunha de casa nesta vila (Quinta Judite), passando aqui temporadas de férias. Em algumas dessas estadias aproveitou para estudar a Arqueologia e a Etnografia da região, tendo publicado alguns trabalhos nestas matérias. Sendo formado em Medicina, a sua paixão foi sempre a Antropologia (cadeira que leccionou na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto), além de Etnografia, Arqueologia pré e proto-histórica e a Zoologia, com destaque para a Ornitologia. Tendo integrado o Instituto de Antropologia Mendes Corrêa da Faculdade de Ciências do Porto, foi, durante muitos anos, o Presidente da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia. Após o seu falecimento a família doou à Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo sua riquíssima biblioteca e arquivo, além de alguns objectos pessoais, espólio que depois foi incorporado no Centro de Memória.
O Dr. António Maria Mourinho, ex-padre Mourinho (1917-1996) era natural de Sendim (concelho de Miranda do Douro), sendo um distinto arqueólogo, etnógrafo e cultor da língua mirandesa, a ele se deve a reactivação da famosa Dança dos Paulitos, executada pelos míticos pauliteiros de Miranda. Em 1980 publicou, em conjunto com o Professor Santos Júnior, de quem era amigo, uma Coreografia Popular Trasmontana (Moncorvo e Terra de Miranda).
A exposição, intitulada "Diálogo de dois intelectuais em torno da história da cultura do Nordeste Trasmontano" versará a relação entre estes dois ilustres investigadores e será inaugurada no dia 26 de Setembro (sábado), pelas 11;00 horas.
A não perder.
Emigração e "pulsão de evasão"
Emigrantes do Felgar em Espanha - foto de autor desconhecido - Arquivo Particular/direitos reservados.
No seguimento dos "post's" anteriores, achámos oportuno apresentar aqui esta foto de dois emigrantes do Felgar, por terras de Espanha (Oviedo), por volta de 1967 ou 1968, onde trabalhavam na construção de estradas.
Ao mesmo tempo que compatriotas seus trabalhavam nas "rutes", em França, António Barreiros e Cândido Alberto Paredes (pai de Agripino Paredes, que gentilmente nos cedeu esta foto), andavam nas "carreteras". Outros ainda, do Felgar e Moncorvo, por essas mesmas terras asturianas e leonesas, trabalhavam nas minas de carvão. Tudo para conseguirem o seu sustento e respectivas famílias, e uma melhoria das condições de vida que o rincão natal não lhes propiciava. Este é um tema amplamente referido na reportagem de Assis Pacheco e Leonel Brito, publicada no República (Março de 1974) e agora reeditada no livro Torre de Moncorvo, Março de 1974 a 2009, mencionado em "post" anterior.
Se, por um lado, temos uma "viagem" ou uma "peregrinação" de personagens de excepção (diplomatas de carreira ou outros mais ilustrados), com uma certa motivação espiritual, fome de descoberta ou de encontro com o Outro, numa espécie de "pulsão de evasão" que os fez buscar o Desconhecido (o mundo exterior), temos, também, estes "soldados da fortuna" que partiam, movidos por uma fome bem mais real, em direcção a um outro tipo de desconhecido: a incerteza do que iam encontrar, mas com a certeza de que nada poderia ser pior do que aquilo que conheciam. E, baseados no diz-que-disse e no exemplo do vizinho do lado, partiam em busca de uma espécie de el-dorado feito de muito trabalho, canseiras, decerto humilhações. O Outro destes Peregrinos tanto poderia ser um patrão bom, como um explorador de circunstância, depois de alguns passadores salafrários de permeio.
Em todo o caso, como já por aqui dissémos, a montanha e as terras inóspitas parece que são propiciadoras às Partidas (com ou sem regresso, temporário ou definitivo). Seja por motivos de fome, de melhoria de condições, de valorização pessoal e profissional, ou apenas "porque sim", como se assinalou na reportagem de 1984 de Rogério Rodrigues (in O Jornal, vencedora do prémio da Associação 25 de Abril) editada no livro referido, sub-título "O importante é partir". Aqui se conta a estória de uma jovem de 21 anos, a frequentar o 12º ano, leitora da Crónica Feminina e da revista Maria, àvida de sair do apertado meio em que vivia - da aldeia para a vila, onde estava a estudar, aspirando depois daqui sair para o mundo exterior, com o qual sonhava: "adorava sair daqui, para outro sítio que não conhecesse. Gostava de ir para o Porto (...). Sair. Apenas sair. (...) Sonho? sair para a cidade".
Mais adiante, agora no mesmo livro, outro subtítulo: "Ei-los que partem". Texto ilustrado com as antigas camionetas da carreira para Paris, na Praça de Moncorvo, com alguém a carregar as malas de cartão no tejadilho. "Levam as malas, pedaços de terra, seja em géneros, seja em saudade. São dos que nunca saem, mesmo quando regressam. Pacientes, esperam pelo autocarro na Praça, o centro do Poder, que os ridiculariza, mas que tanto necessita deles" (referência ao tempo das remessas dos emigrantes, e ao tratamento pouco simpático de "avéques" com que se mimoseavam os emigrantes de França).
E de partida em partida, assim se explica a desertificação destas nossas terras...
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Reflexão sobre a Viagem de Armando Martins Janeira na obra "Peregrino"
No belíssimo prefácio ao livro Peregrino, de Armando Martins Janeira (1914-1988), Paula Mateus, entre outras coisas, esclarece que Peregrino é muito mais do que na sua “base” aparenta:
“a inspiração em Peregrino vai além da personalidade de Wenceslau de Morais (…) Assim, em Peregrino, encontramos ainda a silhueta de Morais, mas essa silhueta serve a Armando Martins Janeira de ponte para outras páginas, cheias de delicadeza e sensibilidade” (pp.11-12).
Uma “ponte” que me leva a estabelecer a comparação entre Martins Janeira e Miguel Torga (1907-1995) pelo que estes peregrinos têm em comum: a peregrinação, a viagem como móbil e o seu método de viajar. Pouco distantes no respeitante à data de nascimento e ao solo geográfico que os viu nascer, estão, indubitavelmente, muito mais próximos naquilo que legaram à sua região, ao seu Portugal e ao Mundo, pela sua escrita.
Foi do muito pouco que conheço da obra literária de Armando Janeira, e aqui peço desculpa por tal, que me surgiu de imediato esse paralelismo justificado. Não apenas pelos contos Esta Dor de Ser Homem (1948), que assina sob o pseudónimo de Mar Talegre, nem apenas por Linda Inês ou O Grande Desvairo (1957), mas, sobretudo, pela obra em questão, Peregrino. Como estudiosa de Torga, verifiquei que em ambos se manifesta o mesmo desejo “da busca do homem universal”, expressão que deu título à exposição sobre o Embaixador e Autor, no passado mês de Agosto, no Centro de Memória de Torre de Moncorvo.
Na primeira leitura que fiz de Peregrino tirei algumas notas e gostaria de aqui partilhar algumas convosco. Apresento-vo-las, porém, segundo uma ordem que nada tem de aleatória. Apercebi-me, de imediato, que com Armando Janeira estávamos perante um peregrino, cuja deslocação física da viagem se deveu a motivos profissionais, à carreira de diplomata que abraçou até ao seu regresso definitivo à Pátria, mas que não se confinou a isso. Isto, porque ao longo da leitura de Peregrino fui-me deparando com uma escrita de primeira pessoa, que nos dá testemunho da realidade do Outro sem recorrer à atitude imperialista, de superioridade racial e cultural, tão em voga na mente do Governo do Estado Novo de António Oliveira Salazar. Ainda que ao serviço do Ditador, viu o mundo e as suas gentes de modo diverso: encontrou-se na alteridade do Outro, utilizando o método de prospecção.[1] Ou seja, o Mesmo (Janeira/o eu) perscrutou a realidade do Outro (a cultura nipónica e o seu habitante) para se conhecer e, consequentemente, se encontrar a si próprio, formando a sua identidade. 
Dos vários extractos da obra que aqui poderia citar, apresento-vos o que, em minha opinião, me parece o mais elucidativo sobre o que tenho pretendido demonstrar:
“Wenceslau foi para longe do seu país, deixou os seus familiares, o seu ambiente e todas aquelas coisas em que se enraíza, com o seu afecto, o sentimento de pertencermos a um mundo, a um género de felicidade. (…) De propósito, procurou o mais estranho dos ambientes e, aí, as situações mais estranhas; serve-se de si próprio como de um instrumento para, na conjuntura com o mundo, conhecer-se. Ir à descoberta de homens, de costumes, de nações é aprofundar o conhecimento do homem” (pp. 67-68).
A “ponte” de que se fala no prefácio e à qual me referi no início deste texto, torna-se agora notória. As reflexões de Armando Janeira compreendem também a sua postura perante este novo país que respeita e admira. Mas não sucedeu o mesmo com Torga, emigrante no Brasil, com apenas 13 anos de idade, e do qual nos dá disso testemunho quando embarca para o Brasil, em 1954, no Diário VII (1956) e, bem mais tarde, em A Criação do Mundo – O Sexto Dia (1981)? O amor pelo telúrico e pelo povo, onde reside a essência, o conhecimento profundo do Japão, do Brasil, de Portugal une certamente estes três vultos. E, mais uma vez, a máxima que o Autor de Peregrino retira da homenagem que os japoneses e ele próprio, único representante de Portugal, fazem a Wenceslau, reúne Armando Janeira e Miguel Torga. Dizer no livro Peregrino “Não há “Oriente” nem “Ocidente”, há um homem e um mundo (p. 64)” significa o mesmo que “O universal é o local sem paredes. É o autêntico que pode ser visto de todos os lados, e em todos os lados está certo, como a verdade” (Traço de União, p. 69).
Podemos concluir que estamos perante dois escritores (e, se estivermos atentos, constatamos que, afinal, Wenceslau de Morais lhes abriu o caminho) que têm uma perspectiva Pós-Modernista para o significado de Peregrino. Ou melhor, para o escritor-viajante que concebe o seu semelhante e a sua cultura como um igual, onde o Outro já não é visto à luz do relativismo cultural resultante da atitude imperialista a vigorar na Metrópole desde o tempo das Descobertas.
Agora, tudo isto nos pode parecer simples, mas num regime de Ditadura estes nossos dois ilustres conterrâneos não passavam já de Iluminados e de visionários do Futuro!
Por: Isabel Mateus
[1] Mateus, Isabel Maria Fidalgo Mateus, A Viagem de Miguel Torga. Coimbra: Gráfica de Coimbra, 2007, p. 28. A Autora considera fundamental o método de prospecção para demonstrar que Miguel Torga é um escritor de Viagens do Pós-Modernismo.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
BANHO DE CULTURA EM MONCORVO
( Como o texto é muito longo, vou ver se sou capaz de o postar , em vez de o colocar como comentário. Se não conseguir, o defeito decorre da minha "nabice digital" ).
19 deste mês de Setembro foi um dia grande em Moncorvo ! Grande essencialmente para os anais culturais da terra, pois não é assim tão frequente assistirmos à apresentação de um livro "Torre de Moncorvo, Março de 1974 a 2009 ", que nos traz à memória a vida e as gentes de Moncorvo de 1974 até hoje. Mais de 35 anos estão ali, bem reais , bem vivos, nos notáveis textos do Fernando Assis Pacheco e do Rogério Rodrigues. O livro enriquecido com as magníficas fotografias do Leonel Brito, dá-nos ainda um belíssimo poema do Tiago Rodrigues, fechando então com os resumos biográficos do Rogério e do Lelo.
O dia não se esgotou com a apresentação do livro: a exposição dos paineis no Centro de Memória não são um simples enfeite: são para ver com muita atenção, ler e reflectir.
Mas o dia 19 continuou com a projecção dos filmes do Lelo " Encomendação das Almas" e Gente do Norte" , os dois documentários com texto do Rogério. Temática , cenário e tempo totalmente distintos, ambos nos marcam profundamente.
E o banho de cultura do dia 19 continuou, para mim e para alguns Amigos: fomos ver o Núcleo Museológico de Fotografia do Douro Superior. "Espaço de Cultura e Baú de Memórias" lhe chama o Professor Arnaldo Silva na revista nº 1 "Superior D'ouro". É, relmente, isso, mas é muito mais do que isso, pois ali encontramos o extraordinário trabalho de longos anos de um homem, um homem apenas, sem apoios nem ajudas, guiado somente pelo seu amor à fotografia. Mas o ideal é ir ver com os próprios olhos e não se ficar pelo que os olhos de outrem viram e as suas palavras expressaram. E terá a acompanhá-lo as claríssimas explicações do Professor Arnaldo e o cálice de vinho fino e as nossas amêndoas torradas e cobertas.
Pasme-se, mas o banho de cultura do dia 19 ainda não terminou: rua da Misericórdia abaixo, fomos dar ao arco da Senhora dos Remédios, uma das antigas portas da vila. Na casa anexa ao arco morava a nossa velha Mestra Marquinhas dos Remédios, mestra de várias gerações de crianças. Esta casa está quase recuperada para "Turismo de Habitação" e o seu proprietário, o Paulo Patoleia, está a fazer, segundo me pareceu, um bom trabalho. Pois o Paulo fez questão de colocar no interior da casa uma cópia da estorinha que em tempos escrevi sobre a nossa Mestra. E na parede exterior da casa destapámos uma pequena placa, que reza assim:
" Em memória da nossa Mestra Marquinhas dos Remédios,
retribuindo o afecto recebido".
Um grupo de raparigos.
Também aqui O Paulo nos brindou com uma saborosíssima merenda típica da nossa terra.
E, para terminar, no dia 20 - porque o 19 ia já muito longo - ainda fomos à exposição no Museu do Ferro. Só posso dizer que, para mim , foi espantoso o que fiquei a saber. Confesso que sem o guia excepcional que é o Nelson, eu não teria visto mais do que fotografias de montes, mais ou menos arredondados, mais altos ou mais baixos, não teria observado mais do que pedacinhos de barro, de bronze, de ferro... É incrível o que se aprende quando ouvimos alguém falar do que sabe com um entusiasmo sem limites.
Deixo aqui o meu bem-haja a todos estes Amigos que me proporcionaram horas de verdadeira cultura e com quem espero poder aprender sempre mais!
Não quero terminar sem dizer que os dias 19 e 20 deste mês de Setembro de 2009 foram ainda um espaço para o encontro de Amigos e para lembrar os que já não estão connosco, como os saudosos Assis Pacheco e Afonso Praça.
Júlia Ribeiro
Coração da vila - III
Praça Francisco Meireles em 2009 (foto de Leonel Brito, in Torre de Moncorvo, Março de 1974 a 2009, pág.121)Voltamos ainda à praça, a propósito da jornada cultural de Sábado passado. Ficou-nos do filme Gente do Norte a imagem da animação social que este espaço conhecia, em 1977, com o típico passeote cortês (em que a "regra do jogo" era nunca se virar as costas aos parceiros de conversa), e em que aparecem os Drs. Teixeira e Leite Velho, para além dos comerciantes do burgo e outros funcionários, enquanto os jovens esperam as carreiras.
Entretanto, folheando o livro recém-editado Torre de Moncorvo, Março de 1974 a 2009, lá aparecem bastas referências à praça, nomeadamente a questão das novas centralidades: «Se, durante séculos, a Praça foi o centro da vida política e social da vila, nos últimos 25 anos, nasceu e cresceu uma nova centralidade, na Corredoura, em ruptura quase total com a sua antiga geografia», escreve Rogério Rodrigues em Junho de 2009.
Por seu lado, diz Assis Pacheco na sua reportagem de Fevereiro de 1974: «Foi num domingo que o repórter da "República" parou o automóvel na "praça" e, puxado pelo companheiro de viagem, começou a dar voltas em círculo, ao acaso dos encontros. A "praça" - praça Francisco Meireles - é realmente para dar voltas: juntam-se as pessoas (os homens, raras mulheres) em pequenos grupos, conversam, andam por ali, como num picadeiro. Na "praça" há o café Moreira e entra-se, está-se um bocado, sai-se (para a "praça"). As ruas principais vão dar à "praça": foram talhadas em raios por gente que sabia dar valor a um "coração" duma vila. Na "praça" vêem-se carros de aluguer, camionetas de carreira ao pé da paragem, "são estudantes da escola secundária", explicaram-me». O subconsciente tem destas coisas: quando intitulámos o nosso post de há dias como "o coração da vila", não nos ocorreu que já podíamos ter lido a expressão em algum lugar. Aqui volta ela, na verdade de tão óbvia, para quem conhece o burgo e a sua "praça".
Voltamos a Rogério Rodrigues e à página 134 do mesmo livro, dedicada à praça: «O espaço privilegiado, entre o simbólico e o real, do poder político e do poder judicial. Os carros de praça frente ao tribunal. Taxistas que já faleceram, verdadeiros repórteres da vila: sabiam dos boatos, das notícias, das infidelidades, dos crimes e das malfeitorias. Nada lhes escapava. Ao lado dos taxistas pode-se ver um símbolo do Portugal velho, erecto e de negro vestido, o Dr. Leite [o texto alude a uma fotografia dos anos 70, publicada na mesma página]. Hoje, com o chafariz filipino a ocupar o centro da Praça, já não se passeia com o ritual de quem vai-ao-meio-passa-na-volta-para um dos extremos, num protocolo digno do mais exímio mestre de cerimónias. Aqui, entre a Praça e o Tribunal funcionava o colectivo da maledicência, sem direito a recurso nem contraditório. Desfaziam-se honras e escondiam-se ignomínias. Era a pequena e maldita ágora da Vila».
Belos excertos para uma uma Antologia da Praça, a nossa "plaza mayor" da Torre de Moncorvo.
domingo, 20 de setembro de 2009
Um livro, dois filmes e uma festa
Como foi agendado e anunciado, dia 19 de Setembro foi dia de acontecimentos culturais.
Talvez porque Setembro é tempo de vindima e de colheitas.
Logo pela manhã, cerca das 11horas, teve lugar a apresentação do livro Torre de Moncorvo, Março de 1974 a 2009, de autoria de Fernando Assis Pacheco, Leonel Brito e Rogério Rodrigues, numa edição da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo.
Este livro, com prefácio de Rogério Rodrigues, inclui as reportagens sob o título “Moncorvo –zona quente em terra fria”, saídas no jornal “República" em Março de 1974 (com assinatura de F. Assis Pacheco e fotos de Leonel Brito), assim como “Terras de Moncorvo – o futuro não tem pressa” (de autoria de Rogério Rodrigues, agora com fotografias de Leonel Brito) e a reportagem mais recente de Rogério Rodrigues, intitulada “Moncorvo: o Presente, ao menos. 25 anos depois”. Este texto foi escrito para a exposição “Moncorvo de Março a Junho - de 1974 a 2009”, inaugurada no Centro de Memória no passado dia 20 de Junho, como aqui se noticiou (ver: http://torredemoncorvoinblog.blogspot.com/2009/06/20-de-junho-sabado-jornada-cultural-no.html)
O livro condensa todo o material patente na referida exposição, sendo agora enriquecido com alguns textos, tais como uma evocação de Afonso Praça (jornalista natural do Felgar e colega dos autores), que, por sua vez, havia escrito uma outra reportagem marcante sobre Torre de Moncorvo, em 1972, publicada no “Notícias de Trás-os-Montes” (nº 20, 9.09.1972), com o título “Moncorvo: a vila que parou”. Inclui-se também o texto do discurso de Rogério Rodrigues no dia da inauguração da exposição atrás referida, poemas e textos de Assis Pacheco dedicados a Afonso Praça e ao Rogério, o poema “Biografia” de Tiago Rodrigues, mais duas notas biográficas dos co-autores Rogério Rodrigues e Leonel Brito, insignes colaboradores deste blogue.
“Gente do Norte” abre com uma imagem impressiva da Vilariça, com um plano do vale dominado pelas ruínas da Vila Velha, fazendo-se, a partir daí, a transição para a actual vila, numa viagem ao Presente de 1977, hoje já História. A par de uma forte crítica social relativamente aos senhores da terra, o documentário mostra o pulsar da vida quotidiana, desde as actividades rurais aos primórdios da escolaridade obrigatória, os ritmos da vila com as célebres passeatas na praça, a religiosidade, com suas procissões e ritos de passagem (casamentos e baptizados), a arquitectura tradicional em transformação pela construção emigrante, o problema dos “retornados”, as festas tradicionais já com ritmos de "merengue", as feiras já com megafones, ainda bastantes animais de carga e gados além de (poucos) carros, carrinhas e tractores, as minas de ferro paralizadas em maré de expectativas, etc., etc.. Todo o filme é um caleidoscópio onde perpassam imagens de um mundo em mutação que desembocou no que conhecemos hoje. Salientamos ainda, da banda sonora, a canção "Moncorvo, terra e gente", de José Mário Branco.
Momento de convívio no jardim da Biblioteca, com a nossa colaboradora Júlia Biló em conversa com o Sr. Carlos Evangelista (o "Pobre Rico") e seu filho Sr. João Carlos.Quanto à “Encomendação das Almas”, documentário também recentemente resgatado aos arquivos da RTP, a sua projecção em écran de cinema deu-lhe uma outra amplitude relativamente à apresentação feita na Quaresma, no pequeno auditório do Museu do Ferro (ver: http://parm-moncorvo.blogspot.com/2009/04/apresentacao-do-filme-encomendacao-das.html). Trata-se de outro documento extraordinário, de grande interesse antropológico e etnográfico, pelo que o realizador o quis dedicar à memória do Padre Joaquim Manuel Rebelo, investigador que foi o consultor científico, além de participante, deste filme.
sábado, 19 de setembro de 2009
O coração da vila- II
Este “post” vem no seguimento de dois comentários feitos ao “post” anterior, sobre a praça Francisco António Meireles, pelo que aqui tentaremos fazer um breve historial e algumas reflexões sobre este espaço da vila.
Fotografia da Praça Central de Torre de Moncorvo nos anos 80 do séc. XIX (foto de aut. desconhecido, impressa em postal comemorativo edit. pela Assoc. Cultural de T. de Moncorvo, nos anos 80 do séc. XX)Como é de esperar em áreas habitadas, os espaços evoluem, transformam-se (mais, ou menos) e conhecem dinâmicas diferentes consoante os tempos. Assim, podemos considerar que a antiga praça central de Moncorvo (que foi depois Praça da República e finalmente Praça F. Meireles) teve três grandes momentos, quer em termos urbanísticos, quer de função. O primeiro, da Idade Média até ao final do séc. XIX, foi basicamente um terreiro diante do castelo, onde temporariamente se fazia a feira e em que, em dado momento, se colocou um chafariz (séc. XVII) e uma espécie de larga passadeira de granito (em momento indeterminado). Inclusive era espaço de tourada, em momentos festivos, à maneira do que ainda acontece em algumas povoações espanholas. No final do séc. XIX, de acordo com a política dos melhoramentos, foi removido o chafariz, por se encontrar algo excêntrico em relação ao conjunto do largo, e apostou-se num empedrado de contorno oval, com desenho geométrico, raiado e com uns anéis concêntricos, construído com seixos (quartzo) e pedra ferrenha (hematite). Foi autor deste projecto o Engº José Ferro de Madureira Beça, nos anos 80 do séc. XIX. Era clara a intenção de se definir uma área de circulação, tipo placa giratória, distribuindo o trânsito (ao tempo de diligências, carroças, carros de bois, e animais de transporte) preservando o centro para o passeio recreativo da burguesia "fin de siècle", na continuidade de uma tradição decerto há muito arreigada.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
O coração da vila
Se a igreja matriz é o ex-libris por excelência, o coração da vila é a praça Francisco Meireles, ou, simplesmente, a Praça.
Nesta vista, captada do miradouro do Castelo, vê-se ao centro o chafariz filipino (datado de 1636) depois da sua reconstituição e reposição na referida praça em 1999, mais de um século depois de ter sido daí removido (foi em 29.07.1890, conforme anotou o autor da "Caderneta de Lembranças").
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
"Cultural Dream" (1997)
Na esteira do "post" anterior (texto de Rogério Rodrigues, com fotos de Leonel Brito), ocorreu-me ir às gavetas do fundo e acabei por desenterrar um velho poema de Henrique de Campos, de 1997. Trata-se de um escrito datado, produzido num momento em que se contestava a criação de algumas zonas de peões no centro histórico cá da vila, bem como o fim do estacionamento automóvel na antiga “praça das regateiras”. Mas acabou por ser, ao mesmo tempo, um verdadeiro manifesto cultural. Ainda se discutia então a reposição do chafariz filipino na Praça Francisco Meireles (que viria a ocorrer em 1999); o Arquivo Municipal estava em perspectiva mas ainda não havia sido inaugurado; as esplanadas na praça General Claudino eram uma mera sugestão, pois não havia cafés nesse largo; a Orquestra do Norte talvez já se tivesse estreado na igreja matriz, mas o órgão barroco permanecia mudo (tal como ainda hoje, embora se perspective para breve a sua compostura). Ao cabo de 12 anos, a “crítica corrosiva” a estas coisas das “pedrinhas” também se parece ter esbatido, apesar de alguns beliscões da rapaziada à nossa igreja, creio que mais resultantes de efeitos etílicos do que de actos conscientes ou relacionados de uma clara atitude anti-património.
Por isto, pode-se considerar que este poema de H.C. se encontra em grande medida ultrapassado (e ainda bem!), sendo uma espécie de “check-list” que se foi completando. O que não se conseguiu sem algum esforço, sobretudo no plano da transformação das mentalidades. Se houve mérito das instituições nesta consecução, também não se pode esquecer a atitude pedagógica e de consciencialização junto das pessoas menos receptivas a estas coisas, desenvolvida por alguns (poucos) carolas que, através da sua opinião, contribuíram para que se concretizassem coisas que em 1997 eram ainda utopia. A cidadania também é isto.
Grupo de pintores compondo uma tela, na praça General Claudino, num dia de feriado municipal (2008)CULTURAL DREAM
Tal como Luther King
também eu tive um sonho.
E sonhei que a minha terra
era uma espécie de Atenas cultural
povoada por cidadãos letrados e instruídos,
amigos das artes e do património;
sonhei que na minha terra
me havia cruzado com F. Pessoa
e bebido copos com o A. Aleixo;
sonhei que na minha terra,
à sombra de uma grande e secular igreja
havia feiras de artesanato e de iguarias
fazendo jus a uma antiga tradição medieval
exarada num velho pergaminho
guardado religiosamente no Arquivo Municipal;
sonhei também aí esplanadas à italiana
com pintores e cavaletes
e julguei estar em Florença;
fotógrafos com máquinas “de caixote”,
e julguei-me no Quais d’Orsai;
com o sol e granito num largo quadrado
com muitas vozes e sem automóveis
quis-me na plaza mayor de uma qualquer cidade
da meseta espanhola!
Sonhei que a minha terra
havia sido promovida a Cidade Cultural,
com direito a grandes cartazes pelo mundo fora,
por causa dos seus encantos e das suas gentes
e que cada cidadão, embevecido,
contava a cada forasteiro a sua História gloriosa,
e lhe falava do antigo castelo destruído
que aos seus olhos existia ainda
e da imponente catedral onde se ouvia,
diariamente, uma música barroca de fundo,
e nos dias festivos, concertos de órgão majestosos,
e o Rei dos Floristas, trajado a rigor,
oferecia rosas-púrpura à esquina de uma rua
que, por acaso, também se chamava das Flores.
Sonhei que jorrava um chafariz recuperado, na praça,
e os meus concidadãos, cultos e orgulhosos
de pertencerem à mais bela terra do mundo,
não eram críticos corrosivos deste cenário,
mas sim os seus principais defensores;
não eram pseudo-filósofos de café,
maldizentes e provocadores,
recalcitrando frustrações,
para serem notados e chamar atenções,
- eram, antes, interessados e construtivos.
Sonhei que, depois deste arrazoado,
não houvesse quem dissesse: “mais um poeta!”,
em termos irónicos e depreciativos.
Sonhei ainda que a escola da minha terra
ganhava prémios mundiais
a promover as coisas culturais
e a ajudar a crescer uma multidão de meninos
que nunca viriam a ser velhos… do Restelo!
Sim, eu tive um sonho hoje,
olhando o mundo em frente
do alto de uma montanha de ferro.
e esse Sonho era a certeza
de que o futuro é nosso.
e que a Utopia,
mesmo irrealizada,
mesmo amputada, castrada…
essa, nunca morrerá!
Henrique de Campos, 24.VI.1997
(public. in Mensageiro de Bragança, 25.06.1999)
MONCORVO,Março de 74 a 2009
A cereja no bolo
A cultura, na generalidade das autarquias, não sendo uma prioridade, fica sempre bem, como cereja no topo de um bolo recheado.
E Moncorvo não foge à regra, com equipamentos culturais de boa qualidade.
Em 1997, o então Presidente da República, Jorge Sampaio, acompanhado pelo dirigente socialista Lopes Cardoso, já falecido e com origens em Moncorvo, inaugurou a Biblioteca Municipal, com pompa e circunstância, sedeada em solar de brasão picado.
Hoje, cataloga cerca de 20 mil livros e conserva os acervos documentais, parcelares na maior parte dos casos, entre outros, de Santos Júnior e Armando Martins Janeira. Também algum espólio, não tanto como seria desejável, do padre Joaquim Rebelo e doações do jornalista Afonso Praça, natural do Felgar, nomeadamente a colecção do semanário “O Jornal”, e ainda a colecção do quinzenário regional “A Voz do Nordeste” entregue pelo seu primeiro director, César Urbino Rodrigues.
Mas a Biblioteca não se esgota nos livros e na preciosa documentação de séculos de vida do município. Tem também uma ludoteca informática e computadores para trabalhos escolares, além de acesso gratuito à Internet.
Uma vez por semana, agentes da Biblioteca organizam leituras para idosos e, mediante o Plano Nacional de Leitura, tem saídas diárias para todas as escolas durante os três períodos lectivos.
Em Março de 2008, também em edifício recuperado, contíguo à Biblioteca, foi inaugurado o Centro de Memória, onde repousam, justamente, muitos dos fundos, doados ou adquiridos, que fazem parte da riqueza patrimonial e intelectual do município.
Ainda na composição do bolo e na sua decoração foi lembrada ao repórter a recuperação do Cine-Teatro, com uma programação heterogénea para públicos vários, a reconversão de um antigo Celeiro num espaço para manifestações teatrais, um Museu do Ferro, com um trabalho notável de recolha e divulgação de um município, cuja identidade assentou, durante muito tempo, na cultura do ferro. Por fim, foi criada uma companhia de teatro residente, amadora, a “Alma do Ferro”, um projecto de que já se vinha falando desde 2001.
Nota: texto de Rogério Rodrigues
fotos de Lelo Brito
do livro MONCORVO, Março de 74 a 2009
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Forro
domingo, 13 de setembro de 2009
Convite - 19 de Setembro

Livro: "Torre de Moncorvo 1974-2009" (no seguimento da exposição inaugurada em Junho, no Centro de Memória)
Filmes: "Gente do Norte" (1977); "Encomendação das Almas" (1979).
Excerto do filme "Gente do Norte" in http://www.youtube.com/watch?v=3vm4qMtCZf0
sábado, 12 de setembro de 2009
Poemas e outros
As Quintas são o meu Deserto.
Deserto onde me encontro,
Quando me sento na soleira
Da rústica casa centenária de xisto
Da avó paterna,
Com telha-vã,
Lajes a ladrilhar o chão
E uma frescura imanente,
Que se imiscui no corpo
E na alma se enrodilha.
Deserto que se expande
No colorido das sécias
dos hortos do Tourão,
desde tempos imemoráveis
a crescerem como papoulas
por entre cebolo e manjericos.
Sou neste Deserto o peregrino do Ser…
Casa típica quinteira de xisto, com quase todas as características originais intactas.
A prima Irminda, a actual proprietária e zeladora desta ancestralidade viva, e a sua amiga Giulia, durante as férias do Verão.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Gente do Norte
Protocolo para recuperação da Linha do Douro, do Pocinho a Barca d'Alva
Foi hoje (dia 10 de Setembro) formalmente assinado um protocolo entre várias entidades públicas, a saber, MOPTC (Ministério das Obras Públicas Transportes e Comunicações), REFER, CP, IPTM, CCDR-Norte e Estrutura de Missão do Douro, para Reabilitação do troço Ferroviário da Linha do Douro entre o Pocinho e Barca d'Alva, contando com a presença de altos representantes destas entidades, nomeadamente a Srª. Secretária de Estado dos Transportes, Engª. Ana Paula Vitorino. A cerimónia começou pelas 11;00h na presença de autarcas (tanto de Portugal como de Espanha), representantes de várias instituições, empresários (sobretudo do sector turístico) e numeroso público.
" - Hoje está um lindo dia. Hoje é um lindo dia... para o Douro" - assim começou a sua intervenção o Chefe da Estrutura de Missão do Douro, Engº. Ricardo de Magalhães, um dos paladinos por esta causa da reabertura da linha do Douro com fins turísticos, entre o Pocinho e a Barca. Palavras que foram retomadas pela Secretária de Estado dos Transportes, que manifestou a sua confiança no investimento e também nas entidades espanholas, para voltar a levar o combóio até Salamanca. Nesta fase, para se recuperar o troço em causa (Pocinho-Barca), serão investidos 25 milhões de Euros. Foi destacada a importância deste investimento para toda a região, em articulação com outras valências que se estão a afirmar, nomeadamente o turismo fluvial.
Esta obra foi sobretudo impulsionada pela Associação Comercial do Porto e o consórcio denominado “Sindicato Portuense”, tendo-se também empenhado nisso as entidades de Salamanca, a quem interessava garantir o escoamento das suas mercadorias para um porto de mar. Um dos paladinos da ligação entre a Barca d’Alva e Salamanca foi Ricardo Pinto da Costa (1828-1889), banqueiro e homem de negócios portuense, que presidiu à referida Associação Comercial do Porto aquando da constituição da Compania del Ferrocarril de Salamanca à la Frontera Portuguesa. Viria a receber o título de Conde de Lumbrales, outorgado pelo rei espanhol Alfonso XII (na vila espanhola de Lumbrales localiza-se uma casa apalaçada do séc. XIX, conhecida por casa do Conde deste título).A história da construção da linha do Douro e, em particular do troço que agora se pretende valorizar, esteve patente num conjunto de painéis, expostos nesta data na estação do Pocinho (ver foto acima), tendo sido igualmente enfatizada ao longo dos discursos.
Foi ainda recordado pelo Presidente da Câmara de Vila Nova de Foz Côa que os pilares para o desenvolvimento do Douro, enunciados pelo Primeiro Ministro em 2006, foram, para além da Paisagem, do Vinho, do Turismo, também a Cultura. Esta valorização, a par de uma série de investimentos que o município fozcoense está a realizar no Pocinho (e que longamente enumerou), são também Cultura - disse.
Mais uma: segundo noticiou o Jornal de Notícias, em coluna esconsa, no dia 21.08.2009, foi outra locomotiva a vapor levada para as Ilhas Baleares (ver o recorte acima), seguramente para servir objectivos de turismo. Tratava-se de uma máquina alemã que sempre trabalhou em Portugal, pelo que a sua historicidade nas referida ilhas é nula! – Ou seja, se fazia sentido ela estar em algum lugar, era aqui, na linha do Douro. Infelizmente não se ouviu um protesto de ninguém! – Pelo que fica a pergunta: depois de recuperada a linha, entre a Régua e a Barca, para fins turísticos, como se pretente, será que se vai voltar a comprar aos estrangeiros o que se lhes vendeu entretanto? E a que preço? E será que quem comprou e recuperou este património para os fins que se sabe, estará algum dia interessado em desfazer-se do que cá veio buscar, certamente a preço da uva-mijona? Responda quem souber.DOURO FILM HARVEST - uma antestreia no Cine-teatro de Torre de Moncorvo
Pode ler-se na Agenda Cultural de Torre de Moncorvo (pág. 22): "O Douro Film Harvest é um encontro internacional de cinema que tem lugar na região do Douro Vinhateiro. Organizado pelo Turismo do Douro, com o apoio do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte/Estrutura de Missão do Douro, tem como um dos principais objectivos dirigir os holofotes do cinema para os cenários desta região vinícola, classificada como Património MUndial pela UNESCO". Assim, foram selccionados vários filmes românticos, de alguma maneira associados ao tema dos vinhos (Wine Films) a ser exibidos durante 5 dias por terras do Douro.
Quiseram os organizadores começar este ciclo de cinema pelo velhinho Cine-teatro de Torre de Moncorvo (cuja construção se iniciou na década de 40 do séc. XX), hoje com excelentes condições depois das grandes obras de remodelação realizadas entre 2002 e 2005. Pela primeira vez na sua história, o nosso Cine-teatro conheceu uma antestreia nacional! - Foi o caso do filme Julie & Julia, da realizadora Nora Ephron, com Meryl Streep (Julia Child) e Amy Adams (Julie Powell) nos principais papéis.
Este Encontro de Cinema tem um carácter descentralizado, decorrendo entre Vila Real (Teatro Municipal), Lamego (Teatro Ribeiro da Conceição), Torre de Moncorvo (Cine-teatro) e Santa Marta de Penaguião (Auditório Municipal). Nesta primeira edição será homenageado o realizador o checo Milos Forman (vencedor do Óscar de melhor realizador com o célebre filme Voando Sobre um Ninho de Cucos), que receberá o galardão CastaDouro Carreira, a 13 de Setembro, no Teatro Ribeiro da Conceição, em Lamego, às 17h30.
Também a actriz Andie MacDowell marca presença para receber o prémio CastaDouro Convidada Especial, em cerimónia marcada para o dia 10 de Setembro, às 22h00, no Teatro Municipal de Vila Real, seguida da projecção do filme The Last Sign. Os actores nacionais Ana Padrão e Ricardo Trêpa são os anfitriões da primeira edição do Douro Film Harvest, cabendo a este último o papel de Apresentador do evento no Cine-teatro de Torre de Moncorvo. Acrescente-se, a título de curiosidade e como o mesmo fez questão de referir, que Ricardo Trêpa é neto do grande realizador português Manoel de Oliveira, um dos homens que mais tem divulgado o Douro através da sua Obra.

Quanto ao filme estreado em Portugal no Cine-teatro moncorvense, baseia-se em duas histórias verídicas, passadas em tempos diferentes. Julie Powell é uma jovem mulher que, por volta de 2002, trabalha num centro de apoio psicológico por telefone a pessoas traumatizadas pela tragédia das Torres Gémeas de Manhattan/Nova Iorque. Como forma de se libertar do stress do dia-a-dia resolve criar um blogue dedicado à gastronomia, baseado num livro e numa série televisiva que a apaixonara, de autoria de uma consagrada "chef de cuisine", Julia Child. Esta, por sua vez, era uma grande apreciadora da cozinha francesa que aprendeu aquando de uma estadia em França, nos anos 40, onde seu marido era dilomata de carreira. Bem, o resto só vendo o filme, que é bastante divertido (tipo comédia).
Recomenda-se aos apaixonados da boa mesa e... ah, também da blogosfera! -depois perceberão porquê.
Nota: o filme foi apresentado nos E.U.A. no passado dia 7 de Agosto. No Brasil só a 16 de Outubro.
Fotos de N.Campos
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Mote e Glosa
Mote e glosa
Esta amêndoa, vida dura de casca
e um miolo - coração terno
mas tantas vezes partido
no teu rosto vejo e sinto
tanta mágoa tanto pranto
que no teu gesto desminto
por me parecer peso tanto
o feliz e breve encanto
do momento e da ternura
da mão que nesta amêndoa
descobre a vida dura de casca
dos teus sonhos já desfeitos
na tua vida revolta
revejo um imperfeito mundo
cruas dores mortes e mágoas
rios de antigas águas
terras mares tempos sem nome
mas no teu peito duro e simples
um miolo coração terno
olhando o teu rosto penso e sei
mais que silêncios mais que a bruma
que da serra desce e avoluma
mistérios segredos uivos cantos
ritos antigos de esquecidas forjas
danças de roda misteriosos prantos
que renasce uma vez mais o teu querer
e amigo irmão refazemos aqui o nosso sonho
tantas vezes partido
7 de Setembro de 2009
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Tipografia Globo
Recentemente, alguns elementos do PARM, em colaboração com a Local Visão, efectuaram um registo sobre a histórica Tipografia Globo, situada na R. Visconde de Vila Maior, em Torre de Moncorvo. Já no ano passado (02/2008), tinha sido efectuada uma primeira abordagem, em colaboração com o Jornal "Mensageiro Notícias" (ver post no Blog do PARM).
Aqui fica um pequeno excerto do presente registo/reportagem, com uma das máquinas de impressão em funcionamento.
(video de N. Campos/PARM)
domingo, 6 de setembro de 2009
Epígrafe de Setembro
Nos últimos olmos,
os que a tristeza não secou,
ainda chilreiam pássaros
ao entardecer.
sábado, 5 de setembro de 2009
Moncorvo em 1972
Folhear jornais antigos é um bom exercício para compreender como o País mudou nestes últimos 30 anos. Maior justiça social, outros cuidados de saúde e sobretudo liberdade. Para alguma memória, muita amnésia.
Vejamos pois, tendo como fonte, exclusiva neste caso, o “Notícias de Trás-os-Montes”, como a nossa região mudou, ainda que muitos dos temas e necessidades se mantenham.
Grupo Desportivo de Moncorvo -- O “Notícias de Trás-os-Montes” publica a um de Julho de 1972, em grande destaque, a subida do Grupo Desportivo de Moncorvo à III Divisão. Ganhara o último jogo da distrital contra o Macedo de Cavaleiros. A subida do GDM foi abrilhantada no jardim de Moncorvo com um grupo musical que fazia a sua estreia, “Teorema”. Tempos depois tomaram posse os novos corpos gerentes. Vale a pena referi-los: Almiro Sota, presidente; Fausto Catalão, vice-presidente; secretário, Eduardo Leite; segundo secretário, José Cavalheiro Paiva; vogais, António Teixeira, Manuel Tristão e Arnaldo Gonçalves.
Vale a pena lembrar a equipa inicial: Eurico; Sílvio (actual treinador do GDM), Amadeu, Custódio e Morais; Favorino e Paçô; Miranda, Vaz, José Manuel e Mateus.
Mas a equipa não funcionava bem. À quarta jornada levou 8-0 do Lourosa e ainda não tinha ganho um jogo, nem sequer marcado um golo. À sexta jornada o GDM conseguiu marcar um golo, ainda que tenha perdido com o Leça por 4-1.O golo do Moncorvo foi marcado pelo Zé Manuel. O Lourosa liderava a classificação.
Na jornada seguinte o GDM perdeu com o Limianos por 4-2. Os golos foram marcados pelo Miranda e pelo Santos. Sílvio já não jogava no GDM.
Na 11ª jornada o GDM continuava com um ponto apenas. Já não havia nada a fazer.
Saúde-- No segundo semestre de 72 entrou em funcionamento, na dependência do Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Moncorvo, o Centro de Saúde do concelho, constituído por dois médicos e respectivo pessoal de enfermagem, pelo que deixou de funcionar a subdelegação de Saúde que estava instalada no edifício do Tribunal. Registe-se que, na altura, a população era superior e os médicos eram apenas dois. Vale a pena lembrar que então o acesso à saúde tinha muito pouco a ver com as exigências de hoje.
Combóios-- As linhas do Corgo, Tua e Sabor acabaram por fechar. Mas o problema não é novo. Há 30 anos, pelo menos, que os poderes se manifestavam contra o encerramento das linhas. Titula o “Notícias de Trás-os-Montes” (29.7.72): “Trás-os-Montes opõe-se à supressão dos combóios”. Já um colunista deste semanário, informa, meses depois, que para vencer os primeiros 12 quilómetros do Pocinho a Moncorvo, são necessários 49 minutos, sendo 40 para o percurso e 9 para o serviço e toma de água, o que dá 15 quilómetros à hora como velocidade.
Nos 22 quilómetros de percurso -- do Carvalhal ao Pocinho -- havia 124 curvas. É obra. Mas as linhas acabaram. Quem as frequentou, sente nostalgia.
Emigração-- Se não fosse a emigração, a população portuguesa teria sido em 1981 de 9660.000 habitantes, segundo o INE. Diga-se que só em 1971 (já com a emigração em baixa) são registados mais de 151 mil emigrantes, dos quais 100.797 clandestinos.
Emprego -- Na sua edição de 21.10.72, alicerçado em fontes oficiais, o “Notícias de Trás-os-Montes” informa que o Serviço Nacional de Emprego, através do seu Centro de Castelo Branco, oferecia trabalho para homens (mais de 14 anos) a sete escudos à hora e para mulheres (mais de 14 anos) a quatro escudos, podendo fazer, homens e mulheres, mais de 10 a 12 horas diárias. O trabalho era garantido apenas por três meses. Ou seja, para usufruir 70 escudos por dia, e apenas durante três meses, um homem tinha que trabalhar 10 horas diárias. Desconheciam-se as horas extraordinárias. Como hoje se quer desconhecer o que foi este país e como neste país eram tratados os seus filhos.
Cultura -- Hoje seria um acontecimento nacional, com direito a televisões. Mas hoje seria difícil reunir em Mirandela, como foi reunida em Julho de 1972, uma mostra dos grandes nomes da pintura portuguesa. Sigamos o despacho do “Notícias de Trás-os-Montes” que nos dá conta de uma exposição em Mirandela com o patrocínio da Câmara e a colaboração da Galeria Alvarez do Porto.
Antes da exposição, houve uma palestra sobre o “Romance Moderno e a sua evolução”, pelo escritor António Rebordão Navarro, cujo romance “Um Infinito Silêncio”, é o retrato de uma comarca de Trás-os-Montes (Vimioso) onde esteve colocado.
Na exposição podiam ver-se, entre outros, quadros de Almada Negreiros, Ângelo de Sousa, Armando Alves, Arpad Szenes, Artur Bual, Dórdio Gomes, Espiga Pinto, João Hogan, José Rodrigues, Jorge Pinheiro, Júlio Pomar, Júlio Resende, Manuel Cargaleiro, Nadir Afonso, Nikias Skapinakis, Noronha da Costa, Francisco Relógio, Vespeira e Vieira da Silva.
Seria hoje possível uma exposição desta grandeza? E quem seria a grande mente de Mirandela que na altura foi capaz de organizar ua exposição única, não só a nível do Nordeste Transmontano, mas a nível nacional? Gostaria de saber quem foi só para profundamente lhe agradecer.
Arte sacra --- A reportagem é escrita por Afonso Praça na edição de quatro de Novembro de 1972 no “Notícias de Trás-os-Montes”, semanário de que o repórter era director-adjunto. Trata-se da história do retábulo flamengo de Moncorvo. Escreve o nosso conterrâneo: “Cerca de sete dezenas de naturais de Moncorvo ou ali residentes, deslocaram-se a Lisboa e visitaram o Instituto Dr. José de Figueiredo, anexo ao Museu.
A excursão foi feita a convite do director do Instituto, dr. Abel Moura, foi organizada pelo delegado local da Junta Nacional de Educação, dr.Horácio Brilhante Simões. Para muitos, foi uma revelação; para outros, apenas um passeio a Lisboa; para todos uma certeza: o retábulo está efectivamente no Instituto Dr. José de Figueiredo, entregue aos cuidados da pintora Ana Paula Abrantes, diplomada pelo Instituto Real do Património Artístico de Bruxelas. Pelo sim, pelo não, os moncorvenses acharam que era melhor vir a Lisboa: é que o retábulo já foi roubado uma vez e encontrado, meses depois, num antiquário de Guimarães. História que os jornais contaram e os moncorvenses não esquecem...”
Apó este super lead, Afonso Praça desenvolve a notícia: “Seja como for, a referida obra de arte recebeu, na altura, tratos de polé: dizia-se que os ladrões pretendiam enviá-la para os E.U.A. De certeza sabe-se que foi pintada no intuito de a disfarçar. É desde então que muita gente pensou em mandar restaurar o retábulo, mas havia um problema: o povo não queria que o “quadro” saísse de Moncorvo. Há três anos o dr. Horácio Simões, na sua qualidade de delegado da Junta Nacional de Educação, fez um pedido formal ao Instituto Dr. José de Figueiredo, e no ano passado apareceram na vila funcionários desta instituição para procederem ao transporte da obra. Qual quê! O retábulo lá ficou, como acontecera uma vez, perante a reacção dos moncorvenses que se reuniram junto da igreja, dispostos a tudo. Recentemente, um carro foi a Moncorvo, carregou o tríptico e trouxe-o para Lisboa, sem ninguém dar conta. Mas logo a notícia se espalhou pela vila, como uma bomba. E foi então que surgiu a excursão, cuja finalidade principal foi de esclarecimento: moncorvenses de várias profissões e categorias sociais (professores do ensino secundário, comerciantes, trabalhadores rurais, funcionários públicos) entraram esta manhã no Instituto Dr.José de Figueiredo com um peso no peito. E o repórter ouviu várias vezes: “Afinal o quadro volta ou não volta para Moncorvo?” Todos os moncorvenses sabem hoje que o quadro voltou a Moncorvo e pode ser visto na sua igreja matriz.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Provérbio chinês
Permite que a ave da tristeza pouse na tua cabeça, mas nunca aceites que faça ninho nos teus cabelos.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Ainda as festas de Verão
Igreja Matriz do Larinho (foto dos anos 30, arquivo Dr. João Leonardo)terça-feira, 1 de setembro de 2009
Recordando a Póvoa
Há cinco/seis anos escrevi esta crónica para o Jornal de Notícias, numa rubrica semanal que tive durante mais de dois anos na edição de Lisboa deste jornal. Porque penso que tem alguma actualidade, contextualizando-a no tempo, penso que ainda tem alguma actualidade. Por isso e também por preito ao Nélson, achei que a devo republicar, depois de a retirar da minha arca informática. Aqui vai, tal como foi escrita há cinco/ seis anos.
"De novo, as gravuras
ou
Ao Sabor das gravuras
Encontramo-nos no quiosque da Praça a comprar jornais. O Público anunciava, em chamada de primeira página, a descoberta de novas gravuras rupestres no Sabor, com 20 mil anos de idade.
Encontrámo-nos eu e o Nélson Rebanda, o arqueólogo que descobriu as primeiras gravuras do Côa e que tão injustiçado foi nos anos seguintes. Foi uma espécie de Cristóvão Colombo das gravuras.Viriam mais tarde os conquistadores. A notícia, assinada por Pedro Garcias, um homem cá de cima, dava ao Sabor da minha infância um sabor novo.
No dia anterior tinha ido comer peixes à Foz ( do Sabor), num ritual que se repete sempre que rumo a limpezas de olhar interior. Também nesse dia me embrenhara nas fragas da Póvoa onde, já lá vão perto de 25 anos, levei o Assis Pacheco que, perante uma professora primária vestida para nos receber como se se preparasse para uma ida ao S. Carlos, numa casa sem luz nem água, com o caldeiro dos grelos à lareira, escreveu um belíssimo poema, posteriormente publicado na Vértice.
Hoje na Póvoa vivem 22 pessoas, bem contadinhas, quase todas com idade superior a 60 anos. As casas, com se o tempo não passasse por ali, mantêm-se de pedra, em construção tosca mas robusta de granito. E desabitadas, na maioria.
E fomos tomar café. O Nélson Rebanda estava excitado pela descoberta e era referido no texto como o criador da expressão do Côa, Santuário Sagrado.
Mas que importância tem descobrir que há 20 mil anos já se sonhava por aqui, nos desfiladeiros inóspitos, quando o sonho é considerado hoje, pelo pragmatismo crescente, um dos sintomas do desfazamento da realidade e um obstáculo ao nacional-situacionismo, mediático e político, para quem o efémero e o supérfluo são os grandes promotores de energias e desenvolvimento?
Vejo o Nélson desencantado, por vezes excessivamente auto-crucificado, num jogo de incompreensão que o isolamento potencia.
Mas como é que não se sentirá alguém que, durante infindáveis dias, foi desbastando de roçadoura na mão, os arbustos que escondiam as pedras, o xisto sólido do chão sagrado?
E leio também que, após 23 anos de serviço à causa pública, Diana Andringa se despede da RTP. Como não se há-de sentir ao ver o estado a que a televisão (pública e privada) chegou.
E leio A Bola. Um jogador atinge os 20 milhões de contos. Outros menos milhões, mas ainda milhões.
A Igreja em vez de abençoar Deus, preocupa-se mais em criticar César. Esquece o sagrado e sacia-se no profano.
A remodelação e os seus rumores inventam analistas e suportam ajustes de contas. Resultados de sondagens, sempre relativos, são absolutizados.
Ouvem-se pelo interior as sirenes. Começaram os incêndios. A seu tempo virá a remodelação.
E os jornais em vez de picotarem na rocha um auroque (boi selvagem), preferem pintar em papel um cenário de um país dissolvente, em que tanto governo como oposição servem de arbusto e ocultação ao grande auroque gravado na pedra do tempo.
Rogério Rodrigues
Apresentação de Outros Contos da Montanha, por Isabel Mateus
Ainda no passado dia 29 de Agosto, depois de inaugurada a Exposição sobre o felgueirense Armando Martins Janeira, teve a palavra uma outra felgueirense: Isabel Maria Fidalgo Mateus, natural das Quintas do Corisco, presentemente professora de Português na Universidade de Liverpool, após a conclusão do seu doutoramento pela University of Birmingham (Reino Unido).
Após a apresentação deste mesmo livro – Outros contos da Montanha – ocorrida há meses na Biblioteca da Escola Secundária de Torre de Moncorvo e no Grémio Literário de Vila Real (onde teve o patrocínio do escritor A.M. Pires Cabral e da presidente do Círculo Miguel Torga, Doutora Assunção Anes), chegou a vez de também a Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo dar a conhecer a obra desta nossa conterrânea.
Após as palavras do Sr. Presidente da Câmara, a apresentação da autora esteve a cargo de uma sua antiga colega do Secundário, que frequentaram em Torre de Moncorvo, a jornalista Glória Lopes, que enalteceu as suas qualidades, bem como do livro em causa.
Por fim, Isabel Mateus falou da temática dos diversos contos que compõem o livro. Por aqui perpassam a emigração, a desertificação humana, a dureza do trabalho no campo, hoje como no Passado, mas também muito da Cultura popular, tudo caldeado num grande telurismo, bem digno do conterrâneo Armando Martins Janeira (o homem que andava sempre com três pedras de minério do Roborêdo), ou ainda de Miguel Torga, de quem a autora colheu inspiração para o título desta obra. “Eu afirmo as quintas, as quintas são a minha raiz” – disse Isabel Mateus, a dado passo da sua intervenção. Congratulou-se pelo facto de os seus contos serem lidos em lares de idosos, além da sua apresentação em diversas escolas, como no Agrupamento Vertical de Torre de Moncorvo. Mas não só: em Inglaterra, na University of Liverpool, onde existe um grupo de Português, já se organizou uma semana de cultura lusófona (Lusophone Culture Week), tendo um dos seus contos sido traduzido para inglês.
A finalizar, Isabel Mateus levantou ainda um bocadinho a ponta do véu do seu novo livro, que terá por título: O trigo dos pardais e versará sobre a relação das crianças com a natureza, nomeadamente com brinquedos e brincadeiras a partir de elementos naturais, um tema bem do agrado do nosso colega blogueiro Vasdoal.No auditório da biblioteca, aquando da apresentação do livro, esteve patente ainda uma exposição de desenhos aguarelados, de autoria de Cristina Borges, que serviram de base às belas ilustrações incluídas no livro.
































