À falta de imagens do belo fogo de artifício ontem lançado no momento da passagem de ano, abrimos o ano com esta foto geral da vila de Torre de Moncorvo, espreguiçando-se nas faldas do Roborêdo e esticando os seus braços como que a abraçar todo o concelho. É também este o abraço do blogue a todos os Moncorvenses e a todos os Amigos que nos seguem, a partir das quatro partidas do mundo.
Este ano não procedemos à eleição do acontecimento do ano findo, mas, a tê-lo feito, temos a certeza de que o blogue continuaria a ser um dos acontecimentos candidatos. Por volta da meia-noite tínhamos chegado a perto de 150.000 visitas (mais precisamente 149.968), de quase 60.000 visitantes, mais precisamente a partir de 59.476 computadores em todo o mundo.
Sendo certo que parte deste "score" vem do ano anterior (desde Maio de 2008), contudo o número de visitantes de 2009 foi extraordinário. O número total de "posts" foi de 408, o que dá uma média de 34 posts por mês (mais do que um por dia, em média). O blogue foi ainda visitado a partir de 46 países, sendo a esmagadora maioria dos visitantes de Portugal, como seria de esperar, com 17.070 visitantes (77,2%), seguido do Reino Unido (1.779), Brasil (1.644), Espanha (624), França (450), Estados Unidos da América (321), Suíça (215) - os restantes podem ser vistos clicando sobre o contador e escolhendo a opção "Geolocation" na opção "Visitors". Aí também poderão ver um mapa com a localização da proveniência das visitas, de onde se conclui que a maioria é do continente europeu, com duas manchas de concentração de pontos nos E.U.A. e no Brasil. Isto responde em grande medida à questão: por onde andam os moncorvenses e os seus descendentes?
Tendo presentes estes aspectos, é lícito concluir que o Blogue está a cumprir uma das metas a que se propôs, ainda na fase do "Descobrir Torre de Moncorvo": (re)unir os moncorvenses da diáspora, além de divulgar o concelho e a região.
No dealbar de um novo ano que ora começa, julgando interpretar o sentimento de todos os colaboradores do blogue, só nos resta esperar que continuem connosco, continuem a amar a nossa terra, e, da nossa parte, desejamos-vos as maiores felicidades, com Saúde, Paz, Alegria, Pão, Trabalho, e que o dinheiro chegue ao menos para viver!
Nota: fica aqui também o repto para que nos enviem as vossas mensagens de Ano Novo.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Bom Ano de 2010!
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
A Vilariça e a Foz do Sabor, lembrando as "rebofas" de antigamente
2009 despediu-se chuvoso e com fortes ventanias, alagando os campos e o vale da Vilariça, embora ainda sem atingir a dimensão das grandes "rebofas" de outros tempos.
No seguimento do post anteiror, aqui ficam algumas imagens do Vale e da Foz do Sabor, captadas hoje ao fim da manhã por um nosso conterrâneo:
Felgar - Silhades e o Sabor
Vai encorpado o Sabor. Galgou as margens e Silhades ficou mais perto. Coisas de velhos amigos que não podem estar um sem o outro. Farão uma passagem de ano juntos, como sempre fizeram.
Para memória futura.
Entretanto no tanque do Valdusso ( habitualmente seco no Verão)a água corre livre e abundante.
Sinal de ano bom no que toca a chuva, dizem os que já viram muitos Invernos.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
"O trigo dos pardais" - novo livro de Isabel Fidalgo Mateus
Saiu recentemente do prelo e em breve chegará às livrarias, o novo livro da nossa colega de Blogue, Doutora Isabel Maria Fidalgo Mateus, professora da Universidade de Liverpool.
Aqui ficam as imagens da capa e da contracapa, e respectivas badanas, onde se poderá saber mais sobre a autora e a sua obra (clicar sobre as imagens para as ampliar):.bmp)
Panorama editorial
O mês de Dezembro que ora finda trouxe-nos também duas prendas natalícias, no que respeita ao panorama editorial: por um lado, o já "antigo" (sai há cerca de 13 anos, mas com intermitências) "Mendo Corvo", um jornal escolar feito por professores e alunos, e, por outro, o "Sabor do Ferro", no seu número O (zero), de cariz mais generalista.
Começando pelo "Mendo Corvo", há a assinalar que passou do nível da tiragem em fotocópias para a edição impressa e em formato de jornal a sério. Recortamos do Editorial estas palavras do Director do Agrupamento de Escolas de Torre de Moncorvo, professor António Alberto Areosa: "este jornal do agrupamento, fruto da participação colectiva dos alunos desde o Ensino Pré-escolar aos do Ensino Secundário, docentes, representantes dos pais e encarregados de educação e parceiros plenos de um projecto maior que pretende ilustrar as expectativas mais caras à direcção e à comunidade educativa, a saber, o sucesso escolar efectivo e real, particularmente dos nossos alunos, a realização plena de todas as suas capacidades, o desenhar de um perfil de cidadão conscientemente lúcido em relação à comunidade envolvente que não poderá delegar nos outros o papel socio-cultural e humano a si destinado: aprender para saber ser (...)."Em primeira página é destacada a comemoração do bi-centenário do nascimento do Visconde de Vila Maior, que recentemente teve lugar na escola de seu nome, nesta vila (antigo ciclo preparatório). Outros títulos de capa são a comemoração do aniversário da Convenção dos Direitos da Criança, o Magusto de S. Martinho para os mais pequenos, a atribuição dos Prémios de Mérito e a Noite das Bruxas (Hallween) nas Escolas.
Os interessados em adquirir o jornal poderão contactar o Agrupamento de Escolas de Torre de Moncorvo (tel. 279 200 280).
O "Sabor do Ferro" é uma estreia que promete vir para ficar, como publicação mensal. Tendo como director João Girão e responsável gráfico José Girão, define-se no Editorial como "o jornal do concelho de Torre de Moncorvo", supra-partidário, tendo por objectivo dar a conhecer melhor realidade do nosso concelho. Espera-se ainda que esta seja, "para alguns, a oportunidade de verem os seus anseios e lamentos expostos e afirmados", concluindo de forma jocosa que "para poucos, mas decerto variados, [o jornal será também] um entretém de faladura, que a nossa praça, à falta de motivos, precisa sempre de combustível para animar os passeios e o frio deste inverno que se aproxima".Em primeira página é destacado em título: "Protocolo entre Câmara e EDP dá ambulância aos bombeiros"; "Leopoldina visita as escolas do concelho" e "GNR promove acção de sensibilização". Nas interiores, refira-se um excerto do nosso Blogue, dedicado à "Apresentação do livro 'A parábola dos Três Anéis' de Júlia Guarda Ribeiro" (pág. 5), uma "Mensagem de Natal" subscrita pelo Presidente da Câmara de Moncorvo, Engº. Aires Ferreira, "O meu relógio de bolso", crónica do Dr. Carlos Girão, "Por linhas tortas", pelo Dr. João Girão, "Curiosidade ou talvez não", por Leandro Vale; "Há pessoas que nos marcam", uma evocação da memória da Drª Lurdes Girão, pelo Dr. Nuno Gonçalves; "Pontapé na bola" (secção desportiva sobre Futsal); Mensagens de Natal pelos Padres Vicente e João de Barros; "De músico em música" (página musical) pelo Dr. Rui Rodrigues; "Cantinho do chefe Osvaldo" (Gastronomia), por Osvaldo Ferreira; "Balanço mensal de GNR" referente ao mês de Novembro; e o restante espaço dedicado a Passatempos, entrevistas de rua, publicidade diversa e um Cartoon ("O castelo de D. Mendo") assinado pelo Arqtº Paulo Afecto.
Sendo o 1º. número de distribuição gratuita, os pedidos podem ser efectuados pelos seguintes contactos: sabordoferro@gmail.com; tlm. 916623803, 932861077 ou 918680416.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Uma noite de Natal moncorvense, há 109 anos...
Falámos aqui há dias na "missa do galo" e "fogueiras do galo", nas noites do Natal tradicional. Todavia havia ainda outras "tradições" que felizmente se perderam. E por falar em galos, naturalmente havia quem levasse a coisa a preceito e provocasse outros "galos"... na cabeça do parceiro! Era o tempo dos famosos "índios" da Corredoura, que vinham a atacar os "cowboys" da vila, e... nada menos que na noite de Natal!!!
Mas, passemos a palavra ao impagável Francisco Justiniano de Castro (com a sua ortografia muito peculiar):
"Dia 24 de Dezembro [de 1900], à noite, na ocasião em que se intrava para a missa do gallo veio uma malta da corredoura armada de paus e foices dando vivas à rapaziada da corredoura... também andarão pelas ruas a dar os mesmos vivas feitos pimpões e no adro quando estava o abbade a dar o menino deos nacido a beijar ó altar armarão um grande barulho que athe ouve tiros de revolve, e querião matar o António da Assumpção Albardeiro que o admnistrador e o filho e o polícia nº. 8 virão-se parvos para os acomodar que athe quizerão bater ó administrador e depois na praça tornou áver outra desordem, e também tiros de revolve, os fridos que aparecerão forão o filho mais velho de Luis Patuleia que lhe abrirão a cabeça com uma arrochada, e com o jaquetão e a faixa furada por uma bala; e o filho do Sebastiãozinho Pastor da cordoura também com um tiro no braço esquerdo, e o filho mais novo do Luis Patuleia também com a cabeça rachada, o snr. Administrador mandou alevantar um auto de investigação mas as testemunhas que depuzerão nem uma viu quem deu os tiros, nem quem bateu".
in: "Moncorvo, fim de século. Caderneta de Lembranças". Transcrição dum manuscrito e notas do Doutor Águedo de Oliveira" - Edição dos "Amigos de Bragança", 1975.
Iluminações natalícias
sábado, 26 de dezembro de 2009
Felgar - "Fogueira do Galo" II
Complementando a reportagem anterior do "pucareiro" Tó Manel, aqui ficam mais algumas imagens (nocturnas), de uma das "fogueiras do galo" do Felgar. Nas fotos, trata-se da fogueira do largo Santa Cruz; a outra é feita no largo da igreja. O normal era fazer-se uma só fogueira, por cada povo, mas talvez o Felgar pretenda agora compensar as terras onde já não se fazem estas fogueiras natalícias, como acontece na vila de Moncorvo, onde antigamente se acendiam na Corredoura.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Felgar - Fogueira do Galo
No dia 24 de Dezembro cumpriu-se a tradição: acenderam a fogueira, aqueceram o Menino.
No dia 25 encontram-se em torno da fogueira os residentes e aqueles que "fazem pela vida" noutras paragens. Confraternizam, matam saudades.
Mas a cada ano que passa nota-se e sente-se que são cada vez menos os que regressam nas quadras festivas.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Poema para uma noite de Natal
Os meninos sabem poucas palavras.
Por exemplo sabem que palavra é mãe
Porque mãe é uma palavra doce.
Sabem amor porque amor é uma palavra redonda.
Talvez saibam também
Que palavra é dor quando esfolam um joelho
E só porque na verdade lhes dói o joelho.
Sabem que palavra é cantiga, corrida, dança,
Que palavra é lágrima. E riso. E boca. E olhos. E mãos.
E barco.
E mar.
E árvore. E monte.
Flor é uma palavra de que os meninos gostam
Porque é bonita.
Os meninos sabem poucas palavras.
E entendem os contos de poucas palavras. Simples.
E também muitos poemas de palavras simples.
Os meninos não sabem porém o que habita certas palavras
Como dúvida, fome, partida, injustiça, revolta, guerra.
Como ignorância.
Como nada.
Não sabem o que uma palavra pode ser para além da palavra.
Não sabem por exemplo que esta noite tem dentro uma palavra de luz.
Natal de 2009
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Na tal rua
Na tal rua
Cobertor de jornais
Na tal praça
Num corpo de cristais
Na tal calçada
Calcada por pinhais
Na tal berma
Taberna de tantos ais
Na tal sorte
De um afago
Gémeas as palavras
Vasconcelos do Al, Na tal rua, in Pequeno Cancioneiro de Natal, CMVR, Vila Real , 2000
Mensagem sem mensagem e sem Natal
Há um ano escrevi este texto, sem perceber que, ao relê-lo, mantinha alguma actualidade. Como eu embirro com o Natal, esta quadra sinistra como costuma dizer um amigo meu, entre o consumismo selvagem e a solidariedade hipócrita, deu-me para a recordação e algumas reflexões. Aqui vão, datadas como é óbvio, com as necessárias Boas-Festas, pensando no que é bom e nas festas no sentido mais amplo do convívio ao afecto.
«Agora, que entrei definitivamente no grupo etário daqueles que não têm nome quando são atropelados, os sexagenários dos bares que vão morrendo, desencantados com o futuro, que já relêem mais do que lêem, avessos aos acordos ortográficos, mal sabemos o que havemos de fazer com o nosso passado. Torná-lo futuro? Ou dizermos que a história é a memória do futuro?São tantas as presenças como os dias que me faltam. As tardes longínquas e melancólicas com o Assis Pacheco no Fim de Século e no Hotel Britânia, as noites longas e sem cansaço, tão só de nostalgia transmontana, de uma ruralidade que não perdíamos, com o Afonso Praça, esse sólido mais líquido que me foi dado conhecer, esse odre de ternura, que passou de mansinho pela vida como se tivesse sempre a pedir desculpa pelo talento que tinha. As noites, longas, muito longas, em que o álcool corria como um regato de afectos contidos, mas sem fim, com o Cardoso Pires, entre o colérico, o iconoclasta, mas o melhor contador de histórias dos bas-fonds desta cidade ( leia-se Lisboa) que tanto amava. O Cardoso Pires, era de ódios e amores. E tinha muito mau perder, como ele próprio confessava.E depois o Luís, o Sttau Monteiro, o mais admirável e generoso mentiroso que me foi dado conhecer. Escrevia à minha frente a Guidinha, numa Hermes (máquina de escrever) pesada, a correr, que tinha que ir a algum lado. Efabulador, grande cozinheiro na sua casa de Campo de Ourique, inveterado bebedor de gin, homem de muitos encantos, de um charme muito britânico, de uma ironia corrosiva, era, porém, tansbordante nos afectos para os seus amigos. Morreu ainda as últimas rosas não tinham florido.Hoje, proclamam-se os best-sellers de aeroporto, lidos enquanto se mascam pastilhas; os jornais são economicamente obedientes, reverentes e pouco venerandos; a mediocridade, mas com boas maneiras, é um bom princípio para o sucesso. O país é apenas o reflexo do país, não a sua realidade. Utiliza-se o espelho como se fosse a verdadeira face. A imagem do rosto secundariza o rosto. Querem-nos impôr uma clandestinidade ética, tornar a norma da virtude como um desvio. Um perigoso desvio que deve ser tratado ou combatido.Querem-nos sem ideologia, assépticos, flor artifical, sem cheiro, mesmo do suor, sem tabaco ( se no céu não se pode fumar, eu não quero ir para o céu, escreveu Mark Twain), tão limpos que querem transformar a cidade num imenso hospital com multidões saudáveis mas proibidas de transgredir.Querem proibir a transgressão; são os inquisidores do interdito; os que definem a liberdade dos outros, como se a liberdade não fosse um valor individual; que tentam pôr um chip na nossa alma e controlar os nossos sonhos, e isto tudo para que vivamos mais anos a criar mais problemas à Segurança Social.Querem-nos clonados, sejamos novos ou velhos, querem-nos tão iguazinhos a ponto de um dia conseguirem que nós não saibamos quem somos. Apenas eles sabem, nos seus arquivos, o que nós fomos.Já cá não estarei por certo, quando algumas liberdades e indignações utópicas não passarem de mero estudo académico para teses de doutoramento, tão bem comportadas que até Júlio Dantas vai ser considerado, a par de José Rodrigues dos Santos, um génio injustamente ignorado por esses libertinos cuja memória é proibido recordar...»
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
NATAL da MINHA TERRA II - A Tradição ainda é o que era!
Sábado de manhã, rompemos em direcção a Londres. O sol, a reflectir o brilho dos raios na natureza alva de neve, animava as três longas horas da caminhada. As ovelhas pastavam animosamente, para seu espanto e nosso, a verdura branca. Via-se algum corvo a voar contra o ar lavado do céu azul-claro e a luminosidade do peito avermelhado de um ou outro “robin” a faiscar por ente os galhos repletos de neve.
Antes de chegarmos ao destino, parámos numa dessas estações de serviço onde se ingere depressa a habitual “fast food”. O sinal da diferença foi suscitado pela simpática Assistant Manager do Costa Café. Se não fosse pela língua que se falava e pela mercadoria que se vendia, dir-se-ia que nos encontrávamos nalgum café de bairro português: o docinho para a menina, o sorriso e a conversa e a familiaridade. Abalámos dali mais satisfeitos.
Pouco tempo depois, estacionávamos num bairro simpático da imensa cidade londrina. Abriram-nos a porta daquele pequeno “reino maravilhoso” do “Little Portugal” duas senhoras portuguesas.
Indicaram-nos, muito conscienciosas do seu papel de anfitriãs, onde poderíamos comprar o melhor bacalhau e o polvo congelado: o estabelecimento Lisboa (ver 1ª. foto). Mas antes de nos prepararmos para a ceia do dia 24 do Natal, a noite de consoada, detivemo-nos do nosso lado direito da rua e entrámos na Biblioteca. A South Lambeth Library tem uma pequena secção de livros em língua portuguesa para adultos e crianças que foram doados por uma instituição bancária. Por isso, também não me pareceu mal lá deixar para a comunidade portuguesa Outros Contos da Montanha e a promessa de voltar, possivelmente em Janeiro, para trazer O Trigo dos Pardais e os apresentar aos leitores de lá (ver 3ª. foto).
Mais tarde, entrámos efectivamente em “Lisboa”. Lisboa antiga ou, talvez, qualquer outro estabelecimento comercial que ainda podemos encontrar (poderemos por muito tempo?) em algumas aldeias ou pequenas vilas de Portugal.
A entrada fazia-se por uma porta que conduzia, de imediato, à pastelaria. No interior do estabelecimento, a porta lateral esquerda abria a montanha onde se albergava de tudo: estatuetas de santos, do Menino e da Virgem, nas prateleiras superiores, produtos tradicionais como, por exemplo, pegas, toalhas de mesa e aventais com o galo bordado ou desenhado, amontoados a um dos cantos do balcão, música portuguesa, em expositores modernos de café, e tantos outros artigos importados directamente de Portugal. Abeirámo-nos do balcão e dissemos que desejávamos bacalhau. Então, o Senhor do estabelecimento deslocou-se connosco a outro compartimento, bem lá no fundo da casa comercial. Como convinha a um Rei, o bacalhau tinha os seus próprios aposentos (ver a 2ª foto). Havia do miúdo e do graúdo. Comprámos dos dois. Vindos das bandas do fundo, havia agora que escolher o polvo. Da arca congeladora oceânica avistava-se o verde e o vermelho da bandeira nacional que, afixada numa grande extensão do tecto, concedia ao molusco uma cor mais viva e intensa.
O tamanho do mapa de Portugal ao lado do mapa-mundo parecia, afinal, dizer que Portugal é imenso! E é! Prolongou-se em outros estabelecimentos comerciais daquela rua, onde ainda comprámos uma tronchuda, e, por uma mais uma boa meia hora bem medida, sentimo-nos pela primeira vez em Casa.
Estávamos em Portugal na cosmopolita Londres, por certo!
Porém, o mais importante foi saber que trouxemos o NATAL PORTUGUÊS para nossa casa!... FELIZ NATAL para todos!
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Tomé Rodrigues Sobral (1759-1829)
"Químico, mais conhecido como o “mestre da pólvora” e também como o “Chaptal português”, natural de Felgueiras, Moncorvo, nasceu a 21 de Dezembro de 1759, filho de João Rodrigues e Isabel Pires. Matriculou-se na Universidade de Coimbra, em Matemática e Filosofia, a 29 de Outubro de 1779. Foi ordenado presbítero na Arquidiocese de Braga em 1782, e concluiu o curso na Faculdade de Matemática e Filosofia em 26 de Junho de 1783. Foi demonstrador de História Natural a partir de Julho de 1986, substituto extraordinário para as cadeiras de Física em Outubro de 1786 e em Julho de 1788, História Natural em Julho de 1787 e Química em Julho de 1789. Sucedeu a Vandelli na direcção do Laboratório Químico em Janeiro de 1791, e foi nomeado Lente de Prima, proprietário da cadeira de Química e Metalurgia , ficando encarregado de elaborar o compêndio da cadeira, previsto nos Estatutos da Reforma da Universidade de Coimbra, de 1772, e que Vandelli nunca tinha elaborado.
Foi sócio da Academia das Ciências de Lisboa, Cavaleiro professo da Ordem de Cristo e deputado às Cortes Constituintes de 1821. Em 24 de Maio de 1828 foi nomeado vice-reitor da Universidade de Coimbra, não tendo chegado a aceitar o cargo por doença, morrendo um ano depois, em Setembro de 1829. (...)"
Mais informações em:
http://cvc.instituto-camoes.pt/ciencia/p17.html (fonte do texto em aspas e da imagem)
http://www.museudaciencia.pt/index.php?iAction=Coleccoes&iArea=3&iId=50
http://invasoesfrancesas.blogspot.com/2007/02/tom-rodrigues-sobral-1759-1829.html
http://dererummundi.blogspot.com/2008/07/o-batalho-acadmico-de-1808.html
Exposição "Presé-pios" patente no Museu do Ferro & da Região de Moncorvo
Foi inaugurada no passado sábado a exposição de autoria de João Pinto V. Costa, intitulada "Presé.pios". Esta mostra é composta por uma colecção de 16 peças de artesanato, utilizando vulgares pinhas de pinheiros, as quais são laboriosamente esculpidas pelo autor (por vezes com ajuda dos esquilos, uma vez que procura pinhas já roídas por estes simpáticos habitantes da floresta), no sentido de lhes dar a forma de pássaros. Estes são depois colocados nos mais diversos contextos - pombais, cabanais, ou simples ramos de árvore - mas sempre em conjunção familiar: casal + passarito (filho).
Por isso, desiluda-se quem espere encontrar aqui as figurações da Nossa Senhora, do S. José e do Menino Jesus. A Sagrada Família aqui é substituída por "sagradas famílias" de aves, uma ideia que decerto agradaria a S. Francisco de Assis (o autor do primeiro presépio), dado o seu amor à Natureza e aos diversos seres que a compõem, e a quem se referia como sendo nossos "irmãos", já que somos todos filhos do mesmo Criador.
Segundo João Pinto V. Costa, esta foi uma maneira de homenagear a Floresta (recorrendo às pinhas e ramos de árvore) e a Natureza em geral, em que os pássaros se incluem, mas também o Património Cultural, uma vez que há referência a alguns elementos etnográficos e arqueológicos nos contextos em que os pássaros são colocados. Aí aparecem, por exemplo, os pombais trasmontanos, o dólmen de S. Martinho de Anta (alusão a Miguel Torga), um marmoiral medieval que existe na sua terra (Alpendurada), os simples cabanais. Num tempo marcado pelo consumismo, que tem o seu apogeu na época natalícia, esta foi uma forma de utilizar elementos naturais (madeira, pinhas, casca de pinheiro, pedras de xisto, etc) que há (de borla) pelos nossos campos, para produzir estas esculturas altamente decorativas. Claro que há ali muito tempo gasto, mas, como diz o nosso povo, "o tempo dá-o Deus de graça", o que, neste caso, não será bem assim, pois João Pinto V. Costa é professor, tem também a sua vida familiar e, de vez em quando, é ainda colaborador deste nosso blogue.
Da parte do Museu do Ferro, foi referido que esta é uma exposição original, no que toca à sua colocação, pois a maior parte da colecção foi exposta na montra do museu (virada para o Largo do Dr. Balbino Rego), ficando assim patente 24 horas por dia. Todas as pessoas que passarem por este local serão "obrigadas" a ver a exposição. No entanto, será melhor entrarem (dentro do horário do museu), solicitarem o folheto explicativo e aproveitarem para visitarem a exposição permanente dedicada à temática do Ferro, ou ainda a exposição de Arqueologia e Património do concelho, que se encontra no Auditório.
Fica a proposta para esta quadra natalícia.
Quanto a esta exposição pode ainda ver, no Blogue "Flora de Brincadeiras":
http://florabrin.blogspot.com/2009/12/prese-pios-inauguracao-da-exposicao.html
http://florabrin.blogspot.com/2009/12/exposicao-de-prese-pios.html (neste link pode visionar uma excelente apresentação feita também pelo autor)
E do nosso correspondente do outro lado do Douro, de "tierras salmantinas", aqui fica também o registo em língua castelhana:
http://labodegadelasolana.blogspot.com/2009/12/presepios-los-otros-belenes.html
Texto e Fotos: N.Campos
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Presépios de antigamente...
Fotografia de um Presépio feito pelo Sr. Júlio "Sacristão", no interior da igreja matriz de Moncorvo (foto dos anos 70?, Arquivo particular - reprod. do Arquivo do PARM)A palavra "Presépio" vem do latim: "praesepium", que significa "manjedoura dos animais", ou, em sentido lato, o "estábulo" onde se encontra a manjedoura. Tudo isto porque, segundo a tradição, o Menino Jesus nasceu num estábulo, nos arredores de Belém, quando os seus pais, tiveram de deslocar a essa cidade da província romana da Judeia, a fim de se serem recenceados, como todos os judeus, em cumprimento de um édito do imperador Augusto.
Esse nascimento, que muitos séculos depois viria a ser considerado como o ano 1 da Era Cristã, na verdade terá acontecido antes, entre o ano 7 e o ano 4 antes de Cristo!
Quanto à representação desse momento tão especial e transcendente para os Cristãos, utilizando figurinhas esculpidas, de uma forma tridimensional, parece que tal só ocorreu em 1223, quando S. Francisco de Assis, imbuído de grande piedade cristã e fervor missionário, resolveu recriar a situação desse Nascimento, numa gruta dos arredores da cidade de Greccio (Itália), onde pregava. As figuras eram de barro, à escala natural, e a ideia era pedagógica: explicar aos camponeses da região (e atraí-los) as circunstâncias e as personagens do Acontecimento. Dado o sucesso, anualmente, por ocasião do Natal, as igrejas e catedrais, primeiro de Itália e depois do resto da Cristandade, passaram a fazer presépios nesta altura, certamente por iniciativa dos franciscanos, costume que foi seguido por reis e nobres nos seus palácios. Ver: W http://pt.wikipedia.org/wiki/Pres%C3%A9pio
O período áureo dos presépios de barro foi o Barroco (séc. XVIII), havendo barristas notáveis que fizeram presépios.
Passando para Torre de Moncorvo, dada a existência, nesta vila, desde o séc. XVI, de um convento franciscano, é bem provável que este costume se tenha introduzido, pelo menos, desde essa época (não conhecemos registos escritos tão antigos). Contudo, em tempos mais recentes, há quem bem se lembre dos presépios feitos pelo sr. Júlio Dias, mais conhecido pelo Sr. Júlio Sacristão (que era também o guarda da igreja, subvencionado pela Direcção Geral dos Monumentos Nacionais, depois IPPC), como bem nos recordou há dias o nosso amigo Carlos Ricardo (Camané), dizendo que até vinham pessoas de fora de Moncorvo para ver os famosos presépios do sr. Júlio. Neste "post" divulgamos uma foto que nos foi oferecida pelo Sr. Júlio, há mais de uma dúzia de anos, pelo que, apesar de desconhecermos a data, deverá remontar aos anos 70. Fica aqui o apelo a outras pessoas que possuam fotografias de presépios do S. Júlio, que no-las façam chegar que aqui as divulgaremos.
Aproveitamos para informar que os Presépios se continuam a fazer no interior da igreja, entre as escadas da porta do lado do alpendre e o altar do Santíssimo. Havia (e há) a cerimónia de se beijar o Menino, após a Missa do Galo.
Esta é uma boa ocasião para os moncorvenses recordarem e reviverem estas tradições e visitarem a nossa Igreja Matriz.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Exposição "Presé-pios"
É inaugurada no próximo dia 19 de Dezembro (sábado), pelas 15;30h, no Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, uma exposição intitulada "Presé-pios", de autoria de João Pinto Vieira Costa, professor de Português na Escola Camilo Castelo Branco (Vila Real) e artista nas horas vagas. Trata-se de uma maneira original de ver o Presépio, rompendo com os cânones convencionais.
Embora natural de Alpendurada (Marco de Canaveses), o Dr. João Pinto V. Costa é um amigo de Moncorvo, concelho que bem conhece por via do seu casamento com uma moncorvense de Sequeiros.
Esta mostra ficará patente até ao dia 6 de Janeiro.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Hoje o dia amanheceu com neve...
Fotos de N.Campos






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