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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Muros

Alguns MUROS caíram às primeiras palavras de ordem. Tinham tão tosca sustentabilidade, os princípios eram tão leves, os caboucos tão pouco profundos, tão mesquinhos e interesseiros que, aos primeiros encostos, tombaram. Outros, mais resistentes, não pela sua nobreza, mas pelo enraizamento nos longos dias de desertificação, iam deixando adivinhar translucidez, era como se um qualquer remorso lhe roesse na consciência e deixassem transparecer o desconforto sentido e a fazer adivinhar a sua queda para breve. Mas não se julgue que tombavam por magia, não! Gente de martelo e escopro em punho derrubava secções, abria fendas, trabalhava afincadamente para que isso acontecesse. Aos mais curiosos, era vê-los empoleirados a espreitar às janelas, às soleiras das portas, ansiosos de participar naquela caravela que velejava desgovernada. Muitos, seduzidos pelo canto da sereia, como que encantados, sem motu próprio, deixam engrampar-se pela corrente que tudo derruba. Na sede de vingança, a enxurrada tudo transportava: bons e maus, ricos e pobres. Nela boiavam cadeiras, bancos, raiva de séculos, quilos de impaciência, inconsciência, gritos de revolta.

" Na Intuição do Tempo" de António Sá Gué

O Grémio Literário Vila-realense apresentou, ontem, o recente romance Na Intuição do Tempo, de António Sá Gué. Num encontro quase familiar, o escritor, natural de Torre de Moncorvo e apresentado por António M. Pires Cabral, deu alguns acordes desta obra alegórica que termina nuns carris de esperança. Antes da sessão de autógrafos, esclareceu algumas questões colocadas pela assistência. Como curiosidade, soubemos que o pseudónimo de Sá Gué provém de alcunhas dos seus avós.

António Sá Gué e António M. Pires Cabral, escritores com fortes ligações a Torre de Moncorvo.

Festas da Amendoeira em Flor /Torre de Moncorvo - programa para Sábado:

(Clicar sobre o convite, para AMPLIAR)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Entrudo no Felgar #2

A complementar a mensagem anterior deixo aqui um apontamento da dança final.

Entrudo no Felgar - a dança satírica

Dança do Entrudo (ou dança satírica) do Felgar, talvez nos inícios dos anos 70 (foto gentilmente cedida por Agripino Paredes, a quem agradecemos) 
Realizou-se na passada terça-feira de Carnaval, a famosa Dança Satírica, ou dança do Entrudo do Felgar.
O Padre Joaquim Manuel Rebelo chama-lhe a "Marcha Cantada Entrançada" (cf. A Terra trasmontano-duriense, ed. CMTM/ACTM, 1995, pág. 16), embora também utilize a palavra "Dança" para descrever o cortejo que se organiza depois em roda, a que se segue uma representação com diálogos entre as personagens, que integram um "velho" e uma "velha", quatro moços e quatro "moças" (rapazes fazendo o papel de raparigas).
O Prof. Santos Júnior, por seu lado, no estudo que dedicou a esta dança/representação entende que a mesma não se enquadra muito na designação de "marcha", preferindo a designação de "dança satírica" (Santos Júnior e A.M. Mourinho, Coreografia popular trasmontana, ed. SPAE, 1980).Todavia, é ainda este autor quem regista que os felgarenses também conheciam esta tradição como a "dança do amor à terra", devido ao facto de o cortejo, noutros tempos, levar uma tabuleta com esse escrito.
Em artigo publicado em 22.02.2002 no Mensageiro de Bragança, Mendes Corvo chama-lhe apenas "Dança do Entrudo" do Felgar. No entanto, convenhamos que (pelo menos nas representações mais recentes) também há pouco de "dança", tratando-se mais uma dramatização. No cartaz que este ano anunciava o evento, diz-se apenas: "Carnaval [porque não Entrudo?] do Felgar" e em subtítulo: "Teatro de rua". 
A origem desta representação, como a de tantas tradições, perde-se na bruma do tempo. Esteve meia perdida, mas, graças ao empenho e bairrismo da juventude do Felgar, a mesma tem vindo a ser felizmente retomada desde há uns anos a esta parte.

A "marcha" encaminha-se para mais uma representação, neste caso no largo por detrás da Junta de Freguesia.
Mas demos a palavra aos Mestres:
"Nesta 'Dança' entravam o Velho e a Velha, o Garoto e quatro ou cinco pares, todos rapazes, mas alguns vestidos de raparigas. Só podiam entrar na 'Dança' rapazes. / O texto da 'Dança' (...) era extremamente crítico, grosseiro, sobretudo em relação às raparigas que durante o ano tinham tido deslizes de ordem moral. Mas a Junta de Freguesia e o Pároco também não escapavam a estas críticas, ou então louvores" - digamos que, neste aspecto, a tradição se mantém, tendo principiado a dança de 2010 com as habituais farpas às raparigas, através dos seus referentes em presença (rapazes vestidos de raparigas, com trajos já mais em consonância com os da actualidade: mini-saias, adereços garridos e cabeleiras de madeixas coloridas).
E ele foi um "fartar-vilanagem" de "bocas" que só os felgarenses entenderão, os que estão dentro dos assuntos, e em que não faltaram os reparos aos namoros com o pessoal barrageiro que anda lá para o Sabor. Diga-se que, noutros tempos, ainda segundo o Padre Rebelo, as "bocas" iam para as que preferiam os mineiros da Ferrominas e Minacorvo, com quadras como esta: "Raparigas do Felgar, / casai com nós cá da terra, / não queirais malta de fora / que nós temos melhor tempéra".
Ah, mas o Padre, o Presidente da Junta, a Câmara, a Comissão de Festas, agora como no Passado, também não escaparam!
Tanto Santos Júnior como o Padre Rebelo se referem aos ensaios, sempre feitos no maior segredo, cerca de um mês antes do Entrudo. Iam por isso para lugares esconsos, fora do povo, "às vezes num velho e arredio palheiro" (Santos Jr., obra citada), tal como especifica o Pe. Rebelo: "fazia-se em lugares escuros - Ribeiro dos Moinhos, Abrolhal, Eirinha, etc.". Este ano sabemos que foi lá para as bandas do Sabor, julgamos que em Silhades.

Organiza-se a "roda", ora girando num sentido, ora noutro.
O texto, normalmente em verso, era da lavra de um mais inspirado criador, com acrescentos de outros membros do grupo. Há uma Entrada, mais ou menos estereotipada, tal como o Encerramento, e, de permeio os diálogos alusivos às situações que se procuram "denunciar", criticar, satirizar, ou, mais raramente louvar. O objectivo é suscitar a hilaridade da assistência (acabando por se rir, por vezes, até os próprios "actores"). O personagem do "Velho" (de chapéu, capote coçado, algo mal vestido, com uma bota de vinho a tiracolo, um pau ferrado na mão com um chocalho na ponta), com um apito comanda as operações: conduz o cortejo, organiza a roda e convoca os "visados(as)" por interpostas pessoas para o meio da roda, onde se dá uma espécie de "tribunal popular" (no fundo a "vox populi").
Entretanto há uma personagem castiça que é a "Velha", vestida de preto como manda a regra, agarrada a uma bengala, com um lenço e xaile e de tal forma curvada que não se lhe vê a cara (é a personagem-enigma). Pega normalmente nas deixas do "velho" e lança mais achas para a fogueira, com comentários acintosos. Ao contrário do que afirma Santos Júnior e em concordância com o nosso amigo Dr. Carlos Seixas (ilustre felgarense que também já escreveu sobre esta Dança), a "velha" não é uma figura apagada no contexto da representação. Talvez Santos Júnior assim o entendesse porque a Velha não toma propriamente a iniciativa e espera pelas acusações para depois "botar mais lenha" para a fogueira, como se costuma dizer.  Tal foi o caso, nesta última Dança, em que se mencionou a rotunda com uma fonte, que está em construção à entrada do Felgar: "- Deve ser pra lá buberem os buuurros!" - dizia a Velha. Muitas das vezes não se percebe bem o que que Velha diz, surgindo as suas falas mais como remoques relativamente ao que se disse.
O "Velho" toma posição no centro da roda, enquanto a "Velha" deambula pela periferia - às bocas, claro!
Refere Santos Júnior que se escolhiam para esta iniciativa "rapazes desembaraçados no falar e destemidos, isto é, capazes de aguentar qualquer reacção às críticas que vão fazer (...). A reacção de temperamentos assomadiços tem originado zaragatas, que os oito dançantes têm de aguentar e de levar a melhor", embora conclua: "a cordura, no entanto tem sido a norma" - tal como agora. O "escudo de protecção" era o tal "amor à terra", pelo que se entendiam estas críticas como construtivas, ou destinadas a "corrigir" desvios, comportamentos, ou então as iniciativas em relação às quais havia/há (alguma) discordância popular. E, em jeito de defesa, lá vinham (como continuam a vir) as desculpas finais, no momento do encerramento, como registou o Padre Rebelo: "Pois nós vamos terminar / Mas antes de acabar, / pedimos perdão de tudo. / E pedimos pelas Almas / que nos deiam muitas palmas / E passem bem o Entrudo".
Logo ao início as "raparigas" vão sendo convocadas ao centro da roda, para a descompustura, tipo "julgamento", por parte dos moços e do Velho.
Sobre o significado desta "dança", como escrevemos algures, ela insere-se no período do Carnaval (o Carnis Valerium = adeus à carne), tempo em que, como se sabe, desde a Antiguidade, tudo era permitido durante três dias de excessos, em que os prazeres da carne não eram só gastronómicos (o Santo Entrudo da carne gorda - a "tchicha do reco") e se alargavam ao mundano, à licenciosidade, à permissão social, tempo de inversão social (em que as mulheres se vestiam de homens e os homens de mulheres), numa espécie de mundo às avessas, em que as críticas e as partidas são mais ou menos toleradas ("é Carnaval, ninguém leva a mal"). No caso do Felgar, noutros tempos, não era só a Dança do Entrudo (ou dança satírica) que se fazia. Como anotou o Padre Rebelo, nas semanas próximas do Carnaval havia o costume das "cacadas": "pequenos grupos, quase sempre de jovens (rapazes e raparigas), disfarçados, pela calada da noite, quando as pessoas ceavam, abriam os postigos das portas daquelas casas cujos moradores não lhes eram simpáticos, ou ferviam em pouca água, e despejavam no átrio 'restos de louças partidas, pedras, cascos de bois, latas, pedaços de cântaros de barro e, por vezes, outras coisas menos delicadas. / O barulho provocado pelo lançamento destas 'coisas' era grande e os moradores revoltados vinham à porta, mas a escuridão da noite quase nunca lhes permitia conhecer e menos apanhar os prevaricadores". 

Continuam os "julgamentos", com muito povo ao redor e alguns fotógrafos e etnógrafos atentos.
Mas não era só: o Professor Adriano Vasco Rodrigues (que, como se sabe, casou no Felgar com a Srª. Drª. Maria da Assunção Carqueja), na monografia do Felgar publicada em parceria com sua esposa (em 2006), fala ainda do correr o Entrudo nesta aldeia, em que se punham dois rapazes nos extremos da povoação, proclamando, com auxílio de dois grandes búzios (para ampliarem a voz), o que se tinha passado ao longo do ano. Faziam ainda o Enterro do Entrudo, queimando um boneco de palha que previamente deitavam numa padiola, sendo levado numa espécie de funeral (tal como se fazia noutras aldeias trasmontanas). Quando o boneco de Entrudo era queimado, acabava o Carnaval e dava-se início ao período da Quaresma (Maria da Assunção Carqueja Rodrigues e Adriano Vasco Rodrigues, Felgar, 2006, pág. 172.).
Ui!, este é o momento em que os homens do povo atacam as instituições - nem Junta, nem Câmara, nem padre escapam!
Citando Mendes Corvo: "tal como nas antigas Festas dos Loucos medievais, cujas raízes se situam no período romano e, quiçá antes, o corpo social comprazia-se (ou avespinhava-se) nesta subversão, que seria como que uma manifestação do seu lado negro. O Carnaval corresponde, assim, a um momento de catarse colectiva, na transição do Inverno para a regeneração da Primavera que se aproxima. Um parto que não se faz sem a dor da Quaresma. / Função análoga à sátira carnavalesca do Felgar tinham as loas, colóquios, comédias, e, de certa forma, as serrações da Velha [sempre a Velha!...]. Para além do escapismo social, há nisto, por outro lado, uma associação cosmogónica decorrente dos ciclos do ano (expulsão do Inverno = Velho/Velha) e reordenação das forças do mundo [em que pontua a Juventude, não sendo por acaso que a Dança do Felgar é também um rito de iniciação da Juventude, com os seus desvarios, que os Velhos procuram corrigir e orientar, pela Crítica - o velho mundo e o mundo novo]. - São tudo velhas tradições que estiveram associadas a um modo de vida ancestral, hoje em vias de extinção. / Independentemente do fim de ciclo que deu sentido a estas manifestações, num tempo em que a televisão apareceu para exercer esse papel laudatório ou de pelourinho de uma sociedade mais alargada, urge preservar estas tradições como pergaminhos e penhor dos valores 'identitários' da 'aldeia real'."
Por isso faço minhas as palavras de M. Corvo, dando os meus parabéns à Juventude do Felgar, fazendo votos para que continuem e não deixem nunca morrer estas coisas - pelo Amor à Terra!
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Em tempo: para além dos textos citados, acrescente-se o excelente artigo de Carlos Seixas, intitulado "Felgar - As folias do Entrudo", in Terra Quente, 15.02.1998, que entretanto o autor nos entregou e a quem muito agradecemos. A par do trabalho de Santos Júnior é o registo mais completo que conhecemos sobre este costume felgarense. Porque não compilar estes estudos numa brochura? - fica o repto.
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Nota: pedimos as devidas desculpas pela extensão deste "post", mas julgamos que se impunha uma análise e uma interpretação um pouco mais alargada desta tradição, se bem que pessoal (fica aberta a discussão).

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010


terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Exposição "O Ciclo da Amêndoa" - até 14 de Março

Em rigor a exposição começa a vislumbrar-se cá fora, nos jardins do Museu: uma amendoeira mais adiantada começando a florescer...
Aspecto geral da Exposição: fotografias e alguns objectos associados ao "ciclo da amêndoa".

Grupo de visitantes confraternizando...

Exposição "O Ciclo da Amêndoa" - vista geral, no auditório do Museu

Partindo amêndoas - os mais velhos explicam aos mais novos.
A Exposição pode ser visitada até ao dia 14 de Março.
Entrada livre!

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Cartas de Amor de outros tempos

Quando ainda não havia Dia de S. Valentim, as declarações eram assim:


Carta de um soldado, natural de Mós (concelho de Torre de Moncorvo), dirigida à sua amada - cópia efectuada pelo próprio, escrita num caderninho, onde se lê, em título: "Carta a pedir namoro", sendo datada do Porto, em 31 de Janeiro de 1949: «Menina F... / Em primeiro lugar faço votos para que estas minhas duas letrinhas / a possam encontrara a gozar uma perfeita saúde, que eu / ao descrever-lhe o meu amôr que sinto pela / menina, fico bom felizmente. / Menina, desde o primeiro dia em que tive a suprema felicidade de a poder apreciar, fiquei um pouco emprecionado / e não pude dirigir-lhe uma pequena frase, / para que meu coração ficasse mais um pouco calmo / Mas enfim como hoje acorda-se com um coração / em sobre-saltos, fui obrigado a declarar-lhe o meu amor / que pela sua pessoa sinto. A menina para mim foi a mulher mais bela, que / desde o meu nascimento pude apreciar com a minha visão. Linda todo o seu corpo me pareceu um fenómeno. Esses seus olhos lindos pareceram-me duas pedras / preciosas imaginárias, seus cabêlos como o ouro e a sua face rosada, enfim não posso / descrever-lhe como você seja bela e formosas. Bem sei que a minha dignidade / como homem não se compara com a da menina, mas enfim desculpe-me de eu lhe dirigir esta simples carta, pois foi só simplesmente para lhe declarar o amôr que por / si sinto. Pois de si espero uma pequena resposta à minha declaração, e espero que ela me venha a agradar; e para isto basta dizerme que me declara amôr. / Sem mais passo a pedir-lhe desculpa pela ousadia que tive em lha escrever. Estimo que tenha / saúde e felicidade, sou este que me assino, [...]


O caderno contém ainda os poemas que vão acima e outros escritos, tudo supostamente dos anos 40 ou inícios de 50, pertencente a um mózeiro, hoje octogenário.
Os nossos agradecimentos ao Autor, pela cedência e autorização de publicação, e ao nosso amigo Luís Lopes, também mózeiro, pela sua recolha e cedência para o Blogue.

Felgar - Carnaval 2010




Na próxima terça-feira cumpre-se a tradição.

Venha assistir.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Exposição no Museu - inauguração é hoje à tarde, não se esqueça!


(clicar sobre o Cartaz, para AMPLIAR)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Cartaz das festividades da Amendoeira em Flor, em Torre de Moncorvo


Embora já aqui tenha sido postado o programa das festas da Amendoeira em Flor do nosso concelho, aqui fica, de novo, sob a forma de Cartaz (clicar sobre a imagem, para a Ampliar).

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Exposição "O ciclo da Amêndoa", no Museu do Ferro


(clicar sobre o Convite, para Ampliar)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

À procura da Luz

Para que o Daniel de Sousa não se encontre sozinho na inquietude poética, belíssima,diga-se de passagem, aqui vai uma banalidade angustiada do Pedro Castelhano


À procura da Luz

Aqui, nas costas brancas do silêncio, escrevo-te
em surdina, não vá o silêncio acordar.

Aqui, entre trevas tristes e mágoas
de pássaro sem abrigo, mas de asa aberta
à luz, escrevo-te pela ínfima vez. Como
se esperasse o apodrecer da semente e
a ameaça serena da flor.

Aqui, neste espaço
sem medida, com a memória prisioneira,
escrevo-te, com todos os sentidos adormecidos.

Nas masmorras da Palavra, apesar de tudo,
há uma sílaba que brilha como se fora
pão e luz, como se fora véu e mãe.

Aqui, ignora Deus para te conheceres melhor.
Alerta a festa para haver um entardecer mais longo.

Aqui, donde te escrevo sem saber de onde,
pega na mão e filtra as carícias como
filamentos frágeis de tão eternos que
nos conduzem até à suprema arte
do silêncio. Afaga a mão como borboleta
antes da morte ou cisne anunciando
Mozart. A beleza é esse instante
roubado ao Tempo.

Aqui, sem espaço
nem memória, escrevo-te, como
se um foco de luz penetrasse na cegueira
e dispensássemos os deuses de saber quem somos.

Pedro Castelhano


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Programa da Amendoeira em Flor - Torre de Moncorvo 2010

12 DE FEVEREIRO – SEXTA-FEIRA

- 14.00h - Corso de Carnaval, pelo agrupamento de escolas do concelho de Torre de Moncorvo

13 DE FEVEREIRO - SÁBADO

15;30h - inauguração da Exposição O ciclo da Amêndoa, no auditório do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo

16 DE FEVEREIRO – TERÇA-FEIRA (CARNAVAL)

- 15.00h - Actuação de José Alberto e sua banda, na praça Francisco Meireles

20 DE FEVEREIRO – SÁBADO

- 12.00h - Abertura da XXIV Feira de Artesanato de Torre de Moncorvo

Actuação da Banda Filarmónica de Felgar, no Largo da Corredoura

- 15.00h - Actuação da Banda Filarmónica de Felgar, na praça Francisco Meireles

- 15.00h - Inauguração da Exposição de Desenho e Pintura de Gomes da Rocha Sem Escola nem Escala”, no Centro de Memória de Torre de Moncorvo

- 16.00h - Apresentação do livro ”Na intuição do tempo de António Sá Gué

Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo

- XV Aniversário do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo Entrada gratuita a todos os visitantes, Museu do Ferro e da Região de Moncorvo

- 22.00h - Actuação de TAYTI, no Largo da Corredoura

21 DE FEVEREIRO – DOMINGO

- 15.00h - Actuação de David Caetano, Largo da Corredoura

27 DE FEVEREIRO – SÁBADO

- 22.00h - Espectáculo Cantigas do Festival, Largo da Corredoura

Actuação dos MYULA, Largo da Corredoura

28 DE FEVEREIRO – DOMINGO

- 15.00h - Actuação da Banda Filarmónica de Carviçais, Largo da Corredoura

- 18.00h - Encerramento da XXIII Feira de Artesanato de Torre de Moncorvo, Largo da Corredoura

4 DE MARÇO – QUINTA-FEIRA

- 15.00h - Abertura da VII Feira dos Produtos da Terra e Stocks, Largo da Corredoura

- 17.30h - Inauguração da VII Feira dos Produtos da Terra e Stocks, Largo da Corredoura

- 22.00h - Actuação de QUIM BARREIROS, Largo da Corredoura

5 DE MARÇO – SEXTA-FEIRA

- 22.00h - Actuação de MYULA, Largo da Corredoura

6 DE MARÇO – SÁBADO

- 22.00h - Actuação de PYROPLASTOS e DUFF, Largo da Corredoura

7 DE MARÇO – DOMINGO

- 16.00h - Actuação de BRUNO CORDEIRO, largo da Corredoura

- 18.00h - Encerramento da VII Feira de Produtos da Terra e Stocks, Largo da Corredoura

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

ICONOGRAFIA REPUBLICANA



Curioso rótulo de vinho do Porto, Quinta do Sabor, de Manuel Joaquim Pinto [estabelecido em Vila Nova de Gaia desde 1889, com armazéns de vinho do Porto, M.J.P. compra propriedades vinícolas no Douro (1898) e na Foz do Sabor estabelece a sede da sua actividade]. - J.M.M.
No blogue "Bernardino Machado" faz-se referência à preocupação deste ilustre republicano (que por duas vezes viria a ser Presidente da República, em 1915-1917 e 1925-1926), sobre a questão vitivinícola: "Para Bernardino Machado o problema vitícola nacional esteve sempre presente, quer no governo de 1893, quer durante a República. No Congresso Vitícola Nacional, realizado em Fevereiro de 1895, proferiu um discurso que reproduzimos do folheto "Os Vinhos Portugueses" [segue-se edição do discurso em fac-símile - ver o blogue citado, clicando sobre o seguinte endereço electrónico:

http://manuel-bernardinomachado.blogspot.com/2010/02/bernardino-machado-e-viticultura.html )

Municípios do Douro vão investir 119 milhões de euros até 2013

Rio Douro, visto do termo de Sequeiros (foto de João Pinto V. Costa)
«Os 19 municípios que integram a Comunidade Intermunicipal do Douro (CIMDOURO) vão investir 119 milhões de euros até 2013 na construção de pólos escolares, requalificação urbana e estradas municipais, zonas empresariais, modernização tecnológica e ambiente.

“O objectivo é ter o Douro a uma só velocidade. O desenvolvimento passa pela coesão social e territorial”, afirmou hoje o presidente da CIMDOURO e da Câmara de Alijó, Artur Cascarejo.

A CIMDOURO está a gerir o Programa Territorial de Desenvolvimento do Douro que prevê, até 2013, um investimento na ordem dos 119 milhões de euros em projectos municipais, para os quais já dispõem de uma verba assegurada de 83,1 milhões de euros de cofinanciamento FEDER. Os primeiros contratos de financiamento foram assinados hoje no Peso da Régua, envolvendo uma verba de 8,4 milhões de euros e uma comparticipação comunitária de 5,9 milhões de euros.

Estes contratos correspondem às candidaturas a apresentadas pelos concelhos de Torre de Moncorvo e Santa Marta de Penaguião para a construção e requalificação de áreas de acolhimento empresarial e pelos municípios de Armamar, Freixo de Espada à Cinta, Lamego, Mesão Frio, Penedono, Régua, Sabrosa, Tabuaço, Torre de Moncorvo e Vila Real para a requalificação e beneficiação da malha viária municipal».

da Agência Lusa, 8.02.2010, in jornal "i", - para ver notícia completa: http://www.ionline.pt/conteudo/45800-municipios-do-douro-vao-investir-119-milhoes-euros-ate-2013

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Mãe

Pedindo desculpa por certo intimismo, ofereço este soneto a todas as Mães moncorvenses, evocando a minha própria Mãe que era natural de Castelo Melhor e certamente viu muitas vezes florir as amendoeiras nesta altura do ano.


o teu rosto pertence a estes montes,
a tua voz colhe do rio e nele flui o percurso
da memória, tal o mundo, tal o discurso
que em mim te nomeia, como se fossem pontes

do passado para o meu peito, agora mais cansado,
mais lento o gesto, mais suave a mão
vem tudo de ti e eu não sabia, tudo repete o que não
pude dizer-te junto de ti tocando-te o cabelo, sentado

vê agora comigo estes campos – a luz da alva
sobre a névoa descobre os ramos floridos
da amendoeira, é já manhã e os cheiros crescem

húmidos da terra, num antiquíssimo rumor
que só agora desvendo nos teus braços doridos
como se fossem os meus próprios braços que renascem


8 de Fevereiro de 2010

Linha do Douro - alternativas para visita às amendoeiras em flor

Como foi amplamente noticiado, as derrocadas que se verificaram na Linha do Douro, por altura do Natal, a montante da estação do Tua, motivaram amplos trabalhos de recuperação da mesma linha. No entanto, devido ao dilatado prazo que inicialmente foi adiantado pela CP, chegou a temer-se que isto seria um pretexto para o encerramento da linha entre S. Mamede do Tua e o Pocinho. Entretanto a Refer/CP vieram a garantir que a linha não seria encerrada no que respeita ao troço referido (ao menos para já, diremos nós...), esperando-se a sua reparação e reabertura até ao final de Março - ver:

http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1485121&seccao=Norte

Os percursos alternativos para os utentes da nossa região (passageiros com destino ao Pocinho), têm-se feito por transporte rodoviário (autocarro e táxis) a partir da estação do Tua, com uma grande volta por Carrazeda de Ansiães, num itinerário que em alguns casos chega a mais de 100 km, quando por via férrea seriam apenas 30 km, equivalentes a 40 minutos. Daqui o natural prejuízo para os utentes da nossa região.

Por esta altura, como é sabido, muitos turistas que vêm ver as amendoeiras em flor fazem-no por via ferroviária, o que poderia prejudicar o afluxo turístico e o comércio local/regional. No sentido de minimizar o problema, a CP vem anunciar as alternativas para os visitantes interessados, e que aqui reproduzimos, com a devida vénia do Jornal de Notícias (de 2010-02-03):

«Comboios especiais
Fonte oficial da CP adiantou ontem, ao JN, que a empresa vai realizar o programa da Rota das Amendoeiras "entre os dias 27 Fevereiro e 27 Março".
Revelou que "está prevista a realização de cinco comboios especiais no percurso Porto - Tua, e volta", e acrescentou ainda que, devido às restrições à circulação na Linha do Douro, "teve de ser suspensa a Rota B". Este percurso incluía os concelhos de Vila Nova de Foz Côa, Meda, Penedono e Trancoso.
As outras duas Rotas seguidas habitualmente pela empresa mantêm-se, mas começam na estação de Foz-Tua e, como tal, tornam obrigatória a passagem pelo concelho de Carrazeda de Ansiães. A Rota A inclui ainda os municípios de Torre de Moncorvo, Freixo de Espada à Cinta, Figueira de Castelo Rodrigo e Vila Nova de Foz Côa. A Rota C passa, para além de Moncorvo, por Alfandega da Fé e Mogadouro.
"É um pequeno acréscimo no percurso rodoviário que habitualmente se efectua e é a novidade de 2010", notou a fonte da CP.
Entretanto, a Refer definiu ontem o final de Março como a altura previsível para reabrir o troço Tua-Pocinho à circulação de comboios».

Para ler a notícia completa: http://jn.sapo.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Bragan%E7a&Concelho=Carrazeda%20de%20Ansi%E3es&Option=Interior&content_id=1485082

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Vêm aí as amendoeiras em flor!

Há sempre uma que chega mais cedo...

Ainda por cima amarga - ou talvez por isso...

Árvore-andorinha que anuncias a Primavera...

Apesar do céu plúmbeo, a esperança de dias risonhos...

Flor de amendoeira, a nossa sakura

que nenhum poeta ainda cantou devidamente...

Fotos e txt.: N.Campos

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Jornalista dá volta a Portugal (a pé!) e passa por Moncorvo


PORTUGAL A PÉ (PORTUGAL ON FOOT)


O jornalista Nuno Ferreira (ex-"Expresso", ex-"Público"), iniciou em final de Fevereiro, em Sagres, uma travessia de Portugal a pé. Entretanto iniciou um blogue que inclui alguns vídeos e crónicas desta viagem (ainda em curso), bem como várias crónicas que escreveu e foram publicadas na revista "Única". O seu "diário de viagem" pode ver-se no seguinte endereço:


http://networkedblogs.com/p26542669


Daí retirámos este apontamento sobre o Sr. António Poço, comerciante e artesão nas horas vagas, autor de belos trabalhos em madeira expostos na sua loja, sita na rua Manuel Seixas:

«Quando o comerciante, ex-lavrador, ex-operário fabril e artesão António "Farinhas", aliás António Poço, 75 anos, chegou a Torre de Moncorvo vindo de Vale da Madre, Mogadouro, na vila existiam muitos pobres e meia dúzia de proprietários rurais. "Vim em 1961 para trabalhar no depósito de farinhas das Moagens de Bragança. Em relação a Mogadouro, Moncorvo era uma cidade autêntica. Havia meia dúzia de ricos, donos das quintas. Os pobres emigraram. Os pobres enriqueceram, compraram prédios, os ricos ficaram na mesma. Agora, até os que emigraram estão mais pobres porque querem vender os prédios e não conseguem".
António, que vende artesanato juntamente com frutas e legumes junto da Igreja, nunca emigrou mas viu muitos "compadres" partirem para a França. "Agora andam cá e lá, têm lá os filhos, vão e vêm nessas carrinhas que os levam até lá. As estradas são boas".
As mãos de António, essas, nunca pararam. Primeiro no campo, em Mogadouro, depois na moagem, mais tarde no artesanato, até hoje. "Esses carros com os bois que faço em madeira são a cópia dos carros com que trabalhava em Mogadouro. A careja e o feno eram levados em molhes nesses aí. Nos carros dos cestos ía já o pão..."» - PUBLICADA POR NUNO FERREIRA EM 7:00H, QUARTA-FEIRA, 3.02.2010

Neste mesmo blogue pode ainda encontrar outros aspectos interessantes sobre a nossa terra (fotos e notas escritas), sobre a nossa terra.

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