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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Revista "Campos Monteiro", nº 4 - lançamento no Porto

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terça-feira, 10 de novembro de 2009

Recolha de rochas

Esta colheita de cogumelos fez-me recordar uma outra, mas de pedaços de rochas para colocarmos num determinado tabuleiro e depois aprendermos a classificar.

Foi o Dr. Ramiro quem ordenou a recolha, porque a turma era "bem mandadinha", miúdos e miúdas não só da vila, mas de uma dúzia de aldeias em redor, muito aplicados, atiladinhos, etc. etc.

O Dr. Ramiro gostava mesmo da turma e queria que fizéssemos um brilharete no dia em que o Sr. Inspector vinha inspeccionar o Colégio.

No Domingo que se seguiu, na vila e em muitas aldeias, só se via a miudagem de martelo na mão, à cata de encontrar uma pedra fora do vulgar. Eu e mais duas colegas andámos pelas rochas recém-cortadas do que viria a ser o campo da bola de S. Paulo. Tinham uns veios oblíquos com umas cores ocre, vermelho, castanho que achámos uma beleza.

Os cachopos das aldeias todos trouxeram o seu pedaço de rocha. Só um rapaz se esqueceu completamente. Prometeu trazer no dia seguinte.

Então colocámos as pedras no dito tabuleiro, em cima de um papel em que havíamos escrito o nosso nome, o local onde a pedra fora encontrada, a data, e em seguida tínhamos de observar muito bem, cheirar, riscar com a unha, raspar, etc. etc.

Na aula seguinte, o aluno-cabeça-no-ar voltou a esquecer-se . O Dr. Ramiro, muito zangado, ameaçou que o não deixava entrar se não trouxesse o diabo da pedra. Nós todos, debruçados sobre os calhaus, bem cheirávamos, raspávamos, até provávamos para começar a classificar , mas só com a ajuda do professor é que íamos acertando. Repetimos várias vezes e já sabíamos a cantilena de cor e salteada. Podia vir o Sr. Inspector.

E na aula pré-concertada lá estava ele. Entrámos, mas o aluno-cabeça-de-alho-chocho que, mais uma vez se esquecera da pedra, nem se atreveu a entrar. Deu meia volta a correr, regressou uns instantes depois com um paralelipípedo nas mãos que depositou em cima da secretária.

O Dr. Ramiro perdeu a fala de tão furioso que ficou ! Pegou no paralelipípedo, dirigiu-se à janela e zás , atirou-o à rua. O estrondo que fez foi enorme. Uma coisa estranha, de meter medo ! A miudagem estava em pânico, o inspector e o Dr. Ramiro espreitaram ... O pedregulho tinha caído no tejadilho do carro do Sr.Inspector.

E quereis saber quem era o aluno-cabeça-no-ar? Quem havia de ser ? O Urgel Guerra.

Uma jóia de moço que já não está entre nós. Mas ainda ríamos à gargalhada quando, em Mogadouro, recordávamos esse episódio.

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