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sábado, 13 de fevereiro de 2010

Exposição no Museu - inauguração é hoje à tarde, não se esqueça!


(clicar sobre o Cartaz, para AMPLIAR)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Cartaz das festividades da Amendoeira em Flor, em Torre de Moncorvo


Embora já aqui tenha sido postado o programa das festas da Amendoeira em Flor do nosso concelho, aqui fica, de novo, sob a forma de Cartaz (clicar sobre a imagem, para a Ampliar).

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Exposição "O ciclo da Amêndoa", no Museu do Ferro


(clicar sobre o Convite, para Ampliar)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

À procura da Luz

Para que o Daniel de Sousa não se encontre sozinho na inquietude poética, belíssima,diga-se de passagem, aqui vai uma banalidade angustiada do Pedro Castelhano


À procura da Luz

Aqui, nas costas brancas do silêncio, escrevo-te
em surdina, não vá o silêncio acordar.

Aqui, entre trevas tristes e mágoas
de pássaro sem abrigo, mas de asa aberta
à luz, escrevo-te pela ínfima vez. Como
se esperasse o apodrecer da semente e
a ameaça serena da flor.

Aqui, neste espaço
sem medida, com a memória prisioneira,
escrevo-te, com todos os sentidos adormecidos.

Nas masmorras da Palavra, apesar de tudo,
há uma sílaba que brilha como se fora
pão e luz, como se fora véu e mãe.

Aqui, ignora Deus para te conheceres melhor.
Alerta a festa para haver um entardecer mais longo.

Aqui, donde te escrevo sem saber de onde,
pega na mão e filtra as carícias como
filamentos frágeis de tão eternos que
nos conduzem até à suprema arte
do silêncio. Afaga a mão como borboleta
antes da morte ou cisne anunciando
Mozart. A beleza é esse instante
roubado ao Tempo.

Aqui, sem espaço
nem memória, escrevo-te, como
se um foco de luz penetrasse na cegueira
e dispensássemos os deuses de saber quem somos.

Pedro Castelhano


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Programa da Amendoeira em Flor - Torre de Moncorvo 2010

12 DE FEVEREIRO – SEXTA-FEIRA

- 14.00h - Corso de Carnaval, pelo agrupamento de escolas do concelho de Torre de Moncorvo

13 DE FEVEREIRO - SÁBADO

15;30h - inauguração da Exposição O ciclo da Amêndoa, no auditório do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo

16 DE FEVEREIRO – TERÇA-FEIRA (CARNAVAL)

- 15.00h - Actuação de José Alberto e sua banda, na praça Francisco Meireles

20 DE FEVEREIRO – SÁBADO

- 12.00h - Abertura da XXIV Feira de Artesanato de Torre de Moncorvo

Actuação da Banda Filarmónica de Felgar, no Largo da Corredoura

- 15.00h - Actuação da Banda Filarmónica de Felgar, na praça Francisco Meireles

- 15.00h - Inauguração da Exposição de Desenho e Pintura de Gomes da Rocha Sem Escola nem Escala”, no Centro de Memória de Torre de Moncorvo

- 16.00h - Apresentação do livro ”Na intuição do tempo de António Sá Gué

Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo

- XV Aniversário do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo Entrada gratuita a todos os visitantes, Museu do Ferro e da Região de Moncorvo

- 22.00h - Actuação de TAYTI, no Largo da Corredoura

21 DE FEVEREIRO – DOMINGO

- 15.00h - Actuação de David Caetano, Largo da Corredoura

27 DE FEVEREIRO – SÁBADO

- 22.00h - Espectáculo Cantigas do Festival, Largo da Corredoura

Actuação dos MYULA, Largo da Corredoura

28 DE FEVEREIRO – DOMINGO

- 15.00h - Actuação da Banda Filarmónica de Carviçais, Largo da Corredoura

- 18.00h - Encerramento da XXIII Feira de Artesanato de Torre de Moncorvo, Largo da Corredoura

4 DE MARÇO – QUINTA-FEIRA

- 15.00h - Abertura da VII Feira dos Produtos da Terra e Stocks, Largo da Corredoura

- 17.30h - Inauguração da VII Feira dos Produtos da Terra e Stocks, Largo da Corredoura

- 22.00h - Actuação de QUIM BARREIROS, Largo da Corredoura

5 DE MARÇO – SEXTA-FEIRA

- 22.00h - Actuação de MYULA, Largo da Corredoura

6 DE MARÇO – SÁBADO

- 22.00h - Actuação de PYROPLASTOS e DUFF, Largo da Corredoura

7 DE MARÇO – DOMINGO

- 16.00h - Actuação de BRUNO CORDEIRO, largo da Corredoura

- 18.00h - Encerramento da VII Feira de Produtos da Terra e Stocks, Largo da Corredoura

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

ICONOGRAFIA REPUBLICANA



Curioso rótulo de vinho do Porto, Quinta do Sabor, de Manuel Joaquim Pinto [estabelecido em Vila Nova de Gaia desde 1889, com armazéns de vinho do Porto, M.J.P. compra propriedades vinícolas no Douro (1898) e na Foz do Sabor estabelece a sede da sua actividade]. - J.M.M.
No blogue "Bernardino Machado" faz-se referência à preocupação deste ilustre republicano (que por duas vezes viria a ser Presidente da República, em 1915-1917 e 1925-1926), sobre a questão vitivinícola: "Para Bernardino Machado o problema vitícola nacional esteve sempre presente, quer no governo de 1893, quer durante a República. No Congresso Vitícola Nacional, realizado em Fevereiro de 1895, proferiu um discurso que reproduzimos do folheto "Os Vinhos Portugueses" [segue-se edição do discurso em fac-símile - ver o blogue citado, clicando sobre o seguinte endereço electrónico:

http://manuel-bernardinomachado.blogspot.com/2010/02/bernardino-machado-e-viticultura.html )

Municípios do Douro vão investir 119 milhões de euros até 2013

Rio Douro, visto do termo de Sequeiros (foto de João Pinto V. Costa)
«Os 19 municípios que integram a Comunidade Intermunicipal do Douro (CIMDOURO) vão investir 119 milhões de euros até 2013 na construção de pólos escolares, requalificação urbana e estradas municipais, zonas empresariais, modernização tecnológica e ambiente.

“O objectivo é ter o Douro a uma só velocidade. O desenvolvimento passa pela coesão social e territorial”, afirmou hoje o presidente da CIMDOURO e da Câmara de Alijó, Artur Cascarejo.

A CIMDOURO está a gerir o Programa Territorial de Desenvolvimento do Douro que prevê, até 2013, um investimento na ordem dos 119 milhões de euros em projectos municipais, para os quais já dispõem de uma verba assegurada de 83,1 milhões de euros de cofinanciamento FEDER. Os primeiros contratos de financiamento foram assinados hoje no Peso da Régua, envolvendo uma verba de 8,4 milhões de euros e uma comparticipação comunitária de 5,9 milhões de euros.

Estes contratos correspondem às candidaturas a apresentadas pelos concelhos de Torre de Moncorvo e Santa Marta de Penaguião para a construção e requalificação de áreas de acolhimento empresarial e pelos municípios de Armamar, Freixo de Espada à Cinta, Lamego, Mesão Frio, Penedono, Régua, Sabrosa, Tabuaço, Torre de Moncorvo e Vila Real para a requalificação e beneficiação da malha viária municipal».

da Agência Lusa, 8.02.2010, in jornal "i", - para ver notícia completa: http://www.ionline.pt/conteudo/45800-municipios-do-douro-vao-investir-119-milhoes-euros-ate-2013

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Mãe

Pedindo desculpa por certo intimismo, ofereço este soneto a todas as Mães moncorvenses, evocando a minha própria Mãe que era natural de Castelo Melhor e certamente viu muitas vezes florir as amendoeiras nesta altura do ano.


o teu rosto pertence a estes montes,
a tua voz colhe do rio e nele flui o percurso
da memória, tal o mundo, tal o discurso
que em mim te nomeia, como se fossem pontes

do passado para o meu peito, agora mais cansado,
mais lento o gesto, mais suave a mão
vem tudo de ti e eu não sabia, tudo repete o que não
pude dizer-te junto de ti tocando-te o cabelo, sentado

vê agora comigo estes campos – a luz da alva
sobre a névoa descobre os ramos floridos
da amendoeira, é já manhã e os cheiros crescem

húmidos da terra, num antiquíssimo rumor
que só agora desvendo nos teus braços doridos
como se fossem os meus próprios braços que renascem


8 de Fevereiro de 2010

Linha do Douro - alternativas para visita às amendoeiras em flor

Como foi amplamente noticiado, as derrocadas que se verificaram na Linha do Douro, por altura do Natal, a montante da estação do Tua, motivaram amplos trabalhos de recuperação da mesma linha. No entanto, devido ao dilatado prazo que inicialmente foi adiantado pela CP, chegou a temer-se que isto seria um pretexto para o encerramento da linha entre S. Mamede do Tua e o Pocinho. Entretanto a Refer/CP vieram a garantir que a linha não seria encerrada no que respeita ao troço referido (ao menos para já, diremos nós...), esperando-se a sua reparação e reabertura até ao final de Março - ver:

http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1485121&seccao=Norte

Os percursos alternativos para os utentes da nossa região (passageiros com destino ao Pocinho), têm-se feito por transporte rodoviário (autocarro e táxis) a partir da estação do Tua, com uma grande volta por Carrazeda de Ansiães, num itinerário que em alguns casos chega a mais de 100 km, quando por via férrea seriam apenas 30 km, equivalentes a 40 minutos. Daqui o natural prejuízo para os utentes da nossa região.

Por esta altura, como é sabido, muitos turistas que vêm ver as amendoeiras em flor fazem-no por via ferroviária, o que poderia prejudicar o afluxo turístico e o comércio local/regional. No sentido de minimizar o problema, a CP vem anunciar as alternativas para os visitantes interessados, e que aqui reproduzimos, com a devida vénia do Jornal de Notícias (de 2010-02-03):

«Comboios especiais
Fonte oficial da CP adiantou ontem, ao JN, que a empresa vai realizar o programa da Rota das Amendoeiras "entre os dias 27 Fevereiro e 27 Março".
Revelou que "está prevista a realização de cinco comboios especiais no percurso Porto - Tua, e volta", e acrescentou ainda que, devido às restrições à circulação na Linha do Douro, "teve de ser suspensa a Rota B". Este percurso incluía os concelhos de Vila Nova de Foz Côa, Meda, Penedono e Trancoso.
As outras duas Rotas seguidas habitualmente pela empresa mantêm-se, mas começam na estação de Foz-Tua e, como tal, tornam obrigatória a passagem pelo concelho de Carrazeda de Ansiães. A Rota A inclui ainda os municípios de Torre de Moncorvo, Freixo de Espada à Cinta, Figueira de Castelo Rodrigo e Vila Nova de Foz Côa. A Rota C passa, para além de Moncorvo, por Alfandega da Fé e Mogadouro.
"É um pequeno acréscimo no percurso rodoviário que habitualmente se efectua e é a novidade de 2010", notou a fonte da CP.
Entretanto, a Refer definiu ontem o final de Março como a altura previsível para reabrir o troço Tua-Pocinho à circulação de comboios».

Para ler a notícia completa: http://jn.sapo.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Bragan%E7a&Concelho=Carrazeda%20de%20Ansi%E3es&Option=Interior&content_id=1485082

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Vêm aí as amendoeiras em flor!

Há sempre uma que chega mais cedo...

Ainda por cima amarga - ou talvez por isso...

Árvore-andorinha que anuncias a Primavera...

Apesar do céu plúmbeo, a esperança de dias risonhos...

Flor de amendoeira, a nossa sakura

que nenhum poeta ainda cantou devidamente...

Fotos e txt.: N.Campos

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Jornalista dá volta a Portugal (a pé!) e passa por Moncorvo


PORTUGAL A PÉ (PORTUGAL ON FOOT)


O jornalista Nuno Ferreira (ex-"Expresso", ex-"Público"), iniciou em final de Fevereiro, em Sagres, uma travessia de Portugal a pé. Entretanto iniciou um blogue que inclui alguns vídeos e crónicas desta viagem (ainda em curso), bem como várias crónicas que escreveu e foram publicadas na revista "Única". O seu "diário de viagem" pode ver-se no seguinte endereço:


http://networkedblogs.com/p26542669


Daí retirámos este apontamento sobre o Sr. António Poço, comerciante e artesão nas horas vagas, autor de belos trabalhos em madeira expostos na sua loja, sita na rua Manuel Seixas:

«Quando o comerciante, ex-lavrador, ex-operário fabril e artesão António "Farinhas", aliás António Poço, 75 anos, chegou a Torre de Moncorvo vindo de Vale da Madre, Mogadouro, na vila existiam muitos pobres e meia dúzia de proprietários rurais. "Vim em 1961 para trabalhar no depósito de farinhas das Moagens de Bragança. Em relação a Mogadouro, Moncorvo era uma cidade autêntica. Havia meia dúzia de ricos, donos das quintas. Os pobres emigraram. Os pobres enriqueceram, compraram prédios, os ricos ficaram na mesma. Agora, até os que emigraram estão mais pobres porque querem vender os prédios e não conseguem".
António, que vende artesanato juntamente com frutas e legumes junto da Igreja, nunca emigrou mas viu muitos "compadres" partirem para a França. "Agora andam cá e lá, têm lá os filhos, vão e vêm nessas carrinhas que os levam até lá. As estradas são boas".
As mãos de António, essas, nunca pararam. Primeiro no campo, em Mogadouro, depois na moagem, mais tarde no artesanato, até hoje. "Esses carros com os bois que faço em madeira são a cópia dos carros com que trabalhava em Mogadouro. A careja e o feno eram levados em molhes nesses aí. Nos carros dos cestos ía já o pão..."» - PUBLICADA POR NUNO FERREIRA EM 7:00H, QUARTA-FEIRA, 3.02.2010

Neste mesmo blogue pode ainda encontrar outros aspectos interessantes sobre a nossa terra (fotos e notas escritas), sobre a nossa terra.

Idoso desaparece sem deixar rasto

Como poderão ver secção das Notícias, na coluna lateral direita deste blogue, o Diário Digital (em sintonia com a LUSA), noticiou o desaparecimento de um idoso da vila de Torre de Moncorvo. A pessoa em causa é o Sr. Aníbal Fernandes (conhecido pela alcunha de família de "Major"), morador no bairro da Corredoura, desaparecido no dia 29.01.2010, pelas 23;00h. Todas as buscas feitas para o localizar, até à data, revelaram-se infrutíferas.
Pede-se a quem souber do seu paradeiro que contacte a GNR de Torre de Moncorvo, ou a respectiva família.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Efemérides - há 112 anos

Seguindo ainda a "Caderneta de Lembranças" de Francisco Justiniano de Castro, de que já aqui temos falado, encontramos para o dia 1 de Fevereiro de 1898 (há 112 anos, portanto), a seguinte anotação:
"Fevereiro, 1 [1898] - vierão[sic] de Freixo [de Espada à Cinta] o administrador e o Eduardo Taborda a buscar outra vez para Freixo, a papelada toda que de lá tinha vindo" [de Freixo para Moncorvo].

Esta papelada a que se referere esta nota eram os livros de registos e restante documentação das repartições públicas do concelho de Freixo, carregada à pressa nos alforjes de mulas e jumentos, no dia 27 de Junho de 1896, no seguimento de uma decisão do governo de então (do partido Regenerador), de extinguir o concelho de Freixo, anexando-o a Moncorvo. - Ver sobre este assunto, o nosso post de 26.06.2009: http://torredemoncorvoinblog.blogspot.com/2009/06/foi-ha-113-anos-anexacao-do-concelho-de.html
Conclui-se assim que essa "anexação" foi sol de pouca dura (não chegou a dois anos), perante a revolta da população de Freixo que lá chegou a encenar o enterro do dito concelho, com uma urna coberta com a bandeira do município, e panos pretos no edifício da câmara e no pelourinho, terminando com gritos de "Morram os traidores!", visando sobretudo os políticos de Moncorvo com influência bastante para manobrarem junto do Poder em Lisboa e no governo civil de Bragança, nomeadamente os deputados Lopes Navarro (curiosamente este era de Lagoaça) e Dr. Ferreira Margarido.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

QUADROS DA EMIGRAÇÃO I - por: Isabel Mateus

Sendo a nossa uma terra de "emigração" desde há muito, aqui damos início a algumas estórias de Emigrantes, portugueses ou não, e moncorvenses ou não, de autoria da nossa colega de Blogue, Doutora Isabel Mateus, que também anda lá por fora a lutar pela vida, como dizia um velho anúncio televisivo. Aqui fica então, para começar, esta história de...

Um Gungunhana no JOBCENTRE PLUS

Dirigiu-se ao JOBCENTRE PLUS. Mal entrou, indicaram-lhe a pessoa a quem iria servir de intérprete num caso de fraude. Cumprimentou-o, explicou-lhe quem era e ele, por sua vez, fez o mesmo.
     Era um autêntico Gungunhana!... Uma estatura desmedida com um tronco robusto e largamente encasacado, pernas longas a bandearem numas calças de ganga e os pés calçados em uns sapatos de desporto imensos. Encimava aquela postura, que se encontrava sentada e de membros inferiores esticados, aproximadamente até meio da sala de espera, uma pequena cabeça calva de gigante e uns óculos redondos encavalitados no nariz achatado que lhe ocultavam, à primeira vista, o verdadeiro carácter de guerreiro. De resto, eram os dois únicos aspectos dissonantes do retrato físico do homónimo.
     No final da entrevista, onde se encontrava o “Inspector” das fraudes fiscais relativas ao subsídio de desemprego por invalidez, em representação do Governo Britânico, o seu Assistente a trabalhar para o referido Jobcentre, o mencionado Intérprete e o próprio Gungunhana, o tradutor não pôde deixar de concluir que aquele herói-pícaro do Congo era um lutador nato a debater-se nos meandros administrativos do mundo agreste da emigração. Efectivamente, pouco antes de entrarem, tinha-lhe exposto claramente a sua situação numa voz cadenciada, mas onde surgiam flutuações sucessivas de cada vez que a conversa ganhava intimidade e se aprofundava nas entranhas da sua privacidade.
“Em 1999, cheguei a Inglaterra. Vinha com muita vontade de trabalhar e fiz por isso. A barreira da língua fui-a ultrapassando no local de trabalho e na Escola de Línguas. Porém, o joelho começou a doer-me cada vez mais. Não aguentava os dia em pé e o trabalho físico pesado. Assim, quando as dores se tornaram insuportáveis, abandonei o meu posto. A partir daí, vivo do subsídio que o Estado me oferece (“benefits”). É muito pouco!?... Este ano, então, com tanta neve e frio, tenho uma conta de electricidade que jamais conseguirei pagar! A minha esposa também não trabalha, porque está debilitada. Queremos ter um filho e anda em tratamentos. Quando estiver melhor, reiniciará o longo caminho de preparação para a inseminação artificial. Eu já tenho 45 e ela 38… temos de agir! As crianças fazem-me falta!
Ganhava folgo e logo voltava à carga.
     “Com este aspecto físico que vê, já tive sucesso em novo, lá no meu país. Apenas me rendi à evidência de que não podia trabalhar, quando a força de vontade e a persistência sucumbiram ao delírio da dor. Os médicos só me dão comprimidos para acalmar o sofrimento, pois dizem que ainda sou muito novo para me fazerem um implante. Desisti desta última consulta, já perdi a esperança para esta perna direita… Precisava dum emprego onde pudesse estar sentado, mas tenho poucos estudos e desse tipo de trabalho não arranjo. Recentemente, tenho ainda outra preocupação: a diabetes ataca-me os olhos e já leio muito mal.”
    Tirava os óculos, tinha mais do que um par, consoante necessitava de ver ao perto ou ao longe, e, nessa altura, via-se-lhe aquela luzinha nas pupilas que teimava e lhe queria indicar forçosamente a abertura para a vida no final do túnel.
     “Desde 2003 que não trabalho. Eu sei que não posso trabalhar, pois seria penalizado por lei. Mas revolta-me esta vida, porque não saio da cepa torta. Queria dar mais conforto à minha mulher, satisfazer-lhe algum do luxo feminino que ela merece. Queria que me ajudassem a procurar um trabalho compatível com a minha doença. Os meus braços estão saudáveis, tenho força de vontade, mas esta perna…”
     E apalpava nervosamente o joelho.
     Lá dentro, confrontaram-no com os comprovativos das entidades empregadoras. Ou seja, acabou por confirmar que realmente tinha trabalhado, mas porque não se resignava à sua situação. Explicou que, a custo, foi circulando por vários centros de emprego à procura de ocupação e que realmente arranjou trabalho durante algum tempo. Não mais de duas a três semanas, por vezes um mês, dois… Acrescentou ainda que não podia informar o JOBCENTRE acerca da sua situação de empregado, porque perderia em simultâneo a ajuda do Estado e o emprego que, de antemão, sabia provisório devido à doença. Foi interrompendo o discurso e viu-se obrigado a tirar os óculos de cada vez que as lágrimas lhe escorriam mais rápidas pela face abaixo. O Intérprete explicitava sempre que o Inglês não lhe saía e os seus desabafos pareciam, deste modo, mais fáceis e calorosos na sua língua pátria: o Francês. Porém, o Tradutor não sabia se lhe doía mais vê-lo naquele pranto ou quando lhe explicou as diferentes penas em que a sua fraude o terá feito incorrer. Isto é, ou pagar a multa referente ao montante (de pouca monta) que recebeu pelo trabalho precário que foi prestando, ou apresentar-se perante o tribunal como réu pelo delito cometido. Do JOBCENTRE ficou a promessa (sem prazo marcado) de aconselhamento e de ajuda futura para encontrar a profissão adequada à sua incapacidade física.
     O Inverno continua frio, as dores são as mesmas e este Gungunhana desespera numa lista de espera, onde nem sempre todos agem de boa-fé e enganam, à grande e à francesa, o Sistema.
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P.S. Durante o mês de Fevereiro irei a França (Nancy) para conhecer o local de emigração massiva, durante os anos 60, de tantos transmontanas. Já tenho encontro marcado na Associação Amizade Franco-Portuguesa de Vandoeuvre-lès-Nancy, onde espero encontrar conterrâneos dispostos a partilharem as suas experiências e vivências na terra de acolhimento. Por isso, faço também aqui um apelo aos leitores e seguidores deste blogue que queiram partilhar as suas histórias, através de episódios e acontecimentos que os marca(ra)m como aventureiros à procura de melhor sorte fora da pátria.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O Cano de Mós


Fotos de Angel Garcia, 1.01.2010


Foto de Carlos Sambade, dias depois

A natureza submete O Cano de Mós ao imperativo do "Não há fome que não dê fartura", logo nos primeiros dias deste ano que, nesta medida, se anuncia farto (naturalmente que, quase logo a seguir, há um pequeno conjunto de pequenos pântanos que se evidenciam no terreno, a merecerem, ainda assim, uma bela visita com olhos de ver).
Carlos Sambade

domingo, 24 de janeiro de 2010

Festa de S. Sebastião da Corredoura (Torre de Moncorvo)

Procissão do Mártis S. Sebastião, após a missa, pelas ruas da vila (foto N.Campos, 2006)

A festa de S. Sebastião vem-se realizando desde tempos remotos, centrada na respectiva capela, situada ao fundo do largo da Corredoura. O pesado andor, com a imagem do santo mártir colocada sobre um castelo de cartão, é levado desde a capela até à igreja matriz, onde decorre a missa dominical (o dia do Santo é 20 de Janeiro, mas, devido aos horários de trabalho, nas últimas décadas a festa passou a fazer-se no domingo imediato ao dia de preceito). Depois sai a procissão pelas ruas da vila, voltando o Santo para a capela.

Vista geral do Largo da Corredoura, ao início da arrematação, hoje à tarde.

Da parte da tarde tem início a famosa arrematação das oferendas, compostas por doçaria (bolos), fumeiro (chouriças, salpicões, presuntos), aves (patos, tordas), vinho, etc.. Sinal dos tempos, até "pizzas" (certamente da pizzaria ao lado), e outros géneros da actualidade. Noutros tempos, os pastores de Moncorvo ofereciam borregos e cabritos. Esta é sempre uma parte muito esperada e participada da festa. - De salientar que, tradicionalmente, em todas as festas de S. Sebastião, mesmo de outras localidades, entra a arrematação de enchidos.

"-Quem dá mais?" - pergunta o arrematador. O sr. Fernando Cavalheiro ("Bispo") levanta as chouriças.

O culto de S. Sebastião encontra-se generalizado por todo o Portugal, e, como não podia deixar de ser, pela nossa região, sendo uma das raras festividades de inverno. Consta que o referido culto se generalizou a partir do séc. XVI, depois de uma grande peste. S. Sebastião é também o protector relativamente às pragas de ratos, esses vorazes inimigos dos lavradores.

Um bom momento de convívio de todos os moncorvenses, de todas as idades - e o bom tempo ajudou!

Há quem defenda que a generalização do culto, durante o período filipino, entre o final do século XVI e inícios de XVII, e mesmo depois, se deverá ao desejo do regresso do rei "Encoberto", D. Sebastião, o mártir de Marrocos, por analogia ao santo homónimo. Seja como fôr, a capela da Corredoura (propriedade da Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo) deverá ter sido construída por essa altura, pelos lavradores da Corredoura que ao santo sempre tiveram uma grande devoção. Lembro-me das descrições que faziam os mais velhos da Corredoura, idos dos anos 70, sobre a animação do que eram os arraiais no "picadeiro" de pedra junto da capela. Ao "santinho" chamavam-lhe o seu "vizinho mais velho"!

Iguarias de fazer crescer àgua na boca - as famosas bolas fritas.

Apesar das mutações sociais e culturais, a festa do S. Sebastião da Corredoura vai resistindo aos tempos graças à carolice de algumas famílias antigas de Corredoura, de que é justo salientar os Ramos e o Sr. Lamares, grande animador das festas da vila, com a colaboração de diversos arrematadores (Srs. Pinto, Fernando Rabaçal, Fernando Cavalheiro).

O ajudante de arrematador, Sr. Fernando Rabaçal exibe um molho de tordas, oferta de um caçador.

Ah, e os parrecos também não podiam faltar!

Após a arrematação tem lugar o arraial popular, animado por um conjunto local, para se poder dar um pé de dança.

Força Corredoura! O nosso S. Sebastião tem de continuar sempre com a sua festinha!

Fotos: N.Campos

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Francisco Carneiro de Magalhães e o clima de Moncorvo II

(continuação do texto anterior)

“Finalmente o gêlo é já tanta porção que olhando para os campos no espaço que a nevoa deixa descobrir suscita-se immediatamente a idéa de que os da Syberia não poderiam apresentar a nossos olhos outra prespectiva. Fazendo-se a experiencia hontem de a presentar o thermometro em contacto com a atmosphera exterior da caza em uma varanda descuberta, desceu logo a meio gráu abaixo do gêlo, e haverá dois ou três dias me disse um sugeito que fazendo a mesma observação em outra caza na extremidade da villa para a parte da serra do Monte Roboredo a dois graus abaixo de gêlo !!! Separando outro indivíduo o gêlo que continha uma folha que produz a flôr chamada violeta, me asseverou havia de pesar bem cinco oitavas. As hotaliças de que abunda esta villa são presentemente inúteis, pois as folhas das couves estão dentro d’uma especie de luvas ou bolças de gêlo da grossura d’um pataco, e muitas estão já recosidas por elle de forma que se perderam. E no meio de tudo isto há d’aqui uma pequena legoa no cimo da serra uma aldeola chamada Felgueiras (pátria do grande chymico Thomé Rodrigues Sobral) cujos habitantes se teem gosado sempre do belo sol com excepção de dois dias sómente, em que levantoualgum tanto o nevoeiro, o que tem sido para os habitantes d’esta villa uma ventura, por ser d’aquella aldêa que vem moídas as farinhas para aqui: e do contrario talvez resultasse bastante prejuízo e até fome.

Basta: que já saiu mais extensa esta carta do que eu queria. Se a julgar digna de occupar logar no seu estimável periódico pela raridade do acontecimento fará muito obsequio ao que é de V. etc.

Moncorvo, 28 de dezembro de 1843

F. A. Carneiro de Magalhães e Vasconcellos”

Logo no dia 4 Janeiro, o autor dá conta do final da “terrível praga egípcia”.

Lago da Quinta das Aveleiras, 1902 (Reprodução de Arquivo Particular. Direitos Reservados)

“Terminação de uma praga egípcia (carta)

2582 Tendo-lhe participado em data de 28 do próximo passado o estado, a que por aqui tinha chegado o gêlo, e seus funestos effeitos, motivados pela pertinácia do nevoeiro; agora cumpre-me dizer a V. , que o primeiro dia d’este anno foi para nós o de maior satisfação; quando logo de manhã vimos o horizonte desafrontado, correndo um brando vento sul, e o gêlo caindo das arvores com toda a força. Com a maior alegria se davam os habitantes d’esta villa reciprocamente as boas festas, acompanhadas de gostosos parabéns pelo bom desenlace do drama, que não obstante haver apresentado scenas bem tristes, podia ter um desfecho muito mais trágico; e com effeito, se aquelle estado durasse mais quatro quatro (sic) ou cinco dias, ou se em logar de uma branda chuva , que sobreveio no dia um do corrente, viesse neve, ou um vento forte, então ficávamos sem oliveiras, e outras arvores, pois que assim mesmo houve uma grande perda; porque o pêso do gêlo era já tal, que chegou a abrir, pelo meio até juncto da terra, o tronco de um sovereiro da grossura de dois homens, caindo para o lado as duas ametades.

Os olivaes, que ficavam mais para a serra padeceram muito, e em algumas povoações circumvisinhas consta, que ficaram (com poucas excepções) sómente os troncos das oliveiras. As amendoeiras, pinheiros, castanhos, e geralmente todas as arvores, padeceram mais ou menos conforme o sitio em que se achavam. É porem de notar, que as hortas e nabaes, que estiveram por tanto tempo submersos no gêlo, e que se esperava encontrar perdidos, appareceram sãos; e em vista de tudo isto devemos bemdizer a Providencia, pois qwue podiam ser os prejuizos muitos maiores.

Principiára a nevoa no dia 16 de Dezembro, abrangendo por fim todo o espaço, que vae desde os estevaes do Mogadoiro (sic) até Macedo dos cavalleiros, chegando muito para baixo de Mirandella, e para a Beira dizem que à Meda, estendendo-se também pelo Doiro acima até lá para a Hispanha, ficando izemptos somente n’esta extensão os cumes das montanhas mais elevadas, onde se gozava de um bello sol.

Na noite de 29 de Dezembro tinha o mercúrio descido 3 gráus para baixo de gelo, e no dia 30 logo fez a differença de 2 gráus somente para baixo de gelo, o que nos deu esperança de melhoria de tempo. Chegou-se a congelar o leite nas vasilhas, em que era trazido das aldeias próximas para consumo d’esta villa; e em uma varanda envidraçada, onde estava uma gaiola com um pintasilgo, a quem naturalmente seu instinto ensinou que no poleiro, onde ordinariamente dormem, não estava tão abrigado como em baixo mas não tendo o tolinho a descripção de se desviar do bebedoiro, apareceo de manhã prezo pelas penninhas do rabo, que n’elle tinha metidas, e econgelando-se a agua, alli ficou até que o foram libertar; e felizmente não morreu.

Por estes dias tem-se conservado o thermómetro em 5 a graus acima de gelo

Moncorvo 4 de Janeiro de 1844

Francisco António Carneiro Magalhães.”

FONTE: "Revista Universal Lisbonense - Jornal dos Interesses Physicos, Moraes e Litterários collaborado por muitos sabios e litteratos e redigigo por Antonio Feliciano de Castilho", Imprensa da Gazeta dos Tribunaes, Lisboa, 1844, pp. 258, 270 e 271

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Reflexos II

Quando se deu o alardo da Vilariça quem é que alimentou os cavalos?
Os servos da gleba da Corredoura (outro nome que tivesse o bairro)? Já existia Corredoura ou apenas famintos com condição semelhante à dos cavalos? Afinal do que é feita a História? E tanta palha para quê? Qu'é do grão? Quem o comeu?
(Relendo as Crónicas de Fernão Lopes com desenhos e pintura de Rogério Ribeiro)

Reflexos I

Desu entrou em minha casa e disse: Eu não existo. Tu é que Me exististe.

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