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terça-feira, 23 de junho de 2009

ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 2

A "vila" vista do largo da Corredoura, nos anos 70: à esquerda, a casa do ilustre republicano Sr. Miguel Mesquita (ver post de 13.03.2009, neste blog); ao cimo, a rua dos Palheiros; ao fundo do largo, os olmos onde se fazia a feira dos porcos (os "recos"). - foto de Leonel Brito.



Ao fundo da Rua das Amoreiras, para quem sobe, ficava à direita a “Casa da Luz” ou “Casa do Motor” onde o Sr. Moura ia todos os dias ao final da tarde ligar os motores que desligava à uma hora da manhã. À esquerda ficava o lagar de azeite do Dr. Henrique Seixas, donde escorria o piche para uma fonte de água claríssima da Nória.

Ao fundo das outras duas ruas (Canelha da Fonte e Rua dos Palheiros) ficavam “Os Olmos”. Aí começava realmente a Corredoura. À sombra dos olmos se fazia a feira dos porcos: varas e varas de porcos que eram trazidos do Alentejo e vendidos nas feiras do gado (dias 8 e 23 de cada mês).

A primeira casa para quem subia a canelha da Fonte, à esquerda, era uma casita térrea, pobre, onde morava a Tia Maria Segura, casada com o Zé da Régua e que tinham uma data de filhos.
Ao fundo da Rua dos Palheiros, à esquerda, ficava o Lagar da Azeite dos Barreiros, situado já na Corredoura.

Então, após “Os Olmos”, virados nós para a Capela de S. Sebastião, ficavam à nossa esquerda as duas escolas primárias, ambas masculinas. (Os rapazinhos da Vila vinham à escola à Corredoura, mas as meninas da Vila não). Seguia-se o Canafechal, um espaço com dois plátanos e várias árvores velhíssimas, da família das faias, que davam sombra que era um regalo. E, por alturas do Carnaval, floresciam em “moncos” compridos com que os raparigos e os entrudos enfeitavam o nariz, o cabelo e as orelhas.

À nossa direita, a seguir ao lagar de azeite dos Barreiros, ficavam duas casinhas térreas, muito pobres, sem janela nenhuma, onde viviam, numa a Tia Amélia Abrunhosa e o marido, o Tio Zé Dengucho, um bêbado muito castiço, na outra a Tia Palmira Borrega.

Seguia-se um quintal dos Barreiros, que já vinha detrás do lagar de azeite e que era tratado pelo Tio Zé Sangra. Pegado a este quintal começava a casa e a cerca do Sr. Miguel Mesquita e da Sra. Rosalina.

E temos os topos e os dois lados mais compridos que formam o rectângulo que é o Largo da Corredoura. Foi, durante anos, o campo de futebol, antes de haver o campo da S. Paulo.
Neste Largo e no Canafechal continuava-se a feira do gado - ovelhas, cabras, burros, bezerros - que ia até ao chafariz onde bebiam as bestas. Para lá deste chafariz começava o caminho que ia dar à capela de S. Paulo. Mas antes disso, ainda há muito para desbravar.
(continua)

Texto: Júlia Guarda Ribeiro ("Biló")

Fotos: Leonel Brito


APELO: a fim de ilustrar as próximas "postas" deste Roteiro da Drª. Júlia Ribeiro, agradecíamos que nos enviassem fotografias antigas da zona da Corredoura (de preferência dos anos 40 a 60 do séc. XX). Se tiverem as fotografias sem ser digitalizadas, em papel fotográfico, podem levá-las ao Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, onde serão digitalizadas e devolvidas logo na hora. Também serão mencionadas as pessoas que possuam essas fotografias e nos facilitem a sua reprodução neste blogue. Em nome da autora, o nosso Muito Obrigado!

2 comentários:

Anónimo disse...

Pela amostra vai sair obra que se veja. Força, Júlia Biló! Agora se vai ver quem é cronista a sério.
Maria e Zé

Anónimo disse...

Eu e o Zé já lemos e depois escrevemos um comentário que desapareceu. Fizémos asneira , que isto ainda é complicado. Vamos seguir o seu roteiro como se fosse o nosso folhetim. Por que temos um pé na Vila e outro na Corredoura.

Maria e Zé

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