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quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Gente do Norte

Em 1977, com apoio da Gulbenkian, o Leonel Brito na realização e eu, no argumento, realizámos um documentário sobre Moncorvo, intitulado Gente do Norte. Além do Prémio da Crítica Internacional do Festival da Figueira da Foz, o filme correu mundo, foi passado na televisão e ganhou vários prémios. Do filme existe ainda uma cópia em bom estado que nós vamos recuperar para um projecto que ainda está no segredo dos deuses. Mais tarde contaremos o que está acontecendo. O projecto, com uma grande, grande probabilidade, envolverá o nosso amigo Nélson. Mas ainda é cedo para falar nisso. Deixo-vos de qualquer modo a letra da canção do filme, escrita, musicada e cantada por José Mário Branco, editada então num single, hoje raríssimo. Ando a ver se o consigo passar do vinil para o CD. Tenho esperanças. De qualquer modo aqui vos deixo já a letra:

Moncorvo terra e gente
pobre-rica, rica-pobre
nobre serva, serva nobre
entre passado e presente
entre presente e ausente
Foi das pedras
foi das pedras e das águas
do calor, do rosmaninho,
foi da torga, foi das fráguas
que nasceu
este império pequenino
Foi do sol
foi do sul e foi do gelo
foi do sonho e da roda
do Picôto e do Covêlo
que nasceu
este império à nossa moda


Moncorvo torre e gente
pobre-rica, rica-pobre
nobre serva serva nobre
entre passado e presente
entre presente e ausente
Foi do calo
foi da pedra descoberta
da terra desempedrada
que nasceu
esta mina já deserta
Foi do roxo
foi do arrojo e do Douro
do tesouro de caliça
foi do velho e do vindouro
que nasceu
o sangue da Vilariça.


José Mário Branco fez-se acompanhar pelos músicos José Pratas, Luís Pedro Faro e Carlos Guerreiro.
Gostaria em tempos próximos de oferecer um CD desta canção ao Nelson que pode publicá-lo no nosso blogue.
Estamos a recuperar também, eu e o Leonel, alguns filmes para a televisão que fizemos, com texto meu, como "Estevais, Ano Zero", a "Encomendação das Almas", com intervenção filmada (o que é raro) do padre Rebelo, "Artes e Ofícios", com uma tecedeira do Felgar que era a mãe do Afonso Praça e ainda um filme que deu polémica e debates na televisão sobre "Guerra Junqueiro".
Há tempos que não escrevia para este blogue, mas está-me a parecer que a preguiça, sendo um fenómeno nacional, também nos atacou a todos. Um abraço deste exílio citadino.

1 comentário:

N. disse...

Viva, Rogério!!! um regresso em grande, sim Senhor! E não é pelas referências que me são feitas e prometidos "presentes" que o serão para Todos (ah, e diz o nosso povo: ao rico não devas e ao pobre não prometas!)... Eu já sabia um bocadinho dessa vossa "conspiração" (com o nosso conterrâneo e ilustre realizador Leonel Brito), por uma inconfidência de uma amiga comum, que não vou aqui delatar... Vamos todos aguardar "em pulgas" pelo que se está a gizar, sendo certo urge ter por aqui o rol desses documentários/filmes dos velhos tempos (quase todos dos anos 70, não?), e poder cotejar esse registo com a situação actual, para se ver o que mudou... O único documentário que anda por aqui e que nos chegou por engano do nosso também conterrâneo e amigo Prof. Rentes de Carvalho, é o "Estevais, ano Zero"... Ele pediu-o à RTP há tempos, a pensar que era sobre a sua Estevais de Mogadouro, mas... azar! era sobre os Estevais da Vilariça (no nosso concelho)!
O nosso blogue ficará seguramente mais rico, como também fica, desde já, com a letra (falta a canção com música, que desde já agradecemos, pois só a tenho numa cassete das antigas e em gravação "pirateada") da "Moncorvo, terra e gente". É, de facto, um poema muito forte e algo perfeitamente datado. Destaco, contudo, a "mina já deserta" (e assim continua) e palavras arcaicas, como a "frágua", que, para quem não sabe, não é "fraga", mas sim "forja", como ainda hoje se diz em mirandês: "frauga". Curioso que na Cardanha, ainda hoje lá parece existir a rua da Frágua...
Um belo hino, que serviu de banda sonora do Gente do Norte - quem se lembra??
Mais uma vez, Muito Obrigado ao Rogério e ao Leonel, com o nosso incentivo e... aquele abraço cá das fragas, que "fráguas" já quase que já não existem...
Nelson

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