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sábado, 17 de outubro de 2009

Já fora de tempo, mas ainda a tempo....

Parreira no Outono, no termo de Sequeiros, Açoreira (foto de João Pinto V. Costa)


VINDIMA
A terra esfarela, corpo fértil, colorido e perfumado. As recordações trazidas pelo aroma que invade a casa e os campos em Outonos repetidamente ausentes. Vestem-nos cantigas, afagos e murmúrios. É um retornar este tempo! Um regresso e um novo brilho no olhar com que ainda me alimento.
Em peregrinação, nestes fins de Setembro de manhãs frias e fogo nas mãos refazem o ritual da colheita e do lagar e o hino do recomeço em toda a serra sagrada.

in: Jacinto de Magalhães, 1985.

As vindimas e as lagaradas já passaram, mas o Outono ainda não. Entretanto vestem-se de vermelho as parreiras pelo país vinhateiro...

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Vindima no Larinho

No seguimento do "post" sobre a "Códiga do Larinho" recebemos algumas fotografias gentilmente enviadas pelo nosso Amigo Dr. Armando Gonçalves, larinhato de gema, ilustrando a vindima deste ano. Aqui fica o registo, com os nossos agradecimentos:

O trato da vinha, outrora muito trabalhoso já que tinha que se fazer a "escava" e a "redra", tudo a força de braço, com sachos ou "ganchas", é agora facilitado com recurso ao tractores. Aqui vemos o Sr. Manuel Gonçalves lavrando a sua vinha, nos arredores do Larinho. Em terras de sairinho.

Aproxima-se o grande momento da colheita. Uma criança percorre os geios, meditando sabe-se lá no quê... Estará a contar os cachos? estará a aperceber-se das diferenças das castas? ou entretém-se apenas a pisar o carreiro das folhas secas?...

O "rancho" ao ataque!... os pequenos produtores recorrem ainda ao sistema de entreajuda de amigos e familiares. Vagas reminiscências de um comunitarismo de outros tempos... No fim, há patuscada e convívio pela certa!...

Alguém está a ficar para trás!... é preciso dar uma ajudinha. Já aí vai o Armandinho! O sol ainda aquenta bem. Alguém canta uma cantiguinha? Olha qu'hoje não s'achega aqui a raposa...

S'tá a descarregar os baldes! Noutros tempos eram cestas de vime, feitas pelo ti cesteiro de Carviçais (ou de outros lados, mas agora só resta o Sr. Celestino, carviçaleiro); tal como eram os cestos vindimos, enormes e pesados para "homes valentes" de outras eras. Decididamente, rendemo-nos à Era do Plástico (preto, como da cor do pitróil)...

E lá vão as uvas a caminho da Adega, onde se transformarão no nosso outro petróleo... Ouro líquido, sol engarrafado e sei lá que mais, lhe chamou Torga, o nosso vate. O mesmo que cantava: «Vinde à terra do vinho, deuses novos! / Vinde, porque é de mosto / O sorriso dos deuses e dos povos / Quando a Verdade lhes deslumbra o rosto»... A Verdade... palavra vã em tempos de tanta falsidade. Se, como diziam os romanos, "in Vino Veritas", hoje nem mil mililitros chegariam para se arrancarem tantas máscaras...
Desejo-te um bom pingato, Armando Amigo, que és dos de certo! E conta comigo pelo S. Martinho, ao menos para me redimir de ter faltado à vossa vindima. Cumprimentos à malta do rancho do tio Manel.

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