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domingo, 30 de novembro de 2008

Cartão de Boas Festas

Como sou alérgico a cartões, não quero deixar, contudo, de dar as Boas-Festas a todos os autores do blogue e aos seus frequentadores, assíduos ou circunstanciais que sejam, pelo que resolvi enviar estes toscos versos antes que o Natal chegue e nos consumamos em lugares comuns. Espero que não levem a mal.

Quando o Natal chegar...

Quando o Natal chegar
liberta o pirilampo e liberta a Luz
arruma a ternura e arruma a casa.
E areja o sótão da tua infância.
Quando o Natal chegar
dá música aos surdos
e palavra aos mudos
afaga laranjas nas mãos frias
e figos secos ao luar
e amêndoas de Agosto a quem chegar
e limões, e ácidos limões, em teu lugar.


Quando o Natal chegar
à beira do rio olha a outra margem
cheia de sombras, pedras e perdas
e abre os braços, colunas e pontes
e começa a tocar a alma qual piano
na translúcida mágoa de nada tocar.


Quando o Natal chegar
Jesus já passou sem passar
na barca do tempo, entre margens
sem rio, mas à beira de naufragar.
Quando o Natal chegar
não leves granadas para casa
nem bombas para qualquer lugar.
Caça pombas ao anoitecer, morcegos
da tristeza, olhares cegos, vazios e frios.


Quando o Natal chegar
olha os filhos como se só então nascessem
e os dias fossem cristais
partindo grãos de romã,
tão sensíveis ao ouvido
mas sem pena nem sentido.


Quando o Natal chegar
adormece à beira dos violinos
com a loucura dos deuses
e a tristeza de Mozart.
Que os deuses devem estar loucos
porque a lareira está-se a apagar.


Quando o Natal chegar
cuida das prendas e ofertas
aos que nunca mais vão chegar.
Entre pedras e perdas
guarda o amor de guardar
que a face da mãe ondeia
e o pai adormece a lacrimejar.

Quando o Natal chegar
a nordeste de tudo, mais vale
encher o saco de Nada
e percorrer a noite, até ao abrigo
dos campos da quimera calcinada.
Com o saco cheio de Nada
visita a Índia e o Afeganistão.
Toca às portas da Palestina
e canta dor às portas da prisão.


Quando o Natal chegar
enche o saco de Nada.
Pode ser que por tanto Nada
algo te queiram dar:
um filho, um sorriso, talvez luar.


Quando o Natal chegar
talvez amor e amar.
Dádiva por dádiva,
aceita, é de aceitar.


Rogério Rodrigues

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Caça à Raposa II


Dado o interesse que tem suscitado o "quem é quem" da caçada à raposa (post anterior), para melhor identificação aqui fica a mesma fotografia, mas com uma numeração sobre cada caçador, para que os nossos visitantes possam dizer quem são, individualmente.
Basta clicar sobre a foto para aumentar e ver melhor os números; na opção "Comentários" podem dizer-nos quem lhes parece que sejam.
Como é evidente este é um "jogo" sobretudo para os mais velhos, ou para os descendentes dos representados na foto. Agradecemos desde já a vossa participação, devendo evitar, contudo, eventuais alcunhas que não sejam do agrado dos próprios ou seus familiares.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Caça à raposa

Ao ver o anúncio da batida ao javali, lembrei-me que no álbum de família havia umas fotos de caçadas. E esta pareceu-me a mais indicada para reforçar a tradição cinegética de Moncorvo. Muitos reconhecerão os intervenientes desta caçada à raposa no Reboredo, nos anos 60. Eu lembro-me de alguns nomes e muitas alcunhas, mas não as menciono, embora pense que hoje fazem parte do património cultural da vila. A Universidade de Évora editou um livro sobre as alcunhas no Alentejo e creio ser um bom tema para o Centro de Memória e um desafio ao Nelson.

Leonel Brito

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Adoração à chuva

No dia em que começaram a cair algumas gotas de chuva, lembrei-me desta fotografia, que tirei na Mata do Reboredo, depois da uma grande chuvada.
Penso que se trata de frutos da cebola-albarrã (Urginea maritima).

domingo, 23 de novembro de 2008

Montarias - Mós - Janeiro de 2009

MÓS ANTIGA VILA MEDIEVAL - MONTARIAS MAIS INFOMAÇÕES NESTA PÁGINA


Montarias de Mós - Torre de Moncorvo

18 de Janeiro de 2009
8 de Fevereiro de 2009
N.º de postos – 120
Data limite de inscrição – 14 de Dezembro de 2008
Taxas – Tipo A: 30 €; Tipo B: 40 €; Tipos C e D: 60 €



CONDIÇÕES DE CANDIDATURA E DE EXERCÍCIO DA CAÇA EM ZCM

FORMÚLÁRIO DE CANDIDATURA

sábado, 22 de novembro de 2008

Só se lembra dos caminhos velhos...

Quando estudava em Évora nos inícios dos anos 60, tinha que vir de comboio; Évora , Barreiro (barco), Lisboa, Porto, Pocinho e finalmente o Alto da Ventosa. Em Fevereiro de 74 ainda era uma aventura africana ir da capital do império a Moncorvo. Agora, abro a net e vou à Moncorvo da minha infância e de sempre. Atrás do adro, quando o largo ainda era um terreiro e brincava à d'Artagnan com o sabre do guarda Redondo, depois de o Sr. Moreira passar mais um filme de capa e espada, no cine-teatro, o quartel da guarda era o meu castelo. Hoje é a fortaleza do ferro. E como também a casa onde nasci é hoje o Centro de Memória, tudo são razões para eu dar o meu contributo.

E como só se lembra dos caminhos velhos quem tem saudades da terra , envio uma reportagem do Assis Pacheco, de 20 de Fevereiro de 74, onde fala da partidela da amêndoa no Peredo dos Castelhanos, a terra do Rogério.






Leonel Brito

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Sugestões outoniças em tempo de "sanchas"

Realizou-se no passado fim de semana, em Torre de Moncorvo, uma jornada micológica, com recolha de cogumelos na zona da serra do Roborêdo e sua posterior observação, identificação e comparação no auditório do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, como se pode ver no seguinte link: http://parm-moncorvo.blogspot.com/2008/11/1-passeio-micolgico-organizado-pelo.html

Uma das principais conclusões retiradas deste encontro foi sobre os cuidados a ter na identificação das espécies comestíveis, pois algumas delas podem ser susceptíveis de se confundir com variedades tóxicas e até mortais.

Por outro lado pôs-se a tónica na necessidade de se preservarem as espécies autóctones (não só as comestíveis como as outras), pelo que deve haver uma consciencialização das populações nesse sentido, mantendo os padrões de auto-consumo tradicionais, mas sem uma mercantilização desenfreada, o pode levar ao extermínio de certas variedades. Há ainda alguns cuidados a ter, no sentido da continuidade da reprodução dos cogumelos.

Por exemplo, se "fôr às sanchas" (foto acima), não arranque o cogumelo, mas leve uma faca apropriada para cortar o caule, de forma a que a sua raíz continue na terra; raspe um pouco o caule ou sacuda o cogumelo, para que os esporos caiam à terra e garantam a reprodução futura; é preferível levar uma cesta, pois há sempre a possibilidade de alguns esporos caírem à terra através das fasquias do vime. E, acima de tudo, se tiver dúvidas na identificação de algum espécime, é melhor não o apanhar! Se, por acaso, algum espécime venenoso fôr parar à cesta, é melhor não arriscar e deitar a recolha toda fora, no próprio pinhal, ou onde se tenha realizado a recolha.

Um cogumelo altamente tóxico (e com propriedades alucinogénicas) que pode ser mortal é o célebre "regalgar" (ou "resgalgar"), também conhecido noutras regiões como "incha-bois" ou "rebenta-bois". O seu nome científico é "amanita muscaria", sendo particularmente atraente, pelo chapéu vermelho pintalgado de branco.

Mas se você é mesmo adepto de cogumelos (tem ainda uma outra opção, mais segura porque não comestível) do outro lado do nosso concelho: deixe a serra do Roborêdo, saia da vila, e tome a estrada para Bragança pela ponte do Sabor. Passada a ponte, desvie ao lado da Qtª. da Portela para os Estevais da Vilariça. Passada esta povoação, procure descobrir nesta zona planáltica um belo cogumelo em pedra, esculpido pela natureza, mais precisamente pela erosão eólica. É um curioso monumento natural que deveria ser classificado como tal. Ei-lo:

Fotografia de Paulo Silva

E já que está por estas bandas, aproveite para descobrir ainda esta velha fonte arcada, talvez do século XVII, que em determinado momento foi entaipada:


Fotografia de Paulo Silva

Depois é consigo: tanto pode seguir até à Cardanha ver o relógio de sol que já foi mostrado aqui neste blog (ver etiqueta: "Cardanha"), ou ir até à Adeganha (ver etiqueta "Adeganha"), ou ainda continuar em maré de descoberta e ir até à Póvoa, ou um pouco mais adiante, a pé, espreitar o local da barragem em início de construção. Em breve tudo isto ficará alterado, pelo que é uma última oportunidade para registar o momento presente.

No regresso, se passar pelos Estevais, recomenda-se uma peregrinação à tasca do Vilela, para provar um verdadeiro tinto da região e petiscar qualquer coisa.

É a nossa proposta para o próximo fim de semana.

Texto e fotos de N. Campos (excepto as que vão com identificação do autor, Sr. Paulo Silva, a quem muito agradecemos as fotos enviadas).

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Outono na Serra

Dos jardins do Museu, em amplo cenário, divisa-se a Serra, como um vagalhão oceânico abatendo-se sobre a vila.

A Serra, nesta fase do ano, torna-se camaleónica, ora envolta em avalónicas brumas, ora brilhando com revérberos de vinho generoso, sob a luz magnífica de Novembro, brincando às escondidas com as nuvens, num jogo caprichoso de luz e sombras.



Defronte, os vinhedos das Aveleiras desenham fímbrias de vermelho e dourado, sublinhando o verde dos pinheiros e de outras coníferas. De onde em onde há umas pinceladas de amarelo-alaranjado dos velhos carvalhos que deram nome à serra, a partir da sua matriz latina: “Robor” (carvalho) > “Roboredo” (carvalhal).


Cá em baixo, pelas ruas da vila, outras folhosas vestem-se provocadoramente de amarelo, para logo de seguida iniciarem o seu “streep tease” outonal. Não tarda ficarão nuas e arrepiadas com o rigor do Inverno, porventura como brancos fantasmas polvilhados de geada, em noites de lua cheia, gritando pelo renascer de uma primavera que ainda vem longe.

É o ciclo das estações, o tempo e as horas, marcados pela Torre…

É a magia de uma época do ano especialmente romântica, reclamando a sua visita!

Texto e fotos: Henrique de Campos

São Martinho

A Lenda de São Martinho - Diz a lenda que um cavaleiro romano, viu um velho mendigo cheio de fome e frio, quase nu. O dia estava chuvoso e frio, e o velho mendigo estava encharcado. O cavaleiro, chamado Martinho, era bondoso e gostava de ajudar as pessoas mais pobres. Então, ao ver aquele mendigo, ficou cheio de pena e cortou a sua grossa capa ao meio, com a espada, dando metade da ao mendigo e partiu. Passado algum tempo a chuva parou e apareceu no céu um lindo Sol.

No dia de São Martinho, a 11 de Novembro, fazem-se os magustos, tradição que remota de há muitos anos, fogueiras ao ar livre, reunindo-se familiares e amigos enquanto as castanhas estalam na fogueira. Comem-se castanhas assadas acompanhadas de vinho novo, jeropiga ou água-pé. Já o velho ditado diz:

"No dia de São Martinho, vai à adega e prova o vinho." No Nordeste Transmontano não se esquece esta tradição, nem poderia ser de outra forma, uma vez que é predominante o cultivo de castanha.

Alguns dos Provérbios do São Martinho:

- No dia de S. Martinho vai à adega e prova o teu vinho.
- Mais vale um castanheiro do que um saco com dinheiro.
- Dia de S. Martinho fura o teu pipinho.
- Pelo S. Martinho mata o teu porquinho e semeia o teu cebolinho.
- Se queres pasmar teu vizinho lavra, sacha e esterca pelo S. Martinho.
- Dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho.
- Pelo S. Martinho, prova o teu vinho, ao cabo de um ano já não te faz dano.
- Pelo S. Martinho mata o teu porco e bebe o teu vinho.

Sabor no seu Esplendor

Imagens estas que vejo todos os dias; montes e verde que rodeiam o rio, que um dia ficarão apenas na memoria e numa fotografia.



segunda-feira, 10 de novembro de 2008

GDM está de parabéns!!!

O GDM (Grupo Desportivo de Moncorvo) fez História, ao bater uma equipa da 2ª divisão, ultrapassando assim uma barreira mítica, e obrigando agora um clube da 1ª liga a deslocar-se à nossa gloriosa vila de Torre, para connosco disputar o acesso à Taça!!!
Recorde-se que o GDM está no 3º lugar da 3ª divisão (série B), em igualdade de pontos com o primeiro classificado.
Por mais este feito, parabéns ao clube da nossa terra!
e preparemo-nos todos para ir apoiar o GDM!!
(em princípio o jogo será no dia 27 de Novº., em Torre de Moncorvo).

Antes do jogo Peniche-G.D.Moncorvo, que seria ganho pelos moncorvenses (1-3). Foto cedida pelo Sr. Paulo/Tropicália, a quem agradecemos.


Taça Portugal (3.ª eliminatória): Torre de Moncorvo segue em frente
O Torre de Moncorvo, da III Divisão, garantiu, este domingo, a continuidade na Taça de Portugal, depois de derrotar, em jogo em atraso da terceira eliminatória, o Peniche, por 3-1.
Com este triunfo, o Moncorvo ganhou o direito de defrontar o Vitória de Setúbal, da 1ª Liga, em jogo agendado para 19 de Novembro, que encerra a quarta eliminatória da Taça de Portugal.

in: http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=125&id_news=358052

Definição de nova data, segundo notícia do "Record":

JOGO DA TAÇA em Moncorvo no dia 27 - Falta apenas a confirmação federativa

V. Setúbal e Torre de Moncorvo chegaram a um acordo praticamente definitivo sobre a data do jogo da 4.ª eliminatória da Taça de Portugal: 27 de Novembro, quinta-feira, às 19.30. A data, a três dias da disputa da 10.ª jornada da Liga, carece ainda de confirmação por parte da federação.

in: http://www.record.pt/noticia.asp?id=811722&idCanal=23

Do jornal O Setubalense, de 14.11.2008:

(...) Finalmente, na quinta (dia 27) para a Taça de Portugal Millennium, e agora sim data confirmada pela FPF depois das hipóteses avançadas de 19 e 20 (esta última entretanto abandonada porque coincidia com a data de aniversário do Vitória), em Torre de Moncorvo, às 19.30h, a resolução da eliminatória com o vencedor deste desfecho já com adversário à espera, saído do sorteio que hoje mesmo, no auditório da FPF, se realiza.

In: http://www.osetubalense.pt/noticia.asp?idEdicao=251&id=9155&idSeccao=2073&Action=noticia

Para saber mais sobre o GDM, clicar em: http://www.zerozero.pt/equipa.php?id=3611

... E veja a grande reportagem sobre o GDM, no Jornal de Notícias on line, de 18.11.2008: http://jn.sapo.pt/paginainicial/Desporto/interior.aspx?content_id=1045873

Para ver as fotos da mesma edição do J.N., clique neste endereço: http://jn.sapo.pt/multimedia/galeria.aspx?content_id=1046025

S. Martinho de Maçores


Realizou-se neste fim de semana (dias 8 e 9) a tradicional festa de S. Martinho de Maçores. Apesar do dia de preceito ser o 11 de Novembro, os organizadores resolveram antecipá-la por calhar em dia de semana (também aqui a tradição a ceder aos ritmos dos novos tempos…)

Continuou a fazer-se a ancestral “procissão” com o caldeiro cheio de vinho, pelas ruas da aldeia, com acompanhamento do gaiteiro vindo das terras de Miranda, e o magusto colectivo nas Eiras. A animação nocturna ficou a cargo do impagável Quim Barreiros (que já aqui tinha actuado há poucos anos) e de um conjunto da região, isto além do programa religioso.



Mas, aproveitando o tema, será bom recordarmos excertos de um texto do nosso saudoso mestre Padre Joaquim M. Rebelo, incluído nas Actas de um congresso intitulado: “A festa popular em Trás-os-Montes”, realizado em Novembro de 1993 (a publicação é de 1995). Começando pelo princípio, aqui vai:

“Resumo biográfico de S. Martinho

S. Martinho nasceu na Panónia (Áustria, Hungria?), cerca do ano 316, de pais pagãos. Depois de aos 18 anos receber o baptismo, renunciar à carreira militar e ter viajado pelo Oriente, onde se iniciou na vida monástica, fez, por algum tempo, vida de ermitão.

Fundou alguns mosteiros mas o mais famoso foi o de Ligugé (França) onde levou vida monástica sob a direcção de Santo Hilário.

Foi depois ordenado sacerdote e mais tarde eleito bispo de Tours.

Pregou o Evangelho pelos campos da Gália numa linha de extirpar os restos de paganismo, a superstição e a ignorância do povo e foi durante muitos séculos o santo mais popular da Europa Ocidental pela nobreza de carácter, pela sua bondade (a capa de S. Martinho…), humildade, etc..

Morreu no ano de 397.

A sua memória litúrgica é a 11 de Novembro.”


Ou seja, na sua biografia nada o relaciona com o vinho. Aliás, o padroeiro dos vinhedos do Douro, não é S. Martinho, mas sim Santa Marta (que, ao que conste, também não era nenhuma “borrachona”!...).

A associação de S. Martinho ao vinho parece derivar apenas do facto de o ciclo da fermentação e apuramento do mosto, transmutado em Vinho, se consumar por volta da data consagrada ao referido santo (a vida agrícola regulava-se pelo calendário a que o Cristianismo associou os seus santos mártires e festas litúrgicas, normalmente sobrepostas às festas pagãs pré-cristãs).

Assim, quanto ao S. Martinho, foi ainda o Pe. Rebelo quem recolheu os seguintes ditos populares: “Pelo S. Martinho, todo o mosto é bom vinho”; “No dia de S. Martinho (11/11) prova o vinho, mata o porco e põe-te de mal com o vizinho”; “No dia de S. Martinho (11/11), lume, castanhas e vinho”.


Mas, voltando à festa de S. Martinho de Maçores, devolvamos a palavra ao Pe. Rebelo, que a descreveu a partir de uma recolha que fez em 1990:


“(…) A festa mais (típica, semi-pagã) do concelho de Torre de Moncorvo, embora, ultimamente, esteja a ser adulterada com a introdução dos conjuntos musicais, é a do S. Martinho, freguesia de Maçores, que se celebra a 10 e 11 de Novembro (…).

‘É uma festa que nada se assemelha a das outras vizinhas’, diz-me um velhote a viver intensamente a festa.

‘Há três coisas que não faltam na festa – acrescenta o idoso – o vinho na caldeira, as castanhas e o gaiteiro’.

‘É uma festa muito alegre, até se diz que é a festa dos bêbados’.

No dia 10 chega o gaiteiro, ‘cuja chegada é anunciada com o estralejar dos foguetes’.

Depois o gaiteiro é ‘sorteado pelas mordomas para ver quem irá dar o alojamento ao mesmo’.

Logo que chega, o gaiteiro, acompanhado por ‘alguns homens de diversos níveis etários’, dá volta à povoação, não se calando até à hora do jantar (cear).

À noite, há o arraial com um ‘conjunto’ e a arrematação de prendas oferecidas pelas moças.

Dia 11 é o grande dia. Da parte da manhã, o gaiteiro percorre novamente as ruas tocando e os acompanhantes cantando e dançando.

De tarde há a missa e a procissão acompanhada pelo gaiteiro que toca canções religiosas, como o ‘Queremos Deus’, ‘Santos e Arcanjos’…etc.’

A seguir, para estes camponeses chega a parte mais importante da festa – o magusto, ‘porque, segundo o tal velhote, se o S. Martinho fosse vivo, era quem mais cantava e dançava’.



O magusto comunitário iniciou-se por volta das dezasseis horas. Antes, porém, o gaiteiro percorreu, novamente as ruas da aldeia acompanhado de muitos homens e rapazes com uma caldeira enfiada numa vara de cerca de dois metros de comprimento segurada por dois jovens, e na qual foi deitado o vinho oferecido pelos proprietários da terra.

A caldeira, que leva, talvez, mais de 10 litros, está cheia e ‘agora levada pelas ruas por jovens, com o gaiteiro. Toca-se, canta-se e dança-se, dá-se de beber a quem passa.

E todos os estranhos que neste dia aparecem em Maçores são obrigados a beber de bruços na caldeira. Se não beberem mete-se-lhe a cabeça dentro da caldeira.


O cortejo encaminha-se para o lugar das Eiras, onde o magusto se vai realizar.

Durante esta ‘procissão’, que o gaiteiro e o povo fizeram pelas ruas da aldeia, antes de chegarem ao lugar do magusto, cantam quadras como estas:


Ai eu hei-de morrer na adega,

Ai o tonel seja o caixão

Ai o vinho seja a mortalha

Hei-de morrer com o copo na mão.


Minha sogra morreu ontem,

O diabo vá com ela,

Deixou-me as chaves da adega

E o vinho bebeu-o ela (…)


O cortejo chegou finalmente ao largo das Eiras onde se vai fazer o magusto. A palha espalha-se no largo e as castanhas, em grande quantidade, são lançadas nessa palha à qual se ateia fogo. (ver foto acima)

Os foguetes estralejam, as castanhas removidas por homens, com compridas varas, estoiram aqui e ali provocando a hilaridade que contagia velhos e novos.

As pessoas vão aproveitando, não há fronteiras sociais, para comerem as que lhes parecem melhores, deixando as glórias ou piadas (castanhas encruadas) e as queimadas.


(…) Entretanto, os rapazes, e não só, aproveitam o fim do magusto para enfarruscar sobretudo as raparigas, que lhes retribuem na mesma moeda ‘ficando negros como carvoeiros’. Entre uma gargalhada, uma castanha, um gole de vinho e uma enfarruscadela à parceira ou parceiro do lado, acaba o magusto.



Regresso à aldeia. E a festa continua pela noite dentro com o gaiteiro resfolegando e a malta, já meio enrouquecida, cantando”.


Desta feita, em 2008, já no século XXI, a festa perdura e ainda foi mais ou menos assim. Terminando com o Quim a debitar: “e o cavalo do teu pai, e a égua da tua mãe, e o porco do teu irmão, "…etc. para já não falar da sua mais romântica canção (diz ele): "quero cheirar o teu bacalhau, Maria!..."



Para o ano há mais!


Texto: N. Campos e Padre J.M.Rebelo, artigo citado (em itálico).

Fotografias: de autoria de Filipe Camelo, tiradas nos dias 8 e 9 de Novembro de 2008.


Nota1: Entretanto, pode visitar o fórum de Maçores (é preciso registo prévio): http://www.macores.pt.vu/

Nota2: ainda sobre este tema, pode ainda visualizar algumas excelentes fotos da festa de 2006, da autoria do nosso colaborador António Basaloco, em: http://www.antoniobasaloco.org/gentes97.htm

sábado, 8 de novembro de 2008

Slides Torre de Moncorvo

TORRE DE MONCORVO - SLIDES


quinta-feira, 6 de novembro de 2008

aos quadradinhos...

Gente

Moncorvo, com a camioneta de estudantes, era passagem.
Depois, a Sé, com a figueira, fez a aliança. Ainda bem que a fez.
Neste entretanto, a sul, em terras da planície,
com templos feitos de pedras com história, em eternas aprendizagens, trabalho, aprendendo a Vida.
Agora, nesta lonjura da doce planície, recordo,
porque passagem já pouca há,
o que o tempo não deixou, não deixa, esquecer.
Recordo o Rogério, um dia, num bairro de Lisboa, com simbologia.
Recordo os padrinhos, bons, na ourivesaria, na Praça;
um reconhecimento merecido, grato, daqui.
Obrigado.
Recordo os pais do Rogério, ao lume, na casa junto à Praça.
Não sei se partiram;
sei que ficaram.
Ei-los aqui!

J. Rodrigues Dias

domingo, 2 de novembro de 2008

Cruzeiro no Cabeço da Mua - Felgar

Corria o ano de 1939. Talvez 1940, dizem alguns.

Um grande cruzeiro em granito foi colocado no alto do Cabeço da Mua, freguesia de Felgar.

Quis o destino que no ano seguinte o cruzeiro fosse derrubado pelo “ciclone”


Assim permaneceu até ao dia 12 de Março de 2005, dia em que foi de novo reerguido.

Se circularem na estrada nacional indo de Moncorvo em direcção a Carviçais, depois de passarem pelo Carvalhal olhem para a esquerda, para o alto do Cabeço da Mua.

Se puderem subam! Vale a pena.

Uma nota: ainda há que se lembre desse temporal. Daria um bom tema a explorar. Mas é melhor não perderem tempo.

António Manuel

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