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domingo, 24 de janeiro de 2010

Festa de S. Sebastião da Corredoura (Torre de Moncorvo)

Procissão do Mártis S. Sebastião, após a missa, pelas ruas da vila (foto N.Campos, 2006)

A festa de S. Sebastião vem-se realizando desde tempos remotos, centrada na respectiva capela, situada ao fundo do largo da Corredoura. O pesado andor, com a imagem do santo mártir colocada sobre um castelo de cartão, é levado desde a capela até à igreja matriz, onde decorre a missa dominical (o dia do Santo é 20 de Janeiro, mas, devido aos horários de trabalho, nas últimas décadas a festa passou a fazer-se no domingo imediato ao dia de preceito). Depois sai a procissão pelas ruas da vila, voltando o Santo para a capela.

Vista geral do Largo da Corredoura, ao início da arrematação, hoje à tarde.

Da parte da tarde tem início a famosa arrematação das oferendas, compostas por doçaria (bolos), fumeiro (chouriças, salpicões, presuntos), aves (patos, tordas), vinho, etc.. Sinal dos tempos, até "pizzas" (certamente da pizzaria ao lado), e outros géneros da actualidade. Noutros tempos, os pastores de Moncorvo ofereciam borregos e cabritos. Esta é sempre uma parte muito esperada e participada da festa. - De salientar que, tradicionalmente, em todas as festas de S. Sebastião, mesmo de outras localidades, entra a arrematação de enchidos.

"-Quem dá mais?" - pergunta o arrematador. O sr. Fernando Cavalheiro ("Bispo") levanta as chouriças.

O culto de S. Sebastião encontra-se generalizado por todo o Portugal, e, como não podia deixar de ser, pela nossa região, sendo uma das raras festividades de inverno. Consta que o referido culto se generalizou a partir do séc. XVI, depois de uma grande peste. S. Sebastião é também o protector relativamente às pragas de ratos, esses vorazes inimigos dos lavradores.

Um bom momento de convívio de todos os moncorvenses, de todas as idades - e o bom tempo ajudou!

Há quem defenda que a generalização do culto, durante o período filipino, entre o final do século XVI e inícios de XVII, e mesmo depois, se deverá ao desejo do regresso do rei "Encoberto", D. Sebastião, o mártir de Marrocos, por analogia ao santo homónimo. Seja como fôr, a capela da Corredoura (propriedade da Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo) deverá ter sido construída por essa altura, pelos lavradores da Corredoura que ao santo sempre tiveram uma grande devoção. Lembro-me das descrições que faziam os mais velhos da Corredoura, idos dos anos 70, sobre a animação do que eram os arraiais no "picadeiro" de pedra junto da capela. Ao "santinho" chamavam-lhe o seu "vizinho mais velho"!

Iguarias de fazer crescer àgua na boca - as famosas bolas fritas.

Apesar das mutações sociais e culturais, a festa do S. Sebastião da Corredoura vai resistindo aos tempos graças à carolice de algumas famílias antigas de Corredoura, de que é justo salientar os Ramos e o Sr. Lamares, grande animador das festas da vila, com a colaboração de diversos arrematadores (Srs. Pinto, Fernando Rabaçal, Fernando Cavalheiro).

O ajudante de arrematador, Sr. Fernando Rabaçal exibe um molho de tordas, oferta de um caçador.

Ah, e os parrecos também não podiam faltar!

Após a arrematação tem lugar o arraial popular, animado por um conjunto local, para se poder dar um pé de dança.

Força Corredoura! O nosso S. Sebastião tem de continuar sempre com a sua festinha!

Fotos: N.Campos

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Mais um conto de Júlia Biló: O ZÉ LEITINHO

Não sei se alguém em Moncorvo se lembrará ainda do Zé Leitinho, José Leite de seu nome oficial.
Magrinho, de altura mediana, pele macilenta, cabelo preto liso, risco ao meio e empastado de brilhantina para se manter fixo no seu devido lugar. Sempre vestido de fato preto, lustroso de tão coçado, pastinha preta debaixo do braço.
Creio que era funcionário menor da Câmara, talvez cobrador.
Também lhe calhava ir à Corredoura. Então aí, à roda do Zé Leitinho, juntavam-se as meninas da Corredoura que, ao tempo, eram as filhas da Sra. Camila Miranda, da Sra. Rosalina Mesquita, a Menina Alcina, jovem esposa do Sr.Todu, a Menina Gininha Galo (já não muito jovem) , as filhas da Sra. Delmina Terceira, a Menina Natalina, a Menina Idalina e ... não sei se me esqueci de mais alguma. Depois a roda alargava-se com mais algumas mulheres e , obviamente, a canalhada não podia faltar.
Nesta última faixa encontrava-me eu. Furávamos entre as pernas das pessoas (já uma pequena multidão) para chegarmos à frente e não perder pitada.

As filhas da Sra. Rosalina e da Sra. Camila pediam, suplicavam ao Zé Leitinho que lhes cantasse o “Passarinho da Ribeira”. E insistiam : “A sua voz é maravilhosa” , “Canta que nem um rouxinol” . “ Não , não canto. Por favor, não peçam mais” . “Se for preciso, peço-lhe de joelhos” . E uma mais atrevida pôs logo os joelhos em terra e, de mãos postas : “ Por favor, cante. Não nos faça sofrer mais “ .
E o Zé Leitinho atrapalhado - até o cabelo começava a fugir do seu arrumadinho lugar - queria sair dali, mas a roda apertava-se à sua volta.
Finalmente cedia em cantar “Só uma. Só uma e mais nada”. Fazia-se silêncio e o Zé Leitinho esticava o pescoço, pigarreava, olhava para o céu, fechava então os olhos e soltava a sua voz : “Passaaaarinho da Ribeira / Não seeeejas meu inimiiiiigo ... “ Aqui começava uma das Meninas a ficar sem forças, encostando-se a outra e mais outra que começava a desmaiar... e o Zé Leitinho, embebido na canção que existia na sua cabeça e não sabendo que a desafinação era completa, continuava “...Empreeeeesta-me as tuas aaaasas / Deixaaaaa-me ir voaaaaar contiiiigo...” Por esta altura, tinha de abrir os olhos , porque os “ais” das Meninas eram já muitos e os desmaios tantos que algumas iam a correr buscar água para deitar na testa das que haviam desmaiado e estavam nos braços de outras que fingiam chorar .
A aflição estampava-se na cara do Zé Leitinho que, em lágrimas verdadeiras, dizia confuso: “ Eu não queria cantar. Eu sei que a minha voz provoca este efeito nas jovens. Oh, Deus me valha! “ Lá conseguia que lhe abrissem o cerco e, tirando o lencinho branco que espreitava do pequeno bolso do casaco, fugia limpando a testa e a cara.
As Meninas em desmaio recuperavam de imediato e as lágrimas que agora lhes assomavam aos olhos eram das gargalhadas que o Zé Leitinho já não ouvia.
Eu era muito pequenita e até sentia pena do Zé Leitinho . Mas tenho de confessar que nunca ouvi voz tão desafinada. E mais, em alguém que não tinha a mais leve ideia da sua desafinação.

NOTA – Penso que o Lelo sabe outras estórias do Zé Leitinho.

Por: Júlia de Barros Guarda Ribeiro (Júlia Biló)

terça-feira, 30 de junho de 2009

ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 9

Vista da Corredoura, num dia de neve, do longínquo ano de 1894. Ao centro vê-se a capela de S. Sebastião (Esta foto foi tirada pelo Padre Adriano Guerra, um dos pioneiros da fotografia em Torre de Moncorvo, tendo-nos sido cedida uma reprodução pelo Dr. Carlos Seixas - original em poder da família)


Só já nos falta um pequeno troço por trás da capela de S.Sebastião, em direcção ao Terreiro e à casa dos Mirandas: numa moradia bonita de rés-do-chão ( para arrumações e adega) e 1º andar, viviam o Sr. Todú e a esposa , a D. Alcina. Tinham duas filhas, mais ou menos da minha idade, a estudar fora de Moncorvo, num colégio interno, À esquerda havia um portão que abria para um pátio com uma casinha pequena onde morou a Tia Marquinhas Gata e depois a filha Teresa Gata com o marido e filhos. Pegada a esta, noutra casita também muito pequena viveu outra filha da Tia Marquinhas: a Adélia Gata e a família. À direita da casa do Sr. Todú e com ela pegada ficava a casa do Tio Cordoeiro, pai da Beatriz Cordoeira, da Cecília e do Alberto. Seguia-se a casa da Tia Filomena Vilela, marido e filhos. Mais recuada, ficava a casa da professora D. Graciete Gregório que, dizia-se, era má como as cobras. Vinham então mais duas casas, uma de rés-de-chão, só com porta e sem janelas, em que moravam a Sra. Amélia e o Sr. Fidalgo, guarda republicano, e depois outra casa com rés-de-chão e 1º andar e com varanda para o Largo da Corredoura, para Os Olmos e para a Vila. Um luxo ! Aí moraram a Menina Idalina e o marido Sr. Alexandre Morais, mais conhecido por Alexandre Verde e aí nasceram os seus cinco filhos. Esta casa fazia esquina e, mais recuado, no canto, ficava um forno que ainda trabalhava em pleno. A forneira era a Tia Alexandrina Tótó.

Vamos agora ao começo do caminho para S. Paulo: à esquerda ficava a casa do Sr. Manuel dos Carros e da mulher, a Sra. Rosinha. Esta casa também tinha um cabanal onde o Sr Manuel trabalhava e onde ficava uma casita em que viveu a Tia Maria Escalda com os filhos Leopoldo e Germano. A seguir a esta, mas no caminho para a Nória, vivia a Tia Aida, mãe do Xico Alfaiate (casado com a Menina Judite Gregório). Por cima, a Palmira do Álvaro. Pegada à casa da Tia Aida ficava uma cortinha da Sra. Guilhermina Galo e lá no fundo era a Nória. Já quase na Fonte Carvalho, numa casinha dentro de um quintal, vivia o guarda republicano Sr. Redondo, com a mulher , a Sra. Marquinhas do Redondo e os filhos.

Creio que dei a volta completa. Mas a memória é muito traiçoeira. Deve haver inúmeras falhas... Peço, por isso, a quem se lembrar de mais moradores da Corredoura ou que ache que a sequência não é bem assim, o grande favor de chamar a atenção, para que os erros possam ser corrigidos.

a) Não deveremos esquecer que este ROTEIRO diz respeito àquela dezena e meia de anos, mais ou menos entre 1944/45 e 1959/60.

b) Sugiro que alguém parta desta data (1960) e continue até 1975 – 1980;

c) ... e de 1980 até 2000 ; etc.

Com um grande abraço a todos os Amigos e Conterrâneos e um abraço muito especial aos Corredourenses.

Por: Júlia Barros Ribeiro (BILÓ)

Nota: A foto de baixo mostra a zona do bairro do S. Paulo, a caminho da Fonte Carvalho, com o antigo campo de futebol ao fundo, à direita. Em primeiro plano, o olival do Santo Cristo (que deu lugar ao bairro do mesmo nome) e a esquina de um dos edifícios da Cooperativa. - Foto de Leonel Brito, anos 70.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 8

Grupo de crianças da Escola Primária da Corredoura, com a professora D. Isabel. Foto de 1926/27, segundo informação de D. Maria Antónia Brito Castilho (Arquivo Leonel Brito)

Quase no fundo, ainda do lado esquerdo, numa casa pobre, com uma escada de degraus altos e muito falsos, pois não tinha corrimão nem qualquer apoio para as mãos, morava a Tia Delmira, o marido e filhos. A seguir era a casa de uma tia minha, a Tia Permelívia (que morreu muito nova) onde viveu com marido, Abílio Amador, e os filhos. Atravessada a boca da Canelha, numa casa com um pequeno alpendre, morou a D. Arminda de Maçores, com as filhas Camilinha (mais tarde casaria com o Sr. Inspector Costa) e Dulce, enquanto elas frequentaram o Colégio. Depois viveram aí o Henrique Chanfana e a mulher, Alice.
Ladeando esta casa, entrava-se num pequeno largo onde ficava a casa da Tia Alcina Guino, mãe da Miss, do Rei, da Princesa, do LoboMano e ainda a casa dos Amadores, já de razoável construção. Seguindo por uma abertura ia dar-se ao Carrascal e aos inúmeros palheiros que então aí existiam.

Voltando para trás e subindo agora a Rua de Baixo, ficavam à nossa esquerda as casas da Cacilda Marialva e da Carminda Marialva, irmã e filha da Tia Marquinhas Marialva. Havia depois uma cortinha, a “Feitoria”, tratada pelo Tio Caetano e pela mulher. Tinha um poço de água para regas, um grande tanque e a maior laranjeira que já vi, com laranjas enormes e sumarentas, mas muito azedas. A Tia Lucinda Gamboa dizia que era do sabão com que se lavava a roupa no tanque e que ia para as raízes da laranjeira.
Depois da Feitoria era a casa da Tia Maria Carmacha, casada com o César Caçador que criava cães perdigueiros portugueses lindíssimos. Vinham caçadores de todo o lado comprar-lhe perdigueiros. E eu ficava perdida, horas seguidas a ver os cachorrinhos. O Tio César só me deixava fazer-lhes uma festinha, senão ficavam “morrinhentos”.
(Continua)
Por: Júlia de Barros G. Ribeiro (Júlia Biló)
Nota: Excepto a fotografia do topo, as outras duas são de 1950 (informação de Leonel Brito, que as obteve de D. Maria Antónia Brito Castilho). Estes são os meninos da Corredoura (usando a expressão de Daniel de Sousa) de outros tempos. A foto intermédia foi tirada junto ao adro do S. Sebastião; a de baixo parece ser na famosa casa (hoje parcialmente destruída) que está na capa dos Contos ao Luar de Agosto, da autora deste "post".

domingo, 28 de junho de 2009

ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 7

Momento da "arrematação" no adro da capela, durante uma festa de S. Sebastião, por volta de 21 de Janeiro, nos finais dos anos 70, ou inícios da década de 80. Do lado esquerdo, a casa grande era a dos Mirandas, em cujo baixo ficava o café S.Sebastião, do sr. Amílcar (foto do arquivo do Sr. Abílio Dengucho, cedida a Leonel Brito)

Antes de passarmos à Rua de Baixo, vamos seguir as casas de “O Alto” pelo nosso lado esquerdo até à casa da Menina Gininha Galo: na da esquina morava a Tia Teresa Costa, o marido, o Tio Miguel e os filhos, o Alexandre, o António e a Maria. Logo a seguir , fazendo um recanto que era um óptimo soalheiro abrigado do vento, morava a Sra. Delmina Terceira, o marido que era guarda-fios e três filhas: a Maria, a Conceição e a Julieta (minha comadre) e dois filhos, o António e o Zé. Depois era a casa de um arrematante de trabalhos nas estradas, que veio de Valdujo com a mulher e duas filhas. A mais nova, Floripes, era da minha idade. Acabados os trabalhos contratados, iam embora para outras paragens. Pegada a esta, ficava uma casita muito pobre que a minha mãe comprou à Sra. Guilhermina Galo. Os anos que ainda vivi em Moncorvo (até aos 21) passei-os nessa casa. A seguir morava outra família da grande família que eram os Vitelas: a Tia Maria Vitelas, casada com o Zé Vitelas, pais da Carmelina e da Lídia, minhas colegas de escola primária. E demos a volta: estamos já junto da casa da Menina Gininha Galo e da esquina da grande casa dos Mirandas.


Voltemos então à boca da Rua de Baixo que, como já disse atrás, começa precisamente entre a casa dos Mirandas e a dos Mesquitas. Quem desce a rua, à esquerda, vê os baixos da casa da Gininha Galo: aí, num pequeno cubículo, vivia e trabalhava o Deodato, sapateiro. Pegada a esta vinha a casa onde morou o Batateiro. Mais tarde viveram aí o João Falapão com a mulher a Beatriz Gata, pais da Emília e do Beto. Seguia-se a casa da Tia Perpétua dos Requeijões, onde íamos com a caneca ao soro.

Por: Por: Júlia de Barros G. Ribeiro (Júlia Biló)

Nota do postador: a foto de baixo mostra o início da Rua de Baixo; a esquina à esquerda é da casa dos Mirandas; junto às escadas que se vêm ao fundo, do lado esquerdo, era a casa do ti João Araújo "Falapão" e srª Beatriz, de que se fala neste fascículo do Roteiro de Júlia Biló; as escadas davam acesso à casa onde, nos anos 70, viviam os Vilelas.

sábado, 27 de junho de 2009

ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 6

Vista do Largo da Corredoura hoje (27.06.2009) para comparação com a foto do Roteiro da Corredoura nº. 3 (post de 24.06.2009), já que foi tirada do mesmo ângulo (foto N.Campos)
Voltando à frente da casa da Tia Fusa, à nossa mão esquerda, ficava a casa da Tia Maria José Carlota, (que queria que a chamassem sempre pelos três nomes) mãe da Júlia Checha e do Alberto Checho. Depois havia uma casinha térrea, muito miserável, onde vivia a Laura vesga, com a mãe (a Tia Camila) que era quase cega e os filhos: a Maria, a Júlia, a Camila e o António Camilo. Uma das filhas era também estrábica. Vinha então uma casa de boa construção em cantaria, com loja para os animais e onde havia um quartinho feito de tabique para o albardeiro, cujo nome esqueci, e no 1º andar vivia o Tio Diogo Parrico. Seguiam-se três casinhas térreas: na que fazia canto com a casa do tio Diogo, vivia a Tia Maria Panda; na seguinte morava a Tia Aurora Choqueira casada com o Artur Ganchinho que morreu novo e na última morava a Tia Júlia Marruca. Passando a esquina desta chegamos a “ O Alto”, assim designado, porque fazia um leve declive na direcção das casas mais baixas. (Uma desgraça quando a chuva era muita). Na primeira casinha, pequena, térrea, vivia a Maria, sobrinha da Lucília Florista, com os filhos. (Mais tarde, depois do Guarda Republicano, pai do “Arreia Zeca” ter ido embora, foi morar na casa onde vivera a tia). Na segunda casita vivia a Tia Júlia Panela, cujo marido – ainda relativamente novo – teve um ataque cardíaco e ficou entrevado na cama até ao fim da vida. Tiveram dois filhos, um dos quais, quando recém-nascido, era os meus encantos e era preciso tirarem-mo do colo. Havia depois uma casa de varanda redonda onde morava a Tia Carminda Clareira no 1º andar; e, no rés-de-chão, sem qualquer janela, numa casa com chão de lajes muito desiguais e imperfeitas (uma ratoeira para quem andasse lá às escuras) morou a Ana Baloca. Depois, durante algum tempo, viveu aí a Maria Carmacha com o marido e um ou dois raparigos. Pegada e fazendo canto viviam, numa casa de soalho, a Tia Maria Cândida Moreira, a filha, a Menina Natalina, costureira, e os filhos: o Lúcio, o Zé Coelho, o António e o Manuel. (Este semicírculo era conhecido como “O Canto”). Seguiam-se duas casinhas muito pobres: numa vivia a Beatriz Carmacha, mãe da Maria, da Alice, do Artur e da Júlia, esta, minha colega na escola primária. Na outra moravam a Tia Zefa Maçorana e a neta Júlia, que devia ter uma grande miopia, mas não havia dinheiro para óculos. A rapariga cantava muito bem. Pegada, ficava a casa da Tia Marquinhas Marialva, que já dava para a Canelha que levava à Rua de Baixo. (Continua)

Por: Júlia de Barros G. Ribeiro (Júlia Biló)

Foto intermádia: vista geral do largo do "Terreiro", do bairro da Corredoura. Foto do fundo: é a zona do "Canto", de que se fala neste "post" - ao fundo do Canto existe a canelha que liga à rua de Baixo (fotos tiradas no dia 27.06.2009).

sexta-feira, 26 de junho de 2009

ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 5

Feira de vestuário e panos, na Corredoura, junto à capela, nos anos 70 (foto de Leonel Brito)

Para a esquerda destes palheiros, num caminho estreito para o Carrascal, ficava a casa dos Majores: no rés-do-chão dormia o rebanho das ovelhas e no 1º andar viviam as pessoas. Para a direita dos mesmos palheiros, no largo já referido, ficava a casa dos Noventas. Ao canto, também à direita, era a casa onde morava a Sra. Aninhas dos Cerejais que, se bem me lembro, só bebia chás e comia sopinhas de leite e morreu de cancro do estômago. Para esse mesmo largo davam as costas do forno da Sra. Camila Miranda, que foi o que “andou” até mais tarde. A forneira era a Tia Maria Panda.

Vamos até à esquina e temos a bica do povo. (Que eu me lembre, só 4 ou 5 casas tinham água canalizada: os Mirandas, os Mesquitas, o Sr. Todú, a Menina Gininha Galo e a D. Aida). A seguir à bica era a porta do forno. Pegada ao forno ficava a casa em que vivi com a minha mãe e a minha avó desde os meus dois anos até aos oito. A casa pertencia aos Mirandas: na loja ficavam os seus bois e no 1º andar vivíamos nós. Depois, paredes meias com a nossa casa, morava a tia Cândida Patuleia com o marido e os filhos. A seguir era a casa do Tio Alberto Manco, padrasto do Nésio. Pegada a esta ficava a casa da Tia Beatriz Vilela, mãe da Virgínia, que foi minha colega no Colégio. Seguia-se a da Tia Maria Fusa que tinha uma família numerosa. A virar já para o Carrascal, morava a Tia Emília Mascarenhas, que tinha uma mão com os dedos encolhidos, por se “ter picado numa silva-macha, quando era pequena”. Nos baixos viviam a Tia Maria Casca Grossa e os porcos.
(Continua)

Por: Júlia de Barros G. Ribeiro (Júlia Biló)

Meninos da Corredoura

Meninos da Corredoura

o tempo era então só nosso e escoava-se nas manhãs
com luz e grandes espaços
ouviam-se vozes na sombra sob os plátanos
de verdes e generosas folhas que anunciavam o verão em cada ano
e tombavam depois na agonia outonal sem
cessar redizendo o eterno
o tempo era imaculado gritante limpo infinito
corríamos de sandálias e calções rotos na poeira
num mundo só nosso
inexplicado e simples sem mistérios sem mágoas sem mentiras
também temível como a serra dos medos que ao fundo ocultava um segredo

sorvíamos o ar no peito
os nossos olhos brilhavam com fulgor e diziam do sol a redonda luz

depois o tempo guardou os sonhos depois o silêncio depois o frio
por fim sobreveio um inquieto torpor
e alguns dos meninos cujas vozes eu ainda lembro já não vejo

ou talvez sejam apenas vozes já muito distantes
como estrelas

Junho de 2009

quinta-feira, 25 de junho de 2009

ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 4

Pessoas da Corredoura, na zona do "terreiro"? nos anos 70 (foto de Leonel Brito)

Num cubículo da casa atrás referida vivia a Maria Manquinha, com o marido e 3 filhos. Por baixo, o porquinho. A seguir, sempre à esquerda, ao fundo de uma estreitíssima quelha, ficava um forno tratado pela Tia Marquinhas Marialva. Vinha então uma casa com rés-de-chão e 1º andar (pertencente à Sra. Adelina Chavé), com varanda e janelas, pintada de cor de rosa, onde morava a Dona Aida, irmã do Dr. Ramiro Salgado, casada com o Sr. Antoninho, portanto cunhado do Dr. Ramiro e secretário do Colégio. Pegada a esta ficava a casa da Tia Maria Trovões onde vivia com filhas e netos. Por baixo , os burros e porcos. Na casa seguinte morava a irmã, a Tia Cacilda Trovões, mãe do Abel carteiro. Depois era o cabanal, um espaço com um telheiro onde se albergavam ora ciganos, ora os amoladores de tesouras e os caldeireiros que, de tempos a tempos, vinham até à vila. Pegada ao cabanal, mas ao nível do 1º andar, morava a Tia Lucília Florista. Mais tarde, após a morte da Tia Lucília Florista, morou lá um guarda republicano com a mulher e um filho da minha idade e que malhava em todos nós. Se, por um acaso, estava a perder a refrega, vinha a mãe ao balcão e gritava-lhe: “Arreia, Zeca, que o teu pai é guarda” .
Estávamos no coração da Corredoura.

A seguir à casa do dito guarda, vinha uma outra, de pedra, com rés.de-chão e 1º andar, bem construída e de dimensões razoáveis, onde vivia a Sra. Lucinda, uma das famílias dos Vitelas, lavradores já razoavelmente abastados. Depois seguia-se uma casa de 1º andar (na loja estavam os bois dos Vitelas), normalmente alugada a estudantes do Colégio. (Mais tarde, esta casa foi habitada pela Tia Idalina do Campo). Pegada a esta ficava a casa do Tio Caetano e da Tia Lucinda Gamboa, que gostava muito de mim porque, quando ia ajudar a minha mãe a fazer as alheiras, eu lhe dava um golinho de vinho às escondidas de toda a gente. Em frente destas três casas ficava um pequeno largo , onde existiam dois palheiros que, no tempo da apanha da azeitona serviam para albergar os ranchos das mulheres e homens que vinham das aldeias, a maior parte dos quais vinha (pela pronúncia que ainda guardo no ouvido) de Felgueiras. Apesar do cansaço, aí havia música – realejo e bombo - e bailarico até às tantas.
(Continua)

Por: Júlia de Barros Ribeiro ("Biló")

quarta-feira, 24 de junho de 2009

ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 3

Feira do gado no Largo da Corredoura. Do lado esquerdo a capela de S. Sebastião; ao fundo a velha escola primária dos rapazes (foto dos anos 50 ou 60? - arquivo de Drª Júlia Ribeiro)

Pois, a seguir à casa do Sr. Miguel Mesquita vinha outra casa (pertencente aos Mirandas) que era normalmente alugada a famílias das aldeias vizinhas que traziam os filhos para estudarem no Colégio. Nela moraram a Eugénia Carlota, irmã do Galeguinho, e mãe da Eva. Depois morou lá uma senhora com uma filha chamada Astride, que andou no Colégio ao mesmo tempo em que eu andei. Esta casa fazia esquina e na esquina em frente era a casa dos Mirandas. Os Mesquitas e os Mirandas eram então as duas famílias de lavradores mais abastadas da Corredoura. (Nada tinham a ver com os grandes proprietários absentistas da Vila que só vinham a Moncorvo por altura das vindimas e colheita da amêndoa e alguns pelo Natal, que era também a época da lagaragem do azeite). Os homens das duas famílias mencionadas trabalhavam as suas terras com os bois, os machos e os jeireiros. As filhas não trabalhavam no campo. Entre a casa dos Mesquitas e a dos Mirandas começava a Rua de Baixo. Já lá iremos.

Dobrando a esquina da casa dos Mirandas, à direita era a casa da Sra. Guilhermina Galo, mãe da Menina Gininha Galo, empregada nos Correios, depois chefe. Casou já ia quase nos 50 com o sapateiro Álvaro Chalaça. (A velha Guilhermina Galo, que nunca aceitou tal casamento, repetia a cantilena “Sapateiro remendão, onde os outros põem os pés, põe ele a mão”). Em frente da esquina das casas da Sra. Camila Miranda e da Menina Gininha Galo, ficava a casa (pertença de Aníbal Miranda, sogro do Sr. Todu) em que morava a Menina Judite Gregório, casada com o Xico da Aida, alfaiate.

A escada que lhe dava acesso tinha uma data de degraus. Aí ouvi, em criança, as histórias que as velhas contavam. (Havia uma hierarquia determinada na ocupação desses degraus. Nos de baixo sentavam-se as mulheres mais velhas; algumas acocoravam-se encostadas à parede. Pelos outros degraus acima sentavam-se as mulheres com filhos de colo, outras mulheres e alguns homens). O Tio Diogo Parrico ficava sempre de pé, arrimado ao seu velho cajado. As moças novas namoravam ali por perto, à vista de toda a gente. A canalhada andava em correrias pelo terreiro, sim era aí o Terreiro, um largo bem delimitado. Quando se cansavam da brincadeira, vinham deitar-se na manta de trapo e, os mais resistentes ouviam histórias, os mais ensonados, dormiam.

Lamento profundamente que esta casa esteja praticamente em ruínas. Merecia ser reconstruída, pois parece-me que é a única que ainda conserva a traça das casas da Corredoura. (Continua)

Por: Júlia de Barros Ribeiro ("Biló")
Nota do postador: a casa referida no penúltimo e último parágrafo é a que figura no desenho da capa do livro "Contos ao Luar de Agosto" (ed. Magno, Leiria, 2000), da autora deste Roteiro. Aí se juntavam as velhotas a contar muitas das histórias que que figuram neste livro (e em "Contos ao Luar de Agosto-II"). Trata-se de uma obra de leitura obrigatória para quem pretenda entrar no "espírito da Corredoura".

terça-feira, 23 de junho de 2009

ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 2

A "vila" vista do largo da Corredoura, nos anos 70: à esquerda, a casa do ilustre republicano Sr. Miguel Mesquita (ver post de 13.03.2009, neste blog); ao cimo, a rua dos Palheiros; ao fundo do largo, os olmos onde se fazia a feira dos porcos (os "recos"). - foto de Leonel Brito.



Ao fundo da Rua das Amoreiras, para quem sobe, ficava à direita a “Casa da Luz” ou “Casa do Motor” onde o Sr. Moura ia todos os dias ao final da tarde ligar os motores que desligava à uma hora da manhã. À esquerda ficava o lagar de azeite do Dr. Henrique Seixas, donde escorria o piche para uma fonte de água claríssima da Nória.

Ao fundo das outras duas ruas (Canelha da Fonte e Rua dos Palheiros) ficavam “Os Olmos”. Aí começava realmente a Corredoura. À sombra dos olmos se fazia a feira dos porcos: varas e varas de porcos que eram trazidos do Alentejo e vendidos nas feiras do gado (dias 8 e 23 de cada mês).

A primeira casa para quem subia a canelha da Fonte, à esquerda, era uma casita térrea, pobre, onde morava a Tia Maria Segura, casada com o Zé da Régua e que tinham uma data de filhos.
Ao fundo da Rua dos Palheiros, à esquerda, ficava o Lagar da Azeite dos Barreiros, situado já na Corredoura.

Então, após “Os Olmos”, virados nós para a Capela de S. Sebastião, ficavam à nossa esquerda as duas escolas primárias, ambas masculinas. (Os rapazinhos da Vila vinham à escola à Corredoura, mas as meninas da Vila não). Seguia-se o Canafechal, um espaço com dois plátanos e várias árvores velhíssimas, da família das faias, que davam sombra que era um regalo. E, por alturas do Carnaval, floresciam em “moncos” compridos com que os raparigos e os entrudos enfeitavam o nariz, o cabelo e as orelhas.

À nossa direita, a seguir ao lagar de azeite dos Barreiros, ficavam duas casinhas térreas, muito pobres, sem janela nenhuma, onde viviam, numa a Tia Amélia Abrunhosa e o marido, o Tio Zé Dengucho, um bêbado muito castiço, na outra a Tia Palmira Borrega.

Seguia-se um quintal dos Barreiros, que já vinha detrás do lagar de azeite e que era tratado pelo Tio Zé Sangra. Pegado a este quintal começava a casa e a cerca do Sr. Miguel Mesquita e da Sra. Rosalina.

E temos os topos e os dois lados mais compridos que formam o rectângulo que é o Largo da Corredoura. Foi, durante anos, o campo de futebol, antes de haver o campo da S. Paulo.
Neste Largo e no Canafechal continuava-se a feira do gado - ovelhas, cabras, burros, bezerros - que ia até ao chafariz onde bebiam as bestas. Para lá deste chafariz começava o caminho que ia dar à capela de S. Paulo. Mas antes disso, ainda há muito para desbravar.
(continua)

Texto: Júlia Guarda Ribeiro ("Biló")

Fotos: Leonel Brito


APELO: a fim de ilustrar as próximas "postas" deste Roteiro da Drª. Júlia Ribeiro, agradecíamos que nos enviassem fotografias antigas da zona da Corredoura (de preferência dos anos 40 a 60 do séc. XX). Se tiverem as fotografias sem ser digitalizadas, em papel fotográfico, podem levá-las ao Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, onde serão digitalizadas e devolvidas logo na hora. Também serão mencionadas as pessoas que possuam essas fotografias e nos facilitem a sua reprodução neste blogue. Em nome da autora, o nosso Muito Obrigado!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 1

O largo da Corredoura, diante da capela de S. Sebastião, com feira do gado, nos anos 50 (foto do Dr. Horácio Simões?)


A pedido da nossa colaboradora Drª Júlia Ribeiro (para a gente da Corredoura a Julinha Biló), e devido a problemas informáticos no seu computador, aqui vamos “postar” um grande roteiro que fez do bairro da Corredoura. E “postar” é a palavra certa, porque, dada a sua extensão, será publicado às “postas”, durante dias diferentes, como os fascículos ou folhetins de antigamente. Por isso os nossos visitantes terão de copiar estes textos, espécie de visitas guiadas pela nossa cicerone, durante dias diferentes, colando-os num ficheiro “Word”, para no final ficarem com uma visão de conjunto da Corredoura de outros tempos.

Este roteiro vem na sequência de outros roteiros da ruas de Moncorvo já feitos por outros(as) cicerones, como Maria da Misericórdia, Horácio Espalha Júnior, Julieta Brito, além de Júlia Biló, e que ficaram lá atrás, em caixas de comentários, neste mesmo blogue. São roteiros que dão testemunho dos lugares da vila e dos seus habitantes, desde os anos 40 até cerca dos 60. Fazemos votos que toda esta informação possa ser reunida e publicada num livro colectivo. Seria muito interessante.

A Corredoura era uma espécie de aldeia satélite da vila, do seu lado poente, território de lavradores e de muitos jornaleiros. Noutros tempos, os da vila, sobretudo em consequência de renhidas partidas de futebol e talvez por influência dos primeiros “westerns” que passavam no cine-teatro vilóide, passaram a apodar de “índios” a rapaziada deste bairro. Um apodo pejorativo, claro, mas que fazia jus à braveza da malta da Corredoura.

Mas, a partir de agora tem a palavra a Drª Júlia Biló, uma corredourense nata (e até à medula):


ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60

De acordo com a minha memória mais recuada – e com algumas preciosas ajudas das Amigas D. Idalina Martins, da Júlia Trovões, da Maria José, e de moradoras da Corredoura no período acima mencionado - vou tentar traçar o que terá sido o Roteiro deste bairro vai para 6 décadas.

Da Corredoura subia-se (sim, porque a Corredoura ficava em baixo e a Vila em cima) até à Vila por 4 ruas à escolha:

a) Quem ia ao Hospital, à Igreja, à Praça das Regateiras ou à Guarda Republicana, tomava a Rua das Teixeiras, também chamada Rua do Hospital;
b) Quem ia ao Tribunal, à maior parte das lojas ou à Praça Francisco Meireles (o Picadeiro de então) tomava a Rua das Amoreiras ou ,
c) em alternativa, a Canelha da Fonte . (Penso que se lhe chamava Canelha por ser a mais torta de todas);
d) Quem ia ao ferrador, à Foto-Peixe e à Capela da Misericórdia, tomava a Rua dos Palheiros, também chamada Rua do Ferrador.

Ao fundo da Rua das Teixeiras e da Rua das Amoreiras corria um caminho que ladeava a Nória e ia dar aos Pocecos, à Fonte de Santiago e ao Cemitério. Os Pocecos eram duas correntezas de tanques de cimento individuais, cada um com sua torneira, (num total de umas duas dúzias) com cobertura de telha e onde as lavadeiras iam lavar a roupa das senhoras da Vila. As mulheres da Corredoura lavavam a roupa na Fonte Carvalho onde os dois tanques grandes eram comuns e não tinham telhado. (As mulheres da Corredoura não eram benvindas pelas lavadeiras encartadas dos Pocecos).
Ainda ao fundo da Rua dasTeixeiras havia uma lixeira a céu aberto, onde era vazado o lixo da vila e o do hospital. As nossas mães davam-nos uma sova valente se fôssemos à lixeira, pois se dizia que alguém já tinha visto lá um pé ou uma perna. Era só uma forma de nos meterem medo com a lixeira. Este espaço servia de terra-de-ninguém entre a Corredoura e a Vila.

(Continua)

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APELO: a fim de ilustrar as próximas "postas" deste Roteiro da Drª. Júlia Ribeiro, agradecíamos que nos enviassem fotografias antigas da zona da Corredoura (de preferência dos anos 40 a 60 do séc. XX). Se tiverem as fotografias sem ser digitalizadas, em papel fotográfico, podem levá-las ao Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, onde serão digitalizadas e devolvidas logo na hora. Também serão mencionadas as pessoas que possuam essas fotografias e nos facilitem a sua reprodução neste blogue. Em nome da autora, o nosso Muito Obrigado!

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