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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010


3 comentários:

Daniel de Sousa disse...

Brilhante incursão na memória do microcosmos moncorvense,como intróito aos versos e à personalidade de Arnaldo Gonçalves.
Uma Macondo (como bem lhe chama o Rogério) que eu não vivi mas percepciono como real e verosímil. Uma visão magnífica de um certo mundo paralelo, por vezes grotesco, por vezes comovente, por vezes ainda patético - a merecer talvez a grande e definitiva crónica.
Daniel

António Sá Gué disse...

Posso dizer, sem grande erro, que não conheci nenhuma das figuras citadas, mas, paradoxalmente, tudo me parece familiar.
Creio que este brilhante retrato aqui deixado, é um fac-símile do país dos anos 60 e 70.

Abraço!

Anónimo disse...

Veio lá de dentro com os papéis na mão e um ar de enfado na cara. Colocou-os no balcão como se estivesse a fazer o maior favor do mundo.
- Quanto é?
- Quinhentos escudos.
O avô levou a mão ao bolso e pagou. Com a esquerda. A direita tinha o indicador sujo da impressão digital com que assinou. Passou a papelada ao neto, deu os bons-dias e saíram.

Já na rua o rapaz olhou para a escrita. Viu o engano. A conta pouco mais ia além dos oitenta escudos. Percebeu então o enredo, as dificuldades antes levantadas para resolver o assunto, a tramóia.
Calou-se. Conhecia o avô. Os quinhentos escudos não valiam uma desgraça.



Dos intervenientes já só resta o rapaz e os papeis. E por aqui me fico que o assunto ainda necessita da pátina do tempo.

A. Manuel

Foi um prazer ler este texto do Rogério Rodrigues. O Dr. Ramiro Salgado não pode estar desiludido. De modo algum!

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