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sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Recordações da amêndoa

Recordo-me perfeitamente do tempo e em que circunstâncias foi tirada esta fotografia.
Um dia, tinha eu publicado um livro de poemas, o Fernando Assis Pacheco quis-me conhecer. Era jornalista na República com banca ao lado do Afonso Praça. E o Praça disse-lhe que eu estava colocado como professor em Moncorvo. E aí vem o Assis, durante uma semana, a fazer seis ou sete reportagens sobre Moncorvo para o República. Ainda hoje são o grande retrato de Moncorvo, três ou quatro meses antes do 25 de Abril. Estávamos em Fevereiro de 74. Vem com ele, como fotógrafo e guia na geografia física e humana de Moncorvo, o Leonel Brito que tem mais de 50 fotografias da vila e de aldeias naquela época. São dois retratos notáveis de Moncorvo e dalgumas das suas aldeias. Esta fotografia trás-me à memória muita história ligada à amêndoa. Reconheci de imediato pelo menos duas pessoas, ainda vivas. A pessoa do meio suspeito quem seja, mas não tenho a certeza.
A amêndoa era o ouro do Peredo dos Castelhanos. Só se começava o varejar em 15 de Agosto, com a presença da GNR. Ficava depois, para os pobres, muitos pobres, o "rebusco". Os estudantes, e havia muito estudante na aldeia, roubavam alguns quilos de amêndoa já em grão que vendiam ao Tenente de Urros ou ao Basílio. Durante um mês ou dois, no Porto ou em Foz Côa onde havia uma grande comunidade de peredanos, viviam à grande e à francesa.
A reportagem de que esta fotografia faz parte modificou a minha vida. Fui convidado pelo Assis (mais tarde meu compadre) para ingressar nos jornais. Deixei uma paixão e adquiri um vício. É pena, mas aconteceu. Como diria o beato Gugu (Guterres): - É a vida...

2 comentários:

Anónimo disse...

Lembro-me que pela Páscoa nos divertíamos a telefonar para o café Basílio e perguntar à "Basílica" se tinha amêndoa coberta."Tenho ,sim,menino".
"Destape-a, que vai passar a procissão",gozávamos nós.

António Cristino disse...

Caro Professor Rogério Rodrigues:

Bem me recordo da vinda do Excelente Jornalista Fernando Assis Pacheco a Moncorvo, sendo também eu um dos por ele entrevistados. Estávamos a 2 meses de se dar o 25 de Abril e sei que na altura a Pide preparava-se para lhe fazer a cama. Foi consigo que comecei a aprender política e dar valor á liberdade conquistada após o 25 de Abril. Foi sempre imparcial e nunca tentou impôr as suas ideias. Nessa altura Moncorvo teve o privilégio de contar com bons professores como o Professor Rogério, o Professor Pires Cabral, Padre Rebelo entre outros.

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