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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Teatro - Alma de Ferro


Assisti à primeira sessão do teatro "Alma de Ferro" de Moncorvo no Celeiro e fiquei surpreendido. É minha convicção que Moncorvo sempre gostou de teatro e que a sátira social é o que melhor se adapta à terra, pois não nos podemos esquecer que a gente de Moncorvo sempre teve um sentido crítico em relação aos vários poderes, reais ou virtuais. A primeira peça, o Jasmim, mais intimista, tinha, no meu ver, uma carga de despedida e de libertação por pecados ou opacidades anteriores. Pareceu-me como uma espécie de justificação, ponderada, como uma encenação em que mais do que a Luz eram as sombras que prevaleciam num gesto espontâneo de libertação. Vieram a seguir dois entremezes em que a disponibilidade dos actores fez esquecer alguma leviandade do texto. E, sem querer, descobri um diamante em bruto, pela voz, pela expressão, pelo movimento, uma jovem que me disseram ser de Felgueiras. Mas, na minha perspectiva, é esta a via a seguir.
Por outro lado - e não quero com este texto diminuir o que foi feito, pelo contrário, sou um defensor do que foi feito - penso existir falta de tarimba e de algum trabalho colectivo. É minha convicção de que um texto de alguém deve ser trabalhado por todo o grupo, com as correcções necessárias, interpretando as características de cada um. Ainda que o texto possa ser assinado por uma pessoa, ele deve ter uma contribuição colectiva, após várias leituras em que cada um pode dar as suas sugestões (sejam elas aceites ou não).
Defendo também a adaptação de alguns textos, sejam eles clássicos ou não, transportados para a realidade de Moncorvo. Estou a pensar no "Avarento" de Molière e mesmo numa adaptação dos Ares da Minha Serra, sobretudo na novela em que um um homem aceita ser condenado só para defender a honra de uma rapariga por quem estava apaixonado. O texto do Campos Monteiro dá azo a uma leitura em que os códigos de honra são valorizados. E depois há outras personagens típicas de Moncorvo. Uma adaptação aos dias de hoje daria uma bela peça, com drama e com crítica social, além do pícaro. O mesmo diria sobre o conto A Rebofa, não fora ele criar uma relação, ainda que forçada, com a construção da barragem do Sabor. Mas é uma história de amor e ódio que merecia ser teatralizada. E penso não ser difícil.
Creio, sinceramente, que o grupo de teatro tem pernas para andar. Precisa de muito debate e não ser muito voluntarioso. Sei, pelo que me foi dito e observado, que o tempo de cada um é escasso e reconheço que pouco mais se pode pedir. Quanto a mim, na medida da minha disponibilidade e escassas competências, estou disponível para o que o grupo de teatro precisar.
Penso também que poderiam conseguir uma ou duas pessoas mais velhas que colaborassem com o grupo, enquanto actores, pois haverá algumas peças que possam exigir, para lá da sempre possível maquilhagem, alguém com voz e corpo e imagem mais velhos.
Já vai longo o blogue, mas não queria terminar sem registar a encenação (sobretudo no monólogo) cujos escassos meios foram, e bem, substituídos pela criatividade.
Em suma, eu penso que o caminho do Alma de Ferro passa por peças que, simultaneamente, sejam capaz de expressar emoções e provocar o riso, entre o drama e a crítica, pensando no público alvo e nas características do quotidiano de Moncorvo. Por agora é tudo. Agradeço-lhes e louvo o esforço.

12 comentários:

elizabet almeida disse...

realmente os críticos nunca deram de comer a ninguém, é pena, dá uma no cravo e outra na ferradura, ver um grupo de teatro amador com as suas dificuldades que está a começar, e pensar em peças de teatro como o "Avarento" de Molière e mesmo numa adaptação dos Ares da Minha Serra, de campos Monteiro, que ninguém o conhece, faz-me pensar e perguntar onde é que esteve o autor deste blog estes anos, tenhamos juízo naquilo que dizemos e afirmamos se quisermos ser respeitados

elizabet almeida

João disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
francisco josé barato disse...

Não vi o teatro, não sou de Moncorvo, também não posso fazer um juízo do que foi feito ou não, reparo isso sim, e ao visitar este excelente blog, que Moncorvo tem muitas coisas de interesse e o teatro chamou-me a atenção, pela abordagem e critica feita pelo jornalista Rogério Rodrigues, diga-se excelente pela escrita que este grande jornalista nos habituou, e estou em crer que não fugirá muito ao que foi escrito, embora aquilo que pede aos actores que estão a começar e pelas suas dificuldades seja um pouco ambicioso da sua parte, mas por aquilo que escreveu estou em crer que nos habituarão a coisas muito mais interessantes “tem pernas para andar” “descobri um diamante em bruto, pela voz, pela expressão, pelo movimento” a expressão é sua, e daqui peço a todos os actores desse grupo que continuem e façam o que mais gostam, é com o esforço e dedicação que este grupo poderá representar as peças que o Rogério Rodrigues quer, estou em crer que sim.
Quanto aos comentários para mim são um pouco duros, principalmente pelo joão, penso que esteve no grupo, e por qualquer motivo foi afastado, estas coisas muito próprias dos portugueses não levam a nada, é com o trabalho e o esforço de todos que poderemos um dia ser reconhecidos, o comentário da Elisabeth Almeida e o do Rogério Rodrigues vão contra o seu pensamento, isso joão não lhe fica bem, mas é mais um comentário, e fora destes pois não levam a lado nenhum, peço a todos os elementos do grupo que me dêem o prazer de um dia visitar-vos pois por aquilo que foi escrito acho (e isto é á distancia) que tem pernas para andar.
Bem aja a todos vós que estais numa terra em que alguém chamou Um Reino Maravilhoso (Trás-os-Montes)

francisco josé barato

Nelson R. disse...

Li com interesse o post do Rogério sobre o trabalho do nóvel grupo de teatro moncorvense Alma de Ferro. Um apontamento crítico honesto (de crítica construtiva, porém) não pode ser estritamente louvaminheiro, sendo natural que se apontem pormenores que podem ser melhorados, mesmo tendo em conta que os actores não são profissionais, que têm que trabalhar para viver e que o teatro é, para eles, um hobby, e para nós, receptores, numa terra da "província" (não gosto desta palavra, mas é com ela que nos rotulam) uma oportunidade de preenchermos os nossos momentos de lazer, fora da televisão embrutecedora. Tanto mais para louvar quanto isto se passa numa terra onde vulgarmente vemos os "críticos apara-esquinas" (muito piores que os críticos literários) a queixarem-se que "nesta terra não se passa nada..." Sendo normal que sempre que apareçam por aqui 3 pessoas a tentar fazer alguma coisa, surjam logo 30 no bota-abaixo, compreendo que possa causar algum rebuço, junto dos fãs inquestionáveis, a mais leve aragem crítica. Mas o que é preciso é distinguir a crítica gratuita, ronceira, de bota-abaixo, da crítica construtiva. Eu estive com o autor do "post" no dia da actuação dos Alma de Ferro" no teatro do Celeiro, cá na vila. E posso testemunhar o seu entusiasmo e contentamento face ao aparecimento do grupo. E, como se lê, termina com uma nota de louvor, dispondo-se a colaborar.
Já agora, o teatro em Torre de Moncorvo (para além das representações de conteúdo religioso, que deveriam vir desde a Idade Mèdia), está documentado desde o século XIX. Não terá sido por acaso que o escritor Campos Monteiro foi também dramaturgo e que, da primeira vez q foi ao Porto, ainda miúdo, se foi enfiar numa sala de Teatro, deixando mt precoupado o seu tio, junto de quem desaparecera!
Já no século XX, em Moncorvo, no local onde agora se encontram os CTT, existiu o primeiro Teatro e Cinema, que ardeu durante a projecção de um filme, nos anos 30 do séc. XX. O facto de a casa de Teatro e Cinema estar ao lado da Câmara, diz bem da importância que estas actividades tinham no concerto da vila. Uma vez decidida aí a construção dos Correios, ainda na década de 30 se pensou logo numa ampla casa de espectáculos, tendo sido constituída uma Comissão de Iniciativa e Turismo, composta pela sociedade civil, para esse efeito. Começaram a angariam dinheiro e a contactar arquitectos. Todavia, como era um empreendimento demasiado oneroso para a época, acabou por se envolver a Câmara local e apelou-se aos serviços de Turismo e propaganda, a nível nacional. Apesar dos tempos difíceis (2ª Guerra Mundial) com todo o cortejo de dificuldades, mesmo nos estados não-beligerantes, como era o caso de Portugal, o Cine-Teatro de Torre de Moncorvo foi-se fazendo... Devagar, devagarinho, mas bem integrado num projecto coerente, que metia o Jardim da Praça Nova, com um buffet, coreto para a banda, ou seja, um vasto complexo de lazer. Ao lado do Cine-teatro foi instalado um posto de Turismo e ainda o salão recreativo, onde se faziam bailes de gala em noites de passagem de ano... Enquanto durava a construção, recorria-se a espaços improvisados para as representações teatrais: disseram-nos pessoas mais idosas, há vários anos, que a antiga oficina do Sr. Covas foi um desses lugares; as projecções de cinema chegaram a fazer-se ao ar livre, na praça Francisco Meireles, contra um lençol pendurado na parede do Castelo... Até que em 1955 foi inaugurado o Cine-Teatro, o primeiro do distrito de Bragança. Infelizmente o teatro foi perdendo incremento, restando, episodicamente, alguns saraus promovidos pelos estudantes do Liceu e, mais tarde, da escola secundária. Com a escola nova, dotada da um polivalente com palco, algumas representações teatrais ou outros espectáculos ficaram confinadas ao espaço das escolas.
O regresso do teatro a Moncorvo deveu-se à acção do município, há cerca de uma dúzia de anos, apoiando os festivais internacionais de teatro e o Teatro em Movimento. Todavia, só mais recentemente, houve interesse na componente de formação de actores locais, sendo de realçar o papel de Leandro Vale neste aspecto, com o apoio autárquico. Os jovens actores que agora se apresentam num projecto independente resultam dessa formação de base, sendo natural (e, quiçá, desejável) que certos projectos se autonomizem e procurem o seu próprio caminho. Por vezes as fracturas são sinal de crescimento e novos grupos não excluem a continuidade de outras participações. Como disse o Rogério, o Teatro tem raízes em Moncorvo e esperemos que continue! Por isso, que fique também a minha palavra de apreço e estímulo para todos(as) e que se lapidem bem os diamantes!! - Sobretudo, que não se delapidem!

João disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
z� disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
ZeRachado disse...

Mas afinal quem não precisa evoluir!? Qual é o espetáculo que é perfeito? Desde à cerca de um ano aprendi umas coisitas, poucas, sobre teatro e comecei a reparar mais nos grandes nomes do teatro português, grandes peças, grandes encenações de milhares ou quiçá milhões de euros e aí vejo inúmeros erros técnicos de representação, mais do que muitas vezes se pode imaginar, mas ali acontecem. Que podemos então exigir nós de quem não é profissional e de quem parte para uma encenação sem capitais, apenas com a ideia de entreter o público e o ir conquistando, não muito como é óbvio, apenas algum trabalho para que as coisas tenham o mínimo de qualidade que, não querendo eu tomar partido, foi o que se verificou, pelo menos foi a opinião generalizada da grande maioria que assistiu. A esses é que é preciso agradar, porque são esses que assistem aos espetáculos e que tornam gratificante o nosso trabalho. Melhorar!? Vontade não nos falta e podem crer que estamos bem cientes das nossas inúmeras limitações, mas também é certo que nenhum de nós quer fazer vida do teatro, apenas criar mais um atractivo às noites de Moncorvo e das aldeias que também elas precisam e merecem. O grupo tem uma mentalidade aberta, sempre pronto a receber de braços abertos novos colaboradores e a ouvir diferentes pontos de vista, discutindo-os de forma a tornarem-se uma mais valia para a evolução que se espera contínua mas não muito rápida.
Força a todos e seja bem vindo quem nos quiser ajudar e trazer conhecimentos que permitam enriquecer a qualidade do grupo. Quanto à crítica desde que construtiva agradecemos, caso contrário façam-na à vontade que nos passará a léguas de distância.

francisco josé barato disse...

o joão afinal quer ser um portuges diferente, fica-lhe bem esses sentimentos e ainda bem que apagagou o comentário, e já agora, (pois estamos perante um critico com ideias iluminadas) ajude-os.


francisco josé barato

Anónimo disse...

1º; post: de mestre
1ª; resposta : de raiva
2ª; resposta :de ricochete
3 ª;resposta :Não sei ,não vi não
estava lá, mas comento de
barato
4ª ;resposta:deitar àgua
na fogueira
5ª,6ª ;resposta : rabo entre as pernas
7ª; resposta:Fé na Alma de Ferro e não ao auto de fé.
8ª ; resposta: iluminado? Pirilampo?
9 ª;resposta :Quem és tu?Ninguem!

Anónimo disse...

"Quem és tu? - Ninguém!" - Romeiro, o Garrett denuncia-te!...
Mas é uma análise divertida. Sim, que a discussão está interessante, e não há nada melhor que uma boa polémica. O que é preciso é agitar a malta!! E a Alma de Ferro já está a agitar! E se o "post" fosse só de elogios incríticos, estava tudo bem e caía-mos nas "águas chocas", o que não se quer. Uma sociedade viva é uma sociedade de águas agitadas (embora sempre com respeito mútuo). Não está mal: continuem! (- gasolina para a fogueira, eheheh)

camane ricardo disse...

Quem quer ofender e se escondem sobre a capa do anonimato só há uma palavra que os define "covardia"

Nas palavras de um articulista, quem escreve, "simples páginas", ou blogs, e critica quem quer que seja, sem assinar, é um covarde.

Uma das vitórias do 25 de Abril, é a livre expressão, e quem pisar o risco, com toda a certeza, pagará por isso, é uma outra vitória.

Aos blogues, só vai quem quer, e como diz o outro são meia dúzia, de gajos que nada fazem.

Mas eu com toda a sinceridade, nunca escrevia num jornal, onde tudo se chama, ao nosso semelhante, onde se quer impingir quem quer que seja, e isto é verdade, como todos sabemos, são vários os casos na barra do tribunal.

Se entro neste espaço, é para criticar e não ofender

É muito diferente um simples, e anónimo cidadão como eu, que tantos ilustres políticos, uns profissionais, outros nem tanto, mas sempre à espreita de dias melhores.

Como não tenho ambições, de ordem política, nem de nenhum tacho, salvo ter aqui mendigado uma publicidade, porque razão sou covarde?

elizabet almeida disse...

O que assinou sobre a capa do anonimato penso que devia ter posto mais uma alínea e passaria a ser os 10 mandamentos do nosso querido "anonimato", e quem sabe daqui a uns 2000 anos fosse uma referencia e tudo graças a uns comentários sobre o teatro alma de ferro de Moncorvo, como vês não é assim tão mau dares uma espreitadela por estes lados, mas para acabarmos com o dilema, (nós infelizmente já não andamos por estes lados e não podemos contar a história, também não sei qual é, pois tu és um anónimo) acho que devias contar a tua história prestarias – daqui a muitos anos e mesmo agora – um grande beneficio á humanidade

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