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sexta-feira, 10 de abril de 2009

"Encomendação das Almas", um filme de Leonel Brito, 30 anos depois

Depois do grande sucesso que foi a apresentação, ontem, no auditório municipal de Freixo de Espada à Cinta, do filme sobre a Encomendação das Almas, teremos hoje, no auditório do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, o visionamento do mesmo documentário, pelas 21;30 horas.

Será previamente feita uma introdução a este documentário, pelo próprio autor, o realizador Leonel Brito, e um dos autores dos textos de fundo, Rogério Rodrigues (ambos colaboradores do nosso blogue). O argumento teve também como co-autor o saudoso jornalista Afonso Praça, igualmente nosso conterrâneo, e contou com a colaboração especial, a nível da explicação etnográfica, do Padre Joaquim M. Rebelo, que, como Afonso Praça, infelizmente já não está entre nós.

Este filme é um verdadeiro documento etnográfico e antropológico, rodado há exactamente 30 anos, na vila de Freixo de Espada à Cinta (com o cortejo dos Sete Passos), e em algumas aldeias dos concelhos de Freixo e de Torre de Moncorvo (neste caso, Felgar e Urros). Além dos cânticos das Almas, que se realizavam pela Quaresma, vêm-se outros aspectos da vida rural desse tempo (1979), num momento charneira da nossa história recente, em que, a par de algumas transformações decorrentes da emigração, se vêm ainda aspectos da nossa ancestralidade.

Este é um documento notável que o autor, Leonel Brito, depois de o resgatar aos arquivos da RTP (entidade para quem foi produzido o filme), e de o passar para DVD, ofereceu aos arquivos do Museu do Ferro, da Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo, e à Câmara Municipal de Freixo. Impõe-se, agora, a sua edição, repto que deixamos às entidades competentes. Resta-nos enaltecer a generosidade e o empenho do realizador Leonel Brito, nosso conterrâneo e colega de blogue. Obrigado Leonel!

Então aqui fica o convite para logo à noite, às 21;30 horas, no auditório do Museu do Ferro!
Compareçam!

21 comentários:

Anónimo disse...

Pelo que já tem demonstrado nas suas muitas participações de qualidade neste blogue, gostaria de ver mais divulgada a obra de Leonel Brito. Lamentavemente, não me é possível assistir logo à noite à exibição do documentário, mas creio que o sucesso de Freixo se repetirá. Parabéns e mande mais.
Um conterrâneo.

Daniel de Sousa disse...

Com muita pena minha não vou poder estar em Moncorvo ( e no Museu do Ferro) para compartilhar convosco a apresentação da "Encomendação" e a vossa companhia.Mas não tenho dúvida quanto ao enorme valor cultural do filme , que retrata uma celebração ritual da sexta -feira de Paixão , depois da meia-noite, integrada no culto dos mortos com grande significado no nordeste transmontano. A "Encomendação" é um documento notável que com o "Trás-os-Montes" de António Reis constituem nosso património inalienável.Tal como Reis fez apresentando o seu filme na região onde foi rodado, é de saudar esta apresentação da "Encomendação" em Moncorvo.

Anónimo disse...

O Senhor Papa João Paulo II no último concílio de Bom Censo disse que não havia purgatório.Assim e ponto.
Pergunta: Vão tirar as “alminhas” dos cruzamentos? Vão os diabinhos escreverem-se no Centro de Emprego?
Quando os meninos dos papás se salvavam de ir para a guerra colonial, pediam a uma alma boa ou a uma boa carteira?
A quem encomendavam o “coiro “ os que iam a salto? Ao passador...
A quem encomendas-te o teu “eu”?
A quem encomendam os comendadores os filhos que são umas encomendas?
A quem encomendas-te o corpo? A um ginásio ou matriculaste-te na escola da vida....
A quem encomendaste o amor? Ao cupido? cospe-lhe...
A quem encomendaste o sexo? Às virgens ou à mais velha profissão do mundo...
A quem encomendaste o desejo? À tua imaginação ou ao viagra...
A quem encomendaste a tua vida? Aos outros ou vais todos os dias, pondo tu, um tijolo...
A que arquitecto encomendou o emigrante aquela casa? Foi ao fiscal ?na tasca...
Encomendaram a “bota” em Saucelhe com vinho incluído?
Os burros que quase provocam um engarrafamento para onde foram? Agora só se vêem chicos espertos...
A quem encomendas a ira que trazes contigo? a trinta dinheiros, ou a utilizas como força renovável da tua vontade...
Quem te encomendou os sete passos e as grilhetas? Dá o oitavo, por ti....e não pares, nem olhes para trás.
Quantos passos deu Jorge Alvares ,para chegar à china?
Quantos passos se deram para trocar as muralhas por pontes?
Quantos passos se deram ,para ver os sete passos ,com uma maquina fotográfica na mão e não com um rosário?
Quantos passos deu Freixo para traz desde sec.18 até Abril de 74?E em frente?
Angel, o caminho faz-se a andar. Quantos passos deu o António Machado?
Quantos passos deu o Sempre em Pé a vender canivetes?
Quantos passos deram os dótores na praça até descobrirem que já não iam a lado nenhum...
Por que não anda o Senhor dos Passos?
Passo, H.E.j.
Júlia, sou um nabo a português, corrigi-me a hortografia. E o Gps da Corridoira? Vou fazer mais um. Na vila!

Anónimo disse...

Há bons comentários no blog de Freixo .Está na capelinha das Descobertas ,no lado direito do transepto. No do P.A.R.M.,também à direita, na capelinha das Santas Ligações, uma brasileira ,sem o salero da Wanda, quer aulas de Encomendações. Visitem o post das Alminhas, está no corredor central .Saltem de uns para os outros .É simples, é como jogar a macaca!

Anónimo disse...

Tradições pascais ainda são o que eram
2009-04-09
ANA PEIXOTO FERNANDES, FRANCISCO PINTO, LICÍNIA GIRÃO, MARGARIDA LUZIO e PEDRO VILA-CHÃ
Se a religiosidade está a perder terreno, o fenómeno ainda não terá afectado de forma muito visível o desenrolar das festas e rituais típicos da época pascal.

Generalizadas um pouco por todo o país, no período da Quaresma e Semana Santa multiplicam-se as procissões, umas de Encomendação das Almas, outras de penitência quaresmal. O JN foi procurar alguns bons exemplos destas velhas tradições, algumas das quais remontam à Idade Média. Rituais que contrastam com a vivência mais típica de uma sociedade de consumo em que a procura do novo relega o antigo para o obscuro canto de um passado recôndito. Contudo, o mais tradicional dos costumes pascais continua a ser a Visita Pascal de Domingo ou o Compasso, que se continua a realizar, à excepção de alguns grandes centros urbanos.

Os exemplos multiplicam-se um pouco por todo o país. Em Freixo-de-Espada-à-Cinta, a população participa na Procissão dos Sete Passos, também conhecida por Encomendação das Almas, a partir das zero horas desta Sexta-Feira Santa. Em Valpaços, a celebração decorre mais em torno do folar e no Minho encontramos o exemplo de um compasso que, partindo de Valença, atravessa a fronteira com Espanha. A geografia das tradições ainda contém uma paleta de rituais muito variados.

Freixo de Espada à Cinta

Em tempo de Quaresma, a vila de Freixo-de-Espada-à Cinta continua a manter viva a tradição da procissão dos "Sete Passos". De origem medieval, a procissão continua com as mesmas características há vários séculos, assumindo assim um carácter de ritual de penitência desde o início da nacionalidade. No entanto, há investigadores que associam este ritual" pagão" à presença dos templários na região do Douro Superior.

O ritual, único em todo o país, tem uma organização que passa de pais para filhos, não havendo espaço para a entrada de pessoas estranhas, dada o carácter secreto de algumas das funções da procissão dos" Sete Passos".

Quando o relógio da Torre Heptagonal, assinala o primeiro batimento das 12 badaladas, altura em que a iluminação pública da vila se apaga, ficando todo o percurso escuro como o bréu, dá-se então início à procissão que vai percorrer as principais ruas da localidade, que são escolhidas, muitos são aqueles que se juntam para ver passar o ritual. A procissão tem início junto à porta principal da Igreja Matriz e demorando cerca duas horas para percorrer todo o seu trajecto, já que os passos são marcados a uma cadência de sete.

Um grupo de encapuzados que acompanha a procissão, composto exclusivamente por homens entoa um cântico dolente e penetrante, em Português e Latim, apenas junto a igrejas e encruzilhadas, que nesta vila são muitas.

A figura principal de toda a procissão é a "Velhinha, "uma personagem vestida de negro, que percorre todo o trajecto curvada, com "cajado" na mão e com uma lanterna alimentada a azeite na outra. Outro dos elementos em destaque neste ritual é uma bota com vinho, que significa o sangue de Cristo derramado.


Valpaços

A maioria desconhece a origem da tradição, mas todos têm uma certeza: "Em Valpaços, Páscoa sem folar não é Páscoa". " Nesta altura, pobre ou rico toda a gente come folar. Pode não haver dinheiro para outras coisas, mas para isto tem que haver", assegura Josefa Soares, residente em Vilarandelo, no concelho de Valpaços. A iguaria come-se também no domingo seguinte. "Há pessoas a fazer aos vinte folares para mandar para a família. Além disso, como o nosso folar se conserva oito dias, as pessoas já fazem a mais para comer no domingo de pasquela", lembra Josefa que continua a produzir folar "à moda antiga".

Barroso

Apesar de estarem a perder força, em algumas aldeias do Barroso ainda se mantêm algumas tradições ligadas à paixão e morte de Cristo. Há ainda quem não trabalhe desde o meio-dia de quinta-feira ao meio-dia de sexta-feira. Segundo o padre Fontes, a tradição tem a ver com as "horas da paixão" de Jesus Cristo. Neste período, também há, embora sejam cada vez menos, quem se recuse a estender roupa ao sol. Acredita-se que se se fizer aparece manchada de sangue. Na mesma lógica, também há quem não mexa na terra. "Dizem que uma vez um homem da aldeia de Sabuzedo cavou na terra e que a enxada lhe ficou cheia de sangue", explica Fontes.

Também ligada à Morte e Paixão de Cristo, algumas aldeias do concelho de Montalegre fazem nesta altura uma via sacra em volta de um conjunto de 15 cruzes colocadas ao longo da aldeia e que representam o percurso de Jesus Cristo desde a morte à ressurreição. Em Meixide e em Vilar de Perdizes, duas das paróquias do padre Fontes, há anos em que a tradição ainda se cumpre.

Anónimo disse...

À memória do Padre Rebelo.

DUAS PALAVRAS



“Mestre, meu Mestre”, revejo-te na poeira do tempo e nas palavras que dizem saber de ti. Sossego as tuas mãos trementes na memória de um perfil gregoriano, atento à vida e aquém do que ela te oferecia. Ávido do Saber e da alma genuína das gentes transmontanas. Do teu olhar, qual janela para além do infinito, sinto a angústia da existência. Como se fosse ontem. Como se fosse agora…

Venerei o meu Mestre em Vida. Perpetuarei num choro silencioso a sua memória. E, sempre em tempo, ali o vejo, a meu lado, partilhando comigo a sua cultura, escutando os conselhos sábios de orador confesso, perscrutando nos quase indistintos sinais de cansaço as razões da jovialidade, da cuidada irreverência ou, simplesmente, as respostas às questões que, por não ousar, jamais lhas quis fazer.

Ao meu distinto colega e amigo, Dr. António Pimenta de Castro, que, com labor e esmerada dedicação, julgou por bem escrever esta obra intitulada “Subsídios para uma biografia de Joaquim Manuel Rebelo”, do respeito à obra até à data realizada, acrescento todo o meu empenho e regozijo em honrar a publicação de um livro há muito esperado por todos os que de perto conviveram com o Sr. Padre Rebelo, quer a titulo pessoal quer profissional.

Ironicamente as “Duas Palavras” falam por si, ou seja, Padre Rebelo, o sacerdote e o homem, motivo e objecto desta obra e, sobretudo, do respeito e orgulho que todos sentimos quando elas são proferidas.

Para mim, a expressão é de memória e mágoa. Pela ausência. Pela impossibilidade de reparar a substituição. O esperar que o espaço se feche suavemente e em palavras se mostre, tal como aqui, neste livro, acontece.



António Alberto Barbosa Areosa

Presidente do Conselho Executivo da Escola Secundária Dr. Ramiro Salgado

(Do livro SUBSÍDIOS PARA UMA BIOGRAFIA DE JOAQUIM MANUEL REBELO do Autor António Pimenta de Castro).

do blog da Escola Secundária Dr. Ramiro

Anónimo disse...

Realmente o pessoal compareceu, e foi extraordinário! Um excelente momento cultural, de recordação e partilha. Os nossos parabéns e obrigado a Leonel Brito e Rogério Rodrigues por nos terem trazido esta preciosidade e ao museu por ter promovido este evento.

Anónimo disse...

Não fui ao Museu ver a Encomendação.
O Zé anda adoentado (comeu muita empada, borrego, queijo e fumeiro. E bebeu vinho do Peredo. Dorme como uma fraga e eu para aqui, sem saber nada.
Recados:
Nelson,
Conte lá, o que se passou na cortinha. Tudo, quem estava ,o que disseram, as bocas...
Lelo,
como te comportaste perante o júri? Envia uma cópia ao Daniel (outra à Júlia)pelo seu belo texto.
Rogério,
ouviram o teu poema "à privação da luz"?
Angel,
como é do outro lado do rio?
H.E.j., quem te "encomendou" o sermão?
Aníbal,
mais fotos das Alminhas(vejam o blog à descoberta de Vila Flôr.)
Blogueiros da Transmontanya,
digam como é a "Encomendação das Almas" nas aldeias em 2009?
portátil, bica e pastel de nata em Belém, aproveito e vou ao Museu de Etnologia dar uma espreitadela. Passo junto aos "Jerónimos",onde está o berrão que nos roubaram. Como sempre.

Lélia Rebordina

Anónimo disse...

6ª feira santa estava eu, pelas 18 h, a degustar opiparo lanche em boa companhia no recanto de Silhades, junto à capela de S.Lourenço, cujo orago assentou arrais por este éden desde os alvores da nacionalidade, á base de peixe - que isto de tradições pascais ainda se levam a sério - quando ferro uma dentada mais voraz na lingua que me impossibilitou continuar na alegre confraternização face ao sangue que dela escorria - o que me pareceu vingança do S.Lourenço quiça desagradado pela anunciada trasladação que lhe é imposta pelo progresso que se avizinha - tendo de recolher-me lá ao alto, à aldeia do felgar, onde após demoradas aplicações lá estanquei a hemorrogia.

Ficando algo desagradado com o inchaço, era m/ vontade ir-me deitar, até chateado com a 6ª feira santa, e foi quando me lembrei do amável telefonema do amigo N.R.com o convite para ir assistir ao filme da encomendação das Almas uma vez que, ao que me assegurava, o Felgar ia estar presente.

E sendo assim, e apesar de combalido pelo inchaço na lingua, meto o carro a caminho e, pelas 21h 30m, já estava no Museu.E adorei o filme a que assisti e as filmagens sempre intemporais. Parabéns aos seus autores por nos legarem um autêntico documento historico.
Rever alguns protagonistas : Pe. Rebelo,o chico Pando - o homem que mais vezes terá ido a pé a Fátima -o Macha à bada, o Ti Zé pedro ... e o misticismo do cãntico das almas,fez-me bem, só lamentando que não tenham filmado presencialmente no Felgar o cantico das almas, uma vez que o M. Geacometti já, posteriormente, as gravou.

Apesar do tema - encomendação das almas - não estar entre os meus predilectos sobre as coisas do antigamente, adorei toda a involvência que o filme nos mostra, face aos 30 anos que já decorreram, e que bem compensou a chatice da dentada e rematou excelentemente este dia da 6ª feira santa.

Aguardo assim a emissão de mais filmes com tal riqueza etnografica e historica e bem haja quem os vai sacar às prateleiras bafientas do olvido.

saudaçoes felgarenses.

Anónimo disse...

ENCOMENDAÇÃO DAS ALMAS em FELGAR

Um costume muito antigo.

Era feita na quaresma quando á noite, por grupos de homens e de mulheres que em determinados lugares cantavam “versos” que chamam a atenção das pessoas para o sofrimento das almas do Purgatório.

Alguns deles são assim:



Acordai, que estais dormindo,

Desse sono em que estais,

As Almas se estão queixando

Que delas vos não lembrais;

Aquelas que mais se queixam,

Serão as dos vossos pais,

Anónimo disse...

Realmente interessante a "encomendação" de H.E.jr, que o estilo não engana (se já não há Purgatório, por decreto de S. Santidade J.P.II, que sentido farão estas rezas e ritos? pois eu direi que também não se podem rasgar as páginas correspondentes ao dito, na Divina Comédia de Dante... por isso, acho que deveríamos continuar a preservar os nossos D'antes...)
Ao Anónimo do GPS, Obrigado pelo roteiro oportuno, pois já agora, respondendo às solicitações da Lélia Rebordina, sobre o "como foi" da apresentação do filme, recomendo uma espreitadela: http://parm-moncorvo.blogspot.com/

Também na "mouche" a transcrição do artigo do JN, saído em "centrais", sobre isto das celebrações pascais cá pelo Norte, com grande destaque, logo à partida, para os Sete Passos de Freixo de E.Cinta, que, não por acaso, abre o filme de Leonel Brito.

Foi bem, também, a lembrança que alguém teve de evocar um discurso do nosso amigo Beto Areosa, sobre o nosso querido Mestre, o Padre Rebelo... também fui dos que bastas vezes trepou a encosta da serra até ao chamado "Asylo F. Meireles", onde, qual templo de Shao Lin, ficava a cela do Mestre (do lado esquerdo da entrada, num pequeno cubículo com altas estantes recheadas de livros, a que só se chegava aos do alto com uma escada). Não esquecerei o grande orgulho que senti, um certo dia, numa aula de uma cadeira etnográfica de um curso que frequentei na faculdade de Letras do Porto, quando a professora escreveu no quadro, para o tema do culto dos mortos e encomendações das almas, o título de dois opúsculos do Padre Rebelo!!! Era o que havia, sobre o tema, e ninguém, ao que julgo, terá feito melhor até hoje. Acho que se impõe localizar as dezenas de horas de gravações que o Padre Rebelo fez, nesse tempo, pois nem tudo foi publicado. É um espólio que, ao que sabemos, ainda se encontra com a família e que urge reestudar e editar. Aqui fica a recomendação ao meu Amigo Mário Correia, do Centro de Música Tradicional Sons da Terra (Sendim/Miranda do Douro).

Quanto ao Amigo pucareiro, desconfio que mordeu a língua no momento em que estava a falar de uma certa... b. (irra!!! também mordi a minha agora!!!...). Pois ainda bem que veio e que pôde identificar todos esses felgarenses de antanho. Claro que não era objectivo do filme recolher os cânticos das Almas aldeia por aldeia; um documentário não é bem um registo etnográfico "par'i passo"... Mas ainda bem que o Giaccometi o fez posteriormente. Onde estará esse registo? Foi editado, ou estará lá em baixo, no Museu do Trabalho?? Mais uma coisa de que deveria haver cópia aqui num Centro de Memória. Entretanto, mais uma boa informação para o Pucareiro: temos cá o filme de algumas profissões extintas, também por cortezia e empenho do autor, o nosso colega de Blogue Leonel Brito (este homem é incansável!!), em que figuram o Oleiro do Felgar, o ti "Roberto" (Rebouta), a mãe do Afonso Praça (de que já aqui postou um fotograma), o moleiro do Souto da Velha e outras coisas mais do resto do concelho. Só faltou mesmo o barqueiro de Silhades, mas, em compensação, poder-se-á, qualquer dia, entrevistar os pilotos dos futuros Cacilheiros (ou Cacilhadeiros?), em filme publicitário com grosso patrocínio das edp's...

Completando os versos do Cantar das Almas do Felgar, postados pelo último Anónimo, aqui fica o resto do registo feito pelo Padre Rebelo:

.....
Olha, Cristão, que és terra,
olha que hás-de morrer,
Olha que hás-de dar conta
Do teu bom ou mau viver.
Olha para o teu lado direito,
E para o esquerdo, também
"Ouvireis" ternos gemidos
Do teu pai ou da tua mãe.
Rezai uma Slavé-Rainha
À Virgem Nossa Senhora,
P'ra que, no Tribunal divino,
Seja nossa Protectora.
Com isto me vou embora,
Com isto não digo mais,
Não vos esqueçais de rezar
Por alma de vossos pais".
- In: REBELO, Joaquim Manuel, "A encomendação das almas nos concelhos de Torre de Moncorvo e Freixo de Espada à Cinta", Cadernos Culturais do Núcleo Cultural Municipal de Vila Real, nº 3, Maio de 1978.

[por: mais um que mordeu a língua...]

Anónimo disse...

Arquivo: Edição de 27-03-2007 JORNAL NORDESTE
SECÇÃO: Informação Regional
Escola Secundária Dr. Ramiro Salgado (Moncorvo) inaugura espaço dedicado à leitura
Biblioteca homenageia padre
A biblioteca Padre Joaquim Manuel Rebelo, na Escola Secundária Dr. Ramiro Salgado, em Torre de Moncorvo foi inaugurada na passada sexta-feira.
Apesar de estar a funcionar desde Janeiro do ano passado, só agora foi possível dar a conhecer o espaço, oficialmente. “Queríamos concluir todo o trabalho de instalação, ainda que haja muito por fazer ao nível de inventário e catalogação ”, adiantou a coordenadora da biblioteca, Olinda Brás.
A funcionar numa sala remodelada e segundo novas regras, o equipamento já existia na Escola Secundária há bastante tempo. Contudo, as estantes com os livros encontravam-se fechadas à chave, pelo que era necessário requisitar, a uma funcionária, a obra que se pretendesse ler. “Era um entrave à leitura e chocou-me muito ver que os livros de uma biblioteca escolar estavam fechados”, salientou a responsável.
Agora, com a inauguração do novo espaço, todos os alunos e professores podem consultar e requisitar livremente qualquer livro, bem como utilizar os sistemas informáticos disponibilizados. “É muito importante que eles possam ler à vontade e tenham um contacto directo com os livros”, assegura Olinda Brás.
A biblioteca recebeu o nome de Padre Joaquim Manuel Rebelo, numa homenagem ao antigo docente daquela escola. “A escolha recaiu sobre o professor, porque, ao longo da sua vida, tentou incutir o gosto pela língua materna e literatura”, explicou o presidente do Conselho Executivo da Escola Secundária Dr. Ramiro Salgado.
Paralelamente à inauguração da biblioteca, os responsáveis lançaram o livro sobre a vida do Padre Joaquim Manuel Rebelo, da autoria de António Pimenta Castro, também docente naquele estabelecimento de ensino. “Decidi escrever sobre o meu amigo, que me apoiou e integrou quando cheguei a esta escola”, justificou o autor.
Por: Sandra Canteiro

Extraido da web,para lembrar que a Escola não esqueceu o Mestre

Anónimo disse...

Autor: REBELO, Joaquim Manuel

T�tulo: A terra transmontana e Alto Douriense : notas etnogr�ficas / Joaquim Manuel Rebelo

Publica��o: Torre de Moncorvo : C�mara MunicipalAssociação Cultural, 1995

Assuntos: Cultura popular portuguesa--Tr�s-os-Montes e Alto Douro

CDU: 39(=1.469.201)

Cota: BA 25 BMC 431661
De uma biblioteca de Coimbra.Não havia mais nada.
Toda obra do Nosso Padre Rebelo tem que ser editada!

Anónimo disse...

JPT disse...
e que tal:
http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Freixo-de-Espada-a-Cinta-cumpriu-tradicao-pascal.rtp&headline=20&visual=9&tm=8&article=213256

14 de Abril de 2009 12:11
São os 7 passos de Freixo

Anónimo disse...

Não estamos sós.
http://www.marialuzdivina.com/paginas/purgatorio/anima05.php

Anónimo disse...

Esta vem do Mexico.
“Para muchos pobladores de la zona de los altos de Jalisco, las ánimas son la representación de sus muertos y es común escuchar oraciones por el ánima de algún miembro de la familia. Por esa razón, el primero de noviembre para amanecer el día dos, se levanta un pequeño altar sobre una mesa cubierta con un mantel bordado, sobre ésta se colocan arcos de carrizo o madera, adornados con papel de china color morado como símbolo de luto y color rosa bugambilia que significa la alegría y la fiesta; al centro de los arcos preside una imagen del ánima sola y la rodean imágenes de santos de la devoción de la familia; sobre la mesa se pone el pan de muerto, velas y veladoras; en el piso sobre un petate se colocan pétalos de flor de cempoaxochitl y ollas de barro con la misma flor.”
“Probablemente los altares de muertos como se realizan actualmente, surgen a finales del siglo XIX y a principios del siglo XX. Hoy en día la fiesta del día de muertos en México se nutre principalmente de la tradición prehispánica y la española, enriquecida en el siglo XX donde se incorporan elementos nuevos hasta conformar una de las celebraciones más difundidas en el ámbito nacional“, comenta Hernández.
El jueves 9, a las 20:00 horas, se podrá degustar del tradicional pan de muerto y chocolate, así como asistir a la presentación del grupo folklórico “Decanos de la U de G”, que interpretará un concierto de día de muertos titulado “La muerte en el corrido mexicano”. Éste consiste en llevar al espectador a través del corrido mexicano, a recordar cómo los pregoneros o cantadores de este género musical narraban los sucesos acontecidos en otros lugares, como en las ferias de poblados y rancherías.
Al cumplir con la tradición de Día muertos, el ITESO, a través del Centro de Promoción Cultural, promueve la idea de que la cultura no radica sólo en la manifestación artística extraordinaria, sino también en la expresión cotidiana que se manifiesta en las fiestas y tradiciones, y demás elementos que conforman el patrimonio intangible.

Anónimo disse...

Antes o Dante que o Dantas.

"João Paulo II esclarece o seu conceito de purgatório..."
«O céu não é o paraíso nas nuvens nem o inferno é a terradora fornalha. O primeiro, é uma situação em que existe comunhão com Deus e o segundo é uma situação de rejeição» O purgatório, contudo, não é um mero estado de espírito, como o são o céu e o inferno, mas uma condição de vida - «aqueles que, depois da morte, vivem nesse estado de purificação, já estão imersos no amor de Cristo, que lhes tira todos os resíduos de imperfeição»

¡Oh glorioso Taumaturgo yProtector de las almas del purgatorio, San Nicolás de Tolentino!
Mais um para o desemprego!

Anónimo disse...

caro N.

Grato pela informação. Brevemente passarei no Museu. Então vou levar -te 2 coisas : a ultima ediçao do jornal Caserna do Cimo do Lugar, que se edita na minha aldeia e que saiu agora, e um DVD para me gravares esses filmes que quero mostrar a alguém do Felgar.

Sobre a falta do barqueiro de Silhades, esta falta pode ser suprida pela excelente foto que está no blogue do Cristino, onde se vê o ultimo barqueiro, o filho deste e a barca no meio do rio sabor.

Quando o filme foi elaborado - 1979 - o Pe. Rebelo já não era o paroco do Felgar, onde exerceu o seu múnus de Agosto de 1950 a dezembro de 1974, e daí talvez não terem feito a filmagem lá no Felgar, tendo-se socorrido da entrevista ao Chico Pando que já estava no Asilo nesse altura e estava ali mais à mão para colmatar tal pecha.

Por meados de 80 o Giaccometi foi gravar a encomendação das almas ao Felgar. Esta gravação, para quem lhe interesse, está no seu espolio. Aquando da gravação ocorreu um facto interessante :

No fim da gravação do cantico, o Giaccometi vira-se para um participante e de chofre diz-lhe :
- Você fuma, não fuma ?
- claro, responde o felgarense.
- Bem se nota lá no fundo da gravação, acrescenta o etnografo.

Bom, tão impressionado ficou este felgarense, fumador inveterado e fanático com o tabaco, com a referencia ao seu vicio ou ao catarro que, desde essa hora, largou o vicio de dezenas de anos e nunca mais fumou um cigarro.

Se a gravação do Giaccometi nunca aparecer, pelo menos para este felgarense - Artur Teixeira de seu nome - ficou forte recordação e ainda hoje, nos seus quase 80 anos,lá está são como um pero, e no fundo do seu saber inciclopédico, pronto para receber e contar coisas do antigamente a um qualquer romeiro ou curioso que demande pelas tradições do Felgar.

Anónimo disse...

Caro Nelson,
Bom desafio do Pucareiro.Organize uma equipa e...ala pró Felgar,antes que seja tarde.Bendito blog que tão bons leitores tem .Aí vou eu à pagina do Cristino. Até já.

Anónimo disse...

Hola amigos.
Lo primero pedir disculpas a los presentadores del evento;Leonel,Rogerio,Nelson,en el orden que ustedes quieran,pero tengo oido que andar de bodega en bodega,(haciendo lo que se hace en esos lugares),es incompatible con la circulación.
Me alegra mucho la cantidad de comentarios de esta entrada,que viene a decir;que pasamos de la fe y las creencias religiosas,pero en el fondo por miedo o precaución,siempre estamos pendiente de ella.
El infierno como elemento perfectamente definido, aunque nos de terror,no es comparable con la angustia de la indefinición del purgatorio.
Cielo e infierno,los asumimos como estados eternos en el tiempo.Pero ese "purgatorio",lugar indefinido en terminos espacio-tiempo, en el que no sabes si se olvidarán los vivos de pedir por tí,si te tendrán en sus plegarias,si aportarán las suficientes limosnas para una pronta salida,etc.
Invertiendo al clásico, creo que lo que mas miedo les da a los hombres es el desconocimiento de la verdad.
Un abrazo a todos.Angel

Isabel Mateus disse...

Foi um momento mágico!

Excelentes imagens, excelente texto e bonita voz.
Era daquela AUTENTICIDADE que precisávamos ainda AGORA...

Parabéns aos dois e gostei muito de estar presente no Museu do Ferro nessa noite.

Isabel

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