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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Gente do Norte



Gente do Norte, que percorreu mundo, foi realizado numa situação particular do País, em 1977. Em consequência do 25 de Abril tinha havido um decréscimo de emigração e um delicado processo de descolonização. A par do abrandamento da emigração, deu-se o regresso ou o retorno de portugueses das ex-colónias, sobretudo de Angola e Moçambique. Esta nova realidade vinha alterar profundamente o tecido social português, em geral, e a sociedade de Moncorvo, em particular. Os chamados “ retornados” traziam novas ideias e horizontes mais vastos. Porventura revoltados ou ressentidos, foram-se integrando e moldando o muicrocosmos moncorvense.
O Gente do Norte é um documento dessa mutação, mas é um pouco mais: um olhar sobre Moncorvo que, quer o realizador, Leonel Brito, quer o autor do texto, Rogério Rodrigues, iam perdendo e que, com o filme, começavam a recuperar.
Nota: O filme Gente do Norte passa no Cine-teatro de Torre de Moncorvo no próximo dia 19 de Setembro, às 14,30 horas, com a presença do realizador Leonel Brito e de Rogério Rodrigues, autor do guião.

14 comentários:

Baiqueeuespero disse...

Dia 19 Setembro lá estarei.
Botai lá....

Anónimo disse...

Dizem que passa no cine teatro dia 19 às 14,30,sendo assim, vou ver finalmente o filme.32 anos depois é muito tempo.Será que o filme aguenta o desgaste do tempo? Sábado ,ficamos a saber.

paulo patoleia disse...

Não posso perder...lá estarei dia 19 de Setembro, para dar um abraço a estes dois grandes humanistas transmontanos, que com a devida antecipação, se puseram em campo numa época conturbada, para recolher com talento e arte, os valores ancestrais das nossas gentes, como disse Gérard Fourel, companheiro de Dussou, Trás os Montes pode orgulhar-se de ser a par do Barroso um dos últimos lugares do mundo onde a palavra Humanidade tem todo o sentido. Aos dois bem hajam. Abraço transmontano.

Anónimo disse...

E as pessoas das fotos quem são?
Aparecem no filme?

Anónimo disse...

Encontrei no google

http://rateyourmusic.com/release/single/jose_mario_branco/gente_do_norte/

Com o 25 de Abril, o cinema conquistou novas dimensões e, organizado em unidades de produção (do IPC) ou cooperativas (CPC, Cinequanon ou Cinequipa), procurou outras incidências, com propósitos de intervenção directa. Colectivo dos Trabalhadores da Actividade Cinematográfica, As Armas e o Povo (1974-75) é referencial. Em 1975, Guimarães assinou um profético Cântico Final.
Então, Macedo regressou com O Princípio da Sabedoria, Fonseca e Costa exorcizou Os Demónios de Alcácer-Kibir, Luís Couto iniciou-se em Lerpar. Quando João César Monteiro interrogava Que Farei Eu Com Esta Espada?, Rui Simões brandia os dogmas do Estado Novo – Deus, Pátria, Autoridade. Em 1976, os anos ’40 surgiam com As Ruínas no Interior, por José de Sá Caetano; Telles propôs Continuar a Viver.
Reis & Margarida M. Cordeiro transfiguraram Trás-os-Montes que, em 1977, Monteiro prosseguiu por Veredas. Geada ritualizou A Santa Aliança, num contexto político em que Luís Filipe Rocha expôs A Fuga, e Luís Galvão Teles recriou n’A Confederação. Duarte despediu-se com Recompensa, segundo Ramada Curto. Documentários marcantes: A Lei da Terra pelo Grupo Zero, Gente do Norte de Leonel Brito.»

In http://go2.wordpress.com/?id=725X1342&site=ncinport.wordpress.com&url=http%3A%2F%2Fwww.instituto-camoes.pt%2Fcvc%2Fcinema%2Fsintese04.html

atrásdaserra disse...

Bem... não sei o que dizer...
Em primeiro quero agredecer a persistência do Rogério que, finalmente, conseguiu tirar esta pérola da recôndita prateleira. Cheguei a sentir-me mal por tantas vezes o ter solicitado para me arranjar uma cópia desta pelicula, na qual eu apareço... sou aquele bebezinho querido, vestido de branco, que aparece na foto de apresentação que está no blog.
Apesar de não poder estar na exibição já sinto uma felicidade imensa por saber que o filme está vivo e que os meus pais o vão ver...
Ao Rogério, aquele abraço...
Celso Brites

Anónimo disse...

"...deu-se o regresso ou o retorno de portugueses das ex-colónias, sobretudo de Angola e Moçambique" - bem, pela parte que me toca, não "regressei" nem "retornei", pela simples razão de que... não nasci cá, mas sim "lá" e nunca antes cá tinha posto os pés. Eu, como muitos, fomos antes "refugiados, a reboque dos nossos progenitores (estes sim, na sua maioria "retornados"). Uns e outros tivemos de aprender o caminho da (re)integração, se aqui quisémos ficar e ser cidadãos de pleno direito: Não se é de onde se nasce, é-se de onde se se sente.
Que este filme enalteça o papel (ou, tão-pouco, assinale a existência) desses "malvados retornados", como então nesse tempo (1977) ainda eram referidas as pessoas que tinham vindo do ultramar, é, já de si, significativo, num tempo em que a carga ideológica produzia tanta e tão espessa da famosa "fumaça" que não deixava enxergar a evidência nua e crua da verdade, sendo então bem mais fácil "bater no ceguinho", ou então pura e simplesmente esconder o ceguinho. O filme ficaria, de facto, incompleto, se não metesse este grupo social à época bem indivudualizado, tal como se, mais próximo dos nossos dias, ignorasse os ucranianos ou outros habitantes de Leste. O documentário é isso mesmo: uma crónica do tempo presente, que, entretanto, já se transformou em Passado: o nosso passado colectivo, como comunidade, com as suas tensões, solidariedades, ódios, afectos, sucessos, insucessos e todo o cortejo de diversidades que, no fundo, fazem parte de uma unidade, pelo menos uma unidade de referência, que é o "locus". Mesmo os que se perdem deste "locus" ou com ele rompem, não deixam de o ter presente, pelo menos subconscientemente, como um referencial dessa mesma ruptura.

Anónimo disse...

Amigo,
chamavam-nos tinhosos.Em Africa tinham...Em Africa tinham...Em Africa tinham....Eramos os tinhosos na raiva incontida dos falhados.

Anónimo disse...

É com alguma ansiedade e expectativa que vou rever Gente do Norte, do realizador nosso conterrâneo, Leonel Brito.Premiado internacionalmente, estou certo que, passadas três décadas, os temas focados continuam muito actuais, pelo menos,alguns deles, na memória das pessoas.
O Lelo já nos habituou a coisas de muita qualidade, como Encomendação das Alma,e se seria óptimo da parte dele, que nos mostrsse,se não toda a obra, que é vasta, pelo menos a mais representativa.Lembro-me de outro documentário,Colonia e Vilões, que vi em tempos,em que se mostra a vida difícil dos trabalhadores rurais da Madeira.
Um cinéfilo moncorvense

Anónimo disse...

Então o encontro em Setembro na cortinha da guarda é no cine teatro?Aquilo acaba lá práz 5 e,não podia-mos ir em romaria até lá ,ver o B.I. da região e confraternizar-mos?
Zé do cabo

Anónimo disse...

Lembro-me que, quando faltava a água na vila,os que sempre ficaram diziam que a culpa era dos retornados, pois tinham a mania de tomar banho...
Lembro-me de um padre,para os lados do asilo, e das histórias que contavam dele à boca fechada.
Lembro-me que diziam que era um homem avançado no tempo (50 anos antes das histórias da Casa Pia).
Lembro-me de um estudante, retornado, residente em Felgueiras, dizer :Amigo, este ano só ainda tomei um banho!
Lembro-me das feiras do gado na Corredoura e de o largo(o nosso recreio) se encher de borregos,cabras,porcos, machos, mulas,cavalos.
Lembro-me que, nesses dias, não jogávamos à bola.
Lembro-me que havia sempre uma bosta à espera das nossas botas.
Lembro-me que alguns felizardos só pisavam cagalhetas.
Lembro-me que, nas aldeias, a vala dos detritos ficava no meio da rua de terra batida e palha.
Lembro-me de ouvir dizer que dava bom estrume para as batatas.
Lembro-me de dizerem que era a tradição e que já vinha da Idade Média.
Lembro-me de me dizerem que o José Mário Branco cantou no Coliseu do Porto,em 97, Moncorvo Torre e Gente.E que havia lá muitos moncorvenses.
Lembro-me que ainda não havia Museu,Biblioteca,Centro de Memória,piscinas ,ecopistas,denominações de origem,vinho engarrafado,zona industrial, esplanadas,estádio...
Lembro-me de perguntarem os novos: Afinal o que havia?
Torre e gente ,como diz a canção.
Lembro-me de andar no colégio Campos Monteiro e de nenhum professor me dizer quem era.
Lembro-me que ,agora, passo pela Biblioteca e pelo Museu e posso levantar mais de cinquenta livros sobre Moncorvo e de escritores moncorvenses, incluindo Campos Monteiro.
E lembro-me que aprendi mais sobre a minha terra com o blogue num ano do que durante anos no colégio,
e que agora não pago propinas.

Um Braganção

Anónimo disse...

O do tractor é o senhor Rachado.

Júlia Ribeiro disse...

Blogueiros Amigos:

Li todos os comentários com muita atenção e apreço.
Tal como um dos Anónimos, também é com ansiedade que vou VER "Gente do Norte" que, vindo da mão do Lelo, só pode ser de superior qualidade1
Braganção:
Também eu me lembro de tudo isso e a força da terra há-de, até ao fim, iexoravelmente, puxar-nos para ela (metaforicamente e não só).
Zé do Cabo! Amigo, Vós ressuscitastes mesmo! O Blog obra cada MILAGRE!

Abraços
Júlia

H.E.j. disse...

Pois,lá estarei também.E ainda dizem que santos da casa não fazem milagres. E que santos!Quando senhor Salazar ,conhecido por Esteves(os jornais noticiavam;esteve entre nós o Sr Presidente do ….)disse:deus ,pátria e autoridade!portugal do minho a timor !para angola,já e em força!Um fugiu para frança e o outro deu com os costados em penamacor.Isto é que é patriotismo!Se o lelo levar licor de belota, eu levo o famoso e prometido de canela.bamos às exposições todas ,óbiu!

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