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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Pelourinho de Mós


PELOURINHO DE MÓS










Na descoberta e na reconstrução do Pelourinho teremos que agradece ao nosso colaborador e amigo JOSÉ SAMBADE que descobriu num muro algo que poderia ser atribuído a um Pelourinho.
No Concelho de Torre de Moncorvo, foi o único recuperável, ao consultar livros deste evento o Pelourinho, de que fala o Abade de Baçal nas suas "Memórias Arqueológicas-Históricas do Distrito de Bragança" do seguinte modo "... Mós - O Pelourinho desta Antiga Vila, sede de Concelho, hoje estupidamente apeado, mas as suas pedras estavam em 1899 na casa dos herdeiros do Doutor Gabriel, não haverá alma generosa que se compadeça do venerando momumento, lídimo brazão nobilitante da terra, reerguendo-o no primitivo local, em frente da antiga casa da Câmara de Mós..." Hoje convertida em sede da Junta de Freguesia e antiga Escola Primária "...também nos fala de actos de vandalismo que terão destruído o referido Pelourinho...".
No local referido pelo Abade Baçal, data da história de que em 1830 ainda se encontrava de pé, data esta da morte da Rainha CARLOTA JOAQUINA DE BORBON, por cujo luto gastou o Concelho de Mós mil e duzentos réis com que pagou por baeta preta para cobrir o Pelourinho desta Vila de Armas, da Casa da Câmara na ocasião de luto pela morte da Sereníssima senhora Rainha. Toda a sua destruição e segundo os historiadores terá sido acto dos ventos do Liberalismo e com a extinção das Vilas abrangidas pela reforma Administrativa de 1836, pelo Dec-Lei do mesmo ano publicado em 2 de Novembro.

2 comentários:

Anónimo disse...

Pois vivam todos após este hiato de alguns dias que o rescaldo do tempo frio justifica.
E bom recomeço é este pelourinho ( ou picota ) que em boa hora aqui é trazido , de Mós. O desvelo e atenção de José Sambade permitiu reabilitar este monumento - e decerto a defesa do património começa aí, na recuperação do que foi desmantelado, por ignorância ou ocasião. Eu por mim , que sou leigo nestes assuntos , só posso festejar vivamente o facto e apreciar esse símbolo da autoridade e jurisdição municipais que aqui se (re)ergue para orgulho de todos os moncorvenses. Único ao que consta. Que o seja , mas que também o seja de todos nós, que procuramos num passado comum tecer as memórias da nossa identidade.
(E já agora - perdoem-me se sou "politicamente incorrecto"- mas o pelourinho tem um fecho verdadeiramente fálico...).
Daniel de Sousa

N. disse...

Quanto ao pelourinho de Mós, os seus elementos foram parar, de facto, a uma parede junto à fonte de mergulho medieval, conhecida (impropriamente) como "fonte romana", onde os fotografámos em 1981, tal como a pedra do capitel que, por essa data, ainda estava em casa de herdeiros do Dr. Gabriel, tendo sido apresentada numa exposição de arqueologia e história realizada em Torre de Moncorvo em 1986-87. Sabemos da influência do nosso amigo Carlos Sambade no processo da reposição deste símbolo no local onde se encontra, o que é positivo como forma de reconciliação dos habitantes locais (neste caso os mozeiros) com o seu próprio património.
E é como diz Daniel Sousa, o remate é algo fálico, embora se tenha que dizer que essa peça do topo não é a original: foi refeita segundo o modelo da que se supunha ser a original, e que não foi utilizada certamente porque estava bastante fracturada (do troço que restava parecia ser mais piramidal e menos cónica, podendo apresentar o topo num remate sem ser ponteagudo, aliás, como outros pelourinhos, mas isto sem uma gravura da época é meramente especulativo).
Acrescentemos apenas que, para além do pelourinho, Mós tinha outro instrumento interessante de castigos à boa maneira medieval: o famoso "freio das maldizentes", de que havia um exemplar semelhante no Museu Abade de Baçal, em Bragança. Era uma espécie de cabresto em ferro, com uma lingueta que entrava na boca e era colocada sobre a língua do (ou "da") condenado/a, que seria depois passeado/a pelas ruas com uma arreata, pelo meirinho, sujeitando o linguarudo/a à execração popular. - Coisas medievas, mas que não desapareceram de todo: hoje em dia, a televisão de tipo SIC's e TVI's fazem esse papel... E
quantas vezes quem está inocente acaba
vituperiado numa exposição às vezes bem me(r)diática... (caso para se aplicar também aos caluniadores o dito freio!...)
Já agora, e a propósito, os forais medievais, incluindo o de Mós, cominavam penas graves a uma outra costumeira da época, e que viria da noite dos tempos, que era a "merda in buca" (m... na boca) dito no seu latim macarrónico... certamente desse costume veio a expressão ainda em vigor de "mandar alguém à m..." (nesses tempos, parece q era mesmo literalmente!...).

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