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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Gungunhana

Folheando a sempre interessante "Caderneta de lembranças" de Francisco Justiniano de Castro, a que já aqui várias vezes aludimos, à cata de efemérides, para o dia 5 de Janeiro encontrámos esta, com as habituais calinadas ortográficas do autor:
"Janeiro, 5 [de 1896]- chegou a nutiçia de ser preso o Rei Preto, na guerra de Àfrica pellas nossas tropas e que o trazem para Lisboa a apresentalo ao nosso Rei" [D. Carlos]

Este apontamento refere-se à notícia da captura do famoso régulo Gungunhana (imperador dos Vátuas de Moçambique), cujas calças estiveram muito tempo no quartel do batalhão de Caçadores 3 de Bragança, sedeado no castelo de Bragança, onde hoje está um Museu Militar em que se mostra uma réplica da dita peça de roupa atribuída ao grande soba africano. Com efeito, militares deste batalhão participaram nas campanhas dos Vátuas, sob comando de Mouzinho de Albuquerque, razão pela qual terão ficado com o "troféu". É possível que algum moncorvense por lá tivesse também andado.
A título de curiosidade, refira-se que Gungunhana foi capturado em 28 de Dezembro de 1895, sendo transportado para Lourenço Marques (actual Maputo), onde foi desembarcado juntamente com outros prisioneiros e acompanhantes, no dia 4 de Janeiro de 1896. Só no dia 13 desse mês foi expedida a ordem de embarque, pelo ministro da Marinha e do Ultramar, chegando a Lisboa no dia 13 de Março. Gungunhana esteve temporariamente preso no forte de Monsanto, sendo em Junho deportado para os Açores, onde viria a falecer em 23 de Dezembro de 1906. Em 1985, as suas ossadas foram transladadas para Moçambique.
Para saber mais, ver: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ngungunhane

1 comentário:

Anónimo disse...

Muito interessante, N.!

Já visitei o Museu Militar em Bragança e "contactei com esta personagem" de um porte incrível! Torga refere-o sempre como um homem de Valentia e símbolo da sua raça.

Isabel

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