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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Reflexos II

Quando se deu o alardo da Vilariça quem é que alimentou os cavalos?
Os servos da gleba da Corredoura (outro nome que tivesse o bairro)? Já existia Corredoura ou apenas famintos com condição semelhante à dos cavalos? Afinal do que é feita a História? E tanta palha para quê? Qu'é do grão? Quem o comeu?
(Relendo as Crónicas de Fernão Lopes com desenhos e pintura de Rogério Ribeiro)

4 comentários:

Anónimo disse...

Também eu tenho uma dúvida ou um reflexo versão III :

Onde se deu o alardo da Vilariça ?

Foi na nossa vilariça ou na vilariça junto ao Azinhoso ?

Denso

Anónimo disse...

Já tive algumas vezes ensejo de discutir com o "Denso" esta questão. A "densidade" do problema, consiste, na sua opinião, numa lógica do itinerário, a partir de Azinhoso onde o Conde(stável) D. Nuno havia estado e a proximidade da Vilariça de Mogadouro. Ora F. Lopes diz claramente que "se foy o Comde à villa da Torre de Mencorvo" (cito de memória, mas é mais ou menos isto). Embora sabendo que o cronista escreveu muito tempo depois dos episódios narrados, custa-me a crer que trocasse os factos ao ponto de inventar a passagem por locais (como Torre de Memcorvo, que, sendo lisboeta não conhecia de parte nenhuma), sem se estribar em documentação ou em outra qualquer documentação - ainda não havia os guias da Michelin, ou mapas de estradas para se pôr a deduzir. Para mim, parece-me pois credível que o "fermoso alardo" se tivesse dado nas terras da nossa Vilariça. Quanto aos pães que aqui pilharam os homens de pé e de a cavalo, pois afora o que deve ter sido consumido pelas bestas "in loco", parece que o levaram com eles para as terras das Beiras, onde o foram digerindo, já que as "companhas" de homens e animais eram muitas. Não tenho o texto do cronista aqui há mão, e o que li foi há muito tempo, mas acho que foi mais ou menos isto. Ah, e tenho ideia que o Mestre de Aviz, aliás, agora já D. João I, ainda deu ordens para poupar os danos e pilhagens nos pães da Vilariça, mas de pouco adiantou, face à quantidade de homens de armas e seus cavalos.
Tentando responder à dúvida do Rogério sobre se haveria ou não já Corredoura nesse tempo, eu acho que sim, que deveria haver já um pequeno núcleo de casario, embora a documentação não o refira, pois os "satélites" de povoamento nas imediações da "cerca" deveriam caber na designação mais vasta de "Arrabalde", este sim, referido na documentação desde cedo (do séc. XIV em diante).
N.

Anónimo disse...

É sempre um deleite ver e aprender com as observações do N. e ele sabe bem que é isso que eu sinto, até porque não tenho pretensões a ver claro onde penso que os outros vêm escuro.

Contudo, e nesta ansia de ser persistente a questionar a história local, contínuo com um reflexo ( versão IV e, prometo, último ):

Se isso sucedeu assim com diz o caro N. porque será que estando largos dias nos idos de Maio de 1386, a hoste e o rei na nossa Vilariça logo a carta de privilégios que o rei outorgou a Torre de Moncorvo foi passada e roborada em... ESCALHÃO ? ( qd. seria natural que o fosse pela proximidade, por estar ali á mão, e à semelhança de outras, na Vilariça, fruto da larga estadia do rei por aqui ? ).

E o grande cronista F.L. qd. refere Torre de Meeencorvo, refere-se à vila ou á comarca ?

E então,no quadro tão bucólico da palha e grão à fartura, e pães a ondularem com o vento, não podiam existir à altura também na outra Vilariça ?

cps.

Denso

N.Campos disse...

Agradeço e retribuo o cumprimento do amigo Denso, pois as suas cogitações são sempre pertinentes.
Todavia, sobre esse problema da carta passada em Escalhão, não vejo grande problema, pois o acampamento militar poderia ter estado estacionado na nossa região (a hoste do condestável parece ter chegado primeiro), e, a partir daqui, poderia o rei ter feito incursões pelas imediações, no sentido de arregimentar apoios entre a pequena nobreza local, para o assalto final a Bragança, o qual parece ser o grande objectivo depois da conquista de Chaves. Aliás, o principal problema, quanto a mim, não é o do alardo ser aqui (na Vilariça de Moncorvo) ou na Vilariça de Penas Róias. O que me intriga é o estranho itinerário para cima e para baixo, depois da tomada de Chaves (em 30 de Abril de 1386) > daqui o condestável foi parlamentar com João Afonso Pimentel (alcaide de Bragança e cunhado de Leonor Teles) no sentido da sua rendição ou mudança de campo (aceitando a suserania de D. João I). Nada consegue e vai em oração ao santuário do Azinhoso (Maio de 1386). Há depois o alardo que, fosse de uma maneira ou de outra ficava muito a Sul de Bragança. Pode-se argumentar que, mais longe era a nossa Vilariça, se o objectivo era voltar a Bragança, mas, mais a Sul ainda era Escalhão, que tanto se poderia alcançar pela calçada de Alpajares (embora fosse um trilho muito difícil para um exército de alguns milhares de peões e cavaleiros) como poderia sê-lo pela estrada do Pocinho (tradicionalmente o atravessamento mais fácil do Douro), vale da Veiga, Foz Côa, Almendra e Escalhão). Ou seja, pode ter sido uma breve incursão, com um pequeno corpo de exército. E depois, voltam a Bragança. Ora, é preciso não esquecer que o Mestre de Aviz tivera aqui, nesta zona, um grande apoiante - Vasco Pires de Sampaio - e um forte oponente com quem era preciso ajustar contas: o Portocarrero. Se a missão desta campanha do Norte/TRás-os-Montes era "pôr na linha" a nobreza desalinhada e consolidar o apoio dos de certo (e aqui, além dos Sampaios, depois senhores de Vila Flor e Carrazeda e donatários da alcaiadaria de Torre de Moncorvo, Mós, Freixo, etc), explica-se que o Mestre e D. Nuno viessem por aqui. Por acaso não tomaram o seu partido as vilas de Moncorvo e Vila Flor que, além de Miranda do Douro, foram os únicos bastiões apoiantes no meio de um mar de "castelhanófilos", durante a "crise" de 1383-85???
O que fazem os políticos de hoje, quando ganham as eleições? - normalmente visitam os municípios de onde receberam os mais fortes apoios. Ora neste caso, Torre de Moncorvo era uma vila da maior importância (até estratégica, por causa da barca de passagem do Pocinho), com uma burguesia mercantil (composta seguramente de muitos judeus) e uma pequena nobreza não dispicienda, com uma fortaleza e alcáçova que poderiam ter funcionado como pousada do rei. E a Vilariça do Azinhoso/Penas Róias? Ainda hoje uma ignota povoação, tipo aldeia anexa, sem qualquer importância estratégica. E os largos campos da nossa Vilariça (sendo certo que searas ao vento poderiam existir nos dois lados) seriam bem mais espaçosos para os movimentos de tropas em parada (que é o que realmente siginifica "alardo").
Devo dizer que ainda não vi melhor a crónica de Fernão Lopes, o que conto fazer, bem como prometo estudar melhor a questão. Mas, para já, fique o Denso com isto.
Ah, e pode ficar também com um belo poema do Campos Monteiro, que tmbém é conforme ao alardo na nossa Vilariça (claro que é um devaneio literário, mas...). Veja no blogue do PARM, meu "post" de 16.06.2008: http://torredemoncorvoinblog.blogspot.com/2008/06/o-alardo-da-vilaria.html

com um abraço do,
N.

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