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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Violante Gomes, a "Pelicana" - V (conclusão)

[Continuação do post de 12.01.2010]

Para tentar atar todas estas pontas ou, pelo menos, algumas delas, haverá que responder a algumas perguntas:

Quem foi a mãe de Violante Gomes? Não há mais do que um leve indício, ainda que os intervenientes em Geneall–Forum, insistam neste ponto: Marta de Évora, filha de D. Diogo, Duque de Viseu, seria a mãe de Violante Gomes. Todavia, ao lado de opiniões equilibradas, ponderando documentos, indícios, sinais, acontecimentos históricos, penso que surgem neste debate ideias peregrinas que, por vezes, quase atingem as raias do delírio.

Onde nasceu? Três terras se reclamam de ser seu berço:

> Torre de Moncorvo, hipótese sustentada por Vilhena Barbosa e por Pinho Leal, citados pelo Abade de Baçal, e pela tradição da vila, onde é voz corrente que aqui nasceu a “bela Pelicana” e nos é apontada a casa em que terá nascido. Também na ficha biográfica de Violante Gomes que se encontra em Geneall (Web), aparece Torre de Moncorvo como o lugar do seu nascimento.

A breve nota sobre Violante que Pinho Leal nos apresenta no seu “Portugal Antigo e Moderno” é demasiado vaga para poder ser considerada como prova histórica. Mas, se à luz da História está longe de poder ser aceite como prova, vem, no entanto, corroborar a tradição.

O PARM (Património Arqueológico da Região de Moncorvo) e o site sobre Moncorvo fazem-se eco destes informes.

Há, também, uma interessante versão romanceada num artigo do jornal "Terra Quente", que segue a tradição e acompanha o artigo uma fotografia da casa onde terá nascido a Pelicana.
Quanto às minhas pesquisas, lamento dizer que apenas encontrei uma Violante Gomes ligada a Moncorvo pelo casamento de uma filha com Francisco de Arosa Pinto, desta vila. Outros Arosas Pinto de Moncorvo surgem nessas páginas. Nada têm a ver com Violante Gomes, a Pelicana. A obra em causa intitula-se “Pedatura Lusitana”.
Todavia, a História diz-nos que D. Manuel I, apaixonado pela viúva do Príncipe D.Afonso, D. Isabel, filha dos Reis Católicos, decidiu casar com ela. Para comprazer os sogros, mandou expulsar os judeus e confiscar-lhes os bens, investigar , prender e torturar cristãos-novos que, às escondidas , continuariam a praticar os seus ritos religiosas, e queimar os relapsos. Por isso, julgo que não poderá excluir-se a hipótese, bem plausível, de que precisamente devido a essa vasga de perseguições, Marta de Évora e seu marido Pedro Gomes, tenham procurado refúgio junto de parentes ou amigos, no norte do país, e por que não, em Moncorvo? Aqui terá nascido Violante Gomes.

> Évora, é a terra onde vive seu pai, Pedro ou Pero Gomes, e onde, sua suposta mãe, Marta de Évora, terá sido criada por D. Briolanja Henriques, filha de D. Fernando Henriques, 2º senhor das Alcóçovas e de Branca de Melo, senhora de Barbacena, casada com Aires de Miranda, alcaide-mor de Vila Viçosa. O Infante D. Luis era Duque de Beja e muito se alongava pelo Alentejo, até porque a corte também pousava com frequência por terras de Montemor, Évora, Beja...
Por outro lado, parece que toda a família de Violante era de Évora e/ou vivia em Évora. (Violante Gomes teria uma irmã, Clara Gomes, e sobrinhos, entre os quais Frei Diogo Carlos, teólogo e orador, que acompanhou o primo D. António no exílio e, em Paris, lhe redigiu o testamento).
Esta hipótese, historicamente, até pode ser convincente. Mas, obviamente, não é a única.

> Covilhã, ao que tudo indica, fundamenta a sua pretensão no facto de D. Luís ser senhor da Covilhã, como era senhor de Moura, Serpa , Seia e Marvão. Não parece, pois, ser essa base suficientemente forte para apoiar a sua pretensão.

Seria Violante Gomes judia, cristã-nova, cristã-velha, cristã? É tão difícil responder com certezas a esta pergunta como às anteriores. Não podemos perder de vista que todos os documentos referentes a D. Luiz, incluindo o original do próprio testamento, desaparecido da Torre do Tombo, (V. Veríssimo Serrão, op. cit. p.LIV), bem como os respeitantes ao filho D. António e, naturalmente, os que mencionassem Violante Gomes, desde que o seu teor fosse contrário aos interesses de Filipe de Espanha, foram todos bem rebuscados e destruidos, como nos diz este historiador. Transcreve cartas e partes delas entre Cristóvão de Moura e Filipe de Espanha que provam a busca (até o roubo) e a destruição sistemática dos documentos que não favoreciam o rei espanhol. De igual maneira procedeu o cardeal-rei reduzindo a cinzas tudo o que favorecesse o sobrinho António, a quem votava um ódio de morte. Este ponto: espionagem, roubo e destruição de documentos é, não só de grande importância para a História, como também para a ficção, pelo mistério envolvente e de que o leitor sente fortemente o apelo.
Teria Violante Gomes casado, de facto e canonicamente, com o Infante D. Luís, ou isso não terá passado de uma tentativa de logro por parte do Prior do Crato para fazer valer a sua candidatura ao trono como filho legítimo, como admitem alguns historiadores e estudiosos da nossa História, incluindo o probo Alexandre Herculano?
Ou o casamento, a ter existido um casamento, tal acto não passou de uma farsa, como quer Camilo? Sofreu a ludibriada Violante realmente a terrível humilhação de saber que o seu “marido”, falso como Judas, a enredara numa mentira medonha durante dez anos?
Ou a bela Pelicana foi, por sua vontade, a apaixonada amante do seu Príncipe?
O que levou Violante Gomes a separar-se de D. Luis e, antes dos 30 anos, enterrar-se num convento?
Também aqui, pela falta de documentos, é impossível dar respostas definitivas, sejam elas afirmativas ou negativas, embora cada um de nós tenha já, porventura, posto de lado algumas conjecturas e guardado outras no bolso, porque pendendo para um lado ou para outro, todos formamos os nossos juízos. E tudo leva a crer que a personagem, Violante Gomes, será capaz de atrair sentimentos profundos.
Então o que nos resta sobre a bela Pelicana?
Penso que, para a História, a não aparecerem documentos que comprovem estas ou aquelas hipóteses, resta pouquíssimo. Tudo o que sabemos com certeza, caberá em um ou dois curtos parágrafos.
E o que resta para a Literatura?
Aqui o caso muda de figura. Um escritor, romancista, homem de teatro, poeta, pegando na situação, que é riquíssima, com a sua liberdade de ficcionar episódios e criar diálogos em volta de alguns núcleos de accção reais e verdadeiramente dramáticos, terá certamente abundante material para nos dar uma visão não muito distante nem muito desfocada do que terá sido a vida da “fermosa Pelicana”, no enlevo do seu grande amor, nos seus sonhos, alegrias e ilusões e depois, jovem mulher mirrando na solidão de uma cela, atada no nó da sua amargura, procurando abafar o grito rouco da desilusão.

BIBLIOGRAFIA

A - HISTÓRIA:

Alves, Francisco Manuel, Abade de Baçal , “Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança – Os Notáveis “ , Tomo VII, pp. 208-212, Edição da Câmara Municipal de Bragança/ Instituto Português dos Museus - Museu do Abade de Baçal - Bragança, 2000.

António de Portugal Faria (Visconde de Faria, “D. António, Prieur de Crato, XVIII Roi de Portugal et sa descendence”, 1917, pp.5-7.

Carlos Jokubauskas , As jornadas de um bastardo: guerras antoninas pela coroa portuguesa (1580-1589), in Anais do XVIII Encontro regional de História – O historiador e o seu tempo, Univ. de S. Paulo/Assis, 24 a 28 de Julho de 2006 , cd-rom.

Garcia de Resende, Vida e Feitos de El-Rey Dom João II, Texto da edição crítica por Evelina Verdelho, CELGA, Fac.Letras, Univ. de Coimbra, 2007.

Marques, João Francisco, “Frei Miguel dos Santos e a luta contra a União Dinástica” - “O Contexto do Falso D. Sebastião de Madrigal”, in Revista da Fac. de Letras do Porto, ed. online, s/d, http://ler,letras,up,pt,/ficheiros/2084, pdf., pp.331-384, notas 102 e 106.

Moraes, Cristóvão Alão de , “Pedatura Lusitana”, in Nobiliário de Famílias de Portugal, Tomo V, Vol.IIl , Livraria Fernando Machado, Porto, s/d , ed. online, pp. 31-32.

Leal, Pinho, “Portugal Antigo e Moderno”, in Portugal Antigo e Moderno, vol. V, Manuel Amaral (coord.), ed. online, 2000-2009, 1875, pp. 381-390.

Serrão, Joaquim Veríssimo, O Reinado de D. António, Prior do Crato (Tese de Doutoramento), Coimbra, 1956, pp. XV-LXVII.

Serrão, Joaquim Veríssimo, “O Século de Ouro (1495-1580)”, in História de Portugal, vol. III, Verbo, Lisboa, 1978.

Sites de: Covilhã, Évora e Moncorvo

PARM: “Torre de Moncorvo – a Tradição e a Casa da Pelicana”, 20 de Março de 2008

WEB: GENEALL (Famílias e Costados)

GENEALL-FORUM (Debate sobre a legitimidade de D. António, Prior do Crato )


B - LITERATURA:

As obras registadas no corpo do texto e:

Cândido, António, Noções de Análise histórico-literária, Associação Literária Humanista, São Paulo, 2005.

Cardoso, Patrícia, “Um Rei não morre – Poder e justiça em duas tragédias portuguesas”, in Revista Letras, Curitiba, nº 68, Jan/Abr, 2006, pp. 101-114.

Menegaz, Ronaldo, “O Indesejado”, de Jorge de Sena: “O rei que foi apenas um homem” in, Revista Semear, nº 6, Cátedra Padre António Vieira de Estudos Portugueses, Rio de Janeiro, Março, 2006

Entrevista a Urbano Tavares Rodrigues, feita por Ricardo Paulouro e António Melo, in A.23 online,
n º 4, 01.06.2009, Associação Cultural da Guarda, Guarda, pp. 32-33.

Por: DRª. JÚLIA DE BARROS GUARDA RIBEIRO

Fim.

14 comentários:

Anónimo disse...

Dra Júlia

Não acredito que desista!
Já lhe deram tantas pistas, nestes comentários...
Mas, está bem, são insuficientes.

Então vejamos que posso eu fazer para a ajudar a ressuscitar Violante Gomes, a Pelicana...

Pelicana é uma alcunha curiosa, até porque Pelicano, só recordo um, o Rei.
Dom João Segundo, o Rei Pelicano.
Um Rei sem Rainha, já que D. Leonor, escolheu a Rede, a Teia, depois da morte do filho.
Deveria ter-se enredado apenas a ela.
Mas, como óbviamente isso lhe não bastava, teve que nos arrastar a todos.
Até hoje!

Mas isto é outra história.
Ou talvez não, talvez seja parte da mesma e eterna História.

Mas caríssima Dra Júlia, já reparou desde quando, é o Infante Dom Luís, Senhor das Terras de Serpa? As tais Terras do Dux, ás quais D. Manuel não tivera direito?

É uma pista importante.

Mas existe uma outra, que não será de desprezar.

Vejamos: Dom Afonso, filho do Dux Diogo e de Dona Leonor de Sotomayor, foi até à sua morte, em 1504, o 8º Condestável do Reino.
O Infante Dom Luís, foi o 9º Condestável. Mas Dom Luís, nasceu em 1506, depois da morte de Dom Afonso.

Porque será que houve um interregno tão grande?
E em que ano terá falecido Dona Joana de Noronha, A Condestablesa, viúva do 8º Condestável, Dom Afonso?
E em que data terá Dom Luís, herdado o cargo de Condestável do Reino?

Maya de Los Dioses

Anónimo disse...

Cara Drª Julia

No seguimento das anteriores sugestões, e porque desejo sinceramente, que toda a História Perdida, venha um dia à luz, recordo-lhe uma Data.

Uma Data Histórica.
O ano de 1578.

Em 1578, "morre" a contento de Filipe II, de Espanha, em Alcácer Quibir, O Rei Dom Sebastião.

E muito a propósito, porque Filipe II, era um Rei de sorte, nesse mesmo ano fatídico, morre Don Diego Cólon, 4º Almirante das Índias, que fora casado com Dona Filipa Cólon, 3ª duquesa de Verágua, falecida no ano anterior, sem sucessão.

Nesse mesmo ano de 1578, recomeçam Os Pleitos, pela Herança do Almirante das Índias, Don Cristóbal de Cólon, com o aparecimento de um desconhecido, Baldassare Colombo, que se reclama, com falsa documentação, herdeiro do Almirante.

Filipe II, comprou Portugal. Ele próprio o afirmou.

Foi dispendioso, já que teve que pagar a nobres e plebeus.

Mas, Filipe II, o Rei Planeta dispunha de todo o ouro que lhe fosse necessário, para pagar estas e outras falsificações.
E convenhamos, para Filipe II os fins justificavam os meios.

Filipe II herdara A Mina. Ou melhor, As Minas.
A bem dizer, herdar não herdara, porque tal como Portugal, A Mina nunca lhe pertencera.
Mas quem o poderia afirmar, agora que quase todos estavam mortos...

Restava só um empecilho, Dom António, O Grão- Mestre Do Crato.

A esse, Filipe II não poderia comprar.
Mas, existem sempre outros métodos...

Foi exactamente isso, que Filipe II, fez.

Maya de Los Dioses

Anónimo disse...

"He tradioçam bem fundada, que foy natural desta Villa a mãy do Senhor D. Antonio, Infante, que seis mezes se vio coroado Rei de Portugal; ainda de presente se apontão as casas em que nasceo, e se comhecem pessoas, que lha são conjuntas em sangue" - CARVALHO DA COSTA, Corografia Portugueza, tomo primeiro,p.424, Lisboa, 1706

Wanda disse...

Olá!

Júlia, magnifico seu estudo e pesquisa sobre a história.
Fiquei curiosa e fui pesquisar algum texto que no conteúdo mencionasse A Pelicana, D.Luiz e Torre de Moncorvo, aqui no Brasil.
A única coisa que achei foi uma página que contém um boletim da Sociedade Genealógica Judaica do Brasil.
Não conheço os apelidos das pessoas dessa região mas tem um trecho que menciona Violante Gomes e também um trecho sobre Torre de Moncorvo

"Ele casou-se com a prima e riquíssima herdeira, Luísa de Campos Henriques,para quem confluiu a fortuna dos Campos: títulos, ações, solares e casas nobres, onde se destacam o Palácio do Conde-Barão em Lisboa e aCasa de Campos Henriques em Vila Nova de Fozcôa, as quintas das Capelas e da Torre, em Pinhel, da Terrincha em Torre de Moncorvo, e dos Leões em Lisboa, a grande mata do Carrascal, mais 387 prédios rústicos espalhados por Torre de Moncorvo, Vila Flor, Vila Nova de Fozcôa e Meda,uma coleção de porcelanas da Companhia das Índias, pratarias, uma notável coleção de brilhantes, a biblioteca do Barão de Vila Nova de Fozcôa"

Se interessar a leitura o endereço do sitio é:

http://www.ahjb.com.br/pdf/jornal_may99.pdf


Abraço
Wanda

São Paulo-Brasil

Anónimo disse...

Júlia, muitos parabéns por este seu trabalho sobre a Pelicana!
Gostei e aprendi muito. Como assentaria bem uma obra de ficção àquela "casinha" que o N. nos mostra e que, hipoteticamente, terá abrigado a Donzela. Continuação de um bom trabalho!

Isabel

Júlia Ribeiro disse...

Olá, Maria de los Dioses:

Gosto do nome e desejo que os Deuses lhe sejam propícios. Ando há 3 dias para lançar um comentário e não há maneira. Dá erro, e pronto. Não sei se terá sido longo demais. Vou dividi-lo em 3 ou 4 partes.
Ora aí vamos nós:

1. a) Divisa de D. João II, de acordo com Ruy de Pina:
“Por tua lei e por tua grei” , para circundar o pelicano que, ao ferir o peito, garante o sustento dos filhos.
A atitude do rei era clara — o reino tinha um único senhor que protegia o seu povo — e estava espelhada na divisa e no símbolo que escolheu. " (RUY DE PINA)

NOTA : Porém, sou de opinião que este símbolo, adoptado por D. João II, nada tem a ver com a alcunha de Violante Gomes "A Pelicana" , até porque o epiteto vem, por norma, associado aos adjectivos : "fermosa" e "bela".


1. b) "Para elevar ainda mais os altos rendimentos anuais da Rainha D. Leonor, transformando-os indiscutivelmente na fortuna pessoal mais importante do reino, os salários dos seus funcionários superiores eram pagos pelo monarca".
(In: Ruy de Pina)

(Daí poder a caridosa senhora estender a sua teia, que não era só feita de compaixão pelo pobres e desvalidos ... mas isto é realmente outra história. E nem sempre bem contada...)

Vamos à 2ª parte do meu comment.

Júlia Ribeiro disse...

2 . Ora, recapitulando: O Rei D. Duarte teve como filhos:
D. Afonso V que foi o Rei que o sucedeu
e
D. Fernando – Primeiro Duque de Beja.

Este Duque de Beja é ACUSADO de ter engravidado uma jovem da corte, chamada Isabel Gonsalves Zarco, filha do famoso João Gonsalves Zarco, que foi o descobridor de Porto Santo e da Madeira.

Dos amores proibidos nasceu um menino a quem foi dado o nome de Salvador Gonsalves Zarco, o qual mais tarde mudou o nome da firma para Cristovão Colon, mais conhecido por Colombo.

(NOTA –Mais outra história de trama muito, mesmo muito enredada!!!..... e que não é para aqui chamada) .

Este Duque de Beja - D. Fernando - casou depois com a Infanta D. Brites( ou Beatriz) de quem teve os seguintes filhos:
D. Manuel - que veio a ser Rei, com o nome D. Manuel I ;
D. João - 2º Duque de Beja e 3º de Viseu , que morreu jovem;
D. Diogo – Por morte do irmão D. João, será 3º Duque de Beja e 4º de Viseu . ( Morre apunhalado pelo rei, D. João II, acusado de traição).

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3. D. Diogo – 3º Duque de Beja e 4º Duque de Viseu
D. Diogo (1452? — 1484). filho do Infante D. Fernando, é o irmão de D. Afonso V . Seu pai herdou do Infante D. Henrique o Ducado de Viseu, o senhorio de Beja e das ilhas atlânticas. O duque D. Diogo tornou-se assim, depois do duque de Bragança, o mais poderoso nobre do reino, sendo agraciado por D. Afonso V com os cargos de CONDESTÀVEL DO REINO e governador da Ordem de Cristo. Gozava de especial privilégio pelo poder e ainda por ser irmão de D. Leonor esposa do príncipe herdeiro D. João.

Feito chefe dos descontentes quando D. João II subiu ao trono, por causa da política centralizadora do monarca, prepara uma conjura para assassinar o rei e o príncipe herdeiro, o que lhe permitiria depois subir ao trono. (1ª conjura em 1483, e então perdoado pela sua pouca idade).
Mas D. João II, já rei, teve conhecimento de uma 2ª conjura(1484) e, atraindo o cunhado a Palmela, aí o apunhalou por suas próprias mãos.
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4. FILHOS de D.DIOGO:
D. Afonso, dado a criar a D. Antão de Faria pelo próprio D. João II , pois que Antão de Faria era homem de sua total confiança. D.Afonso foi mais tarde CONDESTÀVEL DO REINO e receberá o título de Duque de Beja.

Também D. Briolanja Henriques, de Évora, casada com Aires de Miranda, alcaide-mor de Vila Viçosa , terá recebido (para a criar) uma menina de nome Marta (Marta de Évora , também filha bastarda de D. Diogo) . Mais tarde casará com Pedro Gomes e virá a ser a mãe de Violante Gomes, a Pelicana.
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_5. AFONSO DE ÉVORA + MARTA DE ÉVORA (?)

Por morte de Dom Afonso, filho de Dom Diogo de Viseu, 8º CONDESTÁVEL DO REINO, o cargo de Condestável passaria para o outro filho de Dom Diogo, neste caso a para a filha, Marta de Évora.
( Observação : Mulher não herdava o cargo de Condestável ;podia herdar outros cargos e senhorios e bens. Mas o de Condestável estava reservado a sucessor macho.)
Porque Marta de Évora, tinha o direito de herdar o cargo do Irmão, Don Afonso, e sua filha, Violante, tinha que casar na casa Real. ( Ideia muito incorrecta !!!??)

E foi assim, que Dom Luís, 4º filho do Rei D. Manuel I , Infante de Portugal, herdou os títulos e os cargos , a saber: 5º Duque de Beja, e 9º Condestável do Reino . Casou com uma Plebeia,( que, assim pretendem alguns, seria neta de um rei de Portugal): Violante Gomes, A Pelicana.

( De várias intervenções num FORUM para debate do tema. Mas... não foram apresentados documentos credíveis. )

Júlia Ribeiro disse...

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6. D.LUIS
Também herdara as Terras de Moura, Serpa, Marvão e Covilhã, que haviam sido de Dom Diogo, e estavam reservadas para os seus descendentes.
Teve carta de mercê do título de 4º duque de Beja, e de doação em sua vida das vilas da Covilhã, Ceia, Almada, Moura, Serpa, Marvão concelho de Lafões, e Besteiros, dada em Coimbra, por D. João III, no mesmo dia 5 de Agosto de 1527, em que declara faze-lo assim por cumprir e trazer a efeito a vontade do rei D. Manuel seu pai . Da cidade de Beja teve carta de doação das rendas e senhorios e de todo o seu termo, dada em Évora a 29 de Março de 1534.. Foi condestável do reino por carta passada em Coimbra, com as mesmas cláusulas acima citadas; e depois administrador perpétuo com jurisdição no priorado do Crato, por carta de 10 de Março, dada em Lisboa, em 1529, na qual se declara ser já comendatário do dito priorado por mercê do rei D. Manuel seu pai.
O infante D. Luís nunca foi casado, como descreve Damião de Góis e outros historiadores, no entretanto não faltaram muitas negociações e contratos de casamento correspondentes à sua pessoa e merecimentos, que se não efectuaram. Foram estes o da
(1) princesa Hedwige, filha de Sigismundo, rei da Polónia;
(2)o de Cristina, filha de Cristiano II, rei de Dinamarca, viúva de Francisco Sforza, (3) com a filha primogénita de Francisco I, rei de França,
(4)com a infanta D. Maria, irmã do infante;
(5) com a infanta D. Maria, sua sobrinha, que depois foi rainha de Espanha, casando com Filipe II
(6)com a princesa Maria, filha de Henrique VIII de Inglaterra, e herdeira daquela coroa por morte de seu irmão Duarte VI, que também veio a casar com o mesmo Filipe II, já viúvo da infanta de Portugal;
(7) e ultimamente com D Maria, sua sobrinha, filha do infante D. Duarte, que foi duquesa de Parma, mulher de Alexandre Farnésio.
(8)Deixou um filho natural, havido de Violante Gomes, por alcunha a Pelicana, que parece ter sido de origem judaica, de que resultou um filho, que foi o célebre D. António, prior do Crato.


7.” BRIOLANGE ANRIQUES
2”...e em vindo el-rey da See com o principe e o duque e con muito grande estado lhe sayo aa rua cantando com hum pandeiro na mão Dona Briolanja Anrriquez dona muito honrrada molher d' Aires de Miranda; e el-rey com prazer a tomou nas ancas da mula e a levou assi com muita honrra onde a raynha estava- -- P 151 (Festas de casamento do Príncipr D. Afonso, filho de D. João II)
In: “Vida e Feitos d’El-Rey DOM João Segundo” de Garcia de Resende
Texto da Edição Crítica preparada por Evelina Verdelho
NOTA – D. Briolanja terá ensinado Marta a tocar pandeiro pelo que a criança terá recebido a alcunha de “pandeireta” , que a terá passado a sua filha Violante.

Anónimo disse...

Dra Júlia

A Teia de D. Leonor foi de facto outra, e nada misericordiosa, diga-se.
Acredito que se tenha arrependido, não só ela claro!
Transladarem o Corpo de Dom João II, com tanta Pompa e Circunstância, e descobrirem subitamente, que o corpo de Rei, não se havia decomposto, deve-lhes ter causado um choque!
De tal modo que a pobre Leonor, se apressou a mandar construir a Madre de Deus, e assim que o Convento esteve pronto, nunca mais de lá saiu.
Nem quis ser sepultada junto do filho, no Mosteiro da Batalha, ficou na Madre de Deus, em Campa Rasa.
Há actos de que nunca nos perdoamos!

Mas esta é outra História.
A sua é a de Violante Gomes, e só a quero alertar para mais um pormenor.

Violante Gomes, faz parte de uma História deliberadamente adulterada.
Nada foi o que pareceu.
E tudo o que tomámos por certo tantos anos está profundamente adulterado.

Os Estudos Genográficos, e de Imuhistocompatibilidade, ainda que recentes estão a lentamente a repôs a verdade.
Mas o caminho é longo.

Veja por exemplo, Dom Luis de Lancastre, filho de Dom Jorge de Lencastre, casa com Dona Madalena de Granada, filha de D. João de Granada, por sua vez filho do último Rei de Granada Muley Hassam.
Muley Hassam, Rei Mouro, de cabelos e olhos negros, e pele escura?
Não!
Muley Hassam, não era Africano era Persa.
Era um Banu-Nasr, Reis do Período Yemesed Nasr, da História da Mesopotâmia.
Os que construíram Templos com Colunas, e enormes figuras de Homens em Oração.
Os Nasr, dos Túmulos de UR, da Escrita Pictográfica, do Vaso de Uruk e do Templo Branco no topo da Montanha, dedicado ao Céu.

Muley Hassam, era descendente de Muhammad I ibn Nasr, conhecido por Al-Ahmar, o Vermelho, porque a sua barba era ruiva.

Saber quem é quem, é a chave de toda a História.

O Infante Dom Luís era louro arruivado, como fora D.Leonor e Dom Diogo, Duque de Viseu. Como virá mais tarde a ser Dom Sebastião.

E Violante Gomes, seria morena, de olhos escuros, como os originários da Palestina?

Ou seria loura?

Pense nisso

Nem sempre os do Geneall, revelam as Fontes, mas de uma coisa estou certa, esse filho bastardo do Infante Dom Fernando, nunca existiu.

Saudações

Maya de los Dioses

P.S.

Já me esquecia de lhe dizer, Ramsés II, faraó da 19ª Dinastia, também não era Africano. Tinha o nariz aquilino, a pele muito branca, e o cabelo Ruivo

Júlia Ribeiro disse...

Caríssima Maya de los Dioses:

Muito obrigada pelos apontamentos tão interessantes que me tem dado.
Eu, para além de gostar muito de estórias e muitíssimo de História e imenso de estórias da História, não tenho formação em História, como já apregoei.

Daí que eu lhe faça uma proposta : uma conversa , troca de opiniões, (em que eu ficaria a lucrar). Se não puder ser face to face, então por mail : aqui lhe fica o meu endereço: julia.ribeiro@gmail.com

Que diz? Vale? , como diria o nosso amigo blogueiro Angel.

Pois eu também creio que D. Leonor levou um susto de morte, até porque não fazia ideia de que o arsénico, administrado em doses diminutas durante anos, pudesse ter aquele efeito. Para ela o corpo incorrupto do marido era um sinal de Deus que lhes apontava, a ela, Rainha caridosa e a seu irmão, el-rei D. Manuel, o seu dedo acusador.

Quanto ao Infante D. Luis, todos os cronistas afirmam que era louro, branquinho e de olhos azuis. O filho, D. António, tinha cabelos e olhos escuros. E Violante? É opinião unânime que era de "grande formosura". Loura? Morena? A tanto não chegam as descrições que dela encontrei.

Será que a Torre do Tombo me irá esclarecer? Mas quando a História é "deliberadamente adulterada", como a Maya diz (e Veríssimo Serrão diz também e, já antes dele, o Visconde de Faria o dissera) , então vai ser assaz difícil derenredar esta meada.

Por isso é que eu estou a dizer que agradecia a ajuda que me possa - e queira - dar.

Um abraço
Júlia

PS - E deixe para lá o "Dr." Estou farta de pedir isso . Mas deve ser devido ao meu estatuto de velhice...

Anónimo disse...

Cara Júlia

Já guardei o seu mail, que agradeço, e a que recorrerei logo que encontre algum dado relevante.

Eu também não tenho formação em história, mas em relação à morte de Dom João II, o que me fez suspeitar de imediato de arsénico, foram as crises convulsivas, do Rei, que Resende descreve admirávelmente.
A preservação do corpo, e a Campa Rasa, na Madre de Deus, são como uma confirmação, do tipo de droga utilizada, a primeira, de culpa e talvez remorso, a segunda.

Poderá parecer, que o assassinato de Dom João II, não vem ao caso, mas, a a verdade é que a sua morte, alterou o curso da História, irremediávelmente.
Com Dom João II, morreu parte de Portugal.

O Infante Dom Luís, fora aluno de Pedro Nunes. Os seus Princípios, eram diderentes dos de D. Manuel, e de seu irmão D. João III.
Tudo os Títulos, todo o Património que herda, e que fora de Dom Diogo, é irónicamente, muito bem entregue.

O Infante Dom Luís, é feito 4º Duque de Beja, por carta de Mercê, do Rei, seu irmão, datada de 5 de Agosto de 1527.

O 3º Duque de Beja, fora Dom Diogo, Infante de Portugal, 4º Duque de Viseu, Mestre da Ordem de Cristo, que segundo se diz morrera em Agosto de 1487.

Dom Afonso, 8º Condestável do Reino, faleceu em Beja, em Outubro de 1504, sem nunca ter herdado o Título de Duque de Beja, que fora de seu pai, Dom Diogo.


Em 26 de Fevereiro, de 1526, faleceu em Puebla de Montálban,
o 1º Duque de Verágua, Dom Diogo Cólon.

Um abraço

Maya de Los Dioses

P.S.

D. Manuel, foi Rei, mas nunca foi Duque de Beja.
Dom João, nunca lhe fez mercê do Título de Duque de Beja.
Dom Diogo, sucede ao pai o Infante D. Fernando. E a Dom Diogo, sucede Dom Luís.

É esse o requinte!

Júlia Ribeiro disse...

Olá, caríssima Maya de los Dioses:

Estou a elaborar uma comprida lista de questões. Vou ver se amanhã lhas coloco, que as dúvidas são mais que muitas...

Obrigada pela sua paciência para me aturar.

Um abraço
Júlia

Júlia Ribeiro disse...

Olá Maya de los Dioses:

Não fiz a dita lista, porque tive em casa a neta mais pequenina e o meu 2º neto mais pequeno fez hoje 4 anos e o tempo não dá para tudo.

Um abraço e até amanhã
Júlia

Júlia Ribeiro disse...

Amiga Maya de los Dioses:

Ontem, depois das 10h da noite , ainda fiz quase uma directa a bisbilhotar - isto não é investigação coisa nenhuma - é mssmo só espiolhar aqui e ali e hoje já fiz umas horas muito largas na onda da espiolhagem.

Ora, vamos lá ver: Cristóvão Colon - comecei com Patrocínio Ribeiro, segui com Henrique José de Sousa, passei por Mascarenhas Barreto, Manuel Luciano da Silva, Roiz do Quental, Pedro Laranjeira, Manuel Rosa e terminei vendo o debate sobre os livros que vão surgindo e sobre o filme de Manuel de Oliveira " Colombo, o Enigma".
No debate estavam o Ten. Cor. Brandão Frr.ª e J.Rodrigues dos Santos - pela nacionalidade portuguesa de Colon;
e contra, estava o historiador José Manuel Garcia. Pelo meio apareceram mais uns quantos como Hernani Saraiva ...

Agora é que eu clamo por los mios Dioses !!
Se já estava um tanto confusa antes, neste momento é a confusão total que está instalada.

Li e ouvi coisas que só podem ter sido ditas/escritas em estado febril a rondar os 41/42 graus!


Para já, só lhe coloco 3 questões:

1ª - Que me sabe dizer de uma família judia, rica, de Santarém de nome Barach ( o que supõe Flandres, Holanda, até Alemanha), cujo nome deu em Português Barachos ou Barachas?
Sei que um tal Baracho foi um dos primeiros a aclamar D. António, como Rei, em Santarém. Parece que, nos Açores, D. António mandou matar um seu apoiante nobre, acusado de traição, mas de facto, por ter injuriado um Baracho.

2ª - Marta de Évora existiu mesmo? Pode confirmar-se ? Onde? Como? Só encontrei o seu nome em Júlio Dinis. ( E muitas vezes num FORUM da GENEALL sobre a "legitimidade do Prior do Crato". Mas a par de opiniões razoáveis , havia quem delirasse fortemente ...)

Bom, a ter existido uma Marta de Évora - criada por Briolanja Henriques , casada com Aires de Miranda, alcaide-Mór de Vila Viçosa, filha do 2º senhor das Alcáçovas e a mãe era senhora de Barbacena (uma filha de Briolanja era aia da rainha D. Leonor) - quem foi a mãe de Marta de Évora? E quem a deu a Briolanja Henriques para esta criar?

Quanto ao pai da criancinha, verdadeiro ou falso, é sempre apontado D. Diogo Duque de Viseu e Beja, que não teria deixado apenas um filho bastardo (D. Afonso), mas também uma filha acabada de nascer ou ainda para nascer: a dita Marta.

3ª Parece que o pai de Violante , Pêro ou Pedro Gomes, seria ainda aparentado com uma mais conhecida família judia : a família Gomes de Figueiredo.
Este Gomes de Figueiredo é referido por Ruy de Pina como sendo amigo de Isac Abravanel. E um dos roupeiros de D. Jão II , chamado Antão de Figueiredo, que passou depois para o serviço de D. Jorge, seria filho de Gomes de Figueiredo.
Com esse Antão de Figueiredo terá D. João II querido casar Marta, mas a rainha D. Leonor opôs-se e o tal Antão casou com uma aia de D. Leonor. Desse casamento não houve descendência.

Isto terá pernas para andar?

Responda para o meu e-mail, por favor.

Bem haja
Júlia

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