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terça-feira, 19 de maio de 2009

Bilhete Postal - 1953


Felgar e Urros
17-4-53

Um postal descoberto na caixa dos sapatos - arquivo por excelência das famílias simples - colocou-me "o pensamento em exercício e alma a transpirar" (que belo título !) de tanto imaginar os detalhes e as vidas por detrás de um simples postal...
Se havia telefone, seria caro e reservado a assuntos mais graves.
O Bilhete Postal servia na perfeição para dizer que nos 23 os tapetes não estariam prontos, para desejar saúde, para enviar lembranças e um abraço!
Os 23...
Tanta informação em dois dígitos. Nem era necessário falar em dia de feira. Era implícito.
O resto deixo à imaginação dos descobridores.

A. Manuel

8 comentários:

Anónimo disse...

viva Tó Manel! felicito-te pelo achado. O postal é, realmente, um documento. A destinatária presumo que fosse alguém da tua família (Teixeira). Quanto à remetente, seria interessante saber quem era esta tecedeira. E que motivo de conversa poderia vir de uma mulher de Urros, nesse tempo? - tapetes, pois claro! Na verdade é de notar que se recorresse a Urros (tal era a fama), quando aí no Felgar também havia teares e tecedeiras (estou-me a lembrar da mãe do Afonso Praça, que consta do precioso documentário de Leonel Brito, e que 1953 decerto já trabalhava como tecedeira).
Do ponto de vista ortográfico, vê-se que a tecedeira Cândida Soares teve boa escola primária, pois não se registam erros; mesmo o "estaram prontos" corresponde à forma antiga de "estarão", não se podendo considerar erro. A caligrafia é escorreita, tendo em consideração que (nota-se) foi usado ainda o aparo de molhar no tinteiro.
Por último, note-se o carimbo do correio, revelando que o postal foi metido no posto de Correios de Urros! - Bons tempos, em que Urros e Felgar tinham estações de correios!... Só falta saber qual o meio de transporte que foi utilizado para irem a Urros pelos tapetes. Já haveria hipótese de ligações de autocarro entre Felgar e Urros em 1953? iriam de táxi (e dinheiro para o mesmo?) Ou iriam de macho? - Marco-te o TPC: indagar isso e descobrir onde estão os tais tapetes. Acho que mereceriam uma fotografia (serão já artesanato arqueológico) que gostaríamos de ver aqui postada.
abraço,
N.

Wanda disse...

Olá!
Um e-mail de 1963...
Desculpem a brincadeira, mas funcionava quase igual.
A estória poderia ser de uma jovem noiva que quer os tapetes para enfeitar a nova morada.Tudo combinadinho com as cortinas e os móveis.O noivo ,aquele rapaz simpático que ela conhecia desde menina e que as famílias faziam gosto naquele casamento, provavelmente iria junto buscar a encomenda,com a sogra ao lado é claro.A tecelã os aguardaria para ver-lhes o semblante feliz e orgulhosa de seu trabalho caprichado.
Ou outra estória qualquer, que aqui não falta ao blog escritores com imaginação fértil.


Muito curioso.
Gostei!
Abraços!
Wanda

São Paulo, 19 de maio de 2009

Anónimo disse...

Hola amigos.Que expresión mas bonita"archivo de las familias simples",al referirse a una vulgar caja de zapatos,(antiguo sistema de reciclado).Que sabios eran nuestros abuelos.
1953,que buen año.En España desapareció la cartilla de racionamiento vigente por necesidad desde la guerra.
Y además nació Angel.Saber esperar tiene su recompensa.
Un fuerte abrazo.El mismo.

Anónimo disse...

Em homenagem às tecedeiras da minha terra e de Urros :

As tecedeiras

O raque-raque dos teares
Embala em triste melopeia
A solidão da velha aldeia
adormecida entre pomares.

Ó tecedeiras, vinde aos pares,
venha a bonita e venha a feia,
a ver qual delas mais me enleia
na luz tecida em seus olhares.

Prever não sei, não posso ainda,
por qual das duas me decida,
a linda é feia, a feia é linda...

Mas diz o povo, à boca cheia,
que no tear da minha vida
já tece o Amor a sua teia !

Alberto D` Oliveira in " Homenagem a Campos Monteiro " 1943, pág. 263.

Anónimo disse...

caro N.

O felgar ainda tem estação de correios a funcionar ( assim como escola primária ). Até quando...?
Não sei.
Tem um edificio logo ali á entrada( um enorme salão e 2 casas anexas ) edificado em meados dos anos 50 a custas exclusivas da então junta de freguesia, sem ajudas ou subsidios de ninguém.
Esta, de pronto foi ligeira, por fanfarronice, para que se constasse ou sem acautelar o que poderia ter acautelado, a doar as 2 casas aos CTT- Portugal para numa aí funcionar, como funciona,os serviços do correio. A outra, a casa do chefe, está desabitada.
Se houvesse justiça ou moral neste mundo, seria natural que houvesse reversão do direito de propriedade para a Junta de freguesia destas 2 casas. Têm a palavra os nossos politicos eleitos.

Aliás, como pessoa amiga idealiza que no felgar haja uma casa para se implementar um museu local, melhor sitio não haveria. Não achas ?

Júlia Ribeiro disse...

Que riqueza de comentários que um simples postal de 1953 suscitou!
O soneto, bem clássico, é um encanto.
Quanto ao comment do Nelson, como sempre, nada há a acrescentar: está perfeito.
A Wanda apresenta o enredo para uma bela estória : escreva-a , querida Amiga.
Quanto ao Angel: ficamos a saber que ainda é muiiiito novo. Eu já estava a entrar na Faculdade. Grande ano o de 1953!

Um abraço grande também.
Júlia

Anónimo disse...

Caro Antonio Manuel,

“Os 23” eram um número mágico nas aldeias. Eram dias de compras e encontros. Na vila era uma festa, passeava-se pela praça cheia de tendas :os ourives, encostados ao muro do Castelo, as vendedoras de económicos e licor de canela com as suas mesinhas à entrada da rua das Flores, no largo das regateiras (General Claudino) as hortaliças e os talhos improvisados, com carne de porco(reco) em mesas /tabuleiros ,salpicados de moscas . Na Corredoura negociava-se o gado.
Descíamos do Colégio e só parávamos nos económicos e licor de canela.
Nasci num 23 ,e o meu pai dizia que era tão enfezado ,tão lingrinhas, que não iria longe . Trocou-me nos ciganos (era o que me dizia).Nunca entendi bem esta história. Quando encontrava um grupo de ciganos ,olhava para os raparigos a ver se me reconhecia. Serei aquele? É parecido com o pai!
O meu apego ao Felgar, aos Laranjos vem daí, da busca de raízes. Angel sabe muito bem que “lelo” é cigano na gíria dos “paios” españoles.
Agora a sério: saí do grupo de colaboradores do blogue, mas estou disponível para dar o meu contributo às “coisas” do Felgar. António Cristino, Pucareiro, António Manuel ,podem sempre contar comigo. Há tanto que fazer: a antologia dos poetas populares ,a recuperação da casa dos CTT, a recolha fotográfica do Felgar do século .xx, etc.
Dia 5de Junho estou na vila .Dia 6 há o encontro dos antigos alunos do Colégio e dos blogueiros do “Descoberta…”(para mim ,romagem de despedida).Dia 20 há uma exposição com as reportagens do “República”(74), “Jornal”(84)e 2009 ,em que participamos o Rogério e eu.
Um abraço sentido para si e todos os outros Pucareiros.
Até sempre.

Lelo Laranjo (Leonel Brito)

Anónimo disse...

Caro Leonel Brito

Acabo de regressar agora mesmo do Felgar. Fazendo horas para jantar vim espreitar o blog, li a a sua mensagem.

Comecei a escrever uma resposta.
Já escrevi, apaguei, voltei a escrever e a apagar...

Não adianta. Não sai.

Por isso:
Obrigado, um abraço pucareiro e até dia 6.

A. Manuel

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