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quinta-feira, 14 de maio de 2009

"Versos da minha terra", de José Manuel Remondes

Considerando o interesse despertado pelos versos do Sr. Remondes, aqui postados por Leonel Brito, e porque alguns participantes mostraram vontade de conhecer melhor este nosso conterrâneo Poeta, do melhor que cá temos, aqui fica alguma informação sobre o seu livro "Versos da minha terra", editado pela Câmara Municipal de Torre de Moncorvo e apresentado no 25 de Abril de 2005 (embora a impressão seja de Novembro de 2004, com design gráfico e paginação de "Da Companhia, Design de Comunicação, Ldª.").


Grande parte dos poemas que compõem o livro são quadras populares (quatro versos), predominando os heptassílabos, embora também se encontrem outro tipo de rimas. A temática gravita em torno de Torre de Moncorvo e seu concelho - pessoas, situações, topografia e toponímia local, mas também reflexões pessoais - com grande sentido crítico e fineza da análise. Muitas das quadras foram sendo publicadas num jornal regional, sendo aqui depois compiladas.
Sobre o autor, há a dizer que o Sr. José Manuel Remondes é um moncorvense do melhor que há, que escolheu viver e trabalhar na sua terra, depois de noutros tempos ter tentado a sorte pela mítica "Europa civilizada", mais concretamente pela Holanda. Homem que não tem medo ao trabalho, é um artista exímio de construção civil, com um jeito especial para a recuperação de edifícios antigos (veja-se p. exemplo, a casa dos Britos, no largo Dr. Balbino Rego, ou o antigo armazém do Barca Velha, na Qtª. do Vale do Meão, Foz Côa), e ainda arranjando ainda tempo para os amigos, bebericando o seu copito aos fins de tarde nos cafés mais típicos de Moncorvo, de onde lhe vem a informação e a inspiração para a sua poesia. Ah, e a cantar o fado, enquanto trabalha, de talocha na mão, não há outro igual!
Porque acho que se coaduna com o poema dedicado à Pensão Marrana, aqui fica um outro, do livro que referimos, neste caso sobre a antiga Rua da Rapadoura (actual rua Dr. Ferreira Margarido, que é a que fica atrás do Jardim Dr. Horácio de Sousa):
RUA DA RAPADOURA
Ó rua da Rapadoura
És varanda do jardim.
Com saudades reconheço
A lembrança que és para mim.
Agora és diferente:
Não mostras tanta pobreza.
Já não tens aquela gente
que te dava a natureza.
Tiveste Grémio da Lavoura
Também tiveste a prisão.
Ó Rua da Rapadoura,
tiveste ainda a pensão.
Essa pensão tinha fama
De os viajantes bem servires.
Na época eras galante;
chamavas-te Pensão Pires.
Quantas saudades eu tenho
E muitas vezes eu penso
Na tia Olímpia, coitada,
E no pedreiro Lourenço.
Lembro também com saudade
De quando era menino.
Reconheço que é verdade
Que cada um tem o seu destino.
Lembro-me da Praça Nova
Com os teus montinhos de terra;
Era ali que eu brincava
Eu e o Almada Guerra.
Ali minha mãe trabalhava;
Era ali que amassava o pão.
E era ali que eu olhava
Por a minha irmã e meu irmão.
Morava lá muita gente.
Agora já lá ninguém ralha
Só aquele homem inteligente
Que chamavam de Horácio Espalha.
Rua doutor Margarido,
Tiveste Grémio da lavoura.
Sempre serei teu amigo,
Ó rua da Rapadoura.
Para lá ia o peneireiro
Também o amola-tesoura;
Lá parava o chapeleiro
Na rua da Rapadoura.
Ó Rua da Rapadoura,
És varanda do jardim
Cheiras a rosa e a cedro
A loureiro e alecrim.
Nota: este livro pode ser consultado na Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo e adquirido no Posto de Turismo.

3 comentários:

Júlia Ribeiro disse...

Olá, caríssimo Zé Remondes:

Pelos vistos, vou ser a primeira a felicitá-lo. Claro que eu já tenho o seu livro, oferta do meu Amigo Remondes, e que várias vezes - muitas vezes - abro e leio quadras que me fazem recordar tempos idos , lugares que bem conheci e pessoas que já nos deixaram.
Bem haja por tudo isso.

Um grande abraço,
Júlia

Anónimo disse...

Está no posto de turismo.Bem ,melhor assim,há livros que ninguem os topa.e eu que vivo em Lisboa como o compro?
Enviam à cobrança?quanto custa?Vem assinado pelo nosso Aleixo?
um ,que quer ser leitor!

Anónimo disse...

São cada vez mais raras as preciosidades de pessoas como o Sr. José Manuel Remondes. Quem diz o que pensa, de uma forma tão simples, tão pura e verdadeira, e ainda por cima em rima, tem que ter elogios. Uma memória impressionante, um amor à terra, e, deixem-me dizer e destacar um escrever sem qualquer hipocrisia é digno de reconhecimento. Espero que haja muita gente a pensar, e não só, a dizê-lo também que apreciamos muito pessoas assim.
Séfora R.

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