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sábado, 9 de maio de 2009

Fraga do Facho e Mata Nacional do Roboredo

Há dias, numa tarde soalheira, fomos uns quantos ao alto da serra do Roboredo, acompanhando o nosso colega de Blogue Leonel Brito, que andou em captura de imagens para um trabalho que tem em mãos (e que a seu tempo poderão apreciar).
Do alto das Antenas (ponto assim conhecido por aí se encontrarem há anos várias antenas de telecomunicações, nomeadamente da RTM – Rádio Torre de Moncorvo), até à Fraga do Facho, é um pequeno salto, pois fica logo abaixo.

O maciço xistento e quatzítico da Fraga do Facho, destaca-se quase no topo da serra.

Como alguém nos perguntava, há tempos, pela famosa Fraga do Facho (creio que foi o nosso conterrâneo Daniel de Sousa), pois resolvemos ir lá fotografar este afloramento rochoso que é um ponto de referência da serra. Aqui ficam algumas imagens, nomeadamente do tosco obelisco, composto por duas pedras de granito, onde ainda se conserva uma memória em bronze, referindo o nome do Dr. Constâncio de Carvalho, apesar de ter já desaparecido o medalhão com a sua efígie, também em bronze, que aí terá igualmente existido (temos ideia de ter visto uma foto algures, talvez um postal, pelo que aqui fica o apelo a quem tenha algum exemplar fotográfico, para o enviar aqui para o blog).

O padrão em memória do Dr. Constâncio, vendo-se atrás as novas plantações feitas recentemente.
Sobre o porquê de se ter colocado este memorial, com os dizeres: “À memória do / Dr. Constâncio de Carvalho / os moncorvenses agradecidos / Novembro de 1947”, aqui fica a explicação: foi o Dr Constâncio Arnaldo de Carvalho (1876-1928), natural de Torre de Moncorvo, onde chegou a ser Presidente da Câmara, e, posteriormente governador civil do distrito de Bragança, que pugnou pela criação da Mata Nacional do Roborêdo, tendo promovido o processo de reflorestação da serra. Muitas das espécies que ainda hoje aqui se encontram, para além da mancha de carvalhos autóctones, resultam desta plantação.
Pormenor da cartela em bronze, em memória de Constâncio de Carvalho (1876-1928)
A mata natural e espontânea vinha da noite dos tempos. Todavia, durante o século XIX deve ter-se verificado um progressivo desbaste, acabando a serra quase pelada, especialmente na vertente sobranceira à vila, o que levou o governo da 1ª. República a preocupar-se com a reflorestação da serra, política que continuou depois com o Estado Novo (é desta época o belo exemplar da Casa do Guarda Florestal, em estilo chamado “português suave”, obedecendo aos modelos teóricos do arquitecto Raul Lino).

A vila de Torre de Moncorvo, vista da Fraga do Facho

Assim, num momento em que se está a promover a reflorestação da Serra (sendo justo mencionar o empenhamento da actual câmara neste processo, em articulação com o Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas), é bom lembrar o moncorvense ilustre que mais se empenhou no projecto de reflorestação da serra, no primeiro quartel do séc. XX.

10 comentários:

Anónimo disse...

Em boa hora o fizeram , Nelson e Leonel.Aqui no meu computador abri as fotos e "sentei-me" por um bom pedaço junto áquelas pedras a olhar a vila lá em baixo.
Lembro-me ainda da serra escalvada e um pouco nua nalgumas zonas - ainda bem que existe um projecto de reflorestação da serra tendo em vista a preservação dessa riqueza inestimável que é mata do Roboredo.
E já meti a foto no meu fundo de trabalho do PC...
Daniel

Marco Deus disse...

Olá,
Desde já o meu agradecimento ao Nelson pelas belíssimas fotografias e pelo trabalho na reconstrução da identidade do Dr. Constâncio Arnaldo de Carvalho (devo admitir que desconhecia esse monumento e que futuramente o tentarei visitar).
É sem dúvida de louvar alguém que lute pela preservação no nosso Reboredo, após constantes desflorestações, incêndios, etc. A nossa mata ficou quase desnudada. Além do referido Dr. Constâncio Arnaldo de Carvalho devo também destacar o esforço que a actual autarquia (sem me querer meter em politiquices, "nestes assuntos sou monárquico", como diz o outro) em preservar o rico património do Reboredo. No entanto esta deveria ser uma atitude vinda de todos os Moncorvenses, esse Património é nosso e a todos nós beneficia!

Anónimo disse...

Lembro-me de ir brincar para a serra, Quebra-costas ,Santo António, escadas do Paiva ,rampa do Asilo , convento ,mata e casa da água.
Lembro-me de um velho à porta do asilo a menear a cabeça. Aníbal Cai-Cai? Rebola -a- Bola?
Lembro-me de ir às amoras prá serra.”Andas às amoras, vou dizer ao teu pai que já namoras”.
Lembro-me dos burros carregados de lenha a descer a serra.
Lembro-me do incêndio da União e o Roboredo todo iluminado.
Lembro-me que do outro lado da serra viviam os tchoqueiros.
Lembro-me das asiladas de fatinho azul e das histórias que se contavam.
Lembro-me do Manuel do Reboredo e da sua casa.
Lembro-me dos carros de bois com as dornas carregadas de uvas da vinha do Montenegro, para o lagar.
Lembro-me da primeira vez que fui à capela de S. Bento e vi de lá a Vilariça e o Douro.
Lembro-me do padre Félix mandar o Luís Pasival ao Asilo pelas hóstias e de ele me dar algumas para provar. Insonsas!
Lembro-me de uma foto a preto e branco de Moncorvo no corredor do cineteatro ,tirada pelo saudoso dr. Simões na fraga do Facho.
Lembro-me dos pirolitos e laranjadas com o nome Reboredo.
Lembro-me de o senhor César matar um porco- espinho no Reboredo.
Lembro-me da chegada dos retornados ,dos seus hábitos de higiene ,e a casa da água ser insuficiente. Era a “mania” de tomarem banho, diziam na praça , nas quatro esquinas e nas regateiras.
Lembro-me da neve no Reboredo e de faltar ao colégio .
Lembro-me de irmos para o Reboredo namorar e jogar às escondidas com os mirones.
Lembro-me de me dizerem em Lisboa que Moncorvo já tinha Turismo Rural; era na quinta das Aveleiras, no Reboredo.
Lembro-me do Campos Monteiro contar coisas do Montenegro no nosso Livro “Ares da minha Serra” .Foi verdade ou ficção do romancista?
Lembro-me de o Senhor Tenente nos levar para a serra nas aulas de ginástica.
Lembro-me, quando era menino, de estranhar a cor da pele da Madre Superiora do Asilo .
Lembro-me dos pic-nics e de ir às castanhas pró Reboredo e o gozo de abrir os ouriços .
Lembro-me de ir a Moncorvo antes de embarcar para a guerra colonial e a minha mãe me dizer :”Vieram cá entregar esta encomenda para o filho do Manuel do Reboredo ,que está em África”. “Mãe ,isto é para o Alto- Volta!”(hoje, Burkina Faso).“Não é tudo África? Vê lá se a perdes!”
Lembro-me que aprendi mais sobre a minha terra e Reboredo no “Descoberta” do que nos anos que lá vivi.
O meu neto lembrou-me que já era altura de parar e ir almoçar.

Um Braganção.

Anónimo disse...

"Além do referido Dr. Constâncio Arnaldo de Carvalho devo também destacar o esforço que a actual autarquia (sem me querer meter em politiquices, "nestes assuntos sou monárquico", como diz o outro) em preservar o rico património do Reboredo" > faço minhas as suas palavras. O papel cívico de um cidadão verdadeiramente independente e livre é aplaudir o que se faz de bem (não importa o partido, ou a côr autárquica), mas também, não se coibir de criticar e dizer o que está mal, quando fôr o caso disso - só que, quanto a esta parte, infelizmente, ainda há um longo caminho de aprendizagem democrática a percorrer, pois os "aparatchiks" não admitem reparos (mesmo que construtivos). Aqui como em toda a parte, hoje como desde sempre. Por isso, caro Marco, não se coíba de apoiar o que positivo se faz (se o aplauso fôr merecido), nem de criticar o que estiver mal (se fôr o caso). O exercício da cidadania é isso mesmo.
Abraço.
Um conterrâneo.

Anónimo disse...

Dizer o que está bem ,o que se fez bem é um direito.Apontar o que está mal ,também.
Eu sou do Benfica, mas quero a minha serra verde!
Há uma rua com o nome do Dr. Constâncio Arnaldo de Carvalho ?

Anónimo disse...

Caro anónimo,
jhulgo que não há em Moncorvo nenhuma rua com o nome do Dr. Constâncio de Carvalho. Contudo, há poucos anos, puseram o nome de uma rua, lá para cima, num bairro que fica já na encosta da serra, de um ilustre desconhecido de Maçores, que ninguém conhece. Seria mais lógico que fosse Rua Constâncio de Carvalho, mas o problema é que a este também já ninguém conhece. A casa onde viveu, em Torre de Moncorvo, é a que está à frente dos Macedos (salão da barbearia do Sr. Zeca), sobre o café Charlot, na rua Visconde de Vila Maior. Para que conste.
Cps.,
um Moncorvense.

Marco Deus disse...

Caro anónimo,
Ora ainda bem que concorda comigo! Em relação à critica (construtiva), com toda a certeza que deve e será feita, quando o altura e contexto assim o permitirem. Como é óbvio nem todas a situações merecem aplausos, e acredite que tenho algumas que irei expor (não o faço aqui pois não tenho a honra de ser colaborador do blogue, mas de certeza que o farei noutro local). Dou o exemplo do deplorável estado das ruínas do castelo, cujas escavações arqueológicas colocaram a descoberto (deixando-as totalmente desprotegidas e sujeitas aos elementos). No entanto este não é o post mais indicado para o fazer, aqui sim interessa agradecer ao Nelson pelo bom trabalho, como já vem sendo hábito.

Júlia Ribeiro disse...

Lembro-me de tudo quanto é memória do nosso "Braganção" que, afinal, é Moncorvense.
E lembro-me de, há anos, ter escrito para as minhas netas um conto sobre a Fraga do Facho, porque acharam o nome muito bonito.
Não está em arquivo no computador, pois ainda não tinha esta maquineta. Nem sei se o encontrarei. De certo está em parte muito incerta ...Pode ser que as miúdas ainda se lembrem, porque até ilustraram a historieta.

Um abração para o Lelo e Nelson, pelo seu trabalho fora de série.
Júlia

Anónimo disse...

Júlia ,
desde Mendescorvo que somos todos.
Outro braganção.

Marco Deus disse...

Seria óptimo se encontra-se esse tesouro perdido, ganhávamos todos mais uma bela história, se precisar ajuda na demanda esteja à vontade de pedir aqui "à malta"! Pois muitos de nós o fariam de bom grado.

Cumprimentos cá da terra dos Arcebispos

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