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sábado, 1 de agosto de 2009

Ainda se colhe cereal na Vilariça

Ainda há machos na Vilariça... (foto N.Campos)

Tendo em conta a feritilidade dos terrenos da Vilariça, é de supor que desde tempos imemoriais este vale tivesse sido o grande celeiro regional. A quantidade de vestígios romanos que aí se encontram são um indício disso mesmo, sendo possível que daqui saísse muito cereal para alimentar as legiões romanas estacionadas noutras paragens.
Também sabemos que a base da alimentação medieval, até ao séc. XIX (antes do incremento da batata), foi o cereal - trigo ou centeio. E se este era confinado às terras mais pobres, já o trigo era semeado nas terras boas, mais férteis, como era o caso da Vilariça.
Aquando do famoso "alardo" promovido pelo mestre de Avis (D. João I) nos campos da Vilariça, já depois de Aljubarrota, diz o cronista Fernão Lopes que o vale estava repleto de "pães" (designação genérica dada ao cereal) já quase amadurecidos. Foi no mês de Maio de 1386.


Uma máquina ceifeira-debulhadora ao fundo e os fardos já prontos a carregar... (foto N.Campos)

Ainda no séc. XIX e XX o cereal ocupava uma boa parte das terras do vale, tendo vindo a perder terreno, nos últimos decénios, em favor do plantio da vinha e de algumas árvores fruteiras. Hoje praticamente não se vê uma seara no vale, pelo que nos despertou a atenção e curiosidade ver uma ceifeira-debulhadora em acção, nos inícios de Julho, nas proximidades das Cabanas de Baixo, entre a estrada municipal e o rio Sabor. O lavrador era das Cabanas, e diz que só ainda faz por cereal sobretudo por causa da palha. Que o grão dá pouco e cada vez menos... Encontrámo-lo a carregar os fardos na sua carroça, ainda puxada pelo fiel e tradicional "matcho"... Uma imagem rara nestes princípios de séc. XXI. Esperemos que com esta "crije" sem fim, este meio de transporte ecológico não venha a ser mais utilizado (atendendo ao preço dos combustíveis) e não tenhamos que voltar a ver o crescimento das searas, se quisermos o pão para a bucha!....
Pode ser também que a Vilariça, outrora cantada como uma "Promised Land", ainda venha a ser a tábua de salvação de Moncorvo e arredores.... - Ou será que os consórcios agrícolas (dominados por capital estrangeiro) a virão descobrir para aqui plantarem uma agricultura industrial, de regadio, e cheia de transgénicos, com pessoal "aero-transportado" de outras paragens, sem criarem sequer postos de trabalho para os indígenas locais?
Que nos reserva o Futuro?

2 comentários:

Daniel de Sousa disse...

Vi na RTP-N as imagens do Intercéltico de Sendim ( com direito a ministro e tudo!) e comprovei o GRANDE espectáculo que foi! Parabéns à organização e em especial ao Mário Correia. Estou de férias mas de olho na terra.
Abraços
Daniel

Anónimo disse...

É verdade, caro Daniel!
E só por pouco a actuação da tuna da Lousa não foi vista pelo Sr. Ministro das Finanças, que chegou logo a seguir ao espectáculo. E nem soube o que perdeu!! - Em compensação esteve presente a Srª. Directora Regional da Cultura, Drª. Helena Gil, que já conhecia a nossa tuna de ter participado numa Partidela Tradicional da Amêndoa no Museu do Ferro, onde os nossos músicos também actuaram. Além desta magnífica actuação e das arruadas de gaiteiros, cumpriu-se um programa recheado que aqui oportunamente divulgámos. Além dos célebres Hedningarna (na sexta-feira), no Sábado destacaram-se os bascos Korrontzi, com uma magistral execução de trikitixa (concertina), por Agus Barandiarán e seus acompanhantes, e uma actuação excelente da brigada Victor Jara. Os asturianos Llan de Cubel também não deixaram os créditos por mãos alheias. No âmbito de outras actividades, destaco uma extraordinária exposição de instrumentos musicais populares de Portugal e Espanha (colecção Luís Delgado), a não perder por parte de quem goste da Etnomusicologia (esta exposição está patente até dia 10/08).
Na verdade, este 10º Festival consagrou de forma absoluta a importãncia deste evento, e o Mário Correia está, de facto, de parabéns, assim como toda a Organização e os patrocinadores. Como tem sido o seu lema desde o primeiro (e já lá vão 10 anos, Mário!), isto é "porque a Folk merece um festival assim!"...
n.

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