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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Dia 29 de Agosto, inauguração da Exposição sobre Armando Martins Janeira

Conforme anunciado oportunamente, foi inaugurada no passado dia 29.08.2009, a exposição: sob o título “Armando Martins Janeira ou a busca do Homem Universal”.

Momento inaugural da Exposição, após os discursos do Sr. Presidente da Câmara e da Embaixatriz D. Ingrid Bloser Martins (foto da Biblioteca Municipal de T. de Moncorvo)
Esta mostra apresenta uma série de objectos pessoais, livros e documentos que pertenceram ao Sr. Embaixador Armando Martins Janeira, integrando alguns o espólio do Centro de Memória e outros a colecção particular da família, embora se perspective que alguns destes venham a ser doados também ao Centro de Memória.
A visita guiada à Exposição esteve a cargo da Srª. Embaixatriz, D. Ingrid Bloser Martins, que salientou os principais passos da vida e obra do Sr. Embaixador Armando Martins (1914-1988), natural de Felgueiras (concelho de Torre de Moncorvo). Tendo principiado a sua carreira diplomática no antigo Congo belga (mostra-se na exposição o uniforme que usava, à época), desta fase se apresentam alguns objectos de Arte Africana, que o nosso conterrâneo recolheu nessas paragens. Todavia, o que viria a cativar verdadeiramente o seu interesse foi a Cultura Japonesa, de que se tornou um estudioso emérito. Esse interesse vinha fermentando desde muito jovem, ao tomar contacto com a obra de Wenceslau de Moraes (n. Lisboa, 1854; m. Tokushima,1929), o português que se “japonizou” por completo entre o séc. XIX-XX. Numa das vitrinas ilustra-se esse contacto, com livros e imagens de e sobre Wenceslau de Moraes, alguns de autoria de Armando M. Janeira, como o “Peregrino” (recentemente reeditado pela editora Pássaro de Fogo).

O numeroso público seguiu atentamente as explicações sobre o significado dos objectos patentes, no contexto da vida e obra do embaixador Armando M. Janeira (foto da Biblioteca Municipal de T. de Moncorvo)

Fotografias da família imperial do Japão, estampas, kimonos e outras peças têxteis, colecções de bonecas japonesas, objectos do ritual do chá, alguns “kompeitos” (palavra japonesa de origem portuguesa para designar “confeitos”) similares às nossas amêndoas cobertas de Moncorvo (só que sem o grão de amêndoa no interior do açúcar, outros livros de Armando M. Janeira, como as Figuras de Silêncio, O impacto português sobre a civilização japonesa, Japão, a Construção de Um País Moderno ou, simplesmente, peças de teatro, como Linda Inês, tudo associado a objectos coleccionados com muita dedicação e carinho, como faianças e porcelanas, nesta mostra se encontra sintetizada uma vida que foi uma busca e um Encontro com o Outro, todavia sem nunca perder o sentido das suas raízes, como bem sintetizou a sua viúva, Srª. D. Ingrid.

Outro momento da visita guiada à Exposição (foto da Biblioteca Municipal de T. de Moncorvo)
Para melhor se ilustrarem alguns aspectos da obra e do pensamento de Armando Martins Janeira, foram lidos alguns textos de sua autoria, encenando-se alguns diálogos, por elementos do grupo de teatro Alma de Ferro, de Torre de Moncorvo (Américo Monteiro, Marilú Brito e Esperança Moreno).
A concepção da exposição teve o apoio do Sr. Arquitecto Carlo Maria Bloser, tendo a montagem sido apoiada pela equipa da Biblioteca/Centro de Memória. A decoração floral, integrando formosos arranjos de Ikebana, esteve a cargo da Srª. Embaixatriz D. Ingrid Bloser, assim como alguns conteúdos do Catálogo, que contou com a colaboração da Drª. Paula Mateus, especialista da obra de Armando M. Janeira, e da equipa da Biblioteca Municipal.
Esta Exposição fica patente no Centro de Memória de Torre de Moncorvo até ao mês de Outubro, podendo ser visitada durante o horário da Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo.
Para saber mais sobre o Embaixador Armando Martins Janeira, ver neste blogue:

E ainda o "site" próprio: http://www.armandomartinsjaneira.net/

NOTA: A título de mera curiosidade, informamos que foi no decurso de uma outra exposição sobre a Vida e Obra do Embaixador Armando Martins Janeira, realizada em 1997 no Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, que surgiu a ideia de se constituir um Centro de Memória destinado a conservar e a divulgar os espólios dos mais ilustres concidadãos naturais ou identificados com Torre de Moncorvo. Isto porque a Srª. Embaixatriz D. Ingrid Bloser Martins, logo nessa ocasião manifestou a intenção de oferecer uma série de documentos, livros e objectos pessoais ao Museu. Como o espólio em causa não se enquadrava bem no âmbito temático do Museu, para além da manifesta falta de espaço para se incorporarem outros espólios que eventualmente viessem a ser propostos (como era o caso do do Professor Santos Júnior, de que então também já se falava), o responsável do Museu do Ferro e da Região de Moncorvo propôs então à autarquia a criação de um Centro de Memória, o que viria a ser aceite e se concretizou no espaço actual anexo à Biblioteca.

3 comentários:

Anónimo disse...

Embora tardiamente, cabe-me agradecer ao Dr. Nelson Rebanda as suas palavras neste belíssimo blogue de Torre de Moncorvo relativamente à inauguração da exposição "Armando Martins Janeira ou a Busca do Homem Universal", bem como a referência ao meu pequeno projecto editorial Pássaro de Fogo e ao trabalho que tenho vindo a desenvolver em torno da obra daquele escritor, diplomata e investigador transmontano. Aproveito este espaço para agradecer igualmente o empenho e o carinho com que a Dra. Helena Pontes e as suas colaboradoras na Biblioteca Municipal, nomeadamente a Dra. Maria João Moita, abraçaram esta exposição. No entanto, nenhum de nós negará que as várias iniciativas que nos últimos vinte anos têm evocado a vida e a obra de Armando Martins Janeira são fruto essencialmente do trabalho, dedicação e entusiasmo da embaixatriz Ingrid Bloser Martins, sua viúva, e a ela devemos sem dúvida agradecer a oportunidade de revisitarmos nesta exposição os passos de Janeira nos caminhos da vida. Apesar de ter partido muito cedo da sua serra para o resto do mundo, Armando Martins nunca dela se esqueceu e sempre se orgulhou da sua identidade e da sua origem. Como o Dr. Nelson Rebanda já aqui mencionou, era às suas raízes que Janeira tinha necessidade de regressar de tempos a tempos para retemperar a alegria interior e buscar aquilo a que chamei "secreta força" no prefácio que escrevi para a reedição do seu "Peregrino" no ano passado. E foi para tentar apreender essa secreta força que Janeira sempre me transmitiu nas entrelinhas das suas obras que visitei Torre de Moncorvo há quatro anos, pela primeira vez, e encantada regressei a Lisboa. Hoje, o que mais me atrai nessa terra e me leva a querer aí voltar é precisamente a promessa da genuinidade (ainda viva) dos transmontanos e a magia dos campos e das serras. Sem me querer alargar muito mais, dou os parabéns a todos os colaboradores deste blogue, em especial ao Dr. Nelson Rebanda, que, pelo que me vou apercebendo, está a construir Obra notável nesse cantinho do nosso Portugal. E faço minhas as palavras da Dra. Júlia Ribeiro num comentário há umas semanas: «pelo que a mim toca, muito tenho aprendido com o Nelson. Este jovem é uma enorme mais-valia para Moncorvo, e espero que Moncorvo o reconheça.»
Paula Mateus

Anónimo disse...

oláá Paula! Benvinda aqui ao "clube" blogueiro cá da terra! Mas, antes de mais Obrigadíssimo pelo comentário, de merecida justiça no que se refere ao trabalho de preservação da memória de A.M.J, por parte da Srª. D. Ingrid; mas também ao pessoal da Biblioteca, não esquecendo o seu importantíssimo contributo. Eu para o "peditório" do Embaixador A.M.Janeira já dei em 1997 e agora limitei-me a divulgar esta excelente exposição, nada mais! Quanto ao blogue é um "hobbye" (agora parece que se escreve "hóbi", não?) de um colectivo. Ah, e parece-me que tínhamos combinado deixar os dr's. de lado, eheh.
Continue a participar!
abraço,
N.

P.S. - felicito também aqui publicamente a excelente qualidade das edições Pássaro de Fogo. E entretanto já li que a Drª. Isabel Mateus iria fazer uma leitura pessoal e comentada da obra O Peregrino! Uma boa notícia.

Anónimo disse...

Pois sim, caro Nelson, Drs. de lado, pois, a meu ver, a riqueza de um ser humano até nem se mede pelos “títulos” que colecciona numa vida, mas pelo que verdadeiramente constrói dentro e fora de si próprio. E voltando a Armando Martins Janeira, sem dúvida que a equipa da Biblioteca Municipal de Moncorvo fez um trabalho notável, insisto, e tanto a Embaixatriz como o marido, o arquitecto Carlo Bloser, que deu um contributo precioso à exposição, regressaram a Lisboa encantados com a dedicação e simpatia daqueles profissionais, em particular, e das gentes de Moncorvo, em geral.
Obrigada pelo acolhimento no blogue. Abraço-o,
Paula Mateus

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