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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Exposição "Presé-pios" patente no Museu do Ferro & da Região de Moncorvo

O Artista junto da sua Obra

Foi inaugurada no passado sábado a exposição de autoria de João Pinto V. Costa, intitulada "Presé.pios". Esta mostra é composta por uma colecção de 16 peças de artesanato, utilizando vulgares pinhas de pinheiros, as quais são laboriosamente esculpidas pelo autor (por vezes com ajuda dos esquilos, uma vez que procura pinhas já roídas por estes simpáticos habitantes da floresta), no sentido de lhes dar a forma de pássaros. Estes são depois colocados nos mais diversos contextos - pombais, cabanais, ou simples ramos de árvore - mas sempre em conjunção familiar: casal + passarito (filho).
Momento da inauguração da exposição, na montra do Museu

Por isso, desiluda-se quem espere encontrar aqui as figurações da Nossa Senhora, do S. José e do Menino Jesus. A Sagrada Família aqui é substituída por "sagradas famílias" de aves, uma ideia que decerto agradaria a S. Francisco de Assis (o autor do primeiro presépio), dado o seu amor à Natureza e aos diversos seres que a compõem, e a quem se referia como sendo nossos "irmãos", já que somos todos filhos do mesmo Criador.


João Pinto Vieira Costa, explicando o seu trabalho

Segundo João Pinto V. Costa, esta foi uma maneira de homenagear a Floresta (recorrendo às pinhas e ramos de árvore) e a Natureza em geral, em que os pássaros se incluem, mas também o Património Cultural, uma vez que há referência a alguns elementos etnográficos e arqueológicos nos contextos em que os pássaros são colocados. Aí aparecem, por exemplo, os pombais trasmontanos, o dólmen de S. Martinho de Anta (alusão a Miguel Torga), um marmoiral medieval que existe na sua terra (Alpendurada), os simples cabanais. Num tempo marcado pelo consumismo, que tem o seu apogeu na época natalícia, esta foi uma forma de utilizar elementos naturais (madeira, pinhas, casca de pinheiro, pedras de xisto, etc) que há (de borla) pelos nossos campos, para produzir estas esculturas altamente decorativas. Claro que há ali muito tempo gasto, mas, como diz o nosso povo, "o tempo dá-o Deus de graça", o que, neste caso, não será bem assim, pois João Pinto V. Costa é professor, tem também a sua vida familiar e, de vez em quando, é ainda colaborador deste nosso blogue.

A exposição na montra do Museu, tal como pode ser vista durante a noite

Da parte do Museu do Ferro, foi referido que esta é uma exposição original, no que toca à sua colocação, pois a maior parte da colecção foi exposta na montra do museu (virada para o Largo do Dr. Balbino Rego), ficando assim patente 24 horas por dia. Todas as pessoas que passarem por este local serão "obrigadas" a ver a exposição. No entanto, será melhor entrarem (dentro do horário do museu), solicitarem o folheto explicativo e aproveitarem para visitarem a exposição permanente dedicada à temática do Ferro, ou ainda a exposição de Arqueologia e Património do concelho, que se encontra no Auditório.
Fica a proposta para esta quadra natalícia.

Quanto a esta exposição pode ainda ver, no Blogue "Flora de Brincadeiras":

http://florabrin.blogspot.com/2009/12/prese-pios-inauguracao-da-exposicao.html

http://florabrin.blogspot.com/2009/12/exposicao-de-prese-pios.html (neste link pode visionar uma excelente apresentação feita também pelo autor)

E do nosso correspondente do outro lado do Douro, de "tierras salmantinas", aqui fica também o registo em língua castelhana:

http://labodegadelasolana.blogspot.com/2009/12/presepios-los-otros-belenes.html

Texto e Fotos: N.Campos

5 comentários:

Anónimo disse...

Apesar de não estar em Moncorvo neste momento já vi, repito, já vi a magnífica exposição do João Pinto Costa no link que o Nelson indica. Trata-se de uma maravilhosa metáfora da vida e da família, das coisas mais interessantes e comoventes que me tem sido dado ver. Aquela montra vale não só uma visita - deveria ser mostrada por esse País fora.
Enfim - mais um dos segredos escondidos dos transmontanos...
Parabéns ao Autor e também ao Nelson que a revelou e ao Museu do Ferro que a acolheu!
Daniel

Wanda disse...

Olá!
Interessantíssimo!
Numa época em que se discute o aquecimento global e o futuro do planeta,é ecologicamente correto reciclar.Fazer arte das "sobras" da natureza é simplesmente fantástico!
Ainda mais, arte apropriada para a época, um presépio!
Nota máxima a exposição, aos expositores e aos artistas e principalmente ao povo que a prestigia.
Amei!

Abraço
Wanda

São Paulo-Brasil

vasdoal disse...

Muito obrigado à Wanda e ao Daniel pelas suas palavras. Estes presépios são realmente uma metáfora da vida, uma fábula, onde o pássaro, lá do seu ninho, pia de piedade pelos humanos.


Uma visita a não perder!
J.C.

N.Campos disse...

Caríssimos Amigos, esta é, de facto, uma boa exposição para apreciar neste Natal - ARTE(sanato), Mensagem Ecológica e muita Ternura que se liberta das preciosas peças patentes, que só um criador paciente, com habilidade artística, bem formado e de bom carácter poderia produzir. Através de pequenos pássaros, localizados em contextos vários, encontra-se aqui patente uma sacralização da Família (tradicional) e um hino ao Amor. E o que é o Natal afinal? De onde resulta o Nascimento que a palavra evoca e proclama? Cristão ou Pagão, pouco importa, já que o próprio Panteísmo estava implícito na mensagem de S. Francisco de Assis, o inventor dos presépios.
BOM NATAL a todos!
N.

Anónimo disse...

Parabéns ao Autor por mais esta prova de Amor pela Natureza! Gostei imenso!...

Bom Natal!

Isabel

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