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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Presépios de antigamente...

Fotografia de um Presépio feito pelo Sr. Júlio "Sacristão", no interior da igreja matriz de Moncorvo (foto dos anos 70?, Arquivo particular - reprod. do Arquivo do PARM)

A palavra "Presépio" vem do latim: "praesepium", que significa "manjedoura dos animais", ou, em sentido lato, o "estábulo" onde se encontra a manjedoura. Tudo isto porque, segundo a tradição, o Menino Jesus nasceu num estábulo, nos arredores de Belém, quando os seus pais, tiveram de deslocar a essa cidade da província romana da Judeia, a fim de se serem recenceados, como todos os judeus, em cumprimento de um édito do imperador Augusto.
Esse nascimento, que muitos séculos depois viria a ser considerado como o ano 1 da Era Cristã, na verdade terá acontecido antes, entre o ano 7 e o ano 4 antes de Cristo!
Quanto à representação desse momento tão especial e transcendente para os Cristãos, utilizando figurinhas esculpidas, de uma forma tridimensional, parece que tal só ocorreu em 1223, quando S. Francisco de Assis, imbuído de grande piedade cristã e fervor missionário, resolveu recriar a situação desse Nascimento, numa gruta dos arredores da cidade de Greccio (Itália), onde pregava. As figuras eram de barro, à escala natural, e a ideia era pedagógica: explicar aos camponeses da região (e atraí-los) as circunstâncias e as personagens do Acontecimento. Dado o sucesso, anualmente, por ocasião do Natal, as igrejas e catedrais, primeiro de Itália e depois do resto da Cristandade, passaram a fazer presépios nesta altura, certamente por iniciativa dos franciscanos, costume que foi seguido por reis e nobres nos seus palácios. Ver: W http://pt.wikipedia.org/wiki/Pres%C3%A9pio
O período áureo dos presépios de barro foi o Barroco (séc. XVIII), havendo barristas notáveis que fizeram presépios.

Passando para Torre de Moncorvo, dada a existência, nesta vila, desde o séc. XVI, de um convento franciscano, é bem provável que este costume se tenha introduzido, pelo menos, desde essa época (não conhecemos registos escritos tão antigos). Contudo, em tempos mais recentes, há quem bem se lembre dos presépios feitos pelo sr. Júlio Dias, mais conhecido pelo Sr. Júlio Sacristão (que era também o guarda da igreja, subvencionado pela Direcção Geral dos Monumentos Nacionais, depois IPPC), como bem nos recordou há dias o nosso amigo Carlos Ricardo (Camané), dizendo que até vinham pessoas de fora de Moncorvo para ver os famosos presépios do sr. Júlio. Neste "post" divulgamos uma foto que nos foi oferecida pelo Sr. Júlio, há mais de uma dúzia de anos, pelo que, apesar de desconhecermos a data, deverá remontar aos anos 70. Fica aqui o apelo a outras pessoas que possuam fotografias de presépios do S. Júlio, que no-las façam chegar que aqui as divulgaremos.
Aproveitamos para informar que os Presépios se continuam a fazer no interior da igreja, entre as escadas da porta do lado do alpendre e o altar do Santíssimo. Havia (e há) a cerimónia de se beijar o Menino, após a Missa do Galo.
Esta é uma boa ocasião para os moncorvenses recordarem e reviverem estas tradições e visitarem a nossa Igreja Matriz.

1 comentário:

Anónimo disse...

Lembro-me bem dos presépios feitos pelo sr. Júlio Dias,(o Sacristão da igreja de Moncorvo) e nalgum devo ter ajudado a apanhar o musgo. Há 4ou 5 anos atrás estive várias vezes com o sr. Júlio Dias no Centro Paroquial de Cerejais, onde eu visitava um meu familiar. O sr. Júlio Dias tinha ainda uma memória bem presente desse tempo em que era o guarda da igreja.
A C.

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