torredemoncorvoinblog@gmail.com

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Imagens do Castedo


Fotografias captadas no Castedo, num passeio realizado no dia 31 de Janeiro de 2009.

8 comentários:

Leonel Brito disse...

Belas fotografias, como todas as postadas por si. Quando digo belas fotos, ,não me refiro à beleza superficial de uma primeira leitura ,mas sim à carga de interioridade que transmitem.
Vemos o homem que fez click (não a máquina), quando sentiu. Sabemos assim, um pouco do seu autor ,da sua sensibilidade não expressa em ISO/ASA , da sua cultura e bondade. Ver, com os seus olhos, a minha terra ,é regressar ao eu que fui. Nada sei de si, podemos estar no mesmo café sem nos conhecermos, no entanto sinto que sou seu amigo, que posso falar-lhe de mim , o Aníbal falar-me de si,como dois amigos que não se vêem desde a minha partida de Moncorvo. Só ia fisicamente a Moncorvo a enterros de família e agora regresso com a força da vossa juventude .Encontrar novos amigos.(Nelson, Helena, Maria João, Angel Aníbal).Reencontrar o Rogério e a Júlia fazem-me feliz.
No dia 21 não vou passear no adro esperando a saída de mais alguém que nos deixou. Vou voltar a ser jovem, abraçar amigos, rir, confraternizar com tinto, lembrar o passado e o futuro, conhecer um pouco mais de mim, de todos vós, de Moncorvo, com as suas fotos no nosso museu..

Sorri, com a malandrice de um raparigo, ao pensar que, cruzando a Praça ,encontro um dr/paliteiro, e digo-lhe, provocando-o:
-Não vai ao Museu ver a exposição de fotografias ?
-De quem ?Do Rebanda e do outro, o professor Gonçalves?!Não! São cães de fora! Só vêm para cá desinquietar-nos!

Maldita Praça que tanto marcou os que nasceram no tempo dos
DOUTORES/PALITEIROS.
Quando irei ao seu enterro?

Leonel

Glossário: paliteiro =moncorvense que bebia, pela manhã, uma caneca de café/cevada e ia para a praça palitar os dentes.
Doutor = “Só doutores éramos 14”.Frase lapidar do Pardal sem Rabo que define tudo

Anónimo disse...

A segunda foto devia ser mostrada nas escolas. Sabem o que é uma trancada mas não sabem o que é uma tranca.
Lelo,
Só falas do Pardal sem Rabo..E o Amável, fardado de comandante de Falange da Legião? Os desfiles do poder com bombo e Mauser.Com o Carlos Rodrigues no comando.
O Poiares era um sapateiro com oficina no Cabo e aos domingos legionário.
-Gritava para os do bombo ;FORÇAAA! ,batam com força, e o mesmo dizia aos que marchavam. Quando lhe perguntaram porque nada dizia aos corneteiros, respondeu com raiva; que é que eu tenho a ver com as cornetas? Se rebentam os bombos e gastam as solas sou eu que as remendo. Por isso me alistei.
Entendeu!?
H.E.j.

Júlia Rlbeiro disse...

Também a mim estas fotografias disseram muito. E eu nada sei de fotografia, Lelo. Mas sei "sentir" uma fotografia, amigo Aníbal. Sabeis que a portinha do quintalucho da casa em que nasci tinha uma tranca tal qual esta aqui? Por isso, os três foragidos espanhóis puderam entrar buscando um buraco para dormir.
Lamento não poder estar em Moncorvo no dia 21. Só poderei ir no dia 28. Mas abraço-vos a todos. E no dia 28 darei um forte abraço aos presentes.
Olá, H.E.J. : Pareceu-me estar a ouvir o Horácio Espalha mesmo... E termino , porque estou a comover-me.

Júlia Ribeiro

Xo_oX disse...

Hoje participei num debate sobre a possível construção de uma barragem no rio Tua. Uma das discussões que vem sempre à baila, é o que aconteceu num passado recente a respeito de Foz Côa. Onde uns vêem arte, outros vêem rabiscos. O nosso amigo Angel talvez tenha uma outra frase para o mesmo pensamento.
As fotografias também permitem várias leituras: alguns verão meia dúzia de pedras velhas e latas enferrujadas outros verão uma forma de olhar que mostra um sentimento, um estado de alma ou toda uma sinfonia de cores, sons, cheiros e emoções. A fotografia é a mesma, a diferença está nos sensores que temos dentro do olhar.
Estou contente por as fotografias despertarem emoções. São momentos de intimidade que partilho.

Wanda disse...

Olá!
Os comentários demonstram como cada pessoa "sentiu" a foto.
As pessoas que viam estas imagens.. ou parecida... desde criança, possivelmente lhes vem a mente..lembranças ,cheiros,pessoas,lugares,etc...,como bem descreveu xo_ox.
Outros imaginam a época e as pessoas que manuseavam ou ainda manuseiam estes objetos.
A casa de pedra é tal qual uma casinha que meu marido e irmãos herdaram na Lousa.Há oito anos atrás ainda estava de pé, agora é só ruínas.
Não tem como não imaginar, quantos sonhos, alegrias, tristezas e esperanças foram ali vividas.
Até o mais insensível dos mortais não fica indiferente diante dessas imagens!
Tudo isso também nos faz pensar no quanto somos efêmeros!
Uma boa e abençoada semana a todos do blog.
Wanda
São Paulo.8 de feveiro de 2009.

n. disse...

Se aquele telhado da casinha de pedra fosse de colmo (como pode ter sido, na sua origem), nós, olhando essa foto, bem poderíamos pensar que era uma casa do tempo dos Lusitanos, ou dos Galaicos ou de um qualquer indígena, no tempo da Romanização; ou uma casa de um camponês medieval. E, na verdade, tenho a certeza quase absoluta que aí viveu gente e se criaram queiras de filhos, inda no século XX. Sim, porque aqui a Idade Média acabou ontem... Tal como o comprova a cravelha de madeira, da foto a P&B, que mais não precisava quem de dentro gritava, quando batiam à porta, o célebre. "entre quem é!"... Porque ninguém ousaria quebrar a lei da inviolabilidade do domicílio (patente no foral de Santa Cruz da Vilariça), a menos que fosse ladrão reconhecido, de pronto apanhado e linchado. Outros tempos! A voragem do Tempo e também de uma certa ideia de "progresso", tendem a rasurar estes vestígios, que o olho atento e a objectiva magistralmente manuseada do Aníbal, nos fixou para a posteridade.
E, mais que tudo, o tocar na alma dos observadores/visitantes que as apreciaram e o diálogo que propiciaram, suscitando aqui uma verdadeira hermenêutica da imagem: objectos que se tornaram símbolos/elementos semióticos. Ao mesmo tempo que suscitou "irmanações" na identidade do sentir, pelo comum da linguagem icónica, da parte desse outro artista da imagem, que é Leonel Brito, relativamente ao artista Aníbal Gonçalves. Assim a "tribo" vai crescendo, caro Leonel. E os territórios "tribais" não são só físicos, mas também e sobretudo, constroem-se na identidade dos interesses (não materiais, mas sim espirituais), e das motivações comunicacionais. Torre de Moncorvo e a região serão, assim, só um pretexto para algo mais elevado. Embora nunca esquecendo a importância desse "locus" como pedra de toque, ponto de partida, referencial de inércia, campo energético essencial para o tal "pensar local para agir global". Embora, num processo de feed-back, tb se imponha o "pensar global para agir local" - confinando "pensamento paliteiro" (se se lhe pode chamar "pensamento"), de q ainda existem resquícios, sinal de que há ainda algum trabalho a fazer. Mudar mentalidades é sempre o objectivo de qualquer "revolução cultural" que se preze, mas, porque os atavismos (ainda q travestidos com outras roupagens) são sempre mt difíceis de resolver, normalmente o falhanço é o desfecho dessas pretensas revoluções culturais. Por isso, vamos fazendo o que se pode...
Já agora aquilo do palitar os dentes na praça, não era depois do café matinal, mas sim depois do almoço, em que alguns, q comiam apenas batatas com couves vinham para a dita praça com o palito, arremedando os tais de doutores, para darem a entender aos demais que tinham comido "chicha" (outros tempos...). Ou seja, isto significa o mundo das aparências, em q a nossa sociedade local era/é fértil, aliás como qualquer outra. Só que aqui parece que sempre se notou mais - talvez efeito da praça, vasto palco de comédia de Molière, ou antes uma espécie de Teatro do Mundo, mais no sentido de Calderón... - têm a palavra os homens/mulheres do Teatro.
Retribuo e retomo a saudação da Wanda: Boa semana para todos, com um abraço especial para esse outro lado do oceano,
Torre de Moncorvo, 9 de Fevereiro (dia de Feira, hoje, aqui no burgo...)
N.

Anónimo disse...

O palito nos dentes era um símbolo, como o cachimbo do Sherlocomes. .Fazia parte do visual, como agora se diz. Sair à rua sem chapéu e palito era ser do reviralho. Manga de capote, batatas ,grelos, umas miguitas, um chicharro comprado à Amélia do Bitcho, um peixe do rio Sabor ,comprado ao Lino e era um pau. O termo paliteiros extravasou a praça e salpicou-nos a todos.
Quando o Moncorvo ia jogar a Foz-Côa ouvia-se gritar ; dá-lhe !que são paliteiros!
Foi assim e assim será!Amén.
H.E.j.

N. disse...

Já não é H.E.j., já não é... pois já ninguém nos conhece assim; aliás, esses apodos populares colectivos, aplicados ao conjunto de uma vila, ou de uma aldeia, são um pouco como as alcunhas. Faziam parte de um espírito de acicate, de mofa, de marcação territorial, digamos, de um certo tribalismo (se aplicado às colecividades), ou de identificação clânica (no q toca às alcunhas, em alguns casos adoptadas como apelidos, como seria a dos Marranas), ou ainda de simples estigma individual. O pessoal agora está mais fino, e a globalização também tem destas coisas. Perderam-se os apodos. Curiosamente, algumas aldeias (onde o espírito conservador e identitário é mais forte) assumiu algumas dessas designações colectivas, como se de brazões se tratasse: por exemplo, parece-me q no brazão da freguesia da Cardanha (é preciso dizer que os autores dos brazões, foram empresas urbanóides constituídas para abichar umas massas à pala do erário, e, como tal e à falta de melhor, aproveitaram, ou até sugeriram a utilização de certos elementos distintivos), o brazão da Cardanha, dizia, tem um lagarto, porque creio q lhes chamavam os "lagartos"; já a Adeganha tem uma associação, há muitos anos (e essa é autóctone, sem nada ter a ver com as tais empresas "heráldicas"), cujo emblema e designação é Os Morcegos, porque assim eram conhecidos os habitantes desta aldeia. De Mós eram os "cucos", mas não consta que adoptassem esta ave, vá-se lá saber porquê. Felgar, é fácil, e já por aqui se disse: "pucareiros", apesar de se ter lá acabado o fabrico dos púcaros e demais louça de barro. Mas há mais:
"Pepineiros", na Açoreira; "Barrigas negras", de Maçores; "Choqueiros" (ou tchoqueiros) de Felgueiras; Larinhatos do Larinho... etc.
Quanto às vilas das redondezas: "Judeus" de Foz Côa, "Merendeiros" de Vila Flor; "Papa-lagartos" de Freixo de E.Cinta...
Claro que Moncorvo tinha que levar com os "palitos", porque significava a prosápia da Vila, a afectação de quem quer mostrar/ostentar uma coisa (no caso vertente era que comiam carne, apanágio de ricos/dótores) o q não correspondia à verdade. - Esta foi a explicação que me deram uma vez, em Vila Flor, há muitos anos, quando, na brincadeira, chamei "merendeiros" a uns indígenas lá do sítio, que logo ripostaram com isso dos "palitos no canto da beiça". Porque a extrospecção é sempre mais certeira do que a instrospecção, não tenho por que duvidar, pois esses "crismas" vinham sempre de fora para dentro.

eXTReMe Tracker