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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Amendoeiras em flor, no Peredo dos Castelhanos

Amendoeiras em flor no termo do Peredo dos Castelhanos, com o rio Douro ao fundo, vendo-se no horizonte o monte Meão e a fragada da Lousa:


Foto de Luís Lopes (direitos reservados) - clicar sobre a foto para a aumentar

Castelo Melhor e Almendra (que em castelhano quer dizer "amêndoa") na margem esquerda do Douro (concelho de Vila Nova de Foz Côa) e o Peredo dos Castelhanos na margem direita (concelho de Torre de Moncorvo), podem ser considerados o "solar da amendoeira" no vale do Douro. Não se sabe se é uma árvore endémica ou se foi aí introduzida (pelos árabes?), sendo certo que o topónimo Amíndula ou Almendra (=amêndoa), já existe desde, pelo menos, o século XI. A partir daqui esta cultura terá irradiado por todo o vale do Douro e seus afluentes, sobretudo no século XIX, depois da crise da filoxera ter atingido os vinhedos.

Pormenor de flor de amendoeira. Foto de Luís Lopes (direitos reservados)


Desde os inícios do séc. XX tornou-se uma cultura altamente rentável, até ao final da década de 70, período em que entrou em decadência devido à queda dos preços da amêndoa, motivada pela concorrência estrangeira, sobretudo da Califórnia.
A partir dos anos 90 os velhos amendoais tradicionais foram sendo substituídos pelas vinhas (esta é uma zona "de benefício" da Região Demarcada do Douro), como a foto de cima documenta, embora algumas amendoeiras tenham sido poupadas pelos lavradores, enchendo de encanto e beleza os nossos campos, nesta época do ano.
Esperemos que nunca as amendoeiras desapareçam do Peredo, pois esta foi a freguesia com maior produção de amêndoa do concelho de Torre de Moncorvo, facto que muito contribuíu para um certo desafogo dos lavradores, que, desse modo, puderam "pôr os filhos a estudar", nos anos 60 e 70. Este facto, a par das remessas dos emigrantes, muito contribuíu para que desde cedo se notasse uma maior escolarização e um certo número de licenciados, numa aldeia (e freguesia) relativamente pequena e aparentemente pobre.
Nota: as fotos que ilustram este "post" foram tiradas pelo Dr. Luís Lopes, no passado dia 21.02.2009, durante uma montaria ao javali no termo do Peredo dos Castelhanos - aqui fica o nosso agradecimento pela sua cedência.

3 comentários:

Anónimo disse...

Aqui deixo uma palavra de saudação ao Peredo e à sua gente. De Castelo Melhor eram a minha Mãe e a minha Avó Elisa e ainda mais família , primos e outros mais( Manos de apelido). Para todos um grande abraço - e perdoem-me este registo um pouco à "hora da saudade"...
Daniel

N. disse...

Estas relações familiares de que fala o Dr. Daniel, são reveladoras do microcosmos que gravitava por ali, em redor do Douro. Pode-se pensar que este rio dividia... Puro engano! pois para que serviam as barcas de Urros (às Pariças) e Peredo (defronte da foz do Côa)? Até tempos recentes (anos 60) os jovens do Peredo iam estudar para Foz Côa, pois esta vila era mais próximo do que a sede do concelho (Torre de Moncorvo), que o diga o meu amigo Tó Manel Andrade; das terras do Ribacôa vinham o principal contingente de peregrinos à festa do Santo Apolinário, desde tempos imemoriais... E, também o sabemos, uma das funções das festas era promover a exogamia das comunidades. Estão explicados os casamentos entre as bandas de lá e de cá. Vejo agora explicada a origem dos Manos de Urros, a partir de Castelo Melhor: tem a palavra a Srª Presidente da Junta de Torre de Moncorvo (que também é Mano, assim como a sua mana).
Abraço,
N.

Ocab disse...

Digo e bem se o Peredo estava bonito nodia 21, estava esplêndido a 28. Testemuhnas directas, genuínas da vila de Moncorvo disseram que era o(dos) lugar mais lindo para ver a flor da amendoeira.
Admirar as paisagens do Peredo é bom em qualquer altura e o despontar da primavera é excelente. Um convite para o Passeio TT do dia 14 e apreciar as vistas, as gulosices, os enchidos...e outras culinárias que estão a despontar !

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