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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

2º Centenário do Nascimento de Visconde de Vila Maior


Comemora-se hoje, para além do 99º Aniversário da Implantação da República e o 886º Aniversário do Tratado de Zamora, o 2º Centenário do nascimento do moncorvenese Júlio Máximo de Oliveira Pimentel, Visconde de Vila Maior e um dos maiores vultos da cultura, do ensino e da ciência portuguesa no séc. XIX.

(fonte da imagem: Biblioteca Nacional Digital)

4 comentários:

Anónimo disse...

Bem lembrado, Rui! Apesar de já termos visto outras datas para o nascimento do nosso Visconde de vila Maior, a verdade é que a maioria das fontes nos dão o 5 de Outubro como data para o seu nascimento, o que parece fidedigno. O Visconde - Júlio Máximo de Oiveira Pimentel - foi seguramente (até hoje) o moncorvense que mais se destacou no plano científico e profissional. Foi um dos maiores sábios do seu tempo, a nível nacional(além de reitor da Universidade de Coimbra), com brilhante carreira política, sendo pois de lamentar que o seu duplo centenário tivesse passado em branco, a nível local e não só... Esperemos que, até ao final do ano, ainda se possa fazer algo, daqui endereçando nós, desde já, o nosso repto e a nossa proposta de colaboração ao Centro de Memória de Torre de Moncorvo.
N.

N.Campos disse...

Ainda no seguimento do comentário anterior, faltou dizer que o Visconde de Vila Maior (2º visconde, porquanto o 1º foi seu pai, Luís Cláudio de O. Pimentel), foi um distinto estudioso dos assuntos da agricultura, mais especificamente da Viticultura, interessando-se pela Ampelografia (estudo de castas de uvas) e Enologia (especialmente no que respeita às propriedades químicas dos vinhos).
Já que nos post's anteriores se falou de "castas", de vinhos e de Oficina Vinária, procurando complementar o "post" do Rui Leonardo, aqui fica um texto que há anos escrevi para a exposição permanente da Oficina Vinária/Museu do Vinho da Quinta das Aveleiras:

«JÚLIO MÁXIMO DE OLIVEIRA PIMENTEL
(2º. Visconde de Vila Maior) - Nasceu em Torre de Moncorvo, em 5.10.1809 e faleceu em Coimbra, em 20.10.1884.
Júlio Máximo era oriundo de uma ilustre família moncorvense, que emergira ao longo do Séc. XVIII- os Oliveira Pimentel. Seu avô, João Carlos Oliveira Pimentel, notabilizou-se pelo espírito empreendedor e pelo apoio que deu à sublevação contra a ocupação francesa, nos inícios do séc. XIX. Nestas campanhas e nas Guerras Liberais que se seguiram, ficou célebre o seu tio, general A. J. Claudino de Oliveira Pimentel.
Cursou Matemáticas na Universidade de Coimbra, tendo-se dedicado às ciências, especialmente à Química.
A par da actividade política como liberal convicto, desempenhou importantes cargos públicos. Foi director do Instituto Agrícola (1857), Vereador e Presidente da Câmara de Lisboa (1858-59), fez parte da representação de Portugal nas Exposições Internacionais de Londres (1855-62) e Paris (1867 e 1878), e foi Reitor da Universidade de Coimbra (1869-1884).
Publicou numerosos trabalhos, de que se destaca um tratado de química em 3 volumes. Estudou as propriedades das águas minerais das mais importantes fontes termais portuguesas (Gerês, Caldas da Rainha, etc.), e dedicou-se ao estudo da viticultura, ampelografia e enologia, entre outros artigos sobre a problemática agrícola.
Na área da viticultura e vinificação, escreveu Manual de viticultura prática(1875); Memória sobre os processos de vinificação empregados nos principais centros vinhateiros do continente do Reino, ao Norte do Douro (2 vols., 1867, 1868); Tratado de vinificação para vinhos genuínos (2 vols., 1868, 1869); Ampelografia e enologia do país vinhateiro do Douro (1868).
Sobre a paisagem vinhateira do Douro deixou uma importante obra literária, em edição trilingue, que é o Douro Ilustrado - Album do rio Douro e paiz vinhateiro (1876), em que descreve o troço do Douro entre Barca de Alva e o Porto, sob a forma de impressões de viagem.
Em 1873 o Visconde de Vila Maior integrou a delegação de Coimbra da primeira Comissão encarregue de estudar a filoxera em Portugal. Mais tarde, presidiu à Comissão de estudo e tratamento das vinhas do Douro (com sede no Porto), criada por decreto governamental de 7.08.1878».

Anónimo disse...

Tudo tem mais que uma face, facetas pelas quais se refracta mais ou menos luz. Seria interessante ver como os arautos da chamada Geração de 70 viram esse nosso ilustre conterrâneo que também foi, nessa ocasião, reitor em Coimbra. A dimensão de um ser humano é mais completa se os que a ela são «atraídos» puderem mirar também a partir das sombras que sempre há, tem de haver.

Carlos Sambade

Anónimo disse...

Caríssimo Carlos Sambade,
é natural que das "hagiografias" mais ou menos oficiais se expurguem atitudes ou procedimentos por vezes menos louváveis. As circunstâncias em que estamos deste ou daquele lado são fruto de percursos ou gerações em que nos encontramos aprisionados. Nos escritos acima seguimos dados biográficos "oficiais". Se tem outras informações, agradecemos, com viva curiosidade, o seu contributo. Na certeza de que tudo o que se possa dizer não retira a dimensão da Obra e da carreira do visconde.
Abraço,
N.

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