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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Fruta da época - romã

Para esta época, diz o Seringador: "É este o momento mais oportuno para se fazer a poda de toda a casta de árvores. Terminam-se as vindimas nos lugares enxutos e tardios, a colheita das maçãs e peras da época, e procede-se à das castanhas, nozes e avelãs". E poderíamos acrescentar também a colheita de romãs, onde as há.

Dando-se bem em micro-climas mediterrânicos, a romãzeira pontuava os formosos hortos das cercanias da vila de Torre de Moncorvo, chegando a dar nome a um dos bairros do lado poente, entre o cemitério e a rua do Hospital velho (actual centro de dia da Misericórdia). No que restou dessas hortas, na zona do Santiago e nos jardins do Museu do Ferro, ainda se vêm algumas dessas antigas romãzeiras.

Quando madura, a romã abre-se, qual tesouro, mostrando os seus rubiginosos bagos. Talvez por esta abundância de bagos compactos, na Antiguidade, a romã era símbolo da Fertilidade. A coroa que se forma no seu umbigo, semelhando uma coroa real, faziam dela uma fruta rainha.

Aqui lhe deixamos a sugestão de uma sobremesa deliciosa para esta época do ano: uma salada de romã, regada com um bom vinho generoso do Douro (vulgo "vinho do Porto"), ou, se preferir, faça uma visita ao Museu do Ferro e aproveite o soalheiro outoniço nos seus jardins, esbagando os rubis de uma preciosa romã, colheita da casa...

Fotos de N.Campos (romãs e romãzeiras nos jardins do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo)

5 comentários:

jose albergaria disse...

Caro Nelson,
Publiquei, em tempos, um post no meu Mainstreet a pretexto de um encontro, em que se abordou a simbólica da romã.
Aqui lho deixo,em louvor do seu post e, por acréscimo, para ilustrar as belíssimas imagens das romãs e das romãzeiras do Museu do Ferro...
"Faz meses, participei num belíssimo encontro, em que foi vedeta a romã e as suas múltiplas simbologias.
Uma delas remete para a fertilidade.
Na Grécia antiquíssima contava-se que, Hades, irmão de Zeus, e Deus do reino das sombras raptou Core, a filha de Deméter e de Zeus (que a tinha violado tomando a forma dum touro e de quem teve aquela filha, dita a "jovem", Core). Deméter era a Deusa da fecundidade, da fertilidade e das searas de trigo.
Hades levou Core, com ele, para o reino das sombras.
A instâncias de Deméter, que, entretanto, em protesto pelo rapto tinha abandonado o Olimpo e mantinha-se na terra, deixando-a seca e estéril, ajudada pela deusa Hécate, descobriu o paradeiro da luz dos seus olhos, Core ou, como mais tarde se chamaria - Perséfone.
Zeus propôs uma solução negociada, pois Core, Perséfone, durante a sua estada no Hades, tinha comido -o que impossibilitava o seu regresso.
Só se podia escapar aos infernos se, durante a estadia, nada se ingerisse.
E o que comeu Core?
Nem mais: um bago de romã. A romã era o símbolo do casamento e, o facto de ela ter ingerido um bago de romã, significava isso mesmo: encontrava-se ligada ao seu esposo infernal, Hades.
O que se negociou então: Perséfone podia dividir o tempo entre sua mãe e seu marido. Segundo o acordo, Perséfone passava os seis meses, de Março a Setembro, os meses correspondentes à Primavera e ao Verão, com sua mãe Deméter, no Olimpo, cuidando da fertilidade da terra. Os outros seis meses, correspondentes ao Outono e ao Inverno - tornava para junto de Hades, seu infernal esposo.
J.Albergaria".
Aqui fica uma achega para as suas belas imagens e para o desafio da visita a Moncorvo.
Abraço,
J.A.

Daniel de Sousa disse...

O gentilíssimo significado do post do Nelson sobre a romã ultrapassa largamente a simbologia que lhe quisermos atribuir. Pessoalmente apraz-me conceder-lhe o da nobreza de espírito que dá aos Amigos o prazer de usufruir as primícias da terra. Costumo dizer que meço muitas vezes os meus Amigos pela qualidade dos vinhos que me oferecem. Confesso que desde agora tenho de lhe juntar a romã - a romã do jardim do Nelson. Só tenho pena que nem a oportunidade nem sobretudo a tirania do trabalho me permitam compartilhar tal privilégio. Um abraço do
Daniel

Anónimo disse...

Caríssimos J.Albergaria e Daniel de Sousa,
Muito agradeço a atenção dos vossos comentários. Quanto ao de J.Albergaria, esse velho mito grego tem muito que se lhe diga. Pode ver mais sobre o assunto no Dicionário de Símbolos do J.Chevalier e A.Gheerbrant. Aqui se diz, em complemento à história que conta, que os sacerdotes de Deméter do templo de Elêusis se coroavam com ramos de romãzeira durante os grandes Mistérios. Todavia a romã, fruto sagrado,"era rigorosamente proibido aos iniciados, porque, símbolo da fertilidade, leva em si a faculdade de fazer descer as almas à carne". Como tal, a romã era igualmente símbolo de Afrodite (deusa do Amor, para os gregos) e de Hera (a ciumenta deusa que regia o casamento). Mas o que determina este simbolismo? - o Dicionário citado adianta: "o simbolismo da romã está ligado ao simbolismo mais geral dos frutos que têm muitas pevides (cidra, abóbora, laranja)", citando uma lenda vietnamita: "a romã abre-se e deixa sair cem crianças". Por isso não era de estranhar que "em Roma o toucado das noivas era feito de ramos de romãzeira". Vale a pena ler o resto. Independentemente disso, para mim é um dos frutos mais belos, e, curiosamente, a primeira árvore que plantei foi uma romãzeira, na minha adolescência (pegam de estaca).
Quanto ao comentário do Daniel, quero só fazer uma pequena correcção: as romãs não são do meu jardim, mas sim do museu do ferro, que não é meu, mas sim do Povo. Quem quiser para lá ir, é só pedir as chaves na recepção, levar um jornal, ou requisitar um livro da pequena biblioteca da associação ou do centro de documentação do Museu (=templo das Musas). O acesso aos jardins e ao auditório, onde ainda está patente a exposição de Arqueologia e História, é gratuito. Esperamos que o Daniel consiga arranjar um tempinho, nos próximos tempos, para uma saltada até às origens!
até lá, um grande abraço, e outro para o nosso Amigo J.Albergaria,
N.

rogerio rodrigues disse...

Romã---fruto que simboliza a multiplicação e a solidariedade da família maçónica, separada na sua individualidade e personalidade mas unida por um ideal comum. No topo das colunas "B" e "J" dos templos simbólicos colocam-se, geralmente, três romãs.
A.H. de Oliveira Marques --- Dicionário de Maçonaria Portuguesa, Editorial Delta, 1986.

Bird disse...

"SONETO DA ROMÃ

Lindas flores vermelhas enfeitam um pé de romã...
Romãzeira, num colorido encantador, enfeita a manhã!
Raios de sol, entre galhos, folhas e flores, a iluminar...
E a magia da natureza se faz presente no meu pomar.

Lindos frutos vermelhos enfeitam um pé de romã...
Sabores e odores de uma fruta que parece um talismã!
Vento que sopra e embala a árvore da fertilidade...
Numa dança quando dançam pessoas de toda idade.

É a festa do existir no canto de nossa fraternidade...
Sementes confinadas em bagos de beleza cristalina!
E que se transformam em Símbolo de Fecundidade.

Casca que aloja sementes como a Loja nos abriga...
Maçons reunidos e unidos num plano de igualdade!
Comungando a perfeição de se estar em liberdade."

Joaquim Monte

Tal como a unidade encerra a multiplicidade... fruto fantástico.
bird

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