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quarta-feira, 14 de maio de 2008

Apontamentos bio-bibliográficos

Nascido a sete de Março de 1876, Abílio Adriano Campos Monteiro faleceu aos 57 anos de idade, a 4 de Dezembro de 1933, em S. Mamede de Infesta, nos arredores do Porto, onde casou e viveu a maior parte da sua vida.
A sua infância e adolescência foram passadas em Viana do Castelo, Ponte de Lima, Ponte da Barca e Arcos de Valdevez.
A propósito deste período da vida de Campos Monteiro, recomenda-se a brochura de António Pimenta de Castro, limiano de origem, residente no Mogadouro e professor em Moncorvo, “A Fase Limiana de Campos Monteiro” (Torre de Moncorvo 2001).
Começa a escrever aos 15 anos no “Moncorvense”, mais tarde no “Jornal de Viana”, no “Pontos e Vírgulas” do Porto, no trissemanário vianense “A Vida Nova” e no “Aurora do Lima”, onde escreveu também Camilo Castelo Branco, de que Campos Monteiro era um discípulo.
Médico em 1902, antes da implantação da República foi administrador do concelho da Maia.
Católico e monárquico, “alto e magro, de feições rudes e vincadas” (Carlos de Passos), Campos Monteiro foi deputado em 1918, na câmara sidonista, “ no hemisfério da extrema-direita”, como recorda outro deputado da altura, Adelino Mendes.
Serviu como capitão-médico miliciano na reserva territorial, função de que seria demitido, por motivos políticos, já graduado em major, em 1919.
Escreveu 30 livros originais, 100 prefácios e colaborou em muitos diários e revistas.
Recolheu algum êxito editorial na altura. Os seus livros tiveram bastantes reedições e sabe-se que pelo menos três operetas suas, ainda que representadas, nunca chegaram a ser editadas: “O Segredo da Morgada”, representada no Teatro Carlos Alberto, no Porto, também em Lisboa, no Rio de Janeiro e em S. Paulo; “A Rainha da Lacónia”, representada no Teatro Sá da Bandeira no Porto (1910) e no Rio de Janeiro em 1912; “O Ramo de Perpétuas”, representado no Brasil.
Dirigiu ainda as revistas “Civilização” e “Argus”, ambas do Porto e foi um dos promotores da publicação “Maria Rita”, um semanário humorístico.
Polígrafo fecundo, cultivou com maior sucesso a crónica. Colaborou na “Época”, no “Primeiro de Janeiro” e no “Jornal de Notícias”, cujas crónicas editadas em livro, “A oito dias de visita”, tiveram na altura um assinável êxito de vendas.
O livro contudo que o tornou conhecido do grande público, num período conturbado da vida política portuguesa, foi “Saúde e Fraternidade” (1923), violenta sátira política às personalidades e governos republicanos. Em seis meses, tiraram-se sete edições. Em 1925, teve a décima, atingindo qualquer coisa como 30 mil exemplares vendidos. Em 1978, sob a chancela das Edições do Templo, com caricaturas de Amarelhe, acaba por sair outra edição baseada na sétima e décima edições.
Sobre este fenómeno escreveu Aquilino Ribeiro: “ Saúde e Fraternidade de Campos Monteiro foi, com as “Cartas de D. Carlos”, o livro que em Portugal alcançou maior êxito de livraria no primeiro quartel do século (...) Quando se fizer um estudo da literatura política destes tempos revoltosos encontrar-se-á este nome saudoso”.
Outras das suas obras tiveram algum sucesso na época, mantendo-se hoje praticamente ignoradas do público e da própria terra que o viu nascer. Sem a pretensão de sermos exaustivos, apenas a enumeração de alguns títulos mais conhecidos: “O crime de uma mulher honesta” (1913), “Versos fora de Moda” (1915), “Miss Esfinge” (1921), obra emblemática do autor, “Camilo Alcoforado” (1925), “As duas paixões de Sabino Arruda” (1929), “Ares da minha Serra” (1933) e, finalmente, o seu testamento poético, “Raio Verde, últimos versos” (1933).
Escreveu Campos Monteiro, como seu epitáfio político: “Sou monárquico e morrerei impenitente, se erro na preferência do regime (...) Com homens sérios é indiferente para o povo o governo monárquico ou o governo republicano”.
Como epitáfio poético, este dorido poema do “Raio Verde”:

Não mais, lira, não mais! Emudecida
vais imergir no plácido letargo
do perpétuo abandono;
não porque tenha “a voz enrouquecida”,
mas porque sinto perto o rio largo
“do negro esquecimento e eterno sono”.


Dorme. Descansa. Terminou a lide.
Tal como o alfanje de Harun-Al-Raschid,
ganhaste jus a repousar também.
Se era débil a mão que te tangia,
foi sempre nobre o impulso que a movia:
“serviste mal, mas só serviste o Bem”!

P. S. Parte dos elementos aqui coligidos, foram estudados e recolhidos no livro “Homenagem a Campos Monteiro”, editado em 1943 pela Livraria Tavares Martins do Porto. O seu a seu dono.

Rogério Rodrigues.

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