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segunda-feira, 22 de junho de 2009

Jornada Cultural no Centro de Memória e Biblioteca Municipal

Conforme anunciado neste blog, foi inaugurada no passado dia 20 de Junho (sábado), no Centro de Memória de Torre de Moncorvo, a grandiosa exposição intitulada “Moncorvo de Março de 1974 a Junho de 2009”, de autoria de Assis Pacheco (já falecido), Leonel Brito e Rogério Rodrigues. Esta exposição baseou-se em duas extensas reportagens publicadas respectivamente em vários números do jornal República (Março de 1974) e em O Jornal (1984), a que Leonel Brito e Rogério Rodrigues acrescentaram agora mais uma peça (texto e imagens), sobre o concelho de Torre de Moncorvo na actualidade.

Rogério Rodrigues e Leonel Brito, autores da Exposição Moncorvo 1974-2009

A importância da primeira reportagem publicada no República (com texto de Assis Pacheco, e fotografia de Leonel Brito), decorre do facto de ter sido feita mesmo nas vésperas do 25 de Abril, em que se faz um retrato social crítico do concelho, com os problemas da emigração, da guerra do ultramar, etc., além dos diversos constrangimentos de que padecia um concelho do interior, à época. Trata-se de um trabalho de grande fôlego (como se disse, saído em vários números), que é fundamental para a história contemporânea de Torre de Moncorvo, num momento charneira da história de Portugal.

A segunda reportagem, com assinatura de Rogério Rodrigues, saiu em O Jornal (periódico também já desaparecido, tal como o República), em 1984, e tinha por título genérico "Torre de Moncorvo, o futuro não tem pressa". Este é o momento em que, após a vinda dos chamados “retornados” do ultramar (1974-1975) se alcança um acréscimo demográfico significativo e a face do concelho se transforma significativamente, também em consequência das remessas dos emigrantes. Ainda sem dinheiros comunitários, era o tempo em que se sentia a premência de certas infra-estruturas (água canalizada, saneamento básico, etc) e das grandes carências de emprego, após a conclusão da barragem do Pocinho, vivendo-se então ainda as expectativas do relançamento da exploração das minas de ferro, projecto que, como se sabe, viria a ser chumbado no ano seguinte.

Um aspecto da exposição Moncorvo 1974-2009, no Centro de Memória

Passados 35 anos após a primeira reportagem e 25 sobre a segunda, impunha-se um olhar sobre a nova realidade do nosso concelho. Assim, a nova reportagem agora realizada (não publicada, a não ser nos últimos painéis desta exposição), com o título "O presente ao menos, 25 anos depois", começa logo por se destacar pelo cromatismo diferente. Em contraste preto e branco de outros tempos, recorre a abundantes fotografias a cores, oferecendo, por comparação, uma imagem actual dos espaços antigos, de onde se salientam as diversas mutações no espaço urbano da vila e aldeias do concelho. De uma forma que consideramos bastante objectiva, salientam-se os aspectos positivos dessas transformações, mas também os contrastes , como o da desertificação humana e o envelhecimento da população. Se as crianças de hoje aqui figuram muito limpinhas e associadas aos telemóveis e computadores, em contraste com as do passado (sinal dos tempos), salienta-se o facto de praticamente não existirem crianças na quase totalidade dessas aldeias. Novas infra-estruturas e equipamentos urbanos, grandes obras, tipo ligação de Moncorvo ao IP-2, barragens e torres eólicas na serra, são destacados. Como ponto final desta reportagem, termina-se com uma pequena local, em caixa, dando conta da peripécia do hipopótamo-fêmea que fugira do camião acidentado de um circo, vindo ter à vila, nove quilómetros andados por seu pé, suscitando o anedotário terra. Um episódio de humor em tempo de crise.

Outra secção da Exposição, no Centro de Memória.


A exposição é complementada pela passagem de filmes como “Artes de ofícios” (olaria, tecelagem, moinho de rodízio e fabrico da cera) e “A Encomendação das Almas”, trabalhos realizados por Leonel Brito respectivamente em 1974 e 1979, e uma apresentação de imagens em Powerpoint, mostrando fotografias actuais e de há 30-35 anos. Este material fotográfico foi oferecido aos presentes em DVD, através de reproduções efectuadas pela Biblioteca Municipal/Centro de Memória. Aliás, na sua alocução final, os autores fizeram questão de sublinhar o trabalho do pessoal desta instituição, nomeadamente da Drª Helena Pontes (chefe de divisão cultural), Drª Maria João Moita, salientando os contributos de Sandra Meireles (na parte gráfica) e Victor Almeida, entre outros.
Dada a sua importância para a compreensão do passado recente do nosso concelho, esta é, de facto, uma exposição a não perder.

O ex-director da "Voz do Nordeste" e Presidente da Câmara de Moncorvo, no momento da entrega do espólio do jornal


Depois da inauguração da Exposição, e dos discursos dos autores da mesma e do Presidente da Câmara de Moncorvo, decorreu a cerimónia de entrega do espólio do jornal “Voz do Nordeste” (de Bragança), pelo seu antigo director, César Urbino Rodrigues.

Apresentação do livro História do Poder Local Democrático em T. de Moncorvo, na Biblioteca



A finalizar esta jornada, decorreu no auditório da biblioteca municipal a apresentação do livro “O poder local democrático em Torre de Moncorvo no último quartel do século XX”, de autoria de Virgílio Tavares, sob patrocínio da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo.

4 comentários:

Marco Deus disse...

Muda a casa, mas manteve-se o trabalho dos fundadores, é bom que assim seja!

Julia Ribeiro disse...

Um grande abraço de parabéns aos autores e aorganizadores!

Até quando fica a exposição aberta ao público?
Sozinha não posso fazer a viagem, porque o meu braço não aguenta. Mas nem que eu tenha de ir de expresso.

Júlia

Anónimo disse...

Neste passado dia 20, pela manhã, assisti e tive uma barrigada de cultura.
Primeiro, tive a grata surpresa de pessoa amiga me ter oferecido um catálogo denominado : Superior D,ouro e editado pelo Nucleo Museologico da Fotografia, espaço a inaugurar aqui em TMC nos meados de Julho.
Depois, já no Centro de Memória, tive o enorme prazer de ver uma super exposição muito interessante e gratificante sobre uma dada realidade historica de Moncorvo.

É, por isso, justo agradecer o trabalho dos seus 2 autores : R.R. e L.B, louvando a iniciativa e o trabalho desinteressado que tiveram.
Muito gostei de ver uma realidade intemporal que apresentaram. fico a aguardar a edição do livro por este ser um modo mais tangível ou apalpável de passar a mensagem e a noticia aos presentes e vindouros.

saudações felgarenses e L.B. lá ficamos à espera do painel !

Anónimo disse...

Pucareiros,
via youtube, uma pequena homenagem aos oleiros da terra da minha avó.

Lelo Brito(Laranja)

http://www.youtube.com/watch?v=H5gaGBD0WbQ

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