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sexta-feira, 20 de março de 2009

Começou a Primavera! - comemoração nos jardins do Museu

Segundo nos informa o Seringador (Reportório crítico-jocoso e prognóstico diário para 2009), entrou hoje, dia de Santa Eufémia, pelas 11;44 horas, a Primavera!

Correspondendo ao Equinócio da Primavera (hoje o dia e noite terão exactamente a mesma duração, continuando depois os dias a aumentar e as noites a diminuir, até ao Solstício de Verão, na noite de S. João, a mais curta do ano...).


A Primavera era saudada, pelos povos da Antiguidade, com uma série de ritos relacionados com a Natureza e a fecundidade. Contudo, não sabemos se algum desses povos tinha por hábito plantar uma árvore nesta altura do ano, coisa pouco provável, pelo menos numa Europa ainda povoada de vastas florestas, até à conquista Romana.

Assim, o Dia da Árvore só viria a ser instituído no séc. XIX, mais precisamente em 1872, nos Estados Unidos da América (estado do Nebraska), e era em Setembro. A "Festa da Árvore", como se designou, depressa se expandiu por vários países do Mundo, tendo-se celebrado em Portugal, pela primeira vez, em 9 de Março de 1913.

Só em 1971, por proposta da Confederação Europeia de Agricultores, a FAO (organismo da ONU para as questões da Alimentação mundial) instituíu o Dia Florestal Mundial, com objectivo de sensibilizar as populações para a importância da floresta e manutenção do ecossistema global. Para o hemisfério Norte, foi estabelecido o dia 21 de Março (inícios da Primavera), sendo esta data celebrada pela primeira vez em 1972 por inúmeros países, entre os quais Portugal. No hemisfério Sul, nomeadamente no Brasil, o Dia Mundial da Árvore e da Floresta coincide com o dia 21 de Setembro.


Antecipando o Dia da Árvore (que será amanhã), hoje, nos jardins do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, foram plantadas, pelas crianças do Agrupamento Vertical de Escolas de Torre de Moncorvo, algumas árvores da região, nomeadamente laranjeiras, amendoeiras, carvalhos e um azevinho. Foi ainda inaugurada uma mostra de trabalhos dos alunos, tendo estes escutado, no auditório do museu, uma palestra sobre a importância da árvore e da floresta, pela professora Marlie Andrês (coordenadora da acção) e Engª. Mariana (engenheira florestal do município de Torre de Moncorvo).


Mais informação sobre este evento em: http://parm-moncorvo.blogspot.com/

Mais se informa que na próxima Segunda-feira, dia 23 de Março, pelas 10;00 horas, também no Auditório do Museu, será realizada uma outra palestra, ilustrada com imagens, sobre as Aves e Árvores da região, pelo Engº. Afonso Calheiros, presidente da direcção do PARM; esta acção é também sobretudo orientada para os alunos das Escolas (igualmente com participação do Agrupamento de Escolas), mas obviamente podem assistir todos os interessados, que poderão apreciar uma exposição de desenhos de alunos do 5º. ano, sobre diversas aves da região.

4 comentários:

Daniel de Sousa disse...

Excelente iniciativa para fazer compreender às crianças o valor ambiental e patrimonial destas espécies.
Paradoxalmente no mesmo dia em que é noticiado que o projecto governamental de considerar o eucalipto espécie invasora e restringir a sua ( já mais que escandalosa!) disseminação, foi metido na gaveta sine die...
Na verdade deve ser muito grande o poder da indústria da celulose !

Anónimo disse...

Toda a razão, caro Daniel, toda a razão...
Fica, a propósito, um naco de prosa do conto "O Eucalipto", de A. Sá Gué:
"E o homem [agente das celuloses], pacientemente, explicou o contrato de vinte anos, a plantação de eucalipto, que é uma planta 'nobre' de rápido crescimento, dizia ele, a renda anual, a comparticipação nos lucros da sua pasta de papel. O senhor Fernandinho não hesitou. Vendeu-se uma vez mais. Antes ver floresta que ver as amendoeiras e oliveiras ao deus-dará, abandonadas, sem lhes poder valer. Nem mandou dizer aos filhos, meteu-se-lhe aquela na cabeça e ao fim de oito dias já ele assinava o contrato" (in: "Contos dos montes ermos", ArtEscrita ed., 2007, p.27)

- Por via destas e de outras é que no Museu se plantaram amendoeiras (é cada vez mais uma árvore do Museu, tendo em vista um jardim florido na época da floração desta bela árvore) e laranjeiras (cuja flor em breve perfumará este jardim e hortos em redor, evocando as fragrâncias dos jardins árabes). A carvalheira visa evocar os carvalhos do Roboredo e ficará na orla da cortinha da Guarda, ao fundo.

Quanto aos eucaliptos, essa da árvore "nobre" ouvimo-la dizer, aos gritos, a um certo engenheiro florestal (ou regente agrícola convertido em florestal), há um bom par de anos, numa sessão realizada no cine-teatro de Moncorvo (aquando da febre das eucaliptações de que nos fala o Sá Gué), quando alguém levantou o problema do empobrecimento dos solos e da sucção de água que o eucalipto provocava/provoca. O homem, que era um agente local das celuloses ia tendo um xilique!! Quanto embolsou nesses negócios, é coisa que não sabemos... Enfim... sempre houve os "Cristóvãos de Moura", a soldo de Filipes II... (que me perdoe o Angel, mas não o digo com nenhum sentido nacionalista, mas sim, com o sentido dos que se vendem e vendem a sua terra, comprando outros, em seu proveito).

Mudando de assunto, e por falar em António Sá Gué, informo que ele vai estar no dia 25 de Março na Escola Secundária de Torre de Moncorvo, a participar numa acção promovida pela Comissão Executiva do Agrupamento Vertical de Escolas de Torre de Moncorvo, pelo Departamento de Língua Portuguesa e pela Biblioteca Escolar "Padre J. Rebelo" - esta acção é o 7º Encontro de Profs. de Português e aí serão apresentados trabalhos de alunos baseados no livro "Contos dos montes ermos", a que nos referimos atrás (e com um post anterior). - Congratulamo-nos, desde já, que os autores da terra sejam promovidos e estudados pela nossa Escola!!
Mais informamos que na mesma acção haverá lugar a uma representação teatral pelo grupo "ALMA DA TERRA", seguido de uma actuação da TUNA Escolar.
A não perder!!!

Daniel de Sousa disse...

Por essas e outras ( o 25 de
Março e toda essa acção cultural) é que tenho pena de não poder estar convosco. Deve ser um dia memorável, com teatro e tudo!!Ao menos depois guardem um cheirinho para a gente s.f.f.
Quanto a aromas e laranjal, já agora ( e perdoem-me de todo se for imodéstia) gostava que lessem o soneto que postei no meu bloguezito o Head and Neck. Pelos vistos o laranjal também pode maravilhar na nossa Terra Quente, que não só nas paragens meridionais...
Abraços
Daniel

Júlia Ribeiro disse...

Que pena não poder estar lá, mas tenho uma sessão do mesmo tipo aqui em Leiria.
Eu depois mando uma mensagem para o Nelson transmitir ao Sá Gué, se fizer favor.
Boa noite,
Júlia

PS - Tente saber como e onde se podem adquirir os livros deste nosso conterrâneo; e, já agora, também os do V. da Rocha. Obrigada.

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