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segunda-feira, 30 de março de 2009

Felgueiras, lagar da cera

Em Maio de 75, era eu sócio e director da cooperativa de cinema Cinequanon, organizei duas idas a Moncorvo para as filmagens de dois documentários, ambos fazendo parte da série de programas Artes e Ofícios, para a R.T.P.: "Estevais Ano Zero" e “Velhas Profissões”. Neste último estão integrados uma tecedeira e um oleiro do Felgar, o lagar da cera em Felgueiras e um moinho. Este documentário encontra-se no Museu do Ferro e na Biblioteca de Moncorvo à disposição de todos. A equipa de filmagens era a seguinte: Sá Caetano na realização; eu, Leonel Brito, na produção e entrevistas; Elso Roque na imagem; João Diogo no som.

Os fotogramas são extraídos das imagens do lagar da cera

Nota: Espero que este post seja pretexto para se falar de Felgueiras e das suas gentes.


7 comentários:

Anónimo disse...

Caracterização da aldeia
Felgueiras é uma aldeia do Concelho da Torre de Moncorvo, no Nordeste Transmontano. O seu terreno (2.290 hectares) estende-se pela fralda da Serra do Reboredo. É uma aldeia de casas amontoadas, ruas estreitas calcetadas a pedra “ferrenha” (mistura de ferro). Ao lado, cobrindo um pequeno outeiro, estão as eiras comunitárias e os característicos palheiros de xisto. O comunitarismo, baseado na entreajuda e na torna-geira, sempre foi traço marcante na maneira de viver da comunidade, um perfeito exemplo de cultura de montanha.
Monumento raro de arqueologia artesanal, único na Europa ainda a funcionar em moldes medievais, o lagar da cera é o símbolo máximo do artesanato de Felgueiras e do comunitarismo dos seus habitantes. Com efeito, ele não é propriedade particular, nem dos cerieiros ou Junta de Freguesia. Ele é, unicamente, propriedade do povo, de todos os populares que enveredam pelo oficio de cerieiro. É de salientar que o projecto da sua recuperação foi distinguido em 1987, com o Prémio Nacional de Conservação da Natureza e do Património Cultural atribuído pelas Secretárias de Estado da Cultura e do Ambiente.
Do ponto de vista histórico, trata-se de um comunidade muito antiga que já na idade média, dispunha de instrumentos passados pelo poder real salvaguardando privilégios próprios, o que significa uma organização social muito própria um tanto independente do respectivo Concelho.
Na fisionomia das gentes e no seu espírito comercial sobressai uma indispensável herança de judeus “mananos”. Além do valor histórico há ainda que ressaltar os recursos paisagísticos e uma realidade económica em que sobressaem a produção do bom azeite, vinho, mel, cera, amêndoa, castanho e fumeiro.


http://velas_de_moncorvo.web.simplesnet.pt/historia.htm

Wanda disse...

Interessantes as informações passadas na reportagem.
No sitio da Camera Municipal da Torre de Moncorvo, tem mais sobre Felgueiras.

http://www.cmmoncorvo.pt/freguesias/freg_felgueiras.html

Uma curiosidade sobre Felgueiras não mencionada nas leituras que fiz:
No Largo da Fonte pode-se beber água tépida no inverno e fresca no verão.
Informação passada por pessoas que já viveram lá.
Abraço
Wanda
São Paulo, 31 de março de 2009

Anónimo disse...

Farrapos da Memória

Lembro -me de ler o “ Guia de Portugal,” editado pela F. C. Gulbenkian e ,na página 812, encontrar ilustres de T. De Moncorvo,como Tomé ,Rodrigues Sobral, químico, professor universitário, (m. 1829),natural de Felgueiras .E eu não sabia nada deste meu conterrâneo.
Lembro-me das Festas da Santa Eufémia e dos bailaricos.
Lembro-me do Fevereiro ,que estudava no Campos Monteiro.
Lembro-me de, ao sair da pastelaria Paloma ,na Corredoura ,tropeçar num busto .Olhei e deparei com Armando Martins Janeira, de Felgueiras.
Lembro-me da minha mãe perguntar ao meu pai :”Sempre vais a Urros? Se fores ,no regresso compra velas em Felgueiras, que os Santos são para a semana”.
Lembro-me dos estudantes , filhos de retornados, que só tomavam banho de chuveiro em casa dos amigos da vila.
Lembro-me de chamar tchoqueiro ao meu amigo Fernandes.
Lembro-me das ruas de Felgueiras, com palha, bosta e lama.
Lembro-me da vista harmoniosa dos palheiros ,vindo de Maçores.
Lembro-me com saudade do mestre António Carvalho ( ferreiro).
Lembro-me de ter lido no blogue que havia uma família Borges em Felgueiras.
Lembro-me de, nos anos 70, ir a um baptizado a Felgueiras .Ainda atiravam , das janelas e varandas, moedas (tostões, coroas e escudos) aos raparigos da rua.
Lembro-me de ouvir dizer que Felgueiras era terra de judeus, cristãos- novos , marranos...
Lembro-me de perguntar ao meu pai :”Onde fica Felgueiras?””Do outro lado do Roboredo, a vila de um lado ,Felgueiras do outro”. “Como os pratos de uma balança?”,perguntava eu.”Cala-te!”, respondia ele.

Lembro-me ,agora, de apontar na minha agenda: comprar o livro “Novos Contos da Montanha”, de Isabel Mateus ,felgueirense ,exilada em Liverpool.
Um braganção

Anónimo disse...

Muito interssante!

paulo patoleia disse...

o tiuo Acácio Fachico encarna com naturalidade o papael de cicerone nas visitas guiadas ao lagar da cera e á sua oficina de cereiro, onde ainda tem obra feita conforme as encomendas e as promessas, pois não de fazem só velas, mas partes do corpo com maleitas que por graça form curadas... finalizando invariávelmente na sua adega à volta de um copinho a sair espumando da pipa, o banco que serve para matar o reco serve nesses momentos para poisar a malga das azeitonas e outros mimos...bom contador de histórias num falar belo e singular que já distinguia os naturais de Felgueiras nos meus tempos de estudante, aprendi que ele faz também de ferrador e «veternário», tendo sido educado por um dos mestres ferreiros, seu tio, onde aprendeu a arte como o tiuo Carvalho, especialista em ferramentas de corte (soutoiras,machaos, pedões e gadanhas).
A actividade dos cereeiros ganhou grande importância, pois esta terra foi um grande de centro de fabrico de velas, chegando a abastecer quase todo o norte de Portugal. Actualmente, a indústria das velas continua a desempenhar um papel importante para a gente de Felgueiras.
O antigo lagar comunitário de prensa de vara, onde todos os cereeiros iam fazer a cera, continua situado na margem da Ribeira de Santa Marinha em Felgueiras. Mereceria pela sua importãncia melhores cuidados e manutençâo. De louvar o gesto generoso do Leonel de Brito em facultar o acesso seu trabalho registado numa época onde as sensibilidades eram outras, aos seus conterrâneos vindouros e a todos os interessados.

Anónimo disse...

è uma opurtunidade. Lembro-me bem dessa ida em 1975 e da respectiva gravação. Muito se fala desse lagar de cera, pois o conheço muito bem, nele trabalhei muitas madrugadas, carregando agua da fonte e me lembro do seu abandono total, a principal intervencao nele foi obra de uma Junta de Freguesia daquela epoca, onde o Antonio Julio fazia parte, me lembro muito bem quando ele chegou com a nova trave em cima da sua camionete, que a tinham ido buscar para os lados de Bragança. Ele melhor que ninguem conhece essa historia, pois faz parte dela e talvez queiram ou não é uma figura de Felgueiras que já entrou na sua historia. As obras mais importantes que marcaram Felgueiras, ele estava sempre presente.

Olga de Fátima disse...

Minha mãe foi criada em Felgueiras, apesar de ser gaúcha. Ainda temos a nossa casa em frente à igreja logo assim que se entra em Felgueiras. Meu pai era de Favaios, e numa festa de Sta Eufêmea, conheceu minha mãe porque ele era músico, e se casaram e foram morar na Àfrica e daí nasceram os filhos. Sou Moçambicana, mas naturalizada brasileira desde sempre. Depois de tantos anos que não ia em Portugal, passo quase todos os anos por aí, mas este ano, vou dar atenção pro meu país, que fazem 35 anos que não o vejo, a não ser por foto. Sou filha da Dna Olga da casa da Garreira, e do Sr. Pinto como era conhecido, e irmã da Maria brasileira que mora em Moncorvo, casada com o Urbano. Teve alguém que falou do tio Fachico, se perguntarem pra ele quem sou ele, ele saberá dizer. Um abraços a todos...mas Felgueiras, Torres de Moncorvo etc... vai ficar pra depois.

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