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segunda-feira, 16 de março de 2009

Jornada de apresentação de “A primeira comunhão”, de Júlia Guarda Ribeiro


Como aqui foi anunciado, decorreu, no passado sábado, dia 14 de Março, a apresentação pública, em Torre de Moncorvo, do livro de Júlia Guarda Ribeiro (cá na terra conhecida por Júlia “Biló”, o outro nome literário com que costuma assinar as obras mais referentes à nossa região), intitulado: “Primeira Comunhão”.
Depois de um excelente almoço-convívio num restaurante cá da vila, entre familiares e amigos/as (incluindo alguns “blogueiros”) a sessão de apresentação decorreu na biblioteca municipal, perante numeroso público.
Estiveram na mesa, além da Autora, o Presidente da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, Engº. Aires Ferreira, a Presidente da Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo, Milú Pontes, o Dr. Adélio Amaro (editor), Doutora Graça Abranches (professora universitária e amiga da autora), e Drª. Lucinda Antunes (colega de infância da autora).
O Presidente da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, Engº. Aires Ferreira, gracejando, principiou por referir que estava ali, com o sr. editor, a “servir de jarra”, apenas para cumprir as quotas de presença (masculina, neste caso). Anunciou, de seguida, a reedição dos anteriores livros de Júlia Biló, “Contos ao luar de Agosto” (por já se encontrarem esgotados), e outros passos da política cultural do município para os próximos tempos.
Por sua vez, o editor, Adélio Amaro, replicou que o facto de “servirem de jarra”, significava que estavam rodeados de “lindas flores”, referindo-se às senhoras que estavam na mesa, suscitando a hilaridade e aplauso dos presentes. Fez, de seguida, uma apresentação geral do livro, a qual foi aprofundada por Graça Abranches, contextualizando-o na época em que a “acção” decorre (período do “Estado Novo”, finais dos anos 40), sendo a autora, juntamente com sua mãe, as principais protagonistas, sobrelevando o moralismo eclesial da época, os preconceitos sociais, as mentalidades e o enquadramento político (ditadura). Referiu-se ainda à capacidade “contística” da autora, já patente nos seus livros anteriores, fazendo uma análise intelectual, citando teóricos da literatura (que estudaram a literatura oral e, sobretudo, a arte de “contar” histórias) e da sociedade, mormente no aspecto da estética, como Walter Benjamin.
A Drª. Lucinda Antunes, que foi colega de Júlia Biló, na sua infância e adolescência passada em Torre de Moncorvo, referiu-se a esses tempos de companheirismo, enaltecendo as suas qualidades e recordando algumas peripécias.
Por fim, a autora, agradecendo as palavras dos intervenientes e das pessoas que quiseram estar presentes, explicitou melhor o contexto e a história de vida (pessoal) que foi objecto deste livro, assim como de outros, como os contos recolhidos junto das mulheres da Corredoira, analfabetas, mas carregando toda uma literatura (oral) e histórias de vida fantásticas. Evocou, por exemplo, a história do homem daquele bairro, que gostava de a ouvir ler histórias, e que muito se admirava por aquilo que ela dizia estar contido nos “risquinhos” que eram as linhas e as letras que estavam no livro: “ - A minha alma está de joelhos!”, foi a exclamação do velho homem, que Júlia Biló nunca mais esqueceu. Tendo lido alguns excertos do livro, terminou com uma referência ao nosso blogue e a alguns amigos que através deste espaço conheceu ou reencontrou, como foi o caso de Leonel Brito, Rogério Rodrigues e Daniel de Sousa, moncorvenses que estão longe da sua terra, mas que dela não se esquecem. Do Dr. Daniel de Sousa, médico cirurgião algures na região de Lisboa, leu a bela mensagem que fez questão de enviar e dois poemas, da sua colectânea “Café Il Greco”; de Rogério Rodrigues, jornalista e escritor, leu um poema intitulado “Femina, Femina”, dedicado à Mulher.
Houve, a encerrar, uma concorrida sessão de autógrafos e um Porto de Honra, servido no ambiente aprazível dos jardins da biblioteca, em ambiente de convívio e descontracção até ao fim da tarde.

Sobre a autora e o livro “Primeira Comunhão”, ver:
http://livros.paravenda.net/produtos/932-j%C3%BAlia_guarda_ribeiro_primeira_comunh%C3%A3o.aspx

Texto: N. Campos
Fotografias: Xo_oX

8 comentários:

Wanda disse...

Olá.
As fotos e o comentário me trouxeram um pouco de alento por não ter estado presente na apresentação do livro "Primeira Comunhão".
Estou super curiosa e desejosa de ler o livro, espero que em breve o tenha nas mãos.
No pouco que li sobre a história contada no livro , nota-se que há um repúdio em relação aos dogmas da igreja católica e do preconceito que ela tem em relação á mulher.
Não sei se ai chegou ao noticiário, que aqui no Brasil, uma menina de nove anos ficou grávida de gêmeos em virtude de um estupro cometido por seu padrasto.(noticia do inicio de março deste ano)
A lei brasileira nesse caso permite o aborto, pois a menina corria risco de morrer se tivesse que dar á luz, pois seu corpo franzino não suportaria..Depois de submetida ao aborto , a menina e os médicos que praticaram o ato, foram excomungados por um padre .Disse ele que o aborto não é permitido pela igreja em hipótese alguma.Pasmem: ele excomungou a menina, a mãe dela e os médicos, e não disse uma só palavra de condenação ao padrasto!No último dia 8, dia da mulher, foram feitas várias passeatas de desagravo ao padre e as idéias inquisidoras da igreja.
Como vês Julia, o teu livro conta com uma história que se repete nos dias de hoje.
Como disse Pablo Neruda:
"Escrever é fácil.Você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final.No meio coloca-se idéias"
As idéias, para se colocarem no papel é que se precisa de coragem, audácia, inteligência, intrepidez, bravura e sagacidade.Tudo o que demonstras ter de sobra.
Parabéns.
Abraço
Wanda
São Paulo,16 de março de 2009

Júlia Ribeiro disse...

Obrigada a todos quantos estiveram no auditório da Biblioteca de Moncorvo no passado dia 14, muito especialmente aos amigos Lucinda e Lelo - que não via há mais de 50 anos - e a todos os amigos e amigas que ainda conviveram com minha mãe e, apesar das dificuldades que a sua idade acarreta, estiveram lá para a recordarmos juntos. A todos o meu bem haja.
Agradecida estou também ao Daniel e ao Rogério pelos seus belíssimos poemas que proporcionaram momentos de encantamento e emocionaram os
participantes; agradecida ainda aos blogueiros,como o Nelson e o Aníbal, que foram esteio fortíssimo neste encontro.
Por último , mas não menos sentido, o meu agradecimento ao Sr. Presidente da Câmara pelo apoio concedido e, claro que não podia esquecer o trabalho da Dra. Helena Pontes, Directora da Biblioteca, na organização deste pequeno evento.

E onde ficou o H. E. Júnior?

Wanda, caríssima Amiga:
Agradeço as suas palavras tão gentis, mas olhe que se trata apenas de um conto, uma pequena estória de vida, sem outras pretensões que não sejam as de recordar minha mãe que, na sua vida ignorada e sofrida, foi uma grande mulher.
Vou deixar-lhe aqui um dos meus endereços electrónicos para a Wanda entrar em contacto comigo e dar-me o seu endereço postal. Então poderei enviar-lhe alguns livrinhos, OK?
julia.ribeiro@gmail.com

Para todos um abraço imenso da
Júlia


PS - Creio que todos os portugueses ouviram e leram sobre o caso da menina de 9 anos, violada pelo padrasto e grávida. E todos se indignaram com a posição daquele bispo asqueroso que, representando o mais execrável obscurantismo da igreja católica, (que pensávamos já não fosse possível existir no séc. XXI), se atreveu a excomungar uma criança e o pessoal médico que dela cuidou. Contra o padrasto, nem uma palavra... Hediondo! Arrepiante!

jose albergaria disse...

Caríssima Júlia Ribeiro/Biló,

Quero "aproveitar-me" deste espaço para lhe agradecer o empenho delicado, que teve, ao enviar-me os seus magnificos quatro livros:

1/Li a primeira comunhão e...chorei;
2/Li os 3 reis magos...e comovi-me;
3/Li as narrativas das mulheres da Marinha Grande...e reflecti.

Ainda não tive coragem de começar a ler o SEU "in memoriam" que dedicou ao Dr. Guarda Ribeiro, seu marido.
Conheci-o mal, por interpostas pessoas. Sobretudo dirigentes sindicais vidreiros e da indústria de plásticos: o Valente, o Dionisio, dos vidreiros;o Barreto, o Pratas dos plásticos.
Era um homem bom, honrado e competente.Considerado e respeitado no meio operário da Marinha Grande e de Leiria.
Quanto à minha cara "amiga" (sim, porque os escritores são nossos amigos)dizer-lhe: gosto muito de a ler e teria gostado de ter estado em Moncorvo, terra com a qual se apaziguou,para lhe dar um abraço de parabéns.
Soube do evento pelo Rogério, nosso comum amigo, meu fraterno companheiro de algumas jornadas. Vou sabendo de si...neste muito interessante blog e pelo RR.
Felicitações e um enorme abraço,do seu leitor e admirador,
José Albergaria

Anónimo disse...

Estive lá, atão num me viu?
Gostei dos poemas do RR e do Daniel. Grandes poetas! POETAS com letra grande.
Os seus contos ? É sempre um regalo ler os contos da nossa Julinha Biló.
Nestas ocasiões até dá gosto ser Moncorvense, catantcho!!

+ 1 HEJ

Anónimo disse...

Querida Júlia,

Foi um grande dia! …
Que bom ver-te e apreciar os teus talentos!
Não pares, continua a encantar-nos….
Um abração
Maria Lucinda

Anónimo disse...

Julinha, não pôde estar presente no Sábado, por doença da minha mãe. Está já muito velhinha. Mas o meu filho mostrou-me as fotografias na Descoberta de Moncorvo e fiquei feliz por tudo ter corrido bem. Deus a abençoe.
A sua mãe, lá onde estiver, também está muito feliz com a sua Julinha.

Beijinhos da Lieta

Anónimo disse...

Julinha: Nao fui à biblioteca no sábado passado. Tive cá parentes que vieram ver a flor da amendoeira. Mas já tenho o conto . É tão lindo. Nem seria de esperar outra coisa. Volte a Moncorvo, que há ainda muitos contos por contar: na Qerdoira e no Cabo, no Montezinho e no Prado e até no Carrascal. Julga que não? Exprimente passar cá um mês.

Receba um beijinho
Maria de Lurdes

Anónimo disse...

Querida Júlia
Tivémos um dia óptimo e gostei imenso de ver a minha amiga rodeada de tantos amigos
e a receber elogios de todos. Elogios, aliás bem merecidos.
Foi mesmo muito bom, acredita.

Um beijo.
Maria Olímpia

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