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sábado, 21 de março de 2009

Jardim da Primavera

21 de Março, para além de Dia da Árvore, é também o Dia Mundial da Poesia.
Assim sendo, aqui fica um poema a assinalar e a festejar a data:
JARDIM DA PRIMAVERA
Arábigo jardim
de socalcos suspensos
que amendoeiras florescem
laranjeiras perfumam
e romãzeiras espalham
de preciosos rubis
e onde pomos diversos
de várias árvores são versos:
cerejeira, ameixoeira,
pereira, macieira,
figueira, nespereira,
oliveira, amoreira,
entre outras cantam
seus hinos à terra.
Da terra e das paredes
de xisto antigo
brotam flores
de cores silvestres:
vermelho-papoila,
branco, lilazes,
do verde se desprendem
num festival de aromas.

Insectos zumbindo
são violinos,
pássaros trinando
serão clarinetes;
o resto da orquestra
que a imagine o poeta,
que está cheio de acordes
o Jardim da Primavera.

Tragam alaúdes,
almofadas e versos,
tragam odaliscas,
néctares, essências,
e vinde cantar o Amor
no Perfumado Jardim!...

Poema e fotos de Henrique de Campos

20 comentários:

Júlia Ribeiro disse...

Este fantástico Henrique Campos cada vez nos espanta mais !!!
Só me resta pedir-lhe : MAIS POEMAS, MAIS POEMAS !

Um grande abraço
Júlia

Anónimo disse...

Viva, Drª.Júlia! - É escusado pedir mais, porque este meu primo (de que sou o crítico implacável) é preguiçoso inveterado... tem muita coisa na gaveta, que não abre; é bicho esquivo e o que às vezes dele ou postando são coisas que me deixa na caixa de correio, furtivamente, à guisa de Sebastião Alba...
As fotos que me deixou, inclusive, foram sem legenda; todavia sei que as tirou algures cá na vila, numa cortinha qualquer. Ah, pediu-me apenas para dedicar a segunda delas à Wanda, por se tratar de uma papoila (esta sim, uma papoila, apenas mui infimamente opiácea...)
n.

Anónimo disse...

A cortinha é a da Guarda! Tem o "rabo" do cineteatro de fora.Este Henrique ,não é o filho da Júlia e do Abílio A. de Campos M.?
Entendeu?
Nota. não assino este mini texto ,pois já andam outros a utilizar o meu bom nome.
Júlia, não estive na apresentação do seu livro ,nem o levantei ,logicamente ,no quartel. Comprei-o ,via net .Grande pequeno livro .Para si ,um grande abraço .
E venham mais cinco livros!

Anónimo disse...

Um dia , quem sabe, espero ver o Sr. Henrique de Campos a apresentar o seu livro de poemas e ternuras numa tertúlia, onde a única condição é a que respeita à ausência do seu primo Nelson Campos.
Parabéns! Escreva, divulgue e encante-nos porque, na verdade, como alguém com autoridade o disse "Nem só de pão vive o Homem,...".
Teresa L. Fernandes

Wanda disse...

Olá!n.
Diga a Henrique que gradeço a papoila !
Os poetas são assim mesmo,admiradores do belo(natureza)e timidos ou modestos.
O sentimento em relação ao objeto da poesia é tão íntimo que parece que lhe foi arracando d'alma.Por isso acham que estão expondo-se demais, o que muitas vezes priva-nos de apreciarmos boa literatura.
Lindas flores, belo poema.
Desejo que sejam preservadas, pois a natureza nessa região é privilegiada!
Boa semana a todos do blog
Abraço
Wanda
São Paulo,22 de março de 2009

Júlia Ribeiro disse...

Amigo Horácio Espalha Júnior, então andam outros a utilizar o seu bom nome? Não permita. É crime de "lesa-personalidade".

E esta? Não foi à biblioteca no dia 14? Nem foi levantar o livrinho que tem dedicatória e tudo. Isso também é crime : de "lesa-amizade".
Espero que apareça, pelo menos, na cortinha da Guarda, lá para Setembro ...

Nessa altura, temos de agarrar os nossos poetas todos e não os largamos enquanto não publicarem um livro conjunto dos seus poemas. E que espanto de livro vai ser !! Que achais da ideia? Pode ser muita coisa ( brilhante , louca, fantástica, inesperada, formidável, imprevista, estupenda, gostosa -como diria a Wanda- ), mas olhai que não é maluca nem irrealizável. Vamos pensar nisso, OK?

Boa semana
Júlia

Anónimo disse...

Olá Teresa e Wanda!
transmitirei os vossos recados ao Henrique (ele não usa internet, nem computadores; às vezes chega a escrever com uma pena, molhando-a num tinteiro, à maneira antiga, pois diz que assim se inspira melhor - maluquices de poetas!). Quanto ao H.E.jr (não precisa de assinar que a gente conhece-lhe já o estilo e sabe distingui-lo de imitadores), pois o dito não é filho de quem diz, não. A coincidência de apelidos com o Abílio Adriano, é mesmo só coincidência. Ah, e o livro lá está à espera, no dito quartel (se já o comprou, ficará com dois, pois a Drª Júlia agora não aceita a devolução, até porque presumimos que esteja autografado - faça o favor de o ir buscar).
Ah, e a "cortinha" é mesmo essa! Já agora, porque o autor não legendou as flores, aqui ficam:
- A primeira é flor de "macieira", de uma variedade de tipo "malápio", acho eu;
- A segunda, vermelha, é a famosa papoila (a que foi dedicada à Wanda);
- A terceira, creio que lhe chamam as "Andorinhas", talvez porque surgem aquando das andorinhas, pois de resto não se ajusta, visto que nas andorinhas predomina a cor negra e esta flor é branca; só se for por nascer nas paredes, tal como as andorinhas nidificam também nas paredes, sob os beirais;
- Glicínias, uma trepadeira ao que sabemos originária do Oriente, embora surja aqui por toda a região; é a única que é mais ou menos exótica, pois todas as anteriores são autóctones;
- Jardim com Madressilva em 1º. plano (a foto é do ano anterior, pois só floresce por alturas de Maio-Junho); há uma variedade de madressilva originária do Japão; no entanto esta parece que é europeia; existe em estado selvagem na região, crescendo entre as silvas (talvez daí o nome), como ainda as vimos, não há muito tempo (ano passado), em Urros, junto de um caminho antigo, e à berma da Ecopista (pouco antes do pontão da Quinta de Água.
Fica a informação, para além dos versos "campesinos" (ou "campestres"?)
abraço,
N.

Anónimo disse...

Antologia dos poetas da minha terra :MONCORVO!
Bravo Júlia!
Minha J.B. perferida.

Xo_oX disse...

Realmente este Jardim da Primavera tem tudo, mas que me desculpe o poeta porque se esqueceu de um ingrediente, é o silêncio. É que só no silêncio se ouvem as aves, se vêm as cores, se sentem os aromas.
O silêncio amplia os sentidos e apetece levantar voo a cada socalco.

Anónimo disse...

Esperemos então essa Antologia!
Começando talvez pela quadra que, diz a tradição, cantavam no regresso os estudantes de Torre de Moncorvo que no séc. XVII e XVIII iam estudar para Coimbra e Salamanca (ah pois, se calhar iam até mais para Salamanca do que para Coimbra, sabiam?):
"Torre velha de Moncorvo
Torre velha de meus ais,
das Saudades que me deste
não me quero lembrar mais"...
Talvez se encontrem coisas anteriores a Campos Monteiro; depois, este é incontornável; e na fase pós-monteiriana, há algumas coisas dispersas no jornal "A Torre", sobretudo os sonetos de Cândida Ribeiro e por aí afora, até à actualidade. É capaz de se arranjar um bom manhuço de versos, sobretudo se incluirmos também os nossos poetas populares mais recentes (pois dos antigos infelizmente não ficou registo): Carmelina Fernandes ("Majora"), José Manuel Remondes, Bento Morgado e Joaquim Fernandes (ou "dos Chibos") - estes últimos com um livro no prelo, a editar pelo município.
Sobre a apreciação e XooX ao poema do "post", pois eu acho que o silêncio aí se intui, como pano de fundo bucólico que suporta as palavras e as imagens; e apenas se pressente nos interstícios do chilrear dos pássaros e do zumbido das abelhas nas flores. Na realidade, este pequeno Éden, recortado entre o urbanismo antigo e mais recente cá da vila, prolongando de certa maneira o jardim público, mas dele separado por um alto muro e uma cortina de pereiras e laranjeiras, ladeado de hortas ancestrais (as hortas de Santiago), é o que resta de uma cintura verde que rodeava a vila da Torre de Moncorvo no período barroco. Forma, de facto, uma concha acústica, isolada dos ruídos da modernidade, como convém a um templo das Musas.
Se "museu", na sua origem, significava "templo das musas", havia que fazer jus ao conceito, pelo que, no mais recôndito do dito Éden, se construíu um auditório que é uma espécie de "Petit Trianon" de madeira e vidro, de forma semi-circular, evocando a forma dos anfiteatros gregos. Para se aceder a este espaço, há um caminho de escadas como as que desciam pelo centro das pirâmides de degraus dos templos Maias, sendo que estes degraus, neste caso, são socalcos que evocam o Património Mundial duriense (todavia também muito antigos). São os tais socalcos de que apetece levantar voo, diz o XooX. - Eis a "cortinha da Guarda", cenário inspirador dos versos "campesinos".
N.

Anónimo disse...

1º passo:
Júlia, Rogério e Nelson coordenem a antologia de poesia da nossa terra.
2º:
Aníbal, Jorge e Leonel espalhem por lá umas fotos.
E todos juntos, EDITAMOS.
Bale?

Anónimo disse...

Antologia !

Com a devida licença, permita-me esta achega ao referir 3 poetas populares felgarenses, sem obra editada, mas alguma publicada ou pelo menos recolhida ou registada :

Brigida de Jesus Ferreira Janeiro, falecida em 1974,

Francisco Manuel Noga, falecido em 1956 e

Francisco Ant. Ferreira,falecido em 1937.

Também são filhos de Deus e pela qualidade dos seus escritos é justo mencioná-los aqui.

Pucareiro.

Anónimo disse...

Amigo Pucareiro,
Aqui e agora, o blog é a montra para divulgar os poetas populares do Felgar.
A qualidade dos seus textos, o rigor na defesa do Felgar ,são selos de qualidade que avalizam a publicação.
Obrigado.

Júlia Ribeiro disse...

O caríssimo blogueiro Anónimo que aqui escreveu (sobre a futura Antologia de Poesia de poetas nossos) :
1º passo : " Júlia, Rogério e Nelson coordenem a Antologia de poesia da nossa terra", deveria ter escrito: " Daniel , Rogério e Nelson " , pois são eles os verdadeiros poetas moncorvenses da nossa época. (Ia dizer da nossa geração, mas são os três muito mais novos do que eu). Amigo, eu sou apenas uma contadora de estórias...
Mas proponho-me fazer a revisão das provas da Antologia.

Abração
Júlia

Anónimo disse...

Caro anónimo.
Dos 3 poetas referidos vou referir somente a 1ª, obedecendo ao brocardo de que as Sras. são sempre as primeiras.

Assim, por generosa oferta da m/ tia avó tenho na minha posse, há muitos anos, um pequeno caderno manuscrito da autoria de Brigida Janeiro e intitulado : Livro de versos, que até gostaria de aqui postar e partilhar com os demais blogueiros mas, helás, o m/ conhecimento das tecnologias dos computadores ainda anda pela idade da pedra e não sou capaz de postar fotos ou textos para este blog.

Resta-me o fraco remedeio ou consolo de escrevinhar algo sobre o dito e sobre a poetisa B.J.

Escrito todo ele em verso, à excepção de um texto sobre " A Pascoa na minha terra " de Abril de 1939, passo a apresentá-lo :

Além de vários temas em verso aí abordados desde 1913 em diante, posso destacar o " Meu Portugal" rsepigando um pequeno verso :
Portugal,meu Portugal
Jardim belo e florido
Ditosa e faliz sou eu
Por no teu seio ter nascido.

- ou a "Guerra europeia" escrito em 27/02/1915, e do qual extrato :
A Europa quasi inteira
anda metida na guerra,
tanta morte já tem feito
Que a todos nos aterra.

- ou o ao " meu cunhado Júlio expedicionário na guerra em Africa "de 20/07/1917, por ex.
Longe de uma esposa amada
Longe da terra que te viu nascer,
Vives ó Júlio qual desterrado
Óh como é triste esse viver!

- ou o poema "Sidonio Paes barbaramente assassinado ", de 22/12/1918, onde respigamos :
Está de lucto a Nação
pela morte do Sidonio
Quem o matou foi um ladrão
um escravo do demonio.

- ou o poema "Adeus Braga " de 26/05/1926,com :
Saudades do belo tempo
que eu em Braga passei !
Esse tempo tão ditoso
jamais o olvidarei!

- ou o "Triste vida " :
Vivo no mundo sózinha
já não tenho pai nem mãe,
nem carinhos, nem familia
vivo triste e sem ninguém.

Mais alguns temas são abordados pela B.J. neste caderno por si manuscrito ao longo da vida. Ainda conheci esta senhora e dela guardo grata recordação. Morreu sózinha e solteira. Era tia do embaixador F. Reino.

Pucareiro.

Anónimo disse...

Há posts que vão ficando cá para trás, e depois deixamos de ter a tendência de recuar muito para vasculhar os comentários q entretanto surgem sobre os mesmos, como foi agora o caso.

Então sobre a recolha antológica de Poesia (poetas ou poesia que tenham a ver com Moncorvo), e já que fui mencionado, sempre direi que não me importo de dar o modesto contributo q estiver ao meu alcance, apesar do tempo disponível para o quer que seja ser cada vez mais escasso. Mas acho que esse contributo deve vir de toda a gente que tenha conhecimento de livros/autores/poesias incidindo sobre a região e não ficar apenas sobre os ombros de duas ou três pessoas. Do ponto de vista institucional, julgo até que poderia ser a Biblioteca Municipal a coordenar a recepção dos contributos e proceder à selecção/triagem, de colaboração com os nomes dos poetas/escritores apontados (sim, a Drª Júlia escusa de se pôr de fora!) excepto o meu, que não sou poeta (apenas gosto de ler poesia, e, desta, só a que me agrada); o modesto contributo que eu possa dar (indicando este ou aquele autor/poema) não precisa sequer de ser mencionado, já que a ideia é que a obra seja colectiva. Que o sejam apenas os colaboradores, em que, repito, se deve incluir, obviamente, a bibliotecária municipal e/ou alguém da Escola de Moncorvo. Talvez fosse ainda boa ideia incluir um poeta de reconhecido mérito e projecção, com obra publicada, e de preferência transmontano (e se tiver ligações a Moncorvo, talvez ainda melhor): que tal A. M. Pires Cabral?
n.

Júlia Ribeiro disse...

Concordo com todas as ideias que o Nelson aqui expõe e , se ele não quer aparecer como poeta, tem de convencer o seu primo Henrique Campos e mais outro parente , acho que Elmano Saborino de sua graça, a aparecerem , com poemas, naturalmente. Eu só me ponho de fora, enquanto poeta, mas estarei à disposição para as outras tarefas da feitura de uma Antologia Poética dos nossos bons poetas. Pires Cabral, sim senhor. Muito bem. Vamos procurando, que iremos encontrando...

Abraço
Júlia

Anónimo disse...

“...vivo triste e sem ninguém”.
Foi assim no seu tempo Dona Brígida Janeiro. Hoje ,os filhos da terra reconhecem-lhe os méritos. Querem que se sente na sua cadeira , vazia, da Poesia Popular de Trás os Montes.
E não está só, também estão consigo Francisco Manuel Noga, e Francisco Ant. Ferreira.
Amigo Pucareiro, organize a antologia ,que eu trato da edição. Se aceitar o desafio, no comentário seguinte ,digo quem sou.
Um pucareiro por opção

Anónimo disse...

Grão a grão enche-se a antologia de poemas. A responsabilidade institucional da Biblioteca é uma ideia acertada e convergente .O blog pode abrir uma pasta (etiqueta) com o titulo :ANTOLOGIA. Serve para recepcionar os poemas que sejam enviados via net. Que ninguém fique de fora, por modéstia ,por excesso de trabalho...Temos que passar das palavras à acção. Lançamento em Setembro, na cortinha da guarda ,a abrir ...
Compreende?

Anónimo disse...

Desafio.

Bom,tudo o que culturalmente diga respeito à minha aldeia faz com que eu queira alinhar e procuro dar sempre o meu modesto contributo.

O meu problema, e o de tantos, é muitas vezes, a falta de tempo.

Daí que possa surgir alguma relutância inicial da minha pessoa em assumir compromissos que depois me podem tirar muito tempo.

De qualquer forma nunca fiz caixinha e disponibilizo os meus canhenhos para que alguèm com mais saber faça uma antologia dos poetas populares. Quanto aos poetas felgarenses forneço, de boa mente, os elementos que possuo. Venha a pessoa, com mais capacidades que eu, que os queira organizar que eu lhe entregarei o que sobre poetas populares tenho.

( Ainda ontem ao vasculhar pela minha arca dos antigamentes fui dar com mais um poeta popular felgarense, já falecido, e que me ofertou uns versos da sua autoria sobre a sua vida até á ida para a tropa, em 1942-44, para os Açores a defender esta ilha do papão da invasão pelos boches, e onde ele os escreveu.)

É que eu, sabe, tenho ainda outro problema : não sou nada amante da poesia e de poesia tenho só uns 4 a5 livros, não mais e só me recordo de ter comprado um livro de poesia, o do António Aleixo, grande poeta popular por sinal.
De qualquer forma, se um dia conversarmos, as agulhas sempre se acertarão, pelo menos,eu disponibilizo as poesias que tiver.

Desafio mais aliciante seria, tal como in illo tempore chegou-se a falar com o N., editar-se uma revista local - algo da especie da Brigantia, da Aquae flaviae, da Adufe... - e publicitar-se aí os poetas populares e demais memórias das nossas terras e até o arquivo documental da vila.
Director já temos : o N. e colaboradores, face á qualidade dos demais blogueiros, não haviam de faltar, nem que fosse para dar algum contributo monetário ou logistico.


Pucareiro.

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