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sexta-feira, 6 de março de 2009

Tecedeira de Urros , Fevereiro de 74


tece o tear a trama do tecido
da manta do manto do teu pranto
tecido e véu de bruma
névoa e encanto bate e lança
a lançadeira e tece e retece
a dor que arrefece
lento e vazio por fim
acontece
nos teus dedos tece a dor que não esquece
vai e vem numa noite sem fim
fuso e pente do teu tear
farrapo e dança
vai e vem
aquece o meu sonho
durmo no teu peito
tecedeira
mãe
Daniel

14 comentários:

Leonel Brito disse...

Daniel,
Não resisti .Achei que o seu belo poema merecia maior destaque. Se errei ,peço desculpa.

Para os blogueiros desatentos ou iniciados, o Daniel de Sousa é um moncorvense muito ligado à sua terra ,com família oriunda de Urros ,nascido numa casa “mesmo junto ao castelo”, médico e poeta.
Mas ,para conhecer melhor o Daniel ,proponho que leiam os seus oportunos comentários aos vários posts do nosso blogue.

Júlia Ribeiro disse...

Excelente decisão, Lelo. O poema do Daniel merecia o destaque qe agora lhe foi dado.
Eu queria dizer o quanto o poema me comoveu,as emoções que em mim despertou ... Mas as palavras faltam-me e fico muda.
Apetece-me dizer, como um dia um velhote da Corredoura exclamou após eu lhes ter lido o "Amor de Perdição": "Julinha, tudo o que tu disseste está nesses risquinhos?" Respondi que sim. "A minha alma está ajoelhada", foi a extraordinária resposta dele.
Perante algumas poesias, como esta do Daniel, a minha alma também se ajoelha.

Abração
Júlia

Anónimo disse...

A minha também, meus caros amigos, a minha também, amiga Júlia!.... este poema é uma oração. Obrigado, Daniel. Mas a fotografia que o acompanha, essa, então, é um monumento!!!! mais uma proposta de exposição a quem de direito: actividades artesanais extintas/ou em vias de extinção! Presumo que a foto seja do Leonel, que, por modéstia não a assinou... (e ainda nos quer deixar??? - deixe-se disso!! - nem pensar!!!) Poema e Foto fundem-se, e aí está bem representada a alma de um Povo antigo, a dançar connosco uma canção de roda, como cantaria o Pedro Barroso.....
simplesmente Obrigado, Amigos.

Anónimo disse...

Agradeço profundamente os vossos comentários, que muito me emocionam, mas remeto-os como homenagem , minha e vossa, a todas as mulheres da nossa região , cuja grande dignidade, capacidade de sofrimento , dedicação , ternura e inteligência as fazem heroínas de uma saga transmontana que está ainda por contar.
As suas mãos acariciaram o rosto dos seus filhos mas também muitas vezes lhes proporcionaram o pão .
Por isso mais não faço do que com justiça lhes celebrar a grandeza .
Daniel

Wanda disse...

Olá!
Daniel, lindos versos e linda homenagem ás mulheres, já que amanhã se comemora o Dia Internacional da Mulher.
Não seria necessário ter uma data especifica, pois não há ser humano na terra que não concorde que a mulher é o esteio da família, e não por menos que todo ser humano tem na mãe o seu maior ente querido.
Voltando ao tear: Aqui no Brasil ele está sendo ressuscitado. Continua a ser passado de mãe para filha a arte da tecelagem artesanal, sendo que em algumas vilas é o principal meio de sobrevivência.Isso é devido a Organizações não Governamentais que propiciam a permanência de mulheres a sua terra de origem, pois muitas abandonavam a zona rural para aventurar-se em empregos menos dignos em grandes cidades do Brasil e do exterior, em busca de sobrevivência.
No estado de Minas Gerais no Vale do Gequetinhonha(quero ver vocês falarem sem tropeçar...riso.),existe todo tipo de artesanato ,além dos feitos em teares, que aproveitam a palha do milho e a vegetação sem danificar o meio ambiente.
Voltando aos versos:senti nele muita tristeza tua pela dor da tecedeira, o que permitiu que fizesses esta homenagem como forma de aliviar essa tristeza que sentes ao lembrar da tristeza da tecelã.Muita sensibilidade!
Como diz a Julia, a minha alma também se ajoelha.

Abraço a todos do blog.
Wanda
São Paulo, 7 de março de 2009

Anónimo disse...

Subscrevo tudo quanto se disse! o poema é notável e o Leonel fez bem em retirá-lo da caixinha dos comentários laterais. Já sugeri que o Daniel tivesse "canal aberto" para postar aqui os seus magníficos textos/poemas que a sua sensibilildade lhe dita (assunto para a "assembleia de colaboradores").
n.

Júlia Ribeiro disse...

Carísssimo Daniel:

Com tantos amigos a desejarem vê-lo, revê-lo e abraçá-lo, por favor, faça o que estiver na sua mão e apareça no dia 14 em Moncorvo. Sei que deve ser quase impossível, mas seria muito bom.

Há posta mirandesa (e outros manjares) no Lagar e eu vou mandar marcar mais um lugar para si. Diga-me só: é mais uma cadeira ou mais duas?
Se me permitir, e a encerrar a breve sessão, gostaria de ler um poema seu. (Também será lido um do Rogério que não recusou.)

Um abraço ,
Júlia

Anónimo disse...

Cara Amiga Júlia
Na verdade não me vai ser possível de todo estar presente por ter nesse dia um compromisso familiar inamovível na outra ponta do país. Mas vou tentar associar-me a vós com uma pequena mensagem e um poema que na 2ª feira vou enviar pelo correio ao cuidado do Nelson para a morada do Museu do Ferro.
Com um abraço
Daniel

Anónimo disse...

Olá Wanda !
Obrigado pelas suas belas palavras. Na realidade não sei porque é que escrevo poesia. Acontece-me. Gosto de escrever, tenho como que uma pulsão da escrita, mas gosto de ver o que não é visível ou talvez ver de uma outra forma aquilo que é visível e sempre esteve lá para ser visto.A minha vida profissional não é aparentemente muito propensa a isso - sou cirurgião oncológico e lido com situações críticas que exigem uma objectividade imediata. Mas também é certo que me permitiu ao longo destes anos cultivar a dimensão humanista do meu trabalho. Talvez por isso . Obrigado e bemvinda a este espaço de partilha!
Daniel

Anónimo disse...

Tecnica H.E.j..
Venha o poema

Anónimo disse...

—¡Ay, señor! —dijo la sobrina—, bien los puede vuestra merced mandar quemar como a los demás, porque no sería mucho que, habiendo sanado mi señor tío de la enfermedad caballeresca, leyendo estos se le antojase de hacerse pastor y andarse por los bosques y prados cantando y tañendo, y, lo que sería peor, hacerse poeta, que según dicen es enfermedad incurable y pegadiza

Wanda disse...

Olá, Daniel(já deixando o título de lado como combinamos).
Acredito que o Criador o escolheu para cuidar do corpo e da alma das pessoas.
Dotou-o de inteligência para lutar com a morte e de sensibilidade para enfeitar a vida.
Os seus dons não são antagônicos, muito pelo contrário,quem não sentiria vontade de se manifestar filosoficamente sobre a vida, tendo muitas vezes que ser responsável por ela?
Penso que todos do blog gostaríamos de ver mais poemas teus, principalmente sobre as terras transmontanas, não nos prive dessa oportunidade.
Angel citou um trecho de D.Quixote terminando com a frase :"Ser poeta é uma doença incurável e contagiosa".
Também vou deixar uma citação do poeta e escritor Mario Quintana.
"Um poeta sofre três vezes: primeiro quando ele os sente, depois quando ele os escreve e, por último, quando declamam os seus versos"
Sei que não vai estar presente na leitura de seus poemas,portanto vais sofrer um bocadinho menos...(riso)
Agradeço os votos de boas vindas!
Um abraço!
Wanda
São Paulo 8 de março de 2009

Anónimo disse...

Hola Wanda.No era yo,(Angel),el del mensaje anterior,pero he observado que casi todas las personas que pasan por esta página,(Leonel,Nelson,Daniel,H.E.J.,el hombre de la mascara de hierro,etc.etc.) son muy versados en el Quijote,lo que me llena de alegría.No he encontrado nunca mala gente entre ellos,quizás un punto de hermosa locura.
A veces no sabes si esta te lleva a la poesía,o viceversa.
De todas maneras,"el año que suele ser rico en poesía, suele ser también de hambre".Nuestro sabio loco con lúcidos intervalos era verdaderamente un "Genio".
El que le quemen un libro a alguién, en una seleción así ,es un lujo.Por tanto.....
Pues la del Salmantino -respondió el cura-, acompañe y acreciente el número de los condenados al corral,
.....
Un abrazo.Angel

Wanda disse...

Perdoname Ángel, no había reparado que el comentario vino sin la firma.
¡Soy admiradora del personage de Cervantes, así como los otros del blog también estoy siempre a citar D.Quijote !
Creo que todo nosotros somos un pequeño Dom Quixote: ciertas ilusiones son más fuertes que la realidad.
¡Visité ya su blog, muy interesante!
¡Saludos desde el Brasil!
Wanda
São paulo, 9 de março de 2009

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