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quinta-feira, 26 de março de 2009

Linha do Sabor

A linha do Sabor nos anos 80 era a única que ainda tinha máquinas a vapor. A chegada do protagonista do filme Manhã Submersa à estação do Fundão foi filmada no Larinho, por indicação de Leonel Brito, director de produção. A realização é de Lauro António e a direcção de fotografia de Elso Roque. Intérpretes: Eunice Muñoz, Virgílio Ferreira, Jacinto Ramos, Canto e Castro, Joaquim Manuel Dias, Adelaide João.
SINOPSE: Adaptação do romance de Virgílo Ferreira, Manhã Submersa descreve o despertar para a vida de uma criança, passado entre a austeridade da casa senhorial de D. Estefânia (uma fabulosa Eunice Muñoz), a neve, a sensualidade da sua aldeia natal (Linhares, na Serra da Estrela) e o silêncio das paredes do seminário.
Uma obra poderosa, oscilando entre a luz e as sombras, por entre as quais um jovem de doze anos parte à descoberta de si próprio e do mundo que o rodeia: a repressão na educação, a pobreza da sua terra, as desigualdades sociais, o desejo do seu corpo em formação, a amizade e o amor.
A linha do Sabor num texto de Rentes de Carvalho, no romance A Amante Holandesa:

'O correio vem daqui a nada no comboio do Pocinho, aselha! Cruza com este no Felgar. Pensavas que vinha de cima? Então para que lado fica o Porto? Onde é que é Lisboa?’
'E as cartas de Bragança? Ou as de Miranda? Como é que cá chegam?', retorqui eu, contente de ter um argumento imbatível.
'Vai tudo para baixo. Para o Pocinho. Lá fazem outra vez os sacos e o correio que é para cá volta para trás.'
Achei confuso, mas porque tínhamos começado a comer, desinteressei-me. E afinal podia bem ser que ele tivesse razão, doutro modo não teria dito que tínhamos de esperar.
O comboio do Pocinho anunciou-se com um silvo que nos fez levantar da sombra onde estávamos sentados. Mas vi­nha longe ainda. Desapareceu um instante atrás dum outeiro, reapareceu num fundo, dando a impressão que ia em sentido contrário e, quando finalmente surgiu no princípio da recta, vimos que começava a perder velocidade na subida.


Fotogramas extraídos do filme Manhã Submersa

Nota: Sobre Rentes de Carvalho há muitos textos de qualidade do Nelson no blogue.


Fotografias da Linha do Sabor

15 comentários:

LOPES disse...

Recordações do pouca terra entre Pocinho e Duas Igrejas.
Conheci perfeitamente e desci várias vezes no apeadeiro de MOZ, nostalgia.
Tempos são tempos vão.

Xo_oX disse...

Nos primeiros anos da década de 80 andava eu nas primeiras viagens pelo Planalto Mirandês (À Descoberta?!). Sempre acalentei a vontade de viajar no comboio da linha do Sabor, nem que para isso eu tivesse que pedir boleia e viajar no comboio de mercadorias. Não o cheguei a fazer, com muita pena minha. Nunca viajei na linha do Sabor. Ainda mantenho a ideia de percorrer a linha (a pé). Visito com regularidade as estações de Sendim e Miranda do Douro, assistindo com pena à sua morte gradual. Recentemente estive nas estações de Freixo, de Carviçais e do Felgar. Tento registar o que ainda é possível (antes que caia ou roubem!).
Há conjuntos de boas fotografias que podemos admirar. Algumas delas têm sido publicadas no Fórum de Carviçais. Também no Núcleo Museológico da Fotografia do Douro Superior podem ser vistas fotografias antigas sobre a linha do Sabor.

Ligações:
- Forum de Carviçais (não sei se os visitantes têm acesso).
- Núcleo Museológico da Fotografia do Douro Superior

Anónimo disse...

A linha do Sabor, ou pelo menos o seu troço do Pocinho a Moncorvo, tem para mim um significado profundo.
Era o culminar de uma viagem que começava de manhã muito cedo em Lisboa e acabava , já no entardecer, na estação de Moncorvo , em pleno Verão. Depois de muita paisagem , muito Douro e algumas fagulhas pelos olhos arregalados de deslumbramento.
A subida da serra a partir do Pocinho era como que o purgatório para o deleite de umas férias de liberdade , de espaços imensos, o retomar de uma relação interrompida, uma paixão que a distância alimentava.
Lembro-me do silvo do combóio a ecoar nos penedos - e era um som diferente, um som familiar , um aviso de proximidade que me fazia respirar mais depressa e cravar os dedos nos bordos da janela. Um prenúncio da felicidade.
A linha do Sabor foi, por muito tempo para mim o pórtico iniciático da minha vida .
E foi também outras tantas vezes , pela partida , o amor rasgado.

Anónimo disse...

Faço questão de assinar o comentário :
Daniel

Anónimo disse...

Xo oX, Campos Monteiro também não andou na linha do Sabor.

Júlia Ribeiro disse...

Também para mim, Daniel. Do Pocinho para cima já não sentia o cansaço, apesar das longas horas de Coimbra até ao Porto e depois do Porto até ao Pocinho. Bilhete de 3ª, porque não havia 4ª. Bancos de madeira travejados que se vincavam nas costas, no pescoço, nas pernas e causavam dores danadas.
Mas o Pocinho era a antecâmara do meu Paraíso. Última mudança. O apito do comboiinho já era familiar. Em pé, agarrada ao bordo da janela ( que importavam as faúlhas? ) esperando - de cada vez como se fosse a primeira - avistar lá no fundo do vale, a grandiosidade da igreja e depois o meu berço : a Corredoura. Era lá que estavam as mãos que me deram o carinho e o pão, os olhos que me bebiam por inteiro, lá estavam amigos e amigas mais novos e mais velhos, estes que me contaram históris de encantar, aqueles que foram colegas de escola e de brincadeiras...
Que de lembranças : nós, raparigos, do Largo da Corredoura dizíamos adeus ao comboio acompanhando os adeuses com a cantilena "pouca-terra, pouca-terra". Na escola primária até representámos o comboiinho do Sabor, cansado, tão cansado naquela despenhosa subida do Pocinho para Moncorvo. Representávamos quando tínhamos que sair no troço mais difícil e voltar a subir - em andamento, pois claro - (risos, confusão na linha e na sala de aula) - mas o andamento era lento, como nessa altura era lento o tempo.
Sei o que aconteceu ao comboiinho, mas não sei o que aconteceu ao tempo, que agora é tão veloz que não consigo apanhá-lo. Todos os dias me faltam horas às diariamente repetidas 24 .

Bem , é bom que me cale, que já chega de palratório por hoje.

Vou estar uns dias ausente . Não tereis que me aturar...

Abraços
Júlia

Wanda disse...

Olá!
O que ficou em mim, de todos estes com sobre a linha do Sabor,foi verificar em todos ;o prazer da volta.
Os ingleses tem uma boa definição para a hora de voltar para casa:Home
É o nosso lar.


Meu Mundo

Toda tarde digo para mim mesmo:
afinal, eis o meu mundo.

O mesmo beijo, o mesmo quarto claro, com seu assoalho brilhando
refletindo o meu passo;
as mesmas paredes brancas me envolvendo com afáveis gestos de paz;
o mesmo rádio silencioso, entre livros empilhados, a mesma estante fechada
que a um gesto meu descobre tesouros como velha mala de pirata.

Afinal, eis o meu mundo.
A mesma insubstituível companhia, a mesma presença até quando longe dos olhos,
a mesma voz perguntando, a mesma voz respondendo,
o mesmo odor suave do jantar, do tempero cozinhando,
a mesma impressão de quem chega de ombros nus e veste ajudado
um macio agasalho.

Afinal, eis o meu mundo.
Como o pescador solitário, diante do primeiro ramo:
- afinal, eis a terra!

J.G. de Araújo Jorge

O único idioma que define isso com uma palavra é o português ....saudades

Wanda
São Paulo, 27 de março de 2009

P.S.Júlia, sentiremos falta da sua presença insubstituível!

Anónimo disse...

Caro Leonel,
Os "textos de qualidade" não são meus, mas sim do próprio Professor Rentes de Carvalho (outro autor de leitura obrigatória, para qualquer transmontano que se preze!).
A "Amante Holandesa" e, em menor dose, a "Ernestina", aludem à linha do Sabor, nos anos 40-70. Os malabirismos do "Gato" dos Estevais, quando ia buscar o correiro ao apeadeiro(completamente arrazado à anos) de Estevais, saltando para/do o vagão em andamento, com a bolsa do correio, é uma descrição notável, cheia de colorido e dinamismo.É a linha do Sabor ainda viva!
Ainda sobre a linha viva, como caminho de desterro, há o excerto final da Tragédia de um Coração Simples (in Ares da minha serr), do Campos Monteiro (se ele utilizou a linha ou não, não sabemos, mas é bem provável que sim, pelo menos no troço do Pocinho a Moncorvo). É obrigatório ler aquele final, com o Caramês preso, levado a ferros, para o degredo africano; seguiu numa carruagem-salão de 3ª classe - "Estridulou um silvo agudo, - e o combóio deslizou nos carris, correu ladeira abaixo" (...) "João continuava a envolver a vila na sua mirada enternecida. Já a distância a fazia mais pequena, dando aos edifícios a aparência de cubos minúsculos, próprios para brinquedos de crianças. Só a igreja se impunha ainda, maciça e alta, monstro de pedra desafiando os séculos. Depois a locomotiva torceu subitamente para a esquerda. A vila deixou de ver-se. E o combóio, coleando e rangendo, atirando para o céu volutas de fumo esbranquiçao, entranhou-se nas arribas do Douro".
Cada qual tem as suas memórias da linha do Sabor. Foi nesse velho combóio o vapor (o "texas" como a malta lhe chamava) que vim num degredo ao contrário, no já longínquo ano de 1975, num dia de Fevereiro. Do alto da estação de T. de Moncorvo, avistei pela vez primeira a vila, de onde se me impôs ao olhar o "monstro de pedra", num fim de tarde, com os tíbios raios de sol lambendo o granito, dando-lhe tons dourados... Foi amor à primeira vista. Daí a uns 15 dias vim parar ao burgo, numa espécie de bilhete sem regresso, todavia sempre com muitos regressos. A subida épica do Pocinho para a Torre (um dos lanços de maior declive nas linhas férreas portuguesas), voltei a fazê-la mais tarde, já o vapor se despedira, numa automotora azul (a grazine), num dia terrífico de calor, por volta de 1984-85. A traquitana abanava por tudo o que era lado e o motor - que se via ao lado do motorista, sem a respectiva capota, para se ir metendo àgua no radiador - esfumaçava por tudo o que era lado. Foi nos dias do estertor, depois da jornada heróica de Setº de 1979, em que os povos de entre-Sabor-e-Douro, pegaram em estadulhos, varapaus, alfaias agrícolas e tudo o que lhes veio à mão para defender o seu combóio, barricando a ponte do Pocinho (o único atravessamento anterior à barragem) e a mantiveram sequestrada, juntamente com uma automotora em Bruçó e um combóio no Pocinho, onde o povo arrancou dezenas de metros de carril para não o deixar seguir para baixo. Uma semana durou a guerra do combóio, que terminou com uma mão cheia de promessas (q eram paliativos)dos senhores do governo e um contingente da polícia de choque a tomar de assalto a estação do Pocinho e a proteger a reconstrução da linha. O povo ainda rosnou de longe e ameaçou com pedras, mas estancou perante os capacetes, viseiras, escudos e bastões de muitos que, se calhar, alguns deles, até seriam transmontanos.... Este episódio é tanto mais importante porque foi o último rugido do leão moribundo. Ainda havia alguma quantidade de gente aqui vivendo e ainda muitos novos. E ainda com a fibra e a garra de transmontanos de antes quebrar que torcer. Hoje já não seria possível. Ficou nas páginas dos jornais da época. No jN até saíu a fotografia de um desses paladinos da defesa do combóio, o ti Zé Inácio, lavrador da Vilariça, com o seu típico chapéu preto de aba larga, que liderou os tractores da Vilariça que foram barricar a ponte; houve piquetes que se revezavam 24 horas com as viaturas na ponte; houve cargas de gelamonite prontas para mandar abaixo os postes de alta tensão entre Moncorvo e a sub-estaçao do Pocinho, patrulhados depois pela GNR. Enfim, os paliativos (com uns autocarros rascas que passaram a levar o povo do Pocinho a cada aldeia, até, gradualmente, se substituirem por uma transportadora privada) duraram uns poucos anos; o "mercadorias" continuou a circular por mais uns quatro ou cinco... depois, como num passe de mágica, desapareceu, com o anúncio do chumbo do projecto mineiro de Moncorvo, que fora, na verdade, o grande "leif-motiv" desta linha. A seguir, começaram a cair todos os ramais da linha do Douro... De Macedo a Bragança - de onde, inclusive, levaram a locomotiva de noite, carregada numa grua, num grande camião TIR, talvez com medo das emboscadas dos índios; deste episódio triste, ficou um escrito fabuloso de F. Calado ("A noite em que nos roubaram o combóio", in Voz do Nordeste), e um acto de coragem do actual governador civil, que se atravessou em frente para não deixar sair a máquina de um combóio que custara a falência da empresa que o construíu, há 100 anos, e a morte do seu principal entusiasta, o conselheiro Abílio Beça, esmagado pela locomotiva, creio q no próprio dia da inauguração.
É um caso que merece reflexão aos sociólogos e antropólogos (tem a palavra o Dr. António Barreto) esta ligação do povo aos combóios; talvez na ânsia de atirar o povo contra o combóio, fizeram-nos descarrilar as vezes que se sabe, no troço que subsiste (por mais quantos dias???) da linha do Tua, em nome de interesses obscuros que metem uma barragem de permeio.
Há poucos dias, de novo pela calada da noite e sem aviso prévio, extinguiram o que restava da linha do Corgo, como foi noticiado. E o povo já sem um arreganho, exangue, besta de carga, incapaz de dar um couce, como diria o nosso Guerra Junqueiro. Em breve, extinguirão a linha do Douro da Régua para cima, não tenhamos dúvidas... - Mas, se, depois, os estudos encomendados a altos especialistas, demonstrarem a rentabilidade de uns pacotes turísticos, em períodos de Amendoeira em Flor, ou em função de circuitos panorâmicos, com bilhetes para bolsa de rico, pois podem ter a certeza que a CP porá combóios de luxo, se calhar até à Barca de Alva (como se ouve dizer há muito tempo), só para alguns, mas à conta do dinheiro de todos. Pergunto se não haverá, nessa altura, uma espécie de comando etarra a fazer voar a linha, da Régua para cima, pois já que não serve para o povo, os ultimos índios que cá habitam, para que nos serve o "turismo", cujas operadoras pagam os impostos para Lisboa, como acontece com os barcos-hotel, estrangeiros, que andam aí há uns anos (e nem postos de trabalho directos criam, pois até a tripulação é estrangeira)!
Peço desculpa por este excesso, mas a paixão do combóio também é minha.
Se quiserem saber mais a extinção da linha do Sabor, num registo literário, recomendo o conto: "O combóio" de António Sá Gué, in Contos dos Montes Ermos (ArtEscrita ed.), páginas 29-37.
E façam por utilizar, tanto quanto possível, a linha do Douro, entre o que (ainda) resta, do Pocinho para baixo, para não dar (mais) argumentos (economicistas) à CP e à Refer (que até os carris da linha do Sabor vieram buscar, para venderem para a sucata, entre Duas Igrejas e Moncorvo).
Ah, e, para matar saudades, utilizem a Ecopista, para ver por onde andou o combóio do filme de Lauro António (produção de Leonel Brito).
P.S. - Por falar em Lauro António, esteve ontem à noite no Porto, a proferir uma conferência no Clube Literário, sobre cinema. Não fui, mas acho que deve ter valido a pena.
N.

Anónimo disse...

ERRATA:
Depois de "postado", notei algumas "gaffes" fruto da pressa, que aqui se corrigem:

1º parágrafo: "apeadeiro(completamente arrazado à anos) de Estevais" > deve ler-se: "arrazado há anos"; certas letras que falham deve-se a ma contacto das teclas, que o teclado é velho;

2º parágrafo: "há o excerto final da Tragédia de um Coração Simples (in Ares da minha serr)" > deve ler-se: "Ares da minha serra"

final do 2º parágrafo: "E o combóio, coleando e rangendo, atirando para o céu volutas de fumo esbranquiçao" > deve ler-se:
"fumo esbranquiçado"

Penúltimo parágrafo: "Se quiserem saber mais a extinção da linha do Sabor, num registo literário, recomendo o conto..." > deve ler-se: "Se quiserem saber mais sobre a extinção".

Fica a correcção, com as devidas desculpas.
N.

Anónimo disse...

Caro Nelson
Felicito-o vivamente pelo comentário sobre as linhas de caminho de ferro, desassombrado e realista. Nele revive uma luta que o povo desempenhou com paixão pelo "seu" combóio e demonstra com realismo de que lado está o seu sentimento - e o nosso já agora- nesta questão.
Ao pé das suas palavras o resto dos comentários não passa de uma incursão proustiana no reino das memórias.
As razões populares não coincidem muitas vezes com as do poder é um facto. É também verdade que são questões complexas , mas há apenas dois aspectos que eu como cidadão não me posso inibir de afirmar:- um é que as intervenções ambientais em nome das quais se derrubam as linhas e se fazem expropriações têm carácter perene e vão implicar as próximas gerações, para o bem e para o mal; outra é que é totalmente inadmissível que da incúria dos responsáveis tenha havido vítimas inocentes no Tua - todos vimos o estado miserável da linha mas como não era para durar nada se fez . É afrontoso num Estado de Direito . É totalmente imoral e até agora, que eu saiba, imperou o silêncio.Mais uma vez esmagando os que não têm voz nem capacidade de reivindicar justiça.

Daniel de Sousa

Baiqueeuespero disse...

O meu pai conduziu o último comboio que passou na linha do Sabor.
Tenho algumas fotos da linha do sabor no Fórum de Carviçais( só para membros), espero encontrar ainda muitas mais.

Anónimo disse...

caríssimo Daniel,
uma vez mais, agradeço a sua apreciação à minha "destemperada" intervenção. Decorreu o tom, e o ímpeto, de se ter voltado a falar, nos últimos dias, das linhas do Tua e do Corgo; se, para o primeiro caso, parece que já lhe estão a fazer o definitivo enterro (com a notícia de ontem, de que a dita linha já não reabriria), quanto à do Corgo, veio entretanto o Sr. governador civil de Vila Real informar-nos que, afinal, é só um encerramento temporário para obras, e que ainda teremos linha para mais 100 anos! (notícia in J.N., 28.03.2009 - vale a pena recortar e guardar, pelo menos durante os próximos 99 anos...). Lembro que, no caso da linha do Sabor, um certo Sr. deputado da então AD (Aliança Democrática, lembram-se?), disse, a escassos meses de umas eleições (em 1979, ou 1980??), que a linha do Sabor não fecharia; ainda me lembro do nome do ilustre deputado, João Porto, de sua graça, e a afirmação foi feita no alto do Castelo de Moncorvo, durante um comício. Embora não tivesse sido o governo que saíu dessas eleições a fechar a linha, a verdade é que o destino ficou traçado. Ora sendo este, também, um ano de eleições, tirem-se as devidas conclusões. Sendo certo que, como dissémos, utilizando os tais argumentos economicistas, hoje menos se consegue justificar a linha do Corgo. Mas pelo seu interesse turístico, tal como a do Tua, num tempo em que se enche a boca com o grande futuro turístico do Douro, acho que ambas se deveriam manter. Ainda no caso do Sabor, foi algo q vivi com a intensidade própria de tempos adolescentes, quando a tenra juventude nos faz vibrar com certas causas (ainda que perdidas). Eu e outro colega fizemos vários cartazes em papel de cenário, que afixámos na parede de cantaria, ao fundo do Castelo, utilizando como palavra de ordem uma expressão quu ouvíramos a um velhote de Lagoaça, brandindo a gajata (bengala) num dia de feira de Moncorvo, ao falar-se do problema do encerramento da linha, que andava na ordem do dia - dizia ele: "- O cambóio é do pôvo, carvalho!" (sem o "v", claro!...)

Entretanto, temos que nos inscrever no fórum de Carviçais para ver as fotos do Baiqu'euespero. Seria também termos aqui o testemunho de seu pai, sobre essa viagem de despedida da linha do Sabor. Faça a recolha, com uma foto ou mais, e envie para o nosso webmaster, que, seguramente não deixará de se "postar" aqui, pois este blog é de todos os moncorvenses que queiram participar. Da minha parte fica o repto.
Abraço,
N.

Anónimo disse...

O meu pai conduziu o último comboio que passou na linha do Sabor"
Baiqueeuespero, envie ,como sugeriu N.,uma foto de seu pai e uma ou duas do comboio.Com um depoimento dele sobre a ultima viagem.
O blog é de todos e todos estamos interessados em preservar a memória.
Por favor, siga as instruções de N.
Um leitor desde já agradecido.

Baiqueeuespero disse...

Na páscoa quando for a Carviçais, falo com ele.

Anónimo disse...

Até à Pacoa,Baiqueeuespero.

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